domingo, 11 de outubro de 2026

«No Sleep till Shengal», de Zerocalcare — uma viagem ao encontro da resistência yazidi

Publicado a 9 de Outubro, como volume 11 da coleção Novela Gráfica, da Levoir e do Público, No Sleep till Shengal leva-nos ao norte do Iraque, numa reportagem em banda desenhada sobre um povo que luta pelo seu futuro.

Na Primavera de 2021, Zerocalcare viaja até Shengal para conhecer a comunidade yazidi, sobrevivente dos massacres perpetrados pelo autoproclamado Estado Islâmico em 2014. Entre postos de controlo, obstáculos à circulação e tensões entre diferentes forças políticas e militares, o autor procura documentar o quotidiano de uma população cuja segurança e autonomia continuam ameaçadas. O resultado é um testemunho sobre resistência, solidariedade e autodeterminação, que dá rosto às pessoas por detrás das notícias. Zerocalcare acompanha os seus receios e a tentativa de construir uma sociedade assente na coexistência entre povos e na emancipação das mulheres, num território frequentemente esquecido pela comunidade internacional. Publicada originalmente pela BAO Publishing, em 2022, a obra prolonga o percurso de reportagem do autor no Médio Oriente.

Zerocalcare é o pseudónimo de Michele Rech, autor italiano de banda desenhada nascido em 1983. Tornou-se conhecido nos meios dos fanzines e através das histórias publicadas no seu blogue. Estreou-se em livro com La profezia dell’armadillo, em 2011, e consolidou o seu percurso com obras como Un polpo alla gola, Dimentica il mio nome e Kobane Calling. A sua escrita cruza experiências pessoais, humor e intervenção social, tornando-o uma das vozes mais reconhecidas da banda desenhada italiana contemporânea.

No Sleep till Shengal, Zerocalcare, Público/Levoir, 208 pp., p&b, capa dura, 16,90€

sábado, 10 de outubro de 2026

Ilustração e banda desenhada em destaque no FOLIO

A ilustração e a banda desenhada estiveram em destaque no FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, com a celebração das 30 edições do Prémio Nacional de Ilustração e uma conversa dedicada aos primeiros distinguidos pelo Prémio Nacional de Banda Desenhada. Duas artes que contam com curadorias e programação próprias no festival.

O Prémio Nacional de Ilustração, atribuído pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), foi entregue a Catarina Sobral, pelas ilustrações de As Pessoas São Esquisitas, com texto de Victor D. O. Santos e edição da Orfeu Negro. A distinção, no valor de 10 mil euros, foi entregue durante a inauguração da PIM! – Mostra de Ilustração para Imaginar o Mundo.

Foram também entregues duas menções especiais: a Catarina Alves, por Natália Correia: Entre o riso e a paixão, com texto de Maria João Martins, editado pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda e Pato Lógico; e a Madalena Matoso, por Fantasmas, com texto de Clara Rowland e edição da Planeta Tangerina.

A primeira edição do Prémio Nacional de Banda Desenhada, também promovido pela DGLAB, trouxe ao FOLIO uma reflexão sobre o reconhecimento da nona arte e as condições de trabalho dos seus criadores.

António Jorge Gonçalves, distinguido com o Prémio Carreira, salientou o caminho que a BD ainda tem de percorrer para conquistar reconhecimento artístico e social. Recordou também a importância concreta do apoio financeiro para quem vive da criação.

Luís Miguel Moreira, vencedor do Prémio Obra do Ano com Dormindo entre Cadáveres, de que é coautor Felipe Parucci, apresentou uma perspectiva mais optimista, associando o crescente respeito pela banda desenhada à publicação de obras de qualidade.

O Prémio Inovação distinguiu Rumo ao Eclipse, livro-jogo de Ana Matilde Sousa, Ana Simões, André Nóvoa e Hugo Soares.

Cada categoria tem uma dotação de 10 mil euros. A entrega dos prémios está marcada para 18 de outubro, Dia Nacional da Banda Desenhada Portuguesa, no âmbito do Festival Amadora BD.

Exposição João Amaral

 


sexta-feira, 9 de outubro de 2026

JuveBêDê n.º 105: no ano XXX, a revista continua a acompanhar a banda desenhada

É sempre bem-vinda uma nova edição da JuveBêDê, a revista de banda desenhada da Associação Juvemédia, que chega ao n.º 105, já no seu ano XXX.

Neste número, o destaque vai para o Coimbra BD 2026 e para a Comic Con Portugal, dois encontros que aproximam autores, leitores e outros protagonistas do universo dos quadradinhos.

Com um percurso de três décadas, a JuveBêDê mantém o seu espaço na divulgação da banda desenhada, acompanhando os acontecimentos e contribuindo para a memória da actividade em Portugal.

Uma nova edição para descobrir e acrescentar à colecção!

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Congo: Reino de Sangue

A Mudnag Edições lança este mês Congo: Reino de Sangue, terceiro volume da série de banda desenhada dos irmãos Duarte e Henrique Gandum, depois de Um Mundo Esquecido e No Caminho das Trevas.

A ação decorre no Congo, em 1880. Meses após o desaparecimento de Afonso Ferreira, os portugueses sobreviventes encontram refúgio numa aldeia congolesa. Entretanto, as operações do coronel belga Jacques De Vries e do major britânico Edward Jackson avançam, apoiadas na violência e na escravização da população. A construção de uma linha férrea liberta um ecossistema de criaturas primitivas, acrescentando uma nova ameaça aos perigos da floresta. A série prossegue assim o cruzamento entre aventura, contexto colonial e elementos fantásticos que acompanha a expedição portuguesa desde o primeiro álbum.

O lançamento apresenta duas opções capa, incluindo uma versão «Capa Clássica».

Reino de Sangue, Duarte e Henrique Gandum, Mundnag Edições, 76 pp., cor, capa mole, 17€

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

«Terra ou Lua», de Jade Khoo, chega às livrarias portuguesas pela ASA

A ASA acaba de publicar Terra ou Lua — Livro 1, com desenho e argumento de Jade Khoo. É a primeira parte de uma história concebida em dois volumes, originalmente publicada em França pela Morgen, sob o título Terre ou Lune, em Fevereiro de 2026.

A narrativa acompanha Otelo, um rapaz apaixonado pelos pássaros e pela possibilidade de escapar. Aos sete anos, mata o pai, numa tragédia familiar marcada por segredos, violência e um passado cujas consequências ainda desconhece. A obra cruza o percurso de crescimento do protagonista com elementos de ficção científica e questões sociais e ambientais.

Jade Khoo, nascida em 1998 e formada na escola de animação Gobelins, estreou-se na banda desenhada com Zoc, publicado pela Dargaud em 2022. Em Terra ou Lua, a aguarela ocupa um lugar central na construção visual da história.

Terra ou Lua, Jade Khoo, ASA, 296 pp., cor, capa dura, 36,90€

A Viagem de Shuna, de Hayao Miyazaki

Chega finalmente ao mercado português A Viagem de Shuna, uma obra de Hayao Miyazaki, originalmente publicada no Japão em 1983 e que permanecia até agora inédita em português. Antes da fundação do Studio Ghibli, Miyazaki criou esta história, escrita e ilustrada pelo próprio, inspirando-se numa lenda tibetana e antecipando alguns dos temas e ambientes que viriam a marcar o seu universo criativo.

A narrativa acompanha Shuna, jovem herdeiro de uma terra árida onde o seu povo luta diariamente para conseguir retirar dos campos o pouco alimento que estes ainda conseguem produzir. A chegada de um misterioso ancião, depois de uma longa viagem, oferece-lhe uma possível esperança: algures, muito longe, existem sementes douradas capazes de devolver a abundância às colheitas. O problema é encontrá-las. As sementes estarão no lugar onde a lua nasce e regressa para morrer, numa região situada para lá dos limites conhecidos e de onde ninguém terá regressado. Determinado a libertar o seu povo da fome, Shuna abandona a sua terra e parte rumo a oeste. Começa assim uma perigosa viagem marcada pela descoberta de outros povos e lugares, mas também pela coragem, esperança e compaixão.

A Viagem de Shuna permite descobrir uma obra realizada numa fase anterior à criação do Studio Ghibli e reconhecer nela elementos do imaginário que Hayao Miyazaki desenvolveria posteriormente na sua carreira.

Uma oportunidade para os leitores portugueses conhecerem finalmente uma das primeiras obras de um dos grandes nomes da animação e da narrativa gráfica japonesa.

A Viagem de Shuna, HayaoMiyazaki, Penguin, 160 pp., cor capa dura, 24,95€