9 de abril de 2026

Punk Comix – Banda Desenhada e Punk em Portugal

A Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha recebe, no próximo dia 11 de abril, um conjunto de iniciativas dedicadas à banda desenhada, no âmbito do Leituras a Oeste – Encontro de Artes e Banda Desenhada Jorge Machado-Dias. O evento promete reunir público, investigadores e entusiastas desta forma de expressão artística, numa tarde dedicada à reflexão e divulgação da BD em Portugal.

A programação tem início às 15h00 com a inauguração da exposição “Punk Comix – Banda Desenhada e Punk em Portugal”, que ficará patente ao público até ao dia 7 de Maio. Com curadoria de Marcos Farrajota e Joana Pires, a mostra propõe uma leitura aprofundada da relação entre a cultura punk e a banda desenhada no contexto português.

A exposição destaca o caráter alternativo, independente e contestatário desta ligação, apresentando autores, publicações e movimentos que marcaram diferentes momentos desta interseção cultural. Ao longo do percurso expositivo, os visitantes poderão explorar a evolução de uma contracultura que encontrou na BD um meio privilegiado de expressão artística e intervenção.

Pelas 15h30, terá lugar uma sessão de conversa com o investigador e autor Pedro Moura, subordinada ao tema “Banda desenhada: Nem fácil, nem menor”. A iniciativa propõe uma reflexão sobre a complexidade da banda desenhada enquanto forma narrativa, abordando a sua percepção pública, os desafios que enfrenta e o seu posicionamento no panorama cultural contemporâneo.

Com entrada livre, esta iniciativa integra a programação do festival e reforça o papel da Biblioteca Municipal como espaço de promoção cultural e reflexão artística, convidando a comunidade a descobrir e debater o universo da banda desenhada em Portugal.

8 de abril de 2026

Corto Maltese: O dia anterior

O regresso de Corto Maltese continua a afirmar-se como uma das reinvenções mais interessantes da banda desenhada europeia contemporânea. Em Corto Maltese – O Dia Anterior, com argumento de Martin Quenehen e desenho de Bastien Vivès, somos transportados para uma narrativa actual, onde os grandes temas do nosso tempo se cruzam com o espírito aventureiro clássico da personagem criada por Hugo Pratt.

A história começa em Sydney, onde Corto tenta ajudar Marcus, um velho amigo pirata preso numa espiral de autodestruição marcada pelo vício. Fiel à sua natureza errante, Corto opta por aquilo que melhor sabe fazer: fugir para a frente, lançando-se numa nova aventura. A oportunidade surge através de uma advogada que representa um grupo de activistas ambientais. Uma das suas integrantes foi detida nas ilhas Tuvalu e enfrenta a ameaça de extradição para a China — um destino que poderá significar o fim da sua liberdade.

É assim que se inicia uma viagem rumo ao Pacífico, a bordo de um hidroavião decadente pilotado por Marcus, numa missão que mistura resgate, redenção e denúncia. O cenário escolhido não é inocente: Tuvalu surge como símbolo das primeiras vítimas reais das alterações climáticas, com o aumento do nível do mar a ameaçar a própria existência destas ilhas.

Quenehen constrói um argumento que respeita o ADN de Corto — o aventureiro solitário, irónico e moralmente ambíguo — mas introduz uma camada contemporânea, onde temas como activismo, geopolítica e crise ambiental ganham protagonismo. Já Vivès oferece um traço moderno, depurado e expressivo, que pode dividir fãs mais puristas, mas que reforça o tom intimista e melancólico da narrativa.

O álbum destaca-se precisamente por esse equilíbrio entre tradição e renovação. Não se limita a revisitar o mito de Corto Maltese, antes procura colocá-lo no presente, confrontando-o com dilemas atuais e urgentes. A aventura mantém-se, mas agora carrega um peso mais real, mais político — e talvez por isso mais inquietante.

Corto Maltese – O Dia Anterior é, assim, uma leitura que vai além do escapismo habitual. É uma viagem que nos lembra que o espírito livre de Corto continua vivo, mas também que o mundo que ele percorre está em transformação — e nem sempre para melhor.

Corto Maltese: O dia anterior, Martin Quenehen e Bastien Vivès, Arte de Autor, 176 pp., p&b + caderno final a cores, capa dura, 27,95€

Ilustra BD - 7ª edição

O Ilustra BD está de regresso ao Barreiro para a sua 7.ª edição, reafirmando-se como um dos principais encontros dedicados à banda desenhada e à ilustração em Portugal. Com uma programação diversificada, o evento reúne autores nacionais e internacionais, editores e público, promovendo um espaço de partilha, descoberta e celebração da narrativa gráfica.

Entre os destaques desta edição estão as exposições, que percorrem diferentes universos e estilos. Uma das mais emblemáticas é dedicada ao universo de Snoopy e da série Peanuts, criada por Charles M. Schulz, assinalando os 75 anos desta icónica personagem, numa parceria com a Penguin Random House.

A programação inclui também “Shhhh”, do ilustrador André da Loba, uma proposta sensorial inspirada no seu livro homónimo, especialmente pensada para o público escolar, convidando à exploração dos sons do quotidiano.

Outro ponto alto é “Zorro - o Herói Popular”, de Pierre Alary, uma exposição que revisita o mito de Zorro enquanto símbolo de justiça e resistência, em parceria com a Ala dos Livros.

A mostra “Mulheres de Papel”, com curadoria de Hugo Pinto, reúne o trabalho de 16 ilustradoras contemporâneas, propondo uma reflexão sobre o papel das mulheres na banda desenhada portuguesa.

Já os fãs de manga poderão embarcar no universo de Naruto, criado por Masashi Kishimoto, numa exposição que percorre o caminho do jovem ninja, com curadoria de Paulo Monteiro e parceria com a Devir.

Para além das exposições, o Ilustra BD mantém a aposta numa programação abrangente, com feira do livro, sessões de autógrafos, conversas com autores, oficinas e visitas guiadas, proporcionando uma experiência completa para públicos de todas as idades.

A identidade visual desta edição é assinada por Gualter Amaro, contribuindo para reforçar a imagem contemporânea e dinâmica do evento.

Com entrada aberta à criatividade e ao imaginário, o Ilustra BD volta assim a afirmar o Barreiro como um ponto de encontro essencial para todos os amantes da banda desenhada e da ilustração.



7 de abril de 2026

Batman - Grant Morrison #6

O sexto volume da colecção Batman por Grant Morrison, reúne algumas das histórias mais experimentais e sombrias da sua passagem pelo universo do Cavaleiro das Trevas. Com 188 páginas, este tomo compila material originalmente publicado pela DC Comics no final da década de 2000.

O volume inclui os números #8 a #10 da série Batman and Robin, originalmente editados entre 2009 e 2010. Estas histórias integram a fase em que Dick Grayson assume o manto de Batman, acompanhado por Damian Wayne como Robin, num período de transição marcante após os eventos de Final Crisis.

Entre os arcos narrativos presentes, destaca-se Blackest Knight, uma história que cruza elementos de horror com o universo gótico de Gotham, e The Return of Bruce Wayne, do qual faz parte o capítulo The Time and the Batman.

Em Blackest Knight, Batman e Batwoman enfrentam uma ameaça insólita: uma figura que assume a identidade do Cavaleiro das Trevas sob a forma de um morto-vivo. A história explora temas de identidade e legado, recorrentes na escrita de Morrison, ao mesmo tempo que introduz uma atmosfera de terror que se afasta do tom mais tradicional das histórias do herói. A presença de Batwoman reforça a dimensão mais sombria e de investigação do enredo, num confronto que coloca em causa a própria noção de quem — ou o que — pode ser Batman.

Já em The Time and the Batman, Morrison desenvolve uma das suas abordagens mais características: a manipulação do tempo como elemento narrativo. A história liga passado, presente e futuro de Bruce Wayne, construindo um puzzle complexo que envolve viagens temporais e pistas deixadas ao longo de diferentes épocas. Com a participação do Joker, o arco reforça a dimensão quase mítica do confronto entre herói e vilão, apresentando-o como um ciclo que transcende o tempo.

Além do argumento de Grant Morrison, o volume conta com arte de Andy Clarke, Ian Hannin e Scott Hanna. O trabalho visual acompanha a complexidade do argumento, alternando entre sequências de ação intensa e momentos mais abstratos, especialmente nas passagens de caráter temporal.

Batman - Grant Morrison #6, Andy Clarke, Ian Hannin, Scott Hanna e Grant Morrison, Devir, 188 pp., cor, capa dura, 20€

4 de abril de 2026

Blacksad #4: O inferno, o silêncio

O universo sombrio e estilizado de Blacksad regressa com o lançamento em Portugal do seu quarto volume, O Inferno, o Silêncio, originalmente publicado em 2005 e agora integrado na cuidada edição da Ala dos Livros. Esta edição distingue-se não só pela qualidade gráfica e editorial — com destaque para a elegante lombada em tecido — como também pela valorização de uma obra que se tornou, ao longo de 25 anos, uma referência incontornável da banda desenhada contemporânea.

Criada pelo argumentista Juan Díaz Canales e pelo desenhador Juanjo Guarnido, a série Blacksad transporta os leitores para uma América dos anos 1950, recriada com uma estética noir profundamente influenciada pelo romance policial clássico e pela literatura americana da época. O protagonista, John Blacksad, é um detective privado com a forma de um gato antropomórfico, figura icónica de um universo povoado por animais humanizados que espelham as complexidades e contradições da sociedade humana.

Neste quarto volume, a história leva-nos até Nova Orleães, em plena efervescência do Carnaval. É neste cenário vibrante e caótico que Blacksad é contratado por Faust, um produtor de jazz gravemente doente, para investigar o desaparecimento de Sebastian, um talentoso pianista e peça-chave da sua editora. O caso, aparentemente simples, rapidamente se adensa, revelando uma teia de segredos, manipulação e decadência, onde o vício e a ambição se entrelaçam perigosamente. À medida que a investigação avança, Blacksad percebe que nem tudo lhe foi contado. Ainda assim, movido pelo seu código moral e pela busca da verdade, mergulha cada vez mais fundo num caso que se revela não apenas complexo, mas também profundamente perturbador. O resultado é uma das histórias mais intensas e emocionalmente carregadas da série.

Visualmente, O Inferno, o Silêncio confirma o talento excecional de Juanjo Guarnido. Os seus desenhos, ricos em detalhe e expressividade, são complementados por uma paleta de cores sofisticada que reforça a atmosfera densa e melancólica da narrativa. Cada vinheta é cuidadosamente construída, oferecendo uma experiência visual que se aproxima da pintura. Combinando argumento sólido, personagens memoráveis e uma execução artística de excelência, este volume reafirma o estatuto de Blacksad como uma obra-prima da banda desenhada. 

A edição portuguesa surge, assim, como uma oportunidade imperdível para novos leitores e um objecto de colecção para os admiradores da série.

Blacksad #4: O inferno, o silêncio, Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido, Ala dos Livros, 104 pp., cor, capa dura, 29,90€

3 de abril de 2026

CPBD celebra 50 anos com um ambicioso plano de actividades para 2026

O ano de 2026 será marcante para o Clube Português de Banda Desenhada, que assinala meio século de existência dedicada à promoção, estudo e divulgação da banda desenhada em Portugal. Para celebrar esta data histórica, o CPBD preparou um conjunto diversificado de iniciativas culturais e editoriais, cuja concretização contará com o apoio solicitado à Câmara Municipal da Amadora (CMA), no valor de 7.000 euros.

As comemorações do cinquentenário serão acompanhadas por uma forte identidade visual, com todos os materiais promocionais e publicações a integrarem o logótipo da CMA, em associação com uma imagem especialmente criada para a efeméride: “CPBD – 50 ANOS”.

Entre as actividades previstas, destaca-se a publicação de quatro boletins do CPBD ao longo do ano, incluindo uma edição comemorativa que fará uma retrospectiva dos boletins publicados ao longo das últimas cinco décadas, sublinhando o percurso e o contributo do Clube para a cultura da banda desenhada em Portugal.

No domínio editorial, é previsto o lançamento de um importante catálogo ilustrado das revistas portuguesas de banda desenhada, abrangendo publicações desde 1921 até ao 25 de Abril de 1974. Esta obra, com cerca de 170 páginas já em fase final de revisão, constitui um trabalho de grande relevância histórica e documental. 

Outro destaque será a publicação de um estudo monográfico dedicado à 1ª série da revista Camarada, aprofundando o conhecimento sobre uma das publicações mais emblemáticas da história da banda desenhada portuguesa.

O ponto alto das comemorações será a sessão solene do Cinquentenário do CPBD, a realizar na sede do Clube ou em instalações da Câmara Municipal da Amadora. Este evento incluirá a inauguração de uma exposição dedicada à colecção completa dos boletins do CPBD, acompanhada por uma sessão de entrevistas a personalidades convidadas, que partilharão memórias sobre o papel da banda desenhada na sua formação cultural durante a infância e juventude.

No campo das exposições, estão também previstas mostras dedicadas a dois importantes nomes da banda desenhada nacional: Vítor Péon e Luís Louro, contribuindo para valorizar o trabalho de autores que marcaram diferentes gerações de leitores.

Por fim, o CPBD aposta na modernização da sua presença digital com a criação de um novo site institucional. Este projecto será desenvolvido em colaboração com estudantes de um curso técnico superior profissional (CTeSP) em Marketing Digital, no âmbito de estágios curriculares promovidos pela CMA, garantindo assim uma abordagem contemporânea e sustentável à comunicação do Clube.

Com este conjunto abrangente de iniciativas, o CPBD pretende não apenas celebrar os seus 50 anos de história, mas também reforçar o seu papel como agente cultural ativo, promovendo a banda desenhada junto de novos públicos e preservando a memória do seu rico património.

2 de abril de 2026

Clássicos da literatura portuguesa em BD vão sair em inglês, espanhol e polaco

A editora Levoir vai levar além-fronteiras a colecção de adaptações em banda desenhada de clássicos da literatura portuguesa, com edições previstas em inglês, espanhol e polaco. O primeiro título a ser publicado nestes mercados é Mensagem, de Fernando Pessoa, cuja versão em BD chega esta semana às livrarias em inglês e espanhol, enquanto a edição polaca será lançada pela editora independente Timoff.

A adaptação de Mensagem, com argumento de Pedro Vieira de Moura e ilustração de Susa Monteiro, marcou em 2024 o arranque da coleção “Clássicos da Literatura Portuguesa em BD”, desenvolvida pela Levoir em parceria com a RTP. Desde então, a colecção já ultrapassou uma dezena de volumes publicados.

A expansão internacional não se fica por este título. Na Polónia, estão já confirmadas edições de A Dama Pé-de-Cabra, de Alexandre Herculano, e Maria Moisés, de Camilo Castelo Branco, com lançamento previsto para maio. Seguem-se, nos meses de Junho e Julho, adaptações de Os Lusíadas, de Luís de Camões, A Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, e O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz.

Em Espanha, além de Mensagem, a Levoir prepara a publicação de vários títulos da colecção, incluindo Os Maias e O Crime do Padre Amaro, ambos de Eça de Queiroz, Livro do Desassossego, novamente de Fernando Pessoa, e Os Lusíadas.

Paralelamente, a editora continua a desenvolver novas adaptações para esta colecção. Entre os próximos projetos estão A Cidade e as Serras, de Eça de Queiroz, A Confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro, e Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio, cujos detalhes de adaptação ainda não foram totalmente revelados.

Com esta aposta, a Levoir reforça a internacionalização da literatura portuguesa através da banda desenhada, tornando obras clássicas mais acessíveis a novos públicos e leitores em diferentes línguas.