12 de março de 2026

Made in Abyss – Volume 4: Mais fundo no mistério do Abismo

O quarto volume de Made in Abyss leva-nos ainda mais fundo numa das histórias mais fascinantes e inquietantes da manga contemporânea. À medida que a narrativa avança, o Abismo revela novas camadas de perigo, beleza e mistério, colocando à prova a coragem dos seus jovens exploradores.

No centro da história continua a estar o Abismo, uma gigantesca cratera que mergulha nas profundezas da Terra e que esconde criaturas enigmáticas, relíquias de civilizações antigas e fenómenos que desafiam a compreensão humana. A sua origem permanece envolta em mistério, e cada nova camada explorada revela perigos ainda mais extremos. Ao longo dos anos, inúmeros exploradores tentaram desvendar os segredos deste lugar. Muitos desapareceram para sempre nas suas profundezas. Apenas os mais extraordinários conseguem sobreviver às descidas mais perigosas: os lendários Apitos Brancos, figuras quase míticas para os habitantes da superfície.

Neste volume, Rico e Reg continuam a sua arriscada descida pelo Abismo na esperança de encontrar a mãe de Rico. A jornada torna-se ainda mais intensa com a companhia de Nanachi, uma personagem tão adorável quanto misteriosa: um híbrido entre humano e animal que carrega consigo um passado sombrio e doloroso. A travessia leva-os por locais assustadores e fascinantes, como o temível Campo de Flores Proibido, um cenário tão belo quanto mortal. A tensão aumenta à medida que o grupo se aproxima da parte inferior da quinta camada do Abismo.

O destino deste volume é Ido Front, uma cidadela misteriosa que guarda segredos profundos sobre o funcionamento do Abismo. É aqui que os protagonistas conhecem Prushka, uma rapariga doce e curiosa, cuja vida está inevitavelmente ligada ao seu pai. Esse pai é ninguém menos que Bondrewd, um dos Apitos Brancos mais temidos e enigmáticos. A sua presença traz à narrativa um dos momentos mais intensos, perturbadores e emocionalmente devastadores de toda a série

Made in Abyss #4, AkihitoTsukushi, A Seita, 168 pp., p&b, capa mole, 9,99€

11 de março de 2026

LouriBD regressa à Lourinhã com uma semana dedicada à descoberta na Banda Desenhada

A vila da Lourinhã prepara-se para receber a 4.ª edição do LouriBD – Festival de Banda Desenhada da Lourinhã, que decorre entre 16 e 22 de Março, reunindo autores, editores, leitores e público escolar numa programação dedicada à criação contemporânea e à reflexão em torno da banda desenhada.

Organizado pelo Município da Lourinhã, em parceria com a editora local Escorpião Azul, o festival conta ainda com o apoio media da Antena 1 e com a colaboração do Museu da Lourinhã e da Galeria Parasol. Ao longo de uma semana, o evento propõe um encontro entre diferentes públicos e criadores, afirmando-se como um espaço de partilha, descoberta e debate.

Sob o tema “A Descoberta”, o LouriBD propõe uma reflexão sobre o acto de explorar novas possibilidades criativas dentro da narrativa gráfica. A ideia de descoberta atravessa toda a programação do festival, seja através da revelação de novos autores, da experimentação de linguagens visuais ou da apresentação de novas leituras da banda desenhada contemporânea. A iniciativa pretende assim incentivar o contacto com diferentes formas de expressão artística e promover o diálogo entre criadores e público.

Ao longo da semana, o festival apresenta um mercado do livro de banda desenhada e diversas exposições, que poderão ser visitadas durante todo o evento. A programação inclui ainda oficinas dirigidas a vários públicos, desde o pré-escolar e os diferentes ciclos do ensino básico e secundário até ao público sénior. Entre as actividades previstas estão também sessões de autógrafos e conversas com autores convidados, proporcionando momentos de proximidade entre criadores e leitores.

O programa intensifica-se durante o fim-de-semana, com lançamentos e apresentações de novas obras, bem como debates integrados nos Estados Gerais da Banda Desenhada, espaço dedicado à reflexão crítica sobre o presente e o futuro da BD.

A programação inclui ainda uma sessão de cinema dirigida ao público familiar e a apresentação do Primeiro Museu Nacional de Banda Desenhada, iniciativa que pretende valorizar e preservar o património desta forma de expressão artística.

Um dos momentos especiais do festival terá lugar no dia 22 de Março, com o lançamento do livro “Portugal Jurássico”, no Museu da Lourinhã. A obra estabelece uma ponte entre o património científico associado à paleontologia da região e a criação artística em banda desenhada.

A exposição colectiva desta edição reúne autores de Portugal e do Brasil, representando diferentes estilos e abordagens estéticas dentro da narrativa gráfica. Nesta mostra, as máscaras assumem um papel conceptual de destaque, surgindo trabalhadas em cortiça e acompanhadas por ilustrações produzidas com caneta BIC, café e vinho. A proposta explora temas como identidade, anonimato e liberdade formal, revelando novas possibilidades materiais e simbólicas no campo da ilustração.

Com esta quarta edição, o LouriBD reforça um modelo de colaboração entre instituições culturais e o sector editorial, consolidando-se progressivamente como um espaço de programação regular, debate crítico e apresentação de nova produção em banda desenhada.

Mais informações sobre o festival podem ser consultadas no site do Município da Lourinhã.




10 de março de 2026

O voto feminino em Portugal: uma exposição para revisitar a história

 


No próximo 11 de Março de 2026, às 17h30, será inaugurada na Casa do Parlamento – Centro Interpretativo a exposição “O Voto Feminino em Portugal”, uma iniciativa que convida o público a revisitar um dos capítulos mais significativos da história da cidadania e da democracia no país.

O evento decorre num espaço integrado na Assembleia da República, dedicado à divulgação da história parlamentar portuguesa e ao aprofundamento da literacia democrática.

A exposição ficará patente até 31 de Março, permitindo aos visitantes conhecer melhor o percurso, muitas vezes longo e desigual, que conduziu ao reconhecimento pleno do direito de voto das mulheres em Portugal.

O sufrágio feminino em Portugal não surgiu de forma imediata nem linear. Durante décadas, o direito de voto esteve reservado aos homens, refleCtindo uma concePção restrita de participação política.

Um momento simbólico ocorreu em 1911, quando Carolina Beatriz Ângelo conseguiu votar nas eleições para a Assembleia Constituinte, aproveitando uma lacuna na lei eleitoral da Primeira República. A legislação seria posteriormente alterada para impedir que outras mulheres votassem nas mesmas condições.

Só muito mais tarde, já no século XX, e após diversas mudanças políticas e sociais — culminando com a democratização iniciada pela Revolução de 25 de Abril de 1974 — o sufrágio universal se consolidou plenamente, garantindo igualdade formal entre homens e mulheres no acesso ao voto.

9 de março de 2026

O guia do mau pai

Publicado originalmente em 2013, com o título francês Le Guide du mauvais père, o livro do autor canadiano Guy Delisle rapidamente conquistou leitores em vários países. Em inglês, a obra ficou conhecida como The Guide to a Bad Father, e em português recebeu o título O Guia do Mau Pai, numa edição da Devir.

Conhecido pelos seus romances gráficos de viagem e reportagem — como Pyongyang ou Crónicas de Jerusalém — Delisle surpreende aqui com um registo mais íntimo e autobiográfico. Em vez de conflitos políticos e contextos geográficos complexos, o autor mergulha no território universal da paternidade.

O título é provocador, mas profundamente irónico. O “mau pai” de Delisle não é negligente nem irresponsável; é simplesmente humano. Através de pequenas vinhetas independentes, o autor retrata episódios do quotidiano com os filhos: explicações científicas improvisadas e duvidosas, promessas feitas para ganhar alguns minutos de descanso, estratégias criativas (e questionáveis) para lidar com birras ou momentos de ternura que surgem inesperadamente.

O humor nasce do reconhecimento. Quem lê identifica-se — seja como pai, mãe ou filho. Delisle expõe as falhas e contradições da parentalidade contemporânea sem moralismos, mas também sem cinismo.

O traço é simples, limpo e expressivo. As cores suaves reforçam o tom leve da narrativa. Cada página funciona quase como uma tira autónoma, o que torna a leitura dinâmica e acessível. Não há uma história linear tradicional. Em vez disso, o livro constrói um mosaico de situações que, em conjunto, revelam uma relação afectiva sólida entre pai e filhos. O humor nunca diminui o vínculo — pelo contrário, reforça-o.

O Guia do Mau Pai é uma obra leve na forma, mas profunda no conteúdo. Ao transformar pequenas falhas quotidianas em matéria literária e humorística, Guy Delisle lembra-nos que ser pai — ou mãe — não é um exercício de perfeição, mas de presença. É uma leitura recomendada tanto para quem já vive a experiência da parentalidade como para quem gosta de banda desenhada autobiográfica com inteligência e sensibilidade.

O guia do mau pai, Guy Delisle, Devir, 302 pp., p&b, capa mole, 25€

6 de março de 2026

Cartoon Xira regressa a Vila Franca de Xira com quase 220 cartoons e destaque para Maria Picassó

A cidade de Vila Franca de Xira volta a receber um dos mais relevantes eventos de humor gráfico em Portugal. A 27.ª edição da Cartoon Xira abre portas no próximo sábado, n’O Celeiro da Patriarcal, reunindo cerca de 220 cartoons de 110 artistas portugueses numa exposição que promete revisitar a actualidade através da sátira, da crítica social e do humor.

Com curadoria do cartoonista António Antunes, a mostra apresenta os “Cartoons do Ano 2025”, uma seleção que reflecte os acontecimentos mais marcantes do último ano através do olhar atento e irónico de alguns dos principais nomes do cartoon nacional. Entre os artistas presentes encontram-se André Carrilho, António Maia, Cristina Sampaio, Henrique Monteiro, João Fazenda, Nuno Saraiva, Pedro Ferreira, Pedro Silva, Rodrigo de Matos e Vasco Gargalo, entre muitos outros.

Como é habitual, a Cartoon Xira propõe uma viagem pela actualidade política, social e cultural, explorando o poder do desenho satírico enquanto forma de comentário e reflexão crítica sobre o mundo contemporâneo.

Além da exposição colectiva, esta edição conta com uma mostra dedicada à artista espanhola Maria Picassó (1983). Natural de Manresa, na Catalunha, Picassó tem formação em arquitectura e destaca-se pelo seu traço depurado e por uma abordagem contemporânea à caricatura.

Ao longo da sua carreira, conquistou reconhecimento internacional, incluindo a Medalha de Prata nos World Humour Awards (2022) e dois Prémios Bronze ÑH – Design de Imprensa na Península Ibérica (2015 e 2021). Em 2019, integrou também o júri do prestigiado World Press Cartoon.

Reconhecida a nível nacional e internacional, a Cartoon Xira tem-se afirmado como um espaço privilegiado para a divulgação do cartoon e da caricatura, reunindo artistas e públicos em torno do humor gráfico. A exposição oferece uma retrospectiva visual dos principais temas sociais, culturais e políticos da actualidade, reforçando o papel do cartoon como forma de intervenção artística e cívica.

A iniciativa, organizada pela autarquia de Vila Franca de Xira, decorre até 31 de Maio e tem entrada livre, sublinhando o compromisso do município com a promoção da cultura, da liberdade de expressão e do pensamento crítico.

Para os visitantes, será uma oportunidade de olhar para o mundo com ironia — e perceber como, muitas vezes, um simples desenho consegue dizer mais do que muitas palavras.

5 de março de 2026

Something is Killing the Children – Livro Dois: terror regressa às livrarias

A aclamada série de banda desenhada Something is Killing the Children continua a conquistar leitores em todo o mundo. Criada pelo argumentista James Tynion IV e ilustrada por Werther Dell’Edera, esta obra mistura horror, mistério e drama numa narrativa intensa que rapidamente se tornou uma das séries mais populares da editora norte-americana Boom! Studios.

Depois do sucesso do primeiro volume, os leitores podem agora continuar a acompanhar as aventuras de Erica Slaughter, a misteriosa caçadora de monstros que enfrenta criaturas responsáveis por terríveis mortes de crianças.

Desde a sua estreia em 2019 nos Estados Unidos, Something is Killing the Children tornou-se um verdadeiro fenómeno editorial. A série recebeu vários Prémios Eisner, incluindo distinções para melhor argumentista atribuídas a James Tynion IV em 2021, 2022 e 2023, bem como o prémio de Melhor Série Contínua em 2022. 

A história acompanha a jovem Erica Slaughter, enviada para pequenas cidades americanas onde crianças estão a desaparecer ou a morrer de forma inexplicável. Enquanto os adultos recusam acreditar nos relatos de monstros vindos das sombras, Erica sabe que essas criaturas existem — e está determinada a eliminá-las.

O Livro Dois continua a aprofundar o universo da série e o passado da protagonista. Nesta nova fase da narrativa, os leitores descobrem mais sobre a misteriosa Ordem de São Jorge, a organização secreta dedicada à caça de monstros, e o percurso que levou Erica a tornar-se uma das suas agentes. Este volume reúne arcos narrativos posteriores da série original e expande o mundo criado por Tynion IV, oferecendo mais acção, suspense e revelações sobre a protagonista.

Something is Killing the Children – Livro Dois, James Tynion IV e Werther Dell’Edera, Devir, 132 pp., cor, capa mole 18€




Kiki de Montparnasse — Biografia em banda desenhada de um ícone livre

Na história da arte do século XX, muitas mulheres ficaram eternizadas como musas — rostos, corpos e presenças que inspiraram artistas homens. Poucas, porém, foram reconhecidas como criadoras e protagonistas da sua própria narrativa. É precisamente essa reparação simbólica que Catel Muller e José-Louis Bocquet realizam em Kiki de Montparnasse, uma das mais marcantes biografias em banda desenhada das últimas décadas.

Publicada originalmente em 2007, a obra reconstrói a vida de Kiki de Montparnasse (Alice Prin), figura central da boémia parisiense dos anos 1920. Modelo, cantora, pintora, atriz e escritora, Kiki foi muito mais do que a célebre imagem captada por Man Ray em Le Violon d’Ingres. Foi um símbolo de liberdade feminina numa época de intensa efervescência artística.

Catel e Bocquet não optam por uma narrativa breve ou episódica. Pelo contrário, constroem um volume extenso, de fôlego quase romanesco, que acompanha Kiki desde a infância pobre até à consagração como “rainha de Montparnasse”. O traço elegante e expressivo de Catel — predominantemente a preto e branco — equilibra leveza e densidade histórica. A linha clara reforça a dimensão documental, mas nunca abdica da emoção. O argumento de Bocquet, por sua vez, articula rigor histórico e fluidez narrativa, evitando tanto a hagiografia como o sensacionalismo.

A obra recebeu o Prémio do Público no Festival International de la Bande Dessinée d’Angoulême em 2008, distinção que consolidou o seu estatuto no panorama europeu da BD.

Kiki de Montparnasse, Catel Muller e José-Louis Bocquet, Devir, 406 pp., p&b, capa dura, 22€