terça-feira, 29 de setembro de 2026

Prémios de Banda Desenhada da Amadora 2026: conhecidos os nomeados

Os Prémios de Banda Desenhada da Amadora 2026 já têm nomeados. A organização anunciou 24 seleções distribuídas por cinco categorias e um reforço dos prémios monetários: a Melhor Obra de BD de Autor Português passa a receber 10 000 euros, o dobro do valor anterior, e o Prémio Revelação passa, pela primeira vez, a atribuir 3 000 euros.

Ao Prémio Revelação concorrem A Cada Sete Ondas, de Beatriz Brajal; Canalha Borrada, de Zé Lázaro Lourenço; Manda msg quando chegares, de R.G.B.; A Solidão do Ser, de Helena Sá; e O Cão Invisível, de Wandson Lisboa.

Na categoria de Melhor Obra de BD de Autor Português estão nomeados Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo e Júlia Barata; Rare Flavours, de Filipe Andrade e Ram V; Dormindo Entre Cadáveres, de Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci; O Progresso da Humanidade, de João Sequeira e Rui Cardoso Martins; e Atrahasis, de David Soares e Sónia Oliveira.

A Seita reúne seis nomeações com quatro livros: Canalha Borrada, A Solidão do Ser, Os Trabalhadores do Mar, de Michel Durand, e A Fera – vol. 2, de Zidrou e Frank Pé. Os dois últimos concorrem simultaneamente aos prémios de Melhor Obra Estrangeira Editada em Portugal e Melhor Edição Portuguesa de BD. Rare Flavours também está nomeado em duas categorias. Além dos prémios monetários, a Câmara Municipal da Amadora adquirirá 100 exemplares da obra vencedora de Melhor Edição Portuguesa.

O júri é formado por Rui Cartaxo, presidente e representante do município, Cristina Alves e Luís Louro. Os vencedores serão anunciados no domingo, 18 de outubro, às 17h00, numa cerimónia no Núcleo Central do AmadoraBD, no Parque da Liberdade. A 37.ª edição do festival decorre em outubro, com programação em vários espaços da cidade.

sábado, 26 de setembro de 2026

O Acidente de Caça – Uma História Real de Crime e Poesia

A Ala dos Livros editou em Setembro O Acidente de Caça – Uma História Real de Crime e Poesia, com argumento de David L. Carlson, desenho de Landis Blair e tradução de Ricardo Magalhães Pereira. A obra foi publicada originalmente nos Estados Unidos em 2017, com o título The Hunting Accident: A True Story of Crime and Poetry.

Charlie Rizzo sempre acreditou que o pai perdera a visão num acidente de caça. Ao descobrir que Matt ficou cego durante um assalto, conhece também a história dos seus anos na prisão de Stateville. Foi aí que Nathan Leopold Jr. o aproximou da literatura e da poesia, transformando a vida que Matt julgava perdida.

A obra recebeu o Prémio Ouest-France / Quai des Bulles em 2020, o Fauve d’Or de melhor álbum no Festival de Angoulême em 2021 e o Grand Prix des Lectrices de Elle na categoria de não ficção em 2021.

O Acidente de Caça – Uma História Real de Crime e Poesia, David L. Carlson e Landis Blair, Ala dos Livros, 464 pp., p&b, capa dura, 49,90€

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

A Armação, de Daniel Silvestre, chega à IX série da Colecção Novela Gráfica

A Armação, de Daniel Silvestre, integra a IX série da Colecção Novela Gráfica, publicada pela Levoir em parceria com o Público. Trata-se de uma reedição da obra lançada em 2024 pela Bedeteca de Beja e pelo Centro de Língua Portuguesa Camões, I.P., em Bruxelas.

A narrativa nasceu de entrevistas ao avô do autor, José Silvestre, e ficciona um episódio da sua infância ligado à pesca. A partir dessa memória familiar, a obra retrata também a vida portuguesa dos anos 1930.

A primeira edição recebeu, em 2024, o prémio de Melhor Fanzine ou Publicação Independente dos Prémios de Banda Desenhada da Amadora. A reedição na Colecção Novela Gráfica dá agora uma nova circulação a esta obra de um autor português.

A Armação, Daniel Silvestre, Levoir, bicromia, capa dura, 16,90€

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A Sombra das Luzes chega ao terceiro tomo

A Ala dos Livros publicou O Demónio dos Grandes Lagos, terceiro volume de A Sombra das Luzes, com argumento de Alain Ayroles e desenho de Richard Guérineau. A edição original francesa, Le Démon des Grands Lacs, saiu pela Delcourt em 2025; a edição portuguesa é de Setembro de 2026.

Na América do século XVIII, a guerra aproxima-se, mas o Chevalier de Saint-Sauveur continua concentrado na sua aposta: conseguir que Aimée d’Archambaud case com um iroquês. Para isso, o libertino está disposto a recorrer a qualquer intriga. Entre cartas, réplicas mordazes e confrontos na floresta, chega ao fim o primeiro ciclo destas aventuras epistolares.

Com este lançamento, os três tomos da série estão publicados em Portugal pela Ala dos Livros.

A Sombra das Luzes #3, Alain Ayroles e Richard Guérineau, Ala dos Livros, 72 pp., cor, capa dura, 25€

terça-feira, 22 de setembro de 2026

No Rasto de Blueberry: uma homenagem a uma lenda do western chega a Portugal

Há personagens de banda desenhada que ultrapassam largamente os limites das séries onde nasceram. Blueberry é uma delas. Mais de seis décadas depois da sua criação por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, o célebre tenente regressa às livrarias portuguesas numa obra especial: No Rasto de Blueberry, que a ASA publica hoje em Portugal.

Publicado originalmente pela Dargaud, em Novembro de 2025, com o título Sur la piste de Blueberry, o álbum foi concebido para assinalar os 60 anos da publicação de Fort Navajo, primeiro álbum da série. Não estamos, porém, perante uma nova aventura convencional nem perante uma continuação assinada por uma única equipa criativa. Trata-se de uma grande homenagem colectiva a Mike Steve Blueberry e, inevitavelmente, aos seus criadores.

A proposta é particularmente sedutora: reunir alguns dos mais destacados autores da banda desenhada europeia contemporânea e convidá-los a seguir, cada um à sua maneira, o rasto deixado por Blueberry. O resultado alterna histórias curtas e ilustrações, permitindo revisitar diferentes momentos e facetas da vida da personagem e, simultaneamente, perceber até que ponto a criação de Charlier e Giraud continua presente no imaginário de sucessivas gerações de autores.

E a lista de participantes impressiona. Encontramos nomes como Anlor, Alberto Belmonte, Dominique Bertail, Michel Blanc-Dumont, Blutch, Olivier Bocquet, Vincent Brugeas, Stefano Carloni, Alexandre Coutelis, Fred Duval, Jérôme Félix, Paul Gastine, Goossens, Mathieu Lauffray, Lu Ming, Jean Mallard, Milo Manara, Enrico Marini, Mathieu Mariolle, Thierry Martin, Matz, Ralph Meyer, Félix Meynet, Vincent Perriot, Corentin Rouge, Olivier Taduc, Ronan Toulhoat, Jean-François Vivier e Philippe Xavier. Cada um contribui com uma história curta ou uma ilustração dedicada ao mítico cowboy.

É precisamente esta diversidade que torna No Rasto de Blueberry especialmente interessante. Não se procura substituir Jean Giraud nem reproduzir artificialmente o seu traço. Pelo contrário, diferentes sensibilidades gráficas e narrativas confrontam-se com uma personagem que marcou profundamente a evolução do western em banda desenhada. De autores intimamente associados ao género a criadores com universos muito diferentes, todos têm aqui a oportunidade de mostrar o seu Blueberry.

Criado em 1963 nas páginas da revista Pilote, Blueberry ajudou a transformar profundamente o western franco-belga. Charlier afastou progressivamente a série dos modelos mais convencionais da aventura juvenil, enquanto Giraud desenvolveu uma representação cada vez mais realista, cinematográfica e visualmente poderosa do Oeste americano. O tenente também estava longe do herói imaculado tradicional: indisciplinado, jogador, beberrão, por vezes insolente e frequentemente perseguido pela própria reputação, tornou-se uma personagem extraordinariamente humana.

Daí que esta homenagem tenha um significado que ultrapassa a simples celebração de um aniversário. Sessenta anos depois de Fort Navajo, Blueberry continua a inspirar alguns dos melhores desenhadores e argumentistas europeus.

A publicação portuguesa pela ASA é, por isso, uma excelente notícia para os leitores que acompanharam durante décadas as aventuras de Blueberry em Portugal e também para quem queira descobrir a dimensão do legado deixado por Charlier e Giraud.

domingo, 20 de setembro de 2026

Sapiens – A Idade das Revoluções

Chega o quarto e último volume da adaptação em banda desenhada de Sapiens: História Breve da Humanidade, de Yuval Noah Harari, novamente acompanhado pelo argumentista David Vandermeulen e pelo desenhador Daniel Casanave.

Em A Idade das Revoluções, a viagem começa há cerca de quinhentos anos, quando a humanidade tomou consciência da sua própria ignorância e o pensamento científico começou a transformar profundamente a forma de compreender e dominar o mundo.

Ao longo das páginas, acompanhamos a Revolução Científica, a expansão imperialista e colonial, o desenvolvimento do capitalismo e a crença moderna no progresso e no crescimento. Harari aborda também algumas das transformações que moldaram a vida contemporânea: o funcionamento do dinheiro e dos bancos, a crescente organização da sociedade em função do relógio e o extraordinário aumento da capacidade humana para produzir e transformar o planeta.

Mas permanece uma das questões centrais de Sapiens: todo este progresso tornou-nos mais felizes?

O volume prolonga a narrativa até ao presente e à Revolução da Inteligência Artificial, colocando uma nova interrogação: depois de adquirir um poder sem precedentes sobre o mundo, conseguirá a humanidade controlar inteligências que ela própria criou?

Com argumento de Yuval Noah Harari e David Vandermeulen e desenho de Daniel Casanave, Sapiens – A Idade das Revoluções encerra, com humor e ilustrações a cores, a adaptação gráfica da história da humanidade iniciada em O Nascimento da Humanidade.

Sapiens – A Idade das Revoluções, Yuval Noah Harari, David Vandermeulen e desenho de Daniel Casanave, Elsinore, 248 pp., cor, capa dura, 31,45€

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Super-Homem: As Quatro Estações na DC Pocket

A Devir publica este mês Super-Homem: As Quatro Estações, de Jeph Loeb (argumento) e Tim Sale (desenho), um dos títulos mais conhecidos da dupla responsável por Batman: O Longo Halloween. A obra integra a colecção DC Pocket, dedicada à publicação, em formato compacto, de algumas das histórias mais marcantes do catálogo da DC Comics.

Publicada originalmente em 1998 com o título Superman for All Seasons, a história apresenta uma abordagem intimista às origens do Super-Homem, acompanhando Clark Kent durante a juventude e os primeiros passos na construção da sua identidade como herói. Último sobrevivente do planeta Krypton, Clark é enviado ainda bebé para a Terra, onde é encontrado e adoptado por Jonathan e Martha Kent. Cresce em Smallville, no Kansas, numa pequena comunidade e rodeado pelos amigos Lana Lang e Pete Ross, até começar a compreender que possui capacidades extraordinárias e que a sua vida terá inevitavelmente de seguir um caminho diferente. A narrativa acompanha a passagem de Clark de Smallville para Metrópolis e o seu crescimento enquanto Super-Homem, dando particular atenção às dúvidas, responsabilidades e relações pessoais que contribuem para definir a personagem.

Estruturada em quatro capítulos associados às quatro estações do ano, a história é apresentada através dos olhares de diferentes personagens próximas de Clark. Esta opção narrativa permite a Loeb e Sale construir o retrato do Super-Homem não apenas através dos seus poderes, mas também através da forma como é visto pelas pessoas que fazem parte da sua vida.

Super-Homem: As Quatro Estações coloca assim em primeiro plano os valores associados à personagem — a compaixão, a humildade, o sentido de responsabilidade e a vontade de ajudar os outros — numa história em que a humanidade de Clark Kent assume tanta importância como as capacidades extraordinárias do Super-Homem.

Super-Homem: As Quatro Estações, Jeph Loeb e Tim Sale, Devir, 232 pp., cor, capa mole, 10€