8 de agosto de 2019

Colecção Novela Gráfica (5ª série) #6: Goradze - Zona de segurança

A Levoir e o Público voltam a um género de BD, a que se convencionou chamar BD reportagem. Em 2016, na colecção Novela Gráfica foi publicado Fax de Sarajevo, relato da Guerra da Bósnia contado na primeira pessoa. Hoje está nas bancas Gorazde: Zona de Segurança, galardoado em 2001 com o Eisner para Melhor Novela Gráfica, é a obra-prima de Joe Sacco e o livro que fez dele um dos jornalistas mais notáveis da América.

Sacco nascido em Malta, em 1960, e naturalizado norte-americano, formou-se em jornalismo na Universidade do Oregon. Repórter e desenhador Joe Sacco faz em Gorazde: Zona de Segurança, um relato contemporâneo e impressionante das atrocidades cometidas contra a população muçulmana durante a Guerra da Bósnia. Anteriormente o autor publicou Palestina onde apresenta o período que passou nos territórios ocupados e com o qual ganhou o American Books Award em 1996.

Gorazde fica na parte mais oriental da Bósnia, uma das partes do país que mais sofreu com a guerra. Ali, a população muçulmana era cercada e assassinada pelas forças sérvias, que pretendiam fazer uma limpeza étnica na região. Numa tentativa de tentar proteger a população muçulmana, a ONU criou áreas de segurança: locais onde a população bósnia era confinada e de onde não podia sair. Isolada, atacada, bombardeada ao longo de três anos e esquecida da media internacional – o foco estava na capital, Sarajevo – a população muçulmana da cidade resistiu, entre privações e solidariedade, tragédias individuais e laços afectivos.

Entre 1995 e 1996, Sacco visitou Gorazde por 4 vezes, tendo ficado um total de 40 dias, ali entrevistou sobreviventes e refugiados, visitou hospitais e locais de conflito. Foi um dos poucos jornalistas que tirou os olhos da capital e apontou os holofotes para o interior do país.

Sem a sua intervenção, Gorazde: Zona de Segurança, nunca poderia ter sido contada. O resultado é uma obra que põe a nu o lado não mostrado da Guerra da Bósnia, que conta a história de homens, mulheres e crianças que tentaram sobreviver a bombardeamentos, à fome ou a violações.

O uso do preto e branco e o detalhe dos desenhos de Joe Sacco fazem deste livro uma obra a não perder.

Colecção Novela Gráfica #6: Goradze - Zona de segurança, Joe Sacco, Levoir/Público, 240 pp., p&b, capa dura, 10,90€

6 de agosto de 2019

Eduardo Maicas - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Desenhador, argumentista
(Argentina) Buenos Aires, 9 de Novembro de 1950 - 2 de Agosto de 2018

Estuda desenho na Escola Panamericana de Arte. A sua primeira vinheta aparece no West Weekly, uma publicação diária de San Justo; mais tarde, as suas primeiras histórias em quadradinhos aparecem na revista Patoruzú. No entanto, com o passar do tempo, percebe que se expressava melhor escrevendo, dedicando-se a escrever roteiros humorísticos. Também trabalha, durante doze anos, em publicidade.
No meio gráfico, publica nas revistas argentinas Hum e Sex Hum - onde é coordenador da equipa criativa - Satiricón, Libre, Somos, Feriado Nacional, El Gráfico, Tía Vicenta, Fierro, Pitos y Flautas, El Ratón de Occidente, Media Suela, Comic.ar, Humi, Genios, Laberintos y Billiken;  na revista espanhola El Jueves; e nos jornais La Razón, El Cronista Comercial, La Prensa, no suplemento NO de Página / 12 e La Voz. Em 2013, é lançada a revista Cureta, na qual participa com muitos outros humoristas gráficos. Por vinte anos escreve o argumento de Clara de Noite com Carlos Trillo e, mais tarde sozinho, após a sua morte.
Em 1990 começa a trabalhar no rádio. Por onze anos, participa como comediante da Rádio Rivadavia. Na Rádio Belgrano, escreveu textos para o programa Jejum de Jorge Guinzburg e Carlos Abrevaya. Na televisão, escreveu argumentos para os programas do Canal 13. Lecciona em oficinas de BD e desenho humorístico, ministra palestras e conferências relacionadas ao tema e é membro da direção da União dos Trabalhadores da Imprensa de Buenos Aires.

Séries publicadas em Portugal:

[actualizado em 06.08.2019]

Les Amis de Jacobs #25

Acabada de chegar a revista semestral exclusiva aos associados dos Les Amis de Jacobs, agremiação francesa que se dedica à preservação e divulgação do legado do criador de Blake e Mortimer.

Além de outros artigos, destaco o extenso dossiê sobre as fontes de Jacobs para realizar o episódio "O enigma da Atlântida".

Les Amis de Jacobs #25, juin 2019, cor, 42 pp., exclusivo para membros

4 de agosto de 2019

Darby Conley - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Desenhador, argumentista
(EUA) Concord, 15 de Junho de 1970

Conley nasce nos Massachusetts e cresce em Knoxville no Tennessee.

Enquanto cursa o ensino secundário em 1986, vence um concurso de desenho animado para estudantes. Durante o seu último ano na Doyle High School (agora South-Doyle High School) em Knoxville, é eleito o "mais talentoso" da sua turma. Cria a série Get Fuzzy, tiras humorísticas que circulam em mais de setecentos jornais de todo o mundo. Paralelamente, Conley é membro do grupo a capella da Amherst College, os Zumbyes. Em 2002, vence o National Cartoonists Society Award for Newspaper Comic Strip.

Quadriculografia portuguesa:
Aqui há gato

[actualizado em 04.08.2019]

Aqui há gato - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Ficha técnica:
Get Fuzzy
Humorístico
(EUA) United Media, 6 de Setembro de 1999 - 2013
Darby Conley
Estreia em Portugal: Álbum Bizâncio, 2004

Tiras humorísticas sobre um gato antropomórfico, Bucky, e o seu cachorro, Satchel, que vivem com o seu único dono, Rob Wilco. A ideia para o personagem de Bucky veio do gato siamês de um amigo de Darby

Quadriculografia portuguesa:
  • O cão não é um brinquedo (The dog is not a toy), 2001, Álbum Bizâncio [2004]
  • Contra gatos não há argumentos (Fuzzy Logic), 2002, Álbum Bizâncio [2007]
  • A era do gato (The Get Fuzzy Experience: Are You Bucksperienced), 2003, Álbum Bizâncio [2007]
  • Catástrofe (Blueprint for Disaster), 2003, Álbum Bizâncio [2008]
  • Olh'ó passarinho (Say Cheesy), 2005, Álbum Bizâncio [2008]
  • Formação desordenada (Scrum Bums), 2006, Álbum Bizâncio [2010]
  • Hollywood é demasiado pequeno para mim (I'm Ready for My Movie Contract), 2007, Álbum Bizâncio [2011]
[actualizado em 04.08.2019]

2 de agosto de 2019

Les Cahiers de la BD #8

Com o título de capa "La bande dessinée peut-elle faire voyager" chegou-me o oitavo número da revista trimestral (3º trimestre de 2019) de estudos sobre banda desenhada, Les Cahiers de la BD.

Neste número temos na capa um desenho de Xavier Marabout, designer gráfico especializado em mashup, parodiando Tintin, inspirado nas obras do pintor norte-americano Edward Hopper - complementado com um caderno de doze páginas no interior da revista. François Avril, outro ilustrador com uma linha elegante também nos oferece doze páginas que nos permitem saborear a sua arte gráfica. Podemos deliciarmos com lustrações dos diários de viagem evocados por Romain Brethes, Loustal, Jano, Töpffer, Zep e Eugène Delacroix. Lucie Servin apresenta uma entrevista com Frederik Peeters François Schuiten e Laurent Durieux dão entrevista a Nicolas Tellop sobre o seu projeto faraónico em torno de Blake and Mortimer.

E não esquecer um dossiê de 32 páginas dedicado ao grande artista argentino Alberto Breccia com uma rica iconografia com filmes, uma entrevista inédita feita em 1992 por Volker Hamann e Roland Mietz para a revista alemã Reddition e um artigo de Vincent Bernière sobre as muitas técnicas usado pelo artista durante sua longa carreira.

Les Cahiers de la BD #8, 196 pp., 12,50€

1 de agosto de 2019

Colecção Novela Gráfica (5ª série) #5: Monika

O quinto volume da colecção Novela Gráfica da Levoir, em parceria com o Público, tem o título de Monika, editado originalmente em 2015.

Não é fácil definir Monika, pois este poderá ser considerado um thriller sensual, político e psicológico ou um livro de ficção científica. Ou poderá ser uma mistura de todos. Cabe ao leitor a decisão!
Monika é a história de duas irmãs com vidas muito diferentes. Monika é uma artista que usa o seu próprio corpo como base para o seu trabalho de pintura e vídeo. Ela procura a irmã desaparecida, que foi vista pela última vez na companhia do político Christian Epson, homem ambicioso, com um gosto por eventos fetiche caros.
A jovem vê-se arrastada para um submundo erótico e escuro dos “bailes de máscaras”, e é no mundo das sociedades secretas, festas sado-maso e grupos terroristas, que percebe que a irmã desaparecida está envolvida e controla totalmente um movimento terrorista em potencial.

Thilde Barboni, psicóloga clínica de formação, é autora de numerosos contos e obras de ficção, incluindo quase uma dezena de romances publicados na Bélgica, França e Suíça, alguns dos quais traduzidos para alemão e coreano. Em Monika, Thilde tece um suspense erótico que proporciona a Guillem March uma oportunidade perfeita para mostrar um registo e uma paleta de cores extremadamente sensuais…

Guillem March, nasceu em Maiorca, em 1979, construiu uma extensa carreira no mercado americano como ilustrador da DC Comics, onde se estreou com uma história que os leitores portugueses conhecem do volume Asilo do Joker, no capítulo sobre a Hera Venenosa (na colecção No Coração das Trevas DC, editado em 2017 pela Levoir e pelo Público). Antes de entrar no mercado americano, March já tinha trabalho publicado como autor completo em Espanha, com obras como a trilogia Sofia, Ana y Victoria, pré-publicada entre 2001 e 2004 no suplemento dominical do Jornal de Mallorca, e Laura, livro de 2006 que encerra esse ciclo feminino e que foi realizado entre a publicação do primeiro e do segundo volume de Monika.

Colecção Novela Gráfica (5ª série) #5: Monika, Guillem March e Thilde Barboni, Levoir, 132 pp., cor, capa dura, 10,90€