domingo, 30 de agosto de 2026

Ansorojimanga

A editora FA lançou Ansorojimanga,  por Nan Ninka No Chosha. O título significa literalmente "Antologia Mangá por Vários Autores". Esta obra é uma celebração da banda desenhada de inspiração japonesa, com mangás dentro dos seus vários estilos, reunindo diferentes criadores num projeto único.

O livro oferece um numero dinâmico de histórias, navegando por múltiplos géneros como ação, drama, comédia e romance. Cada história traz um traço e um universo novos, garantindo uma leitura surpreendente e acessível. Num momento, podemos ser transportados para combates dinâmicos ou comédias do quotidiano e no momento seguinte, confrontamo-nos com reflexões profundas, ficção científica ou romances delicados.

Disponível em várias lojas ou plataformas online, e diretamente em: https://linktr.ee/faeditora.

Ansorojimanga, Nan Ninka No Chosha, FA, 46 pp., p&b, capa mole, 14,90€

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Estamos Todas Bem: Ana Penyas dá voz às mulheres esquecidas pelo franquismo

O Público e a Levoir lançaram hoje Estamos Todas Bem, de Ana Penyas, uma das obras mais premiadas e marcantes da banda desenhada espanhola dos últimos anos. Um livro profundamente íntimo que recupera, através das memórias das avós da autora, a experiência de toda uma geração de mulheres cuja história raramente encontrou lugar na narrativa oficial.

Publicada originalmente em Espanha com o título Estamos todas bien, a obra valeu a Ana Penyas, em 2018, o Prémio Nacional de Banda Desenhada de Espanha, tornando-a a primeira mulher a receber esta distinção.

Ana Penyas parte das memórias das suas duas avós, Maruja e Herminia, para reconstruir vidas aparentemente comuns, mas representativas de milhões de mulheres espanholas que atravessaram a Guerra Civil, a ditadura franquista e, mais tarde, a transição para a democracia. Não estamos perante uma biografia convencional nem uma grande narrativa histórica. A História surge através do quotidiano: o casamento, a maternidade, o trabalho doméstico, a educação dos filhos, a religião, as convenções sociais, as renúncias e o lugar reservado às mulheres numa sociedade profundamente conservadora.

Penyas olha para aquilo que habitualmente ficou fora dos relatos sobre o franquismo: como viviam as mulheres dentro de casa, o que lhes era permitido desejar, aquilo a que tiveram de renunciar e de que forma envelheceram depois de uma vida construída em função dos outros.

Um dos aspetos mais interessantes de Estamos Todas Bem é a forma como passado e presente se cruzam constantemente.

A autora acompanha, por exemplo, a rotina atual de Maruja. A idade tornou difícil aquilo que anteriormente era banal. Uma pequena caminhada entre o parque e casa transforma-se num percurso demorado e cansativo. A solidão, o envelhecimento e uma cidade pouco preparada para quem perdeu mobilidade fazem parte desse presente. As memórias invadem o presente e as vozes das duas mulheres conduzem-nos a outras épocas, permitindo perceber não apenas aquilo que viveram, mas também a forma como hoje recordam essas experiências.

Fotografias antigas são apropriadas e transformadas pelo desenho; imagens domésticas ganham um novo significado quando colocadas perante os testemunhos das protagonistas; fragmentos de conversas revelam muito mais do que longas explicações históricas. A autora não precisa de dramatizar artificialmente as vidas que retrata. Deixa que sejam Maruja e Herminia a falar e permite que os silêncios, os gestos e as imagens completem aquilo que as palavras não dizem.

Estamos Todas Bem é também uma obra assumidamente feminista, não porque transforme as suas protagonistas em heroínas exemplares, mas porque lhes devolve um espaço que durante demasiado tempo lhes foi negado. Penyas questiona uma memória histórica tradicionalmente construída em torno das experiências masculinas e pergunta implicitamente: onde estavam as mulheres enquanto tudo isto acontecia? Estavam em casa, a criar os filhos, a trabalhar, a cuidar dos familiares, a obedecer às convenções impostas pela ditadura e pela Igreja, a sobreviver e, muitas vezes, a abdicar dos seus próprios projectos.

Nascida em Valência, em 1987, Ana Penyas estudou Design Industrial e Belas-Artes na Universidade Politécnica de Valência e começou por se destacar no campo da ilustração.

Em 2017, venceu o Prémio Internacional de Banda Desenhada Fnac-Salamandra, que possibilitou a publicação de Estamos todas bien, a sua primeira novela gráfica.

O reconhecimento foi imediato. Em 2018 recebeu o prémio de Autora Revelação no Salón Internacional del Cómic de Barcelona e, sobretudo, o Prémio Nacional de Banda Desenhada, atribuído pelo Ministério da Cultura espanhol. Pela primeira vez desde a criação do galardão, em 2007, uma mulher conquistava o prémio. Não deixa de ser particularmente significativo que essa distinção tenha sido atribuída precisamente a uma obra dedicada a retirar do silêncio as mulheres de uma geração anterior.

Estamos todas bem (Colecção Novela Gráfica - IX série, n.º 8), Ana Penyas, Levoir, 120 pp., cor, capa dura, formato italiano, 16,90€ 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

NAU lança programa de cursos sobre a História da Banda Desenhada Portuguesa

A plataforma NAU acaba de lançar o programa online A História da Banda Desenhada em Portugal, desenvolvido em parceria com João Miguel Lameiras, especialista em BD, professor universitário e responsável pela livraria Dr. Kartoon, em Coimbra.

O programa propõe uma viagem por mais de 140 anos de banda desenhada portuguesa, mostrando como a nona arte acompanhou as transformações políticas, sociais e culturais do país.

A formação divide-se em dois cursos: A Banda Desenhada Portuguesa do Zé Povinho ao 25 de Abril, dedicado às origens e à evolução da BD nacional até ao final do Estado Novo, e A Banda Desenhada Portuguesa da Revolução aos Dias de Hoje, que acompanha as mudanças ocorridas depois de Abril de 1974 e a evolução até à criação contemporânea.

Para João Miguel Lameiras, a iniciativa pretende chegar não apenas aos leitores habituais de BD, mas a um público mais vasto, contribuindo para dar a conhecer a riqueza da banda desenhada portuguesa e a qualidade dos seus autores.

Uma excelente oportunidade para descobrir — ou redescobrir — uma parte importante do nosso património cultural.

A História da Banda Desenhada em Portugal – NAU

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Blacksad: Amarillo regressa em nova edição pela Ala dos Livros

Mais de duas décadas depois da primeira edição portuguesa, Amarillo regressa às livrarias numa nova edição da Ala dos Livros, agora acompanhada por um caderno de extras.

Publicado originalmente em Portugal pela Arcádia, Amarillo é o quinto álbum de Blacksad, a série criada por Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido. A nova edição da Ala dos Livros recupera uma das aventuras mais marcadamente americanas do detective John Blacksad.

Depois dos acontecimentos em Nova Orleães, Weekly decide partir, enquanto John prefere ficar e procurar trabalho. A oportunidade surge através de um texano abastado, que lhe propõe uma tarefa aparentemente simples e bem remunerada: conduzir o seu automóvel até casa. Mas a viagem depressa se complica. Numa bomba de gasolina, o carro é roubado por Chad Lowell e Abe Greenberg, dois escritores beatniks a caminho de Amarillo, no Texas. A rivalidade entre ambos termina em tragédia quando Chad dispara sobre Abe e se vê obrigado a fugir, procurando refúgio num circo.

Blacksad parte então no seu encalço, numa viagem pelas estradas dos Estados Unidos que o leva através do Novo México e do Colorado, cruzando-se com escritores, artistas de circo e outras personagens à margem da sociedade.

Amarillo combina assim a investigação policial característica de Blacksad com uma narrativa de estrada, tendo como pano de fundo a América da geração beat.

A nova edição da Ala dos Livros inclui ainda um caderno de extras, constituindo uma oportunidade para recuperar este quinto capítulo da série numa edição renovada.

Blacksad #5: Amarillo, Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido, Ala dos Livros, 88 pp., cor, capa dura, 29,90€

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Carlota Imperatriz: a conclusão da tetralogia

A Ala dos Livros conclui a publicação portuguesa de Carlota Imperatriz, a ambiciosa tetralogia histórica de Fabien Nury (argumento) e Matthieu Bonhomme (desenho), dedicada ao trágico destino de Carlota da Bélgica, mulher de Maximiliano de Habsburgo e imperatriz do México.

Publicada originalmente pela Dargaud, em França, entre 2018 e 2025, a série é constituída por quatro álbuns: La Princesse et l’Archiduc, L’Empire, Adios, Carlotta e Soixante ans de solitude. A edição portuguesa reúne a tetralogia em dois volumes integrais, cada um contendo dois dos álbuns originais. O terceiro volume francês, Adios, Carlotta, foi publicado em Maio de 2023, enquanto o derradeiro Soixante ans de solitude chegou às livrarias francesas em Abril de 2025.

Neste segundo integral encontramos, portanto, Adiós Carlotta (Adios, Carlotta, 2023) e Sessenta Anos de Solidão (Soixante ans de solitude, 2025).

Na ausência de Maximiliano, e apoiada pelo coronel Alfred van der Smissen, por quem sente uma crescente atracção, Carlota assume as rédeas do Império Mexicano. Mas o regresso do marido coincide com o agravamento da situação: as revoltas multiplicam-se e a França prepara-se para retirar as suas tropas do México. Entretanto, Maximiliano deseja desesperadamente assegurar um herdeiro, enquanto Carlota, conhecedora da doença do marido, se recusa a partilhar o leito com ele.

A situação leva a imperatriz a atravessar novamente o Atlântico, procurando na Europa apoios para salvar Maximiliano e o império. Encontra, porém, portas que se fecham e aliados cada vez mais escassos. Abandonada e progressivamente dominada pela perturbação mental, Carlota inicia o longo e doloroso período de isolamento que marcará o resto da sua vida. O quarto álbum encerra expressamente a quadrilogia de Nury e Bonhomme.

Com Sessenta Anos de Solidão, chega assim ao fim uma das mais interessantes séries históricas franco-belgas dos últimos anos: o retrato de uma mulher colocada no centro dos jogos políticos e dinásticos da Europa do século XIX, cujo sonho imperial mexicano acabaria por se transformar numa tragédia pessoal que se prolongou por seis décadas.

Carlota Imperatriz (2/2), Fabien Nury e Matthieu Bonhomme, Ala dos Livros, 168 pp., cor, capa dura, 35€

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Soli Deo Gloria: Uma novidade da Ala dos Livros

Nascidos sob o céu sombrio do Sacro Império Romano-Germânico, Hans e Helma estavam destinados a uma vida de dificuldades e pobreza. O seu talento para a música e seu amor por ela ofereciam-lhes esperança; um vislumbre de luz na sua existência escura e desoladora. Após o desaparecimento da sua família, foram acolhidos por um músico eremita que os apresentou aos ricos sons da natureza. Mais tarde, acolhidos num internato religioso, aprenderam o básico da leitura e da teoria musical, o que lhes permitiu decifrar as mais belas partituras da época.

Adoptados por um margrave, um senhor da guerra, descobririam então a beleza dos instrumentos musicais. Os palácios de diversas cidades europeias tornar-se-iam, por fim, testemunhas silenciosas dos seus sucessos, mas também das suas mais amargas decepções.

Inspirando-se nas convenções do romance de formação, Soli Deo Gloria oferece uma história austera, repleta de beleza e esperança. Pela primeira vez, Jean-Christophe Deveney coloca o seu talento para a escrita ao serviço do estilo preciso e elegante de Édouard Cour. Juntos, oferecem uma obra de beleza impressionante.

Soli Deo Gloria, Jean-Christophe Deveney e Édouard Cour, Ala dos Livros, 280 pp., p&b, capa dura, 37,50€