5 de maio de 2026

“Jardim dos Espectros” regressa em 2.ª edição pela Escorpião Azul

Após a calorosa receção da sua primeira edição, Jardim dos Espectros, de Fábio Veras, regressa agora às livrarias numa nova edição pela editora Escorpião Azul. A obra, que marcou a estreia a solo do autor na banda desenhada, volta a dar vida ao misterioso universo de Núvia — um jardim onde repousam centenas de almas que já pertenceram ao mundo dos vivos.

Outrora um dos locais mais visitados da cidade, Núvia tornou-se, com o passar do tempo, um espaço envolto em silêncio e receio. Aquilo que já foi um jardim vibrante e acolhedor é hoje cenário de acontecimentos inexplicáveis, evitando-se até mencionar o seu nome. Poucos ousam atravessar os seus portões — mas a chegada de um enigmático forasteiro promete desafiar os segredos que permanecem ocultos entre os ramos das árvores. Quem é ele, e o que sabe realmente sobre o passado deste lugar?

Fábio Veras, licenciado em Desenho pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, tem vindo a afirmar-se como um dos nomes promissores da banda desenhada portuguesa. Em 2016, venceu o primeiro prémio do concurso Amadora BD e, em 2018, destacou-se também no concurso de Odemira. Nesse mesmo ano, lançou Jardim dos Espectros, consolidando a sua voz autoral.

Desde então, o autor tem somado participações em diversas publicações e antologias, além de lançar obras como Filhos do Rato (2019), que lhe valeu o Prémio Revelação na 30.ª edição do Amadora BD, e O Homem de Lugar Nenhum (2021). Mais recentemente, Veras tem expandido o seu trabalho para o mercado internacional, colaborando com editoras como a DC Comics e a Image Comics.

Esta nova edição de Jardim dos Espectros representa não só o reconhecimento do impacto da obra junto do público, mas também uma oportunidade para novos leitores descobrirem um dos títulos mais intrigantes da banda desenhada contemporânea portuguesa.

Jardim dos Espectros [2ª edição], Fábio Veras, Escorpião Azul, 64 pp., cor, capa mole, 19€

4 de maio de 2026

Livro VIII de Águias de Roma: A Guerra Torna-se Pessoal

A aclamada série Águias de Roma regressa com o seu oitavo volume — e a tensão nunca foi tão intensa. Neste novo volume, a rivalidade entre Marcos e Arminio atinge um ponto de ruptura, arrastando o leitor para um conflito cada vez mais pessoal, brutal e inevitável.

Marcos está determinado a encontrar o seu filho e levá-lo de volta para Roma, numa tentativa desesperada de salvar o irmão das mãos de Cabar. No entanto, o destino revela-se implacável: Morfea já matou o refém, alterando drasticamente o rumo dos acontecimentos. Ainda assim, Marcos não abandona a missão que lhe foi confiada por Germânico — recuperar as águias perdidas de Roma, símbolos de honra e poder. Uma delas, ao que tudo indica, encontra-se nas mãos dos temidos brúcteros. Do outro lado, Arminio enfrenta a sua própria dor. Abalado pela captura de Thusnelda, o líder germânico deixa-se consumir por um desejo crescente de vingança. Mais determinado do que nunca, prepara-se para esmagar os romanos e pôr fim à sua presença de uma vez por todas.

Este oitavo volume promete acção intensa, reviravoltas dramáticas e um aprofundar das emoções que movem estas personagens marcantes. Entre lealdade, vingança e destino, a série continua a explorar os limites da guerra e da humanidade.

Prepara-te para um novo capítulo onde cada decisão tem consequências — e onde o passado e o presente colidem de forma explosiva.

Base de dados

As Águias de Roma: Livro VIII, Enrico Marini, ASA, 64 pp., cor, capa dura, 17,90€

3 de maio de 2026

Blake e Mortimer viajam até ao Estoril

O recente hors-série de Le Figaro presta homenagem aos 80 anos de Blake et Mortimer, uma das mais emblemáticas séries da banda desenhada europeia, criada por Edgar P. Jacobs. Esta edição especial revisita o legado da dupla formada pelo capitão Francis Blake e pelo professor Philip Mortimer, destacando a sua influência duradoura no imaginário da BD franco-belga, bem como a riqueza gráfica e narrativa que continua a cativar leitores de várias gerações.

Além do olhar retrospectivo, a publicação lança também um olhar para o futuro da série. O próximo álbum, com lançamento previsto para Outubro, promete ser particularmente ambicioso: reunirá dez histórias inéditas da dupla, assinadas por diferentes desenhadores e argumentistas. Esta abordagem coletiva reforça a vitalidade do universo de Blake e Mortimer, mostrando como novos autores reinterpretam os seus códigos clássicos sem perder a essência original.

Entre essas histórias, destaca-se “Opération Estoril”, com argumento e desenho de Nicolas Barral. Esta aventura leva os heróis até Portugal, tendo como cenário o elegante ambiente de Estoril, conhecido pela sua atmosfera cosmopolita e pela sua história ligada à espionagem durante o século XX. A escolha deste contexto promete uma intriga à altura das melhores narrativas da série, combinando mistério, geopolítica e um forte sentido de aventura.

Blake et Mortimer Spécial 80 ans, Le Figaro, 132 pp., cor, capa mole, 14,20€



2 de maio de 2026

Frank Pé, une vie en dessins — a celebração de um olhar singular sobre a natureza e a banda desenhada

A chegada à minha biblioteca de Frank Pé, une vie en dessins constitui um acontecimento relevante para um leitor interessado na história e na estética da banda desenhada europeia. Publicado em 2020 pela editora Champaka Brussels, este volumoso artbook de 320 páginas reúne mais de 250 obras — entre pranchas originais e ilustrações, muitas delas inéditas — oferecendo uma visão abrangente do percurso artístico de um dos mais importantes desenhadores contemporâneos  .

Mais do que uma simples monografia, Une vie en dessins assume-se como um verdadeiro objecto de contemplação. A organização do volume conduz o leitor por diferentes fases e universos da obra de Frank Pé, desde as séries que o tornaram célebre, como Broussaille e Zoo, até aos seus projectos paralelos, que incluem homenagens a figuras icónicas da banda desenhada como Spirou ou o Marsupilami .

O livro destaca-se também pela sua riqueza visual: predominam as ilustrações a cores, frequentemente de grande formato, onde se evidencia o traço expressivo e detalhado do autor. A presença de comentários do próprio Frank Pé, acompanhados por textos de Daniel Couvreur, acrescenta uma dimensão reflexiva, permitindo compreender o contexto, as intenções e as evoluções do seu trabalho  .

Um dos aspetos mais marcantes da obra — e que o livro sublinha com clareza — é a relação íntima do artista com o mundo animal. Ao longo das páginas, percebe-se como a observação da fauna e da natureza constitui não apenas um tema recorrente, mas um verdadeiro motor poético da sua criação.

Frank Pé nasceu a 15 de Julho de 1956 em Ixelles, na Bélgica. Formou-se em artes plásticas no Instituto Saint-Luc, em Bruxelas, uma escola de referência para autores de banda desenhada. Iniciou a sua carreira ainda jovem, publicando em 1973 na revista Spirou, um dos principais berços da BD franco-belga. Rapidamente se afirmou com a série Broussaille, criada em colaboração com o argumentista Bom (Michel de Bom), onde já se revelava a sua sensibilidade particular para a natureza e os animais. Mais tarde, obras como Zoo consolidaram o seu estatuto, explorando temas mais maduros e contemplativos.

Para além das séries, Frank Pé desenvolveu uma carreira multifacetada: ilustração, frescos, projectos de animação e revisitações de personagens clássicas. O seu estilo distingue-se pela combinação de realismo, lirismo e um profundo respeito pelo mundo vivo, tornando-o uma figura singular no panorama da banda desenhada europeia.

Infelizmente, Frank Pé faleceu em 29 de Novembro de 2025.

Frank Pé, une vie en dessins é simultaneamente uma retrospectiva e uma porta de entrada. Para os conhecedores, oferece material raro e uma leitura aprofundada da evolução do autor; para novos leitores, constitui uma introdução privilegiada a um universo gráfico de grande coerência e sensibilidade. Enquanto objecto editorial, destaca-se também pela qualidade de reprodução e pelo cuidado na curadoria das imagens, características que o aproximam mais de um livro de arte do que de uma publicação convencional de banda desenhada.

Frank Pé, une vie en dessins, Champaka Brussels, 320 pp., cor, capa dura, 55€

Joana Mosi - Exposição na Bedeteca da Amadora