sexta-feira, 12 de junho de 2026

Exposição de ilustração da Raquel Costa

 


Casemate #202

A revista Casemate chega às bancas com a sua edição n.º 202, referente ao mês de Junho de 2026, oferecendo mais uma vez um panorama rico e diversificado do universo da banda desenhada francófona e internacional. Entre entrevistas exclusivas, reportagens, pré-publicações e críticas, esta edição destaca autores consagrados, novos talentos e algumas das obras mais aguardadas do momento.

Logo nas primeiras páginas, a revista apresenta uma série de encontros com criadores de diferentes sensibilidades. Os leitores poderão descobrir o trabalho de Mazan e Dethan, que regressam com uma abordagem original ao imaginário pré-histórico, enquanto Dabitch revisita a figura de Jack London numa aventura ambientada no Havai.

A vertente histórica e biográfica marca igualmente presença com um dossier dedicado a Fritz Haber, cientista cuja contribuição revolucionou a química moderna, mas cuja herança continua a suscitar debates éticos. Já o autor Cavaillez partilha uma experiência profundamente pessoal ao transformar a sua própria história de surdez, iniciada aos cinco anos de idade, numa narrativa de ficção.

Como habitualmente, a Casemate inclui as suas secções de actualidade, com o Journorama, dedicado às notícias e tendências do mundo da BD, e L’Écho des Rézos, que reúne os melhores momentos das redes sociais da comunidade francófona da banda desenhada.

Entre os destaques editoriais deste número encontra-se a despedida de Le Roy des Ribauds, série assinada por Vincent Brugeas e Ronan Toulhoat, acompanhada por páginas exclusivas que permitem aos leitores mergulhar nos bastidores da obra. Também merecem destaque as pré-publicações de novos trabalhos de Gradimir Smudja, que imagina um Louvre esvaziado para escapar à ocupação alemã, e de Shin Zero, que apresenta uma visão irreverente de super-heróis confrontados com a precariedade do quotidiano.

Um dos momentos altos da edição é a homenagem a Enki Bilal, figura incontornável da banda desenhada europeia. A revista celebra cinco décadas de carreira de um autor cuja obra continua a explorar temas como a memória, a resistência, a política e a condição humana. O dossier inclui entrevistas, análises e páginas exclusivas que ajudam a compreender a importância do seu legado artístico.

Para os leitores que procuram novas leituras, a Casemate propõe uma selecção de 24 bandas desenhadas a descobrir durante o mês de Junho, complementada por um extenso guia com 197 lançamentos, festivais e exposições. Trata-se de uma ferramenta indispensável para acompanhar a actualidade editorial e planear futuras aquisições.

A recta final da revista reserva ainda espaço para vários álbuns muito aguardados. Destacam-se a derradeira obra de Pierre Christin, desenvolvida com Lory e Titwane, o novo capítulo de Les Enfants de la Résistance, que acompanha os últimos momentos da Segunda Guerra Mundial, e a colaboração entre Romain Hugault e Jean-Charles Rousseau, dedicada ao fascinante universo das corridas aéreas do início do século XX.

Completam a edição os trabalhos de Bienvenu, que celebra a infância através de imagens de ficção científica repletas de imaginação, e de Sanlaville, que revisita a célebre interpretação de Gustave Doré para a fábula “O Lobo e o Cordeiro”. Como é tradição, o número encerra com a secção de correspondência dos leitores.

Casemate #202, juin 2026, 100 pp., cor, 9,95€

Evento Leya na Feira do Livro de Lisboa


 

Patria

A ASA prepara-se para publicar em Portugal a adaptação em romance gráfico de Patria, uma das obras literárias mais marcantes da literatura espanhola contemporânea. Baseada no romance homónimo de Fernando Aramburu, a novela gráfica foi publicada originalmente em Espanha em Junho de 2020, pela Planeta Cómic, surgindo como uma reinterpretação visual de um livro que rapidamente se tornou incontornável no debate sobre a memória, a violência e a reconciliação no País Basco.

A história de Patria acompanha o regresso de Bittori à pequena localidade basca onde viveu com o marido, Txato, empresário assassinado pela ETA anos antes. No dia em que a organização terrorista anuncia o abandono definitivo das armas, Bittori decide regressar à casa onde tudo mudou para tentar encontrar respostas e enfrentar um passado ainda em aberto. O seu retorno reacende tensões antigas, sobretudo com Miren, antiga amiga íntima e mãe de Joxe Mari, um militante preso e suspeito de ligação ao assassinato do Txato. Através das histórias cruzadas destas duas famílias, Aramburu constrói um retrato profundamente humano das feridas deixadas pelo fanatismo político, da culpa, do silêncio e da difícil possibilidade de perdão numa comunidade dividida pela violência.

A adaptação está a cargo de Toni Fejzula, autor e ilustrador hispano-sérvio nascido em Belgrado, em 1980, e radicado em Barcelona. Mais do que simples desenhador, Fejzula assume aqui um papel total: é responsável pela adaptação do texto, pela narrativa visual, pela ilustração e pela cor. O resultado é uma obra visualmente intensa, marcada por um traço expressivo e por uma utilização atmosférica da cor, capaz de traduzir para a linguagem da banda desenhada a densidade emocional e política do romance original. O autor já havia trabalhado com editoras internacionais como a Dark Horse ou a Glénat, mas Patria consolidou o reconhecimento do seu estilo singular junto de um público mais vasto.

Importa recordar que Patria, o romance publicado por Fernando Aramburu em 2016, foi amplamente reconhecido pela crítica e pelo público, conquistando alguns dos mais prestigiados galardões literários espanhóis, entre os quais o Premio Nacional de Narrativa, o Premio de la Crítica e o Premio Euskadi de Literatura. A obra tornou-se rapidamente um fenómeno editorial internacional, sendo traduzida em dezenas de línguas e adaptada, mais tarde, a série televisiva.

Embora a adaptação gráfica de Toni Fejzula não tenha acumulado um percurso expressivo de prémios próprios, recebeu elogios significativos da crítica especializada pela forma como conseguiu preservar a intensidade emocional do romance e transformar em imagens a atmosfera pesada de medo, silêncio e fratura social provocada pelo terrorismo da ETA. O trabalho de Fejzula foi frequentemente destacado pela sua capacidade de converter uma narrativa profundamente íntima e política numa experiência visual poderosa, sem perder a complexidade moral da história.

A chegada desta edição ao catálogo da ASA representa, assim, uma oportunidade para revisitar Patria sob uma nova perspetiva artística, num formato que promete conquistar tanto leitores do romance original como novos públicos atraídos pela linguagem do romance gráfico.

Patria, Toni Fejzula, ASA, 304 pp., cor, capa dura, 40,90€

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Dois novos cursos online sobre Banda Desenhada Portuguesa na plataforma NAU


A UNAVE – Associação para a Formação Profissional e Investigação da Universidade de Aveiro, em parceria com a FCCN, unidade da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) responsável pelo desenvolvimento e gestão da plataforma NAU, acaba de disponibilizar dois cursos dedicados à história da banda desenhada portuguesa.

Os cursos, intitulados “A Banda Desenhada Portuguesa do Zé Povinho ao 25 de Abril” e “A Banda Desenhada Portuguesa da Revolução aos Dias de Hoje”, integram a oferta formativa da plataforma NAU e assumem o formato de xMOOC (Extended Massive Open Online Course). Trata-se de cursos online, gratuitos, abertos a todos os interessados e concebidos para serem frequentados ao ritmo de cada participante, através de conteúdos estruturados, vídeos explicativos e diversas atividades de aprendizagem.

A formação é conduzida por João Miguel Lameiras, Mestre em História da Arte pela Universidade de Coimbra e reconhecido especialista em banda desenhada e ilustração. Ao longo destes dois cursos, os participantes terão a oportunidade de percorrer diferentes momentos da história da BD portuguesa, desde as origens associadas ao icónico Zé Povinho até às transformações ocorridas após o 25 de Abril e à produção contemporânea.

Esta iniciativa representa uma excelente oportunidade para estudantes, investigadores, leitores e curiosos aprofundarem os seus conhecimentos sobre uma expressão artística e cultural que tem desempenhado um papel relevante na sociedade portuguesa ao longo de várias gerações.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

“Lunáticos”: a epopeia lunar que antecedeu a era espacial chega à banda desenhada portuguesa

A editora A Seita acaba de lançar Lunáticos, uma impressionante novela gráfica dos autores polacos Adam Fyda e Marek Ospalski, baseada em No Globo de Prata, a obra-prima do escritor Jerzy Żuławski, um dos grandes pioneiros da ficção científica europeia.

A história transporta-nos para 1913, quando a primeira expedição humana à Lua parte da Terra. Cinco aventureiros embarcam numa viagem sem precedentes em direção ao lado oculto do satélite, convencidos de que ali existe uma atmosfera capaz de sustentar vida. Porém, pouco depois da partida, o contacto é perdido. O que encontraram? Conseguiram sobreviver? E que destino os aguardava naquele mundo desconhecido?

Mais do que uma aventura espacial, Lunáticos é uma reflexão sobre a condição humana. Entre a exploração do desconhecido e a luta pela sobrevivência, a narrativa aborda temas universais como a morte, o amor, a saudade e a esperança, revelando uma dimensão profundamente filosófica e emocional.

Formado na Academia de Belas Artes de Wrocław, Fyda construiu uma carreira como designer gráfico, ilustrador e director de arte antes de se dedicar à banda desenhada. Depois de obras inspiradas em autores como H. P. Lovecraft e Arthur Machen, o artista regressa agora à literatura clássica para dar nova vida a um dos textos fundadores da ficção científica polaca. O argumento conta com a colaboração de Marek Ospalski, bibliotecário e apaixonado por literatura, que contribui para preservar o espírito da obra original.

O resultado é uma banda desenhada visualmente ambiciosa, que combina o fascínio da exploração espacial com uma atmosfera melancólica e contemplativa. As páginas de Fyda evocam simultaneamente o imaginário científico do início do século XX e a sensação de mistério que continua a envolver a Lua mais de um século depois.

Publicada originalmente na Polónia pela Timof Comics e já editada em França, Lunáticos chega agora aos leitores portugueses através da colecção Bursztyn/Âmbar, reforçando a aposta da A Seita na divulgação de autores e obras de referência da banda desenhada da Europa Central e de Leste.

Lunáticos, Adam Fyda e Marek Ospalski, A Seita, cor, capa dura

terça-feira, 9 de junho de 2026

O Mercenário – Tomo 14: O Último Dia

Derradeiro capítulo da obra-prima criada por Vicente Segrelles, que encerra uma das mais marcantes sagas de fantasia da banda desenhada europeia. Publicado em Portugal pela  Ala dos Livros, este volume final oferece aos leitores a conclusão há muito aguardada de uma aventura que atravessou mais de 35 anos de história editorial.  

Diferente dos álbuns anteriores, O Último Dia é apresentado em formato de prosa ilustrada, acompanhada por 24 magníficas imagens de página inteira pintadas por Segrelles. A narrativa revela finalmente o destino de Claust, a figura que durante toda a série representou a ambição e a tirania, bem como o futuro do misterioso País das Nuvens Permanentes e dos habitantes do Mosteiro da Cratera.  

Mais do que um simples epílogo, este volume funciona como uma despedida emotiva de um universo que conquistou gerações de leitores através da sua combinação única de fantasia, aventura, ficção científica e arte pictórica de excepcional qualidade. Segrelles fecha os principais fios narrativos da série, oferecendo uma conclusão coerente e carregada de simbolismo para as personagens que acompanharam os leitores ao longo de treze álbuns.  

Como complemento, a edição inclui ainda a história curta A Evidência, uma homenagem às origens de O Mercenário e ao percurso criativo do autor, permitindo regressar por breves momentos ao formato clássico da banda desenhada que tornou a série um marco incontornável da BD europeia.  

O Mercenário #14: O Último Dia, Vicente Segrelles, Ala dos Livros, 64 pp., cor, capa dura, 23,90€