quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Blacksad: Amarillo regressa em nova edição pela Ala dos Livros

Mais de duas décadas depois da primeira edição portuguesa, Amarillo regressa às livrarias numa nova edição da Ala dos Livros, agora acompanhada por um caderno de extras.

Publicado originalmente em Portugal pela Arcádia, Amarillo é o quinto álbum de Blacksad, a série criada por Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido. A nova edição da Ala dos Livros recupera uma das aventuras mais marcadamente americanas do detective John Blacksad.

Depois dos acontecimentos em Nova Orleães, Weekly decide partir, enquanto John prefere ficar e procurar trabalho. A oportunidade surge através de um texano abastado, que lhe propõe uma tarefa aparentemente simples e bem remunerada: conduzir o seu automóvel até casa. Mas a viagem depressa se complica. Numa bomba de gasolina, o carro é roubado por Chad Lowell e Abe Greenberg, dois escritores beatniks a caminho de Amarillo, no Texas. A rivalidade entre ambos termina em tragédia quando Chad dispara sobre Abe e se vê obrigado a fugir, procurando refúgio num circo.

Blacksad parte então no seu encalço, numa viagem pelas estradas dos Estados Unidos que o leva através do Novo México e do Colorado, cruzando-se com escritores, artistas de circo e outras personagens à margem da sociedade.

Amarillo combina assim a investigação policial característica de Blacksad com uma narrativa de estrada, tendo como pano de fundo a América da geração beat.

A nova edição da Ala dos Livros inclui ainda um caderno de extras, constituindo uma oportunidade para recuperar este quinto capítulo da série numa edição renovada.

Blacksad #5: Amarillo, Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido, Ala dos Livros, 88 pp., cor, capa dura, 29,90€

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Carlota Imperatriz: a conclusão da tetralogia

A Ala dos Livros conclui a publicação portuguesa de Carlota Imperatriz, a ambiciosa tetralogia histórica de Fabien Nury (argumento) e Matthieu Bonhomme (desenho), dedicada ao trágico destino de Carlota da Bélgica, mulher de Maximiliano de Habsburgo e imperatriz do México.

Publicada originalmente pela Dargaud, em França, entre 2018 e 2025, a série é constituída por quatro álbuns: La Princesse et l’Archiduc, L’Empire, Adios, Carlotta e Soixante ans de solitude. A edição portuguesa reúne a tetralogia em dois volumes integrais, cada um contendo dois dos álbuns originais. O terceiro volume francês, Adios, Carlotta, foi publicado em Maio de 2023, enquanto o derradeiro Soixante ans de solitude chegou às livrarias francesas em Abril de 2025.

Neste segundo integral encontramos, portanto, Adiós Carlotta (Adios, Carlotta, 2023) e Sessenta Anos de Solidão (Soixante ans de solitude, 2025).

Na ausência de Maximiliano, e apoiada pelo coronel Alfred van der Smissen, por quem sente uma crescente atracção, Carlota assume as rédeas do Império Mexicano. Mas o regresso do marido coincide com o agravamento da situação: as revoltas multiplicam-se e a França prepara-se para retirar as suas tropas do México. Entretanto, Maximiliano deseja desesperadamente assegurar um herdeiro, enquanto Carlota, conhecedora da doença do marido, se recusa a partilhar o leito com ele.

A situação leva a imperatriz a atravessar novamente o Atlântico, procurando na Europa apoios para salvar Maximiliano e o império. Encontra, porém, portas que se fecham e aliados cada vez mais escassos. Abandonada e progressivamente dominada pela perturbação mental, Carlota inicia o longo e doloroso período de isolamento que marcará o resto da sua vida. O quarto álbum encerra expressamente a quadrilogia de Nury e Bonhomme.

Com Sessenta Anos de Solidão, chega assim ao fim uma das mais interessantes séries históricas franco-belgas dos últimos anos: o retrato de uma mulher colocada no centro dos jogos políticos e dinásticos da Europa do século XIX, cujo sonho imperial mexicano acabaria por se transformar numa tragédia pessoal que se prolongou por seis décadas.

Carlota Imperatriz (2/2), Fabien Nury e Matthieu Bonhomme, Ala dos Livros, 168 pp., cor, capa dura, 35€

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Soli Deo Gloria: Uma novidade da Ala dos Livros

Nascidos sob o céu sombrio do Sacro Império Romano-Germânico, Hans e Helma estavam destinados a uma vida de dificuldades e pobreza. O seu talento para a música e seu amor por ela ofereciam-lhes esperança; um vislumbre de luz na sua existência escura e desoladora. Após o desaparecimento da sua família, foram acolhidos por um músico eremita que os apresentou aos ricos sons da natureza. Mais tarde, acolhidos num internato religioso, aprenderam o básico da leitura e da teoria musical, o que lhes permitiu decifrar as mais belas partituras da época.

Adoptados por um margrave, um senhor da guerra, descobririam então a beleza dos instrumentos musicais. Os palácios de diversas cidades europeias tornar-se-iam, por fim, testemunhas silenciosas dos seus sucessos, mas também das suas mais amargas decepções.

Inspirando-se nas convenções do romance de formação, Soli Deo Gloria oferece uma história austera, repleta de beleza e esperança. Pela primeira vez, Jean-Christophe Deveney coloca o seu talento para a escrita ao serviço do estilo preciso e elegante de Édouard Cour. Juntos, oferecem uma obra de beleza impressionante.

Soli Deo Gloria, Jean-Christophe Deveney e Édouard Cour, Ala dos Livros, 280 pp., p&b, capa dura, 37,50€

sábado, 22 de agosto de 2026

Libri Impress celebra The Katzenjammer Kids com uma edição monumental restaurada por Manuel Caldas

Com quase 30 anos de atraso em relação ao centenário, a Libri Impress apresenta uma edição que procura fazer justiça a uma das séries fundamentais da história da banda desenhada: The Katzenjammer Kids, de Rudolph Dirks.

Criada em 1897, a série ocupa um lugar incontornável na evolução da BD norte-americana e é frequentemente apontada como uma das primeiras verdadeiras tiras de banda desenhada. Jim Lowe, em The Encyclopedia of American Comics (1990), considera que, independentemente da discussão sobre qual terá sido efectivamente a primeira comic strip, o formato e muitas das convenções desenvolvidas por Dirks em The Katzenjammer Kids estabeleceram um modelo cuja influência se prolongou pelas gerações seguintes.

Agora, a Libri Impress recupera esse património numa edição de grandes dimensões, resultado de um extenso trabalho de restauro realizado por Manuel Caldas, contando também com a colaboração de Antonio Moreno.

O volume apresenta 100 páginas a cores, abrangendo o período de 1897 a 1902,, no generoso formato de 27 × 35 cm, e capa dura. Uma edição pensada para permitir apreciar devidamente o desenho, a composição das páginas e as cores de uma obra que ajudou a estabelecer parte da linguagem da banda desenhada moderna. Encontra-se disponível pelo preço de 42 euros, a que acrescem portes de envio: 7,50 euros para a Península Ibérica, 13,50 euros para a Europa e ilhas e 23 euros para os Estados Unidos. Para outros destinos, os portes deverão ser consultados directamente junto do editor.

A edição foi realizada através de impressão digital, utilizando um papel semelhante ao de jornal, embora de qualidade superior. O editor alerta que, devido ao processo de impressão, alguns exemplares poderão apresentar ocasionalmente pequenas manchas de tinta, circunstância que importa ter em consideração numa edição desta natureza.

Mais do que uma simples recuperação histórica, este lançamento constitui mais um exemplo do trabalho que Manuel Caldas e a Libri Impress têm desenvolvido na preservação e restituição gráfica de clássicos da banda desenhada, frequentemente através de um minucioso trabalho sobre materiais antigos.

The Katzenjammer Kids chega assim, finalmente, à edição comemorativa que o seu centenário, em 1997, não teve. Quase três décadas depois, uma oportunidade para regressar às origens da banda desenhada moderna e descobrir — ou redescobrir — uma obra com mais de um século de história.

Boa Noite, Punpun #6 — quando fugir já não é suficiente

A Devir prossegue a edição portuguesa de Boa Noite, Punpun, de Inio Asano, com o sexto volume de uma das obras mais intensas e perturbadoras do autor japonês.

Depois de tantos encontros e desencontros, Punpun e Aiko estão finalmente juntos. Aquilo que durante anos pareceu um sonho impossível torna-se realidade, e os dois partem em viagem em direcção ao lugar que, ainda em crianças, imaginaram como uma espécie de terra prometida. Mas esta não é propriamente uma fuga feliz. Punpun e Aiko transportam consigo um acontecimento terrível que muda radicalmente a natureza da relação entre ambos. À medida que avançam pela estrada, procurando deixar o passado para trás, o isolamento, a culpa e o desespero tornam-se cada vez mais presentes. O sonho de infância confronta-se agora com uma realidade da qual talvez já não seja possível escapar.

Neste penúltimo volume da edição da Devir, Inio Asano conduz a história para o seu momento mais sombrio. A relação entre Punpun e Aiko, construída ao longo de anos sobre memórias, idealizações e promessas, é finalmente colocada perante aquilo que ambos são no presente. O resultado é uma viagem simultaneamente física e emocional em que amor, dependência, medo e esperança se tornam cada vez mais difíceis de distinguir.

A edição portuguesa em sete volumes segue a organização das edições omnibus. No Japão, Oyasumi Punpun (おやすみプンプン) foi originalmente publicado pela Shogakukan, tendo sido serializado entre 2007 e 2013 e reunido em 13 volumes tankōbon.

O material correspondente a este volume 6 da edição em formato duplo reúne conteúdo dos volumes japoneses 11 e 12, publicados originalmente em 2012 e 2013, respectivamente.

Boa Noite, Punpun 06, Inio Asano, Devir, 480 pp., p&b, capa mole, 20€

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

GEO Histoire celebra os 100 anos de René Goscinny

No ano em que se assinala o centenário do nascimento de René Goscinny (1926-1977), a revista francesa GEO Histoire presta homenagem a um dos maiores argumentistas da história da banda desenhada com um número fora de série inteiramente dedicado à sua vida, obra e legado.

Posta à venda a 7 de Agosto de 2026 (incluindo Portugal), poucos dias antes do centenário do nascimento de Goscinny, a 14 de Agosto, este hors-série foi realizado em colaboração com o Institut René Goscinny e propõe descobrir não apenas o criador por detrás de personagens que atravessaram gerações, mas também o homem e as experiências que moldaram o seu extraordinário sentido de humor.

A revista acompanha o percurso de Goscinny desde a infância na Argentina, passando pelos difíceis primeiros tempos em Nova Iorque e Paris, até aos encontros decisivos com autores como Albert Uderzo, Morris, Jean-Jacques Sempé e Jean Tabary. São naturalmente protagonistas as grandes criações às quais o seu nome ficou para sempre ligado: Astérix, com Uderzo; Lucky Luke, com Morris; Iznogoud, com Tabary; e Le Petit Nicolas, com Sempé. O número procura mostrar como Goscinny construiu personagens e universos capazes de funcionar simultaneamente para crianças e adultos, através de diferentes níveis de humor e de uma escrita extraordinariamente precisa.

Mas Goscinny foi muito mais do que argumentista. GEO Histoire recorda igualmente o seu papel fundamental como redactor-chefe de Pilote, revista em torno da qual se reuniu uma geração excepcional de autores e que contribuiu decisivamente para transformar a percepção cultural da banda desenhada em França. A sua paixão pelo cinema e pela animação constitui outro dos temas abordados.

Um dos grandes atractivos deste número é o acesso aos bastidores da criação, através de manuscritos, arquivos e documentos raros ou inéditos, permitindo perceber melhor o método de trabalho de Goscinny e a construção dos seus argumentos. O hors-série inclui ainda um portfolio de nove desenhos inéditos realizados em homenagem a Goscinny por alguns dos mais conhecidos autores contemporâneos de BD: Achdé, Blutch, Catel, Fabcaro, Florence Cestac, Didier Conrad, Elric Dufau, Daniel Goossens e Pauline Lévêque.

A revista aborda igualmente o legado actual do argumentista, com a participação de Anne Goscinny, sua filha, mostrando como, quase meio século depois da sua morte, as personagens, histórias e sobretudo a forma de fazer humor de René Goscinny permanecem extraordinariamente vivas.

Nascido em Paris a 14 de Agosto de 1926, René Goscinny morreu prematuramente em 1977, com apenas 51 anos. Bastaram-lhe, contudo, pouco mais de duas décadas de intensa actividade para transformar profundamente a BD franco-belga e deixar algumas das personagens mais populares da Nona Arte. Este número especial de GEO Histoire constitui, assim, uma excelente oportunidade para revisitar o percurso do homem que pôs Astérix e Obélix a resistir aos Romanos, Lucky Luke a cavalgar pelo Oeste, Iznogoud a tentar tornar-se califa no lugar do califa e o pequeno Nicolas a observar o mundo dos adultos com uma lógica irresistível.

GEO Histoire – Hors-Série n.º 21H: 100 ans de René Goscinny, 138 pp., cor, 14,50€ 

Crianças do Mar #5 — o fim de uma viagem entre o oceano e o universo

A Devir publica o quinto e último volume de Crianças do Mar, a extraordinária obra de Daisuke Igarashi, encerrando uma narrativa em que o mistério das profundezas do oceano se cruza com questões sobre a origem da vida e a dimensão do universo.

«Acompanha.» É esta a mensagem transmitida pela sombra semelhante a Sora. Pouco depois, Umi apodera-se do meteorito e conduz Ruka até à superfície. Está prestes a começar o acontecimento para o qual toda a história parece ter convergido: o misterioso «Festival», aguardado não apenas pelas personagens, mas pelas criaturas do mar, pela própria Terra e, numa escala ainda maior, pelo universo.

Ruka torna-se testemunha privilegiada deste extraordinário fenómeno. Perante ela, as fronteiras entre o mar e o céu, o nascimento e a morte, o indivíduo e o cosmos parecem dissolver-se. Daisuke Igarashi leva assim às últimas consequências a componente contemplativa e filosófica que acompanha a série desde o primeiro volume.

Mais do que fornecer respostas simples aos mistérios de Umi e Sora, este desfecho procura relacionar a existência humana com os ciclos da natureza e com algo infinitamente maior. O virtuosismo gráfico de Igarashi assume particular importância nesta etapa final, transformando o oceano e as suas criaturas numa experiência visual que constitui uma parte essencial da própria narrativa.

Crianças do Mar (海獣の子供 — Kaijū no Kodomo) foi originalmente serializado no Japão na revista Monthly Ikki, da Shogakukan, entre 2005 e 2011, sendo reunido em cinco volumes.

O volume 5, que encerra a série, foi publicado originalmente no Japão pela Shogakukan em 30 de Julho de 2012.

Crianças do Mar #5, Daisuke Igarashi, Devir, 332 pp., p&b, capa mole, 20€