segunda-feira, 25 de maio de 2026

XXI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja


De 5 a 21 de Junho, Beja volta a afirmar-se como uma das capitais portuguesas da nona arte com a realização do XXI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, uma iniciativa já consolidada no panorama cultural nacional e internacional. Organizado pela Câmara Municipal de Beja, o festival mantém a aposta numa programação diversificada, reunindo exposições, encontros com autores, apresentações de livros e momentos de convívio em torno da banda desenhada, atraindo artistas, editores, leitores e curiosos à cidade alentejana.  

A edição deste ano contará com 15 exposições, reunindo autores de diferentes geografias e sensibilidades estéticas, numa demonstração da diversidade criativa que caracteriza a BD contemporânea. Entre os nomes já anunciados figuram autores de Portugal, França, Brasil, Canadá e Suíça, como Benjamin Bachelier, Thomas Ott, Philippe Girard, Beatriz Brajal, Diniz Conefrey ou Inês Louro. Paralelamente, haverá espaço para exposições coletivas e temáticas, entre as quais “Aventureras gráficas”, “Dracula in Comics”, “Portugal em Bruxelas”, “H-ALT” e “Toupeira – Há movimento debaixo da terra”, reforçando a dimensão internacional do evento.  

Como é tradição, o primeiro fim de semana do festival — entre 5 e 7 de Junho — deverá concentrar grande parte da presença dos autores convidados, com sessões de autógrafos, conversas, apresentações editoriais e momentos de contacto direto com o público, transformando Beja num ponto de encontro privilegiado para os apaixonados pela banda desenhada. O festival continua também a afirmar-se como um espaço de descoberta de novos talentos e de celebração de diferentes linguagens narrativas e gráficas.  

Ao longo dos anos, o Festival Internacional de BD de Beja conquistou um lugar de referência no circuito cultural português, muito associado ao trabalho desenvolvido pela Bedeteca de Beja e ao dinamismo de uma comunidade dedicada à promoção da banda desenhada. A realização da 21.ª edição acontece ainda num momento particularmente simbólico para a cidade, numa altura em que continua a ganhar forma o futuro Museu da Banda Desenhada de Beja, previsto para reforçar o papel do concelho como centro nacional desta expressão artística.

sábado, 23 de maio de 2026

A raposa malvada

Uma raposa magricela quer afirmar-se como um predador temível. Mas entre um coelho distraído, um porco jardineiro, um cão preguiçoso e uma galinha de temperamento difícil, os seus planos parecem condenados ao fracasso.

Depois de perceber que as suas estratégias habituais não funcionam, a raposa decide mudar de método: roubar ovos, criar os pintainhos e, no momento certo, assustá-los… para depois os comer. No entanto, tudo se complica quando os pequenos a reconhecem como mãe e um inesperado instinto maternal começa a transformar os seus planos.

Com humor, ritmo e personagens improváveis, A Raposa Malvada apresenta uma história sobre identidade, convivência e os laços que surgem nos lugares menos esperados.

Benjamin Renner (França, 1983) é autor de banda desenhada, realizador e animador. Tornou-se amplamente conhecido como co-realizador do filme de animação Ernest & Celestine, nomeado para o Óscar de Melhor Filme de Animação em 2014. Em 2015 publicou A Raposa Malvada (Le Grand Méchant Renard), obra que viria a adaptar ao cinema em 2017, no filme The Big Bad Fox and Other Tales, também realizado por si. Mais recentemente, realizou o filme de animação Migration (2023).

A adaptação cinematográfica de A Raposa Malvada recebeu vários reconhecimentos internacionais, incluindo o César de Melhor Filme de Animação (2018) e o Lumière Award de Melhor Filme de Animação (2018), além de nomeações para os Annie Awards nas categorias de realização e animação. Benjamin Renner foi também nomeado para o Óscar de Melhor Filme de Animação por Ernest & Celestine (2014).

A raposa malvada, Benjamin Renner, Arte de Autor, 192 pp., capa dura, cor, 25€

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Novela Gráfica - IX série #1: A Aranha de Mashhad - Viagem a um Irão desconhecido

O arranque da IX série de Novelas Gráficas, fruto da parceria entre o jornal Público e a editora Levoir, faz-se com um regresso a um autor já conhecido dos leitores portugueses: Mana Neyestani. Depois de Uma Metamorfose Iraniana, obra autobiográfica em que relatava a prisão e perseguição sofridas no Irão após um cartoon ter sido interpretado pelas autoridades como ofensivo, o autor iraniano apresenta agora A Aranha de Mashhad, uma narrativa intensa inspirada em factos reais que mergulha nas contradições sociais, religiosas e morais do Irão contemporâneo.  

Baseada num caso verídico que abalou o país no início dos anos 2000, a novela gráfica acompanha a história de Saeed Hanaei, conhecido pela imprensa como “a aranha de Mashhad”, responsável pelo assassinato de 16 mulheres — maioritariamente prostitutas ou toxicodependentes — na cidade sagrada de Mashhad. Hanaei justificava os crimes como uma missão moral e religiosa, acreditando estar a “purificar” a sociedade. O caso tornou-se particularmente perturbador não apenas pela violência dos actos, mas também pelo apoio que parte da população demonstrou ao assassino após a sua detenção, revelando as tensões entre fanatismo religioso, marginalização social e justiça.  

Mais do que uma reconstituição criminal, A Aranha de Mashhad afirma-se como uma investigação sobre os mecanismos de exclusão numa sociedade profundamente marcada pelo conservadorismo. Combinando entrevistas reais, elementos documentais e dramatização gráfica, Neyestani constrói um retrato multifacetado que não se limita ao olhar do assassino, dando igualmente voz às vítimas, às suas famílias, às autoridades e ao contexto cultural da cidade de Mashhad, um dos centros religiosos mais conservadores do Irão.  

O lançamento deste volume inaugura uma nova série da colecção de novelas gráficas com uma obra exigente e politicamente relevante, confirmando a aposta do Público e da Levoir em títulos que cruzam qualidade artística, reportagem e reflexão histórica. Ao mesmo tempo, reforça a presença de Mana Neyestani no catálogo português, um autor cuja obra continua a oferecer um olhar raro e incisivo sobre um Irão muitas vezes desconhecido do grande público.  

Novela Gráfica - IX série #1: A Aranha de Mashhad - Viagem a um Irão desconhecido, Mana Neyestani, Público/Levoir, 172 pp., p&b, capa dura, 16,90€

quinta-feira, 21 de maio de 2026

As linhas que traçam o meu corpo

Uma obra autobiográfica sobre crescer no Irão enquanto mulher, sob um sistema de controlo e violência marcado pela desigualdade de género.

Em As Linhas que Traçam o Meu Corpo, Mansoureh Kamari revisita a infância e adolescência em Teerão, retratando as restrições impostas às mulheres desde cedo: proibições quotidianas, medo constante, assédio e a ausência de autonomia sobre o próprio corpo e destino. O livro aborda também a fuga da autora do Irão e o percurso de reconstrução da sua liberdade.

Com argumento e desenho da própria Mansoureh Kamari, esta novela gráfica cruza memória pessoal e testemunho social, oferecendo um retrato da condição feminina no Irão contemporâneo.

Mansoureh Kamari nasceu e cresceu em Teerão, no Irão, onde se formou em desenho industrial. Apaixonada pelo cinema de animação, mudou-se para França em 2011 e prosseguiu os estudos na escola Gobelins, em Paris. Desde 2015 trabalha como character designer para estúdios de animação em França e noutros países. As Linhas que Traçam o Meu Corpo é a sua estreia na banda desenhada. 

As Linhas que Traçam o Meu Corpo, Mansoureh Kamari, Arte de Autor, 200 pp., cor, capa dura, 25€

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Elric #4: A cidade que sonha

Perturbado pelas últimas palavras do Imperador Saxif de Aan, Elric inicia uma jornada até às ruínas de R’lin K’ren A’a, a cidade original dos melnibonéanos, em busca de respostas sobre a origem do seu povo e a possível pureza dos seus ancestrais antes da influência do Caos. No local, revelações ligadas às profecias e ao destino de Melniboné conduzem o protagonista a uma decisão inevitável: a destruição da Ilha dos Dragões poderá depender das suas próprias mãos.

Ao regressar ao coração de Imrryr, Elric enfrenta também questões pessoais ligadas a Cymoril, cuja relação permanece marcada pela sua partida.

O primeiro ciclo da saga de Elric chega ao fim neste quarto volume da adaptação em banda desenhada da obra criada por Michael Moorcock. Este volume tem o prefácio de Jean-Pierre Dionnet.

Elric #4: A cidade que sonha, Julien Blondel & Jean-Luc Cano e Julien Telo, Arte de Autor, 64 pp., cor, capa dura, 19,50€

Maia BD 2026

 





terça-feira, 19 de maio de 2026

Vizinhos

As paredes são finas, e as vidas unem-se por isso, em Vizinhos, temos quatro histórias em que o quotidiano revela o que não está logo à vista: a Solidão, a Violência, a Frustração, a Necessidade de Pertença, a Raiva ao que é Diferente.

Um homem faz do barulho de uma obra um campo de batalha onde o incómodo é outro. Um ex-presidiário regressa à vida em que toda a gente sabe que matou a mulher – e tenta descobrir se ainda é possível voltar a ser quem foi.

Duas velhas que já foram amigas vivem separadas por um andar, por muitos anos de silêncio e por vidas tão diferentes. Num condomínio, entre os assuntos mesquinhos do dia-a-dia, nasce um problema que é um bode expiatório.

Entre humor negro, ironia e humanidade, observam-se os laços e a necessidade de os atar, enquanto se mostra que a proximidade cria os problemas que a distância sabe manter ao longe.

Vizinhos, Nuno Saraiva e Ana Bárbara Pedrosa, ASA, cor, capa dura, 17,90€