terça-feira, 22 de setembro de 2026

No Rasto de Blueberry: uma homenagem a uma lenda do western chega a Portugal

Há personagens de banda desenhada que ultrapassam largamente os limites das séries onde nasceram. Blueberry é uma delas. Mais de seis décadas depois da sua criação por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, o célebre tenente regressa às livrarias portuguesas numa obra especial: No Rasto de Blueberry, que a ASA publica hoje em Portugal.

Publicado originalmente pela Dargaud, em Novembro de 2025, com o título Sur la piste de Blueberry, o álbum foi concebido para assinalar os 60 anos da publicação de Fort Navajo, primeiro álbum da série. Não estamos, porém, perante uma nova aventura convencional nem perante uma continuação assinada por uma única equipa criativa. Trata-se de uma grande homenagem colectiva a Mike Steve Blueberry e, inevitavelmente, aos seus criadores.

A proposta é particularmente sedutora: reunir alguns dos mais destacados autores da banda desenhada europeia contemporânea e convidá-los a seguir, cada um à sua maneira, o rasto deixado por Blueberry. O resultado alterna histórias curtas e ilustrações, permitindo revisitar diferentes momentos e facetas da vida da personagem e, simultaneamente, perceber até que ponto a criação de Charlier e Giraud continua presente no imaginário de sucessivas gerações de autores.

E a lista de participantes impressiona. Encontramos nomes como Anlor, Alberto Belmonte, Dominique Bertail, Michel Blanc-Dumont, Blutch, Olivier Bocquet, Vincent Brugeas, Stefano Carloni, Alexandre Coutelis, Fred Duval, Jérôme Félix, Paul Gastine, Goossens, Mathieu Lauffray, Lu Ming, Jean Mallard, Milo Manara, Enrico Marini, Mathieu Mariolle, Thierry Martin, Matz, Ralph Meyer, Félix Meynet, Vincent Perriot, Corentin Rouge, Olivier Taduc, Ronan Toulhoat, Jean-François Vivier e Philippe Xavier. Cada um contribui com uma história curta ou uma ilustração dedicada ao mítico cowboy.

É precisamente esta diversidade que torna No Rasto de Blueberry especialmente interessante. Não se procura substituir Jean Giraud nem reproduzir artificialmente o seu traço. Pelo contrário, diferentes sensibilidades gráficas e narrativas confrontam-se com uma personagem que marcou profundamente a evolução do western em banda desenhada. De autores intimamente associados ao género a criadores com universos muito diferentes, todos têm aqui a oportunidade de mostrar o seu Blueberry.

Criado em 1963 nas páginas da revista Pilote, Blueberry ajudou a transformar profundamente o western franco-belga. Charlier afastou progressivamente a série dos modelos mais convencionais da aventura juvenil, enquanto Giraud desenvolveu uma representação cada vez mais realista, cinematográfica e visualmente poderosa do Oeste americano. O tenente também estava longe do herói imaculado tradicional: indisciplinado, jogador, beberrão, por vezes insolente e frequentemente perseguido pela própria reputação, tornou-se uma personagem extraordinariamente humana.

Daí que esta homenagem tenha um significado que ultrapassa a simples celebração de um aniversário. Sessenta anos depois de Fort Navajo, Blueberry continua a inspirar alguns dos melhores desenhadores e argumentistas europeus.

A publicação portuguesa pela ASA é, por isso, uma excelente notícia para os leitores que acompanharam durante décadas as aventuras de Blueberry em Portugal e também para quem queira descobrir a dimensão do legado deixado por Charlier e Giraud.

domingo, 20 de setembro de 2026

Sapiens – A Idade das Revoluções

Chega o quarto e último volume da adaptação em banda desenhada de Sapiens: História Breve da Humanidade, de Yuval Noah Harari, novamente acompanhado pelo argumentista David Vandermeulen e pelo desenhador Daniel Casanave.

Em A Idade das Revoluções, a viagem começa há cerca de quinhentos anos, quando a humanidade tomou consciência da sua própria ignorância e o pensamento científico começou a transformar profundamente a forma de compreender e dominar o mundo.

Ao longo das páginas, acompanhamos a Revolução Científica, a expansão imperialista e colonial, o desenvolvimento do capitalismo e a crença moderna no progresso e no crescimento. Harari aborda também algumas das transformações que moldaram a vida contemporânea: o funcionamento do dinheiro e dos bancos, a crescente organização da sociedade em função do relógio e o extraordinário aumento da capacidade humana para produzir e transformar o planeta.

Mas permanece uma das questões centrais de Sapiens: todo este progresso tornou-nos mais felizes?

O volume prolonga a narrativa até ao presente e à Revolução da Inteligência Artificial, colocando uma nova interrogação: depois de adquirir um poder sem precedentes sobre o mundo, conseguirá a humanidade controlar inteligências que ela própria criou?

Com argumento de Yuval Noah Harari e David Vandermeulen e desenho de Daniel Casanave, Sapiens – A Idade das Revoluções encerra, com humor e ilustrações a cores, a adaptação gráfica da história da humanidade iniciada em O Nascimento da Humanidade.

Sapiens – A Idade das Revoluções, Yuval Noah Harari, David Vandermeulen e desenho de Daniel Casanave, Elsinore, 248 pp., cor, capa dura, 31,45€

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Super-Homem: As Quatro Estações na DC Pocket

A Devir publica este mês Super-Homem: As Quatro Estações, de Jeph Loeb (argumento) e Tim Sale (desenho), um dos títulos mais conhecidos da dupla responsável por Batman: O Longo Halloween. A obra integra a colecção DC Pocket, dedicada à publicação, em formato compacto, de algumas das histórias mais marcantes do catálogo da DC Comics.

Publicada originalmente em 1998 com o título Superman for All Seasons, a história apresenta uma abordagem intimista às origens do Super-Homem, acompanhando Clark Kent durante a juventude e os primeiros passos na construção da sua identidade como herói. Último sobrevivente do planeta Krypton, Clark é enviado ainda bebé para a Terra, onde é encontrado e adoptado por Jonathan e Martha Kent. Cresce em Smallville, no Kansas, numa pequena comunidade e rodeado pelos amigos Lana Lang e Pete Ross, até começar a compreender que possui capacidades extraordinárias e que a sua vida terá inevitavelmente de seguir um caminho diferente. A narrativa acompanha a passagem de Clark de Smallville para Metrópolis e o seu crescimento enquanto Super-Homem, dando particular atenção às dúvidas, responsabilidades e relações pessoais que contribuem para definir a personagem.

Estruturada em quatro capítulos associados às quatro estações do ano, a história é apresentada através dos olhares de diferentes personagens próximas de Clark. Esta opção narrativa permite a Loeb e Sale construir o retrato do Super-Homem não apenas através dos seus poderes, mas também através da forma como é visto pelas pessoas que fazem parte da sua vida.

Super-Homem: As Quatro Estações coloca assim em primeiro plano os valores associados à personagem — a compaixão, a humildade, o sentido de responsabilidade e a vontade de ajudar os outros — numa história em que a humanidade de Clark Kent assume tanta importância como as capacidades extraordinárias do Super-Homem.

Super-Homem: As Quatro Estações, Jeph Loeb e Tim Sale, Devir, 232 pp., cor, capa mole, 10€

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Batman de Grant Morrison – Volume 7

A Devir prossegue a publicação da colecção dedicada à passagem de Grant Morrison por Batman, com a chegada do sétimo volume, numa fase particularmente importante da longa narrativa construída pelo argumentista escocês.

Bruce Wayne continua desaparecido e Dick Grayson assumiu a identidade de Batman, tendo ao seu lado um novo Robin: Damian Wayne, filho de Bruce e Talia al Ghul. A relação entre os dois está longe de ser pacífica. Dick procura adaptar-se ao papel do seu antigo mentor, enquanto a personalidade, a educação e os métodos violentos de Damian provocam constantes conflitos entre os dois.

Neste ponto da história prossegue o arco Batman vs. Robin, originalmente publicado em Batman & Robin #10-12, escrito por Grant Morrison e desenhado principalmente por Andy Clarke. A história aprofunda as tensões entre Dick e Damian e as consequências dos acontecimentos que têm vindo a envolver a família Wayne. Mas, enquanto Gotham tem um novo Batman, Bruce Wayne está longe de ter desaparecido definitivamente.

A sua viagem através do tempo prossegue em The Return of Bruce Wayne, minissérie em que Morrison transporta o Cavaleiro das Trevas através de diferentes períodos históricos. Cada episódio é confiado a um desenhador diferente: Frazer Irving ilustra o segundo capítulo, passado na época das perseguições às bruxas, enquanto Yanick Paquette assina o terceiro, que leva Bruce Wayne até ao universo dos piratas.

O volume inclui ainda material de Batman, com desenhos de Tony Daniel, relacionado com os acontecimentos de Batman R.I.P. e com a tentativa de compreender o que realmente aconteceu a Bruce Wayne. Os episódios #701-702, conhecidos como R.I.P.: The Missing Chapter, foram escritos por Morrison e integralmente desenhados por Tony Daniel. Desta forma, diferentes linhas narrativas começam progressivamente a convergir: Dick Grayson e Damian Wayne defendem Gotham como a nova Dupla Dinâmica, enquanto Bruce Wayne procura, através do tempo e das suas próprias memórias, o caminho de regresso ao presente.

Este sétimo volume conta, assim, com argumento de Grant Morrison e desenhos de Frazer Irving, Andy Clarke, Yanick Paquette e Tony Daniel, dando continuidade a uma das fases mais extensas e complexas da história moderna de Batman.

Batman de Grant Morrison – Volume 7, Frazer Irving, Andy Clarke, Yanick Paquette e Tony Daniel e Grant Morrison, Devir, 184 pp., cor, capa dura, 20€

Naruto 64 – «Jubi»: a Quarta Grande Guerra Ninja aproxima-se do seu momento decisivo

A Devir prossegue a publicação portuguesa de Naruto, de Masashi Kishimoto, com a chegada do volume 64, intitulado Jubi, mais um capítulo decisivo da longa batalha que marca a fase final da série.

Neste volume, a revelação da verdadeira identidade do homem por detrás da máscara deixa Kakashi profundamente abalado. O antigo companheiro que julgava morto, Obito Uchiha, está afinal diante dele, agora como inimigo e peça fundamental dos acontecimentos que conduziram à Quarta Grande Guerra Ninja. É Naruto quem consegue devolver-lhe a determinação necessária para continuar a combater. Para o jovem ninja, há uma certeza que permanece inabalável: fará tudo o que estiver ao seu alcance para proteger os companheiros.

Enquanto Naruto, Kakashi, Guy e Killer B procuram travar Obito e Madara, concretiza-se aquilo que todos tentavam impedir: o Jubi, a Dez-Caudas, regressa à vida.

Naruto começou a ser publicado no Japão em 1999, nas páginas da revista semanal Weekly Shōnen Jump, da Shueisha, e terminou em 2014, depois de 700 capítulos. Os capítulos foram posteriormente reunidos em 72 volumes tankōbon.

O volume 64 reúne os capítulos 608 a 617, originalmente publicados de forma serializada na Weekly Shōnen Jump. A edição japonesa em livro foi lançada pela Shueisha, através da colecção Jump Comics, em 4 de Abril de 2013.

Naruto #64: Jubi, Masashi Kishimoto, Devir, 192 pp., p&b, capa mole, 9,99€

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Monster 8: as memórias de Nina aproximam-nos da origem do «monstro»

A Devir prossegue a edição portuguesa de uma das obras maiores de Naoki Urasawa com o lançamento de Monster #8. Neste novo volume, a investigação em torno de Johan Liebert aproxima-se de algumas das respostas mais aguardadas da série, enquanto as memórias de Nina conduzem o leitor até aos acontecimentos traumáticos que marcaram a infância dos dois gémeos.

Desde o início de Monster, Johan permanece simultaneamente no centro da história e estranhamente ausente dela. A sua presença manifesta-se sobretudo através das consequências das suas ações, das pessoas que manipula e das vidas que destrói.

Neste volume, Urasawa mergulha ainda mais profundamente na construção da identidade, na memória e nos traumas da infância. Nina percebe que as suas próprias recordações poderão conter uma das chaves para explicar aquilo em que o irmão se transformou.

Monster começou a ser publicado no Japão em Dezembro de 1994, na revista Big Comic Original, da Shogakukan, mantendo-se em serialização até Dezembro de 2001. Os 162 capítulos foram posteriormente reunidos em 18 volumes tankōbon, publicados entre 1995 e 2002.

A edição que a Devir está a publicar em Portugal corresponde, porém, à posterior kanzenban, uma edição de luxo que reorganiza a série em nove volumes de maior dimensão, cada um reunindo aproximadamente dois volumes da edição original.

No Japão, o Monster Kanzenban 08 foi publicado pela Shogakukan em 30 de Julho de 2008.

Monster #8, Naoki Urasawa, Devir, 426 pp., p&b, capa mole, 20€