quarta-feira, 3 de junho de 2026
“O Mercenário” regressa com o Volume 9: Os Antepassados Perdidos
Nesta nova aventura, Nan-Tay e o Mercenário embarcam numa intensa e perigosa demanda em busca das origens da jovem guerreira. A investigação sobre os seus antepassados leva-os a desvendar um surpreendente segredo ligado aos descendentes da mítica Atlântida — uma civilização oriunda do planeta Geos, que teria chegado à Terra como colona e desenvolvido uma cultura extraordinariamente avançada, preservada no isolamento durante milénios.
Como é habitual no universo imaginado por Segrelles, a narrativa cruza fantasia, história e mistério em cenários grandiosos e repletos de detalhe. Desta vez, a viagem do Mercenário atravessa diferentes tempos e geografias, levando-o desde a Espanha da Reconquista, marcada pelas guerras religiosas, até ao continente americano dos Maias. Pelo caminho, o protagonista reencontrará alguém que julgava perdido no passado — um regresso inesperado que promete marcar profundamente o rumo da história.
Considerada uma verdadeira obra-prima da banda desenhada de fantasia, O Mercenário permanece uma leitura incontornável para coleccionadores e apreciadores do género. A arte pictórica singular de Vicente Segrelles, construída com um impressionante detalhe visual e uma estética quase cinematográfica, continua a distinguir esta série como uma peça única no panorama da BD europeia.
O Mercenário #9: Os Antepassados Perdidos, Vicente Segrelles, Ala dos Livros, 64 pp., cor, capa dura
terça-feira, 2 de junho de 2026
Slava #2: Os novos russos
Após a violenta rutura com Slava, o destino de Lavrine revela-se particularmente sombrio. Abandonado por Troubetskoï numa aldeia isolada, mutilado e sem recursos, Lavrine transforma-se numa figura quase fantasmagórica. A sobrevivência ainda depende dos seus velhos truques — enganar e explorar a boa vontade alheia —, mas algo mudou profundamente: perdeu o impulso, o apetite pelo lucro fácil que antes definia a sua existência. O volume constrói, assim, um retrato poderoso de um homem em colapso, confrontado com o vazio das suas próprias escolhas. Essa dimensão introspectiva levanta uma questão central: poderá Lavrine, no meio da dor e da dúvida, reencontrar um propósito? A narrativa conduz o leitor por esse território incerto, onde redenção e desespero coexistem.
Em paralelo, Slava segue um percurso igualmente tenso, embora de natureza diferente. Dividido entre os negócios arriscados com Troubetskoï — fundamentais para salvar a mina — e a sua relação clandestina com Nina, Slava vê-se enredado numa teia de perigos pessoais e profissionais. A situação complica-se ainda mais com a presença de Arkady, noivo de Nina, cuja eventual descoberta do caso poderá ter consequências explosivas.
Gomont constrói este volume com um equilíbrio notável entre tensão narrativa e profundidade psicológica. Mais do que uma história de crime ou sobrevivência, Os Novos Russos é uma reflexão sobre identidade, ambição e perda num período histórico marcado por transformações brutais.
Slava 2: Os Novos Russos, Pierre-Henry Gomont, ASA, cor, capa dura, 20,90€
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja regressa com novos autores, exposições e mercado alternativo
O Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja regressa entre 5 e 21 de Junho para a sua 21.ª edição, trazendo à cidade alentejana dezenas de autores, exposições, sessões de autógrafos e um vasto mercado editorial dedicado à nona arte.
Entre os nomes em destaque na programação deste ano estão Beatriz Brajal, Dinis Conefrey, Luckas Ioanathan e Thomas Ott, autores que terão exposições dedicadas às suas obras. A estreia literária de Beatriz Brajal, A cada sete ondas, e o álbum Estância do Sino Coberto, de Dinis Conefrey, ambos lançados no final de 2025, servem de mote para duas das mostras anunciadas.
O brasileiro Luckas Ioanathan, vencedor do Prémio Jabuti para Melhor Banda Desenhada com Como Pedra, marcará presença em Beja com uma exposição centrada na obra distinguida. Já o suíço Thomas Ott integra igualmente o conjunto de autores internacionais convidados para esta edição.
Uma das principais novidades do festival é a criação do Interstícios, um mercado dedicado à autoedição e à edição alternativa, que reunirá pequenos projetos editoriais independentes ligados à banda desenhada e às artes visuais. Entre os participantes encontram-se editoras e coletivos como Magma Bruta, Opuntia Books, Erva Daninha e Gorila Sentado.
O evento mantém ainda algumas das suas marcas habituais, como os encontros entre público e autores, sessões de autógrafos e um mercado do livro que contará com cerca de 60 editoras representadas.
A programação inclui também a exposição colectiva espanhola Aventureras gráficas, com trabalhos de Ana Penyas, Laura Pérez, María Medem, Natacha Bustos e Nuria Tamarit. Estão ainda previstas mostras de Inês Louro (Portugal), Simone Baumann (Suíça) e Benjamin Bachelier (França), bem como a exposição colectiva romena Dracula in Comics.
Um dos momentos de homenagem desta edição será dedicado ao autor Filipe Pina, falecido em 2025. A exposição reunirá obras de André Oliveira, Filipe Andrade, Nuno Lourenço Rodrigues, Nuno Saraiva e Osvaldo Medina, celebrando o legado deixado pelo artista.
O colectivo Toupeira, responsável desde 1996 por um atelier de produção de banda desenhada em Beja, junta-se igualmente à programação, promovendo a participação de autores provenientes de Angola, Brasil, Espanha, Reino Unido e Portugal.
A edição deste ano decorre num momento particularmente relevante para a banda desenhada em Portugal. A Câmara Municipal de Beja está a preparar a instalação do futuro Museu de Banda Desenhada (MBD), o primeiro equipamento do género no país.
Anunciado no início deste ano, o projeto prevê a recuperação de um edifício devoluto no centro histórico da cidade, num investimento superior a 1,2 milhões de euros, financiado por fundos comunitários. A abertura está prevista para 2027.
Segundo Paulo Monteiro, diretor da Bedeteca de Beja e do Festival Internacional de Banda Desenhada, o futuro museu contará com um espólio de exceção, composto por cerca de 1.500 pranchas originais de banda desenhada, além de centenas de fotografias, manuscritos e correspondência de quase uma centena de autores portugueses. Entre os nomes representados estarão figuras históricas como Rafael Bordalo Pinheiro, Stuart de Carvalhais e Carlos Botelho. O espaço incluirá ainda salas de leitura, exposições permanentes e temporárias, oficinas pedagógicas, loja, arquivo e um terraço panorâmico.





























