sábado, 4 de julho de 2026
sexta-feira, 3 de julho de 2026
Levoir publica "Partir, ficando", de Christophe Chabouté, na coleção Novela Gráfica
Em Partir, ficando, Chabouté conduz o leitor até ao Alasca, território mítico de vastidões geladas e natureza indomável. O protagonista sonha viajar até essa última fronteira, mas vê-se impedido de concretizar o seu projecto. Em vez de desistir, decide empreender uma viagem diferente: permanece no mesmo lugar e passa a observar o mundo que o rodeia com um olhar novo.
À medida que abranda o ritmo do quotidiano, descobre uma realidade inesperadamente rica. Animais, rastos, sons, cores, formas e pessoas revelam-se sob uma perspectiva completamente renovada, transformando o mais banal dos cenários numa verdadeira aventura de descoberta. A obra propõe uma reflexão sobre a contemplação, a imaginação e a capacidade de encontrar o extraordinário no aparentemente comum, recordando que, por vezes, a maior viagem começa precisamente quando paramos.
Nascido na Alsácia, em 1967, Christophe Chabouté iniciou a sua carreira em 1993 e afirmou-se como um dos grandes nomes da banda desenhada de autor europeia. O seu trabalho distingue-se pela expressiva utilização do preto e branco, opção estética que considera fundamental para envolver o leitor e deixar espaço à interpretação pessoal. Em Partir, ficando, essa linguagem gráfica mantém-se predominante, sendo a cor utilizada apenas em momentos específicos, quando assume uma função narrativa e simbólica.
Os leitores portugueses conhecem já o trabalho de Chabouté através de obras como Acender uma Fogueira, Moby Dick (em dois volumes) e Táxi Amarelo, todas publicadas pela Levoir. Com Partir, ficando, a editora reforça a presença do autor em Portugal, acrescentando à colecção Novela Gráfica uma obra profundamente humanista, onde a viagem mais importante não é a que percorre milhares de quilómetros, mas a que transforma a forma de olhar o mundo.
Partir, ficando, Christophe Chabouté, Levoir, 152 pp., cor, capa dura, 16,90€
quinta-feira, 2 de julho de 2026
Heartstopper - Volume 6: O Último Beijo
Enquanto Charlie se dedica intensamente à candidatura à presidência da associação de estudantes, Nick concentra-se nos preparativos para a universidade, criando uma distância emocional e prática entre ambos. Pela primeira vez, surgem perguntas difíceis sobre identidade, independência e crescimento. Nick começa a questionar quem é para além da relação que sempre definiu grande parte da sua vida, abrindo espaço para reflexões profundas sobre maturidade, amor e auto-descoberta.
Com a sensibilidade característica de Alice Oseman, este volume final combina momentos ternos, diálogos sinceros e emoções intensas, explorando os desafios de crescer sem perder aquilo que torna uma relação especial. Mais do que uma história romântica, Heartstopper – Volume 6: O Último Beijo fala sobre transições, medo da mudança e a força das ligações humanas quando o futuro parece incerto.
Ao encerrar a jornada de Nick e Charlie, este último capítulo oferece aos leitores uma despedida comovente e esperançosa, celebrando o amor, a amizade e a importância de encontrar equilíbrio entre crescer individualmente e permanecer ligado a quem mais importa.
Heartstopper - Volume 6: O Último Beijo, Alice Oseman, Cultura, 336 pp., p&b, capa mole, 20,90€
terça-feira, 30 de junho de 2026
sábado, 27 de junho de 2026
Apenas o Silêncio: um thriller sombrio que chega à banda desenhada pela Arte de Autor
A narrativa acompanha Joseph Vaughan, um escritor de sucesso que revisita os acontecimentos traumáticos que marcaram a sua infância e moldaram toda a sua vida. Aos doze anos, na Geórgia rural, Joseph descobre o corpo de uma menina assassinada, a primeira vítima de uma série de crimes que irá semear o medo na comunidade durante décadas. Embora o caso pareça resolvido anos mais tarde, o pesadelo está longe de terminar.
Quando se muda para Nova Iorque em busca de um novo começo, Joseph vê-se confrontado com uma perturbadora repetição dos acontecimentos do passado: novos assassinatos de crianças começam a surgir, despertando dúvidas, culpas e memórias que nunca chegaram verdadeiramente a desaparecer. Determinado a libertar-se dos seus demónios, inicia uma busca obsessiva pela verdade e pelo assassino que o assombra há tantos anos.
Mais do que um simples thriller sobre um assassino em série, Apenas o Silêncio é uma profunda reflexão sobre a culpa, a perda, a inocência e o impacto duradouro do trauma. A intensidade psicológica da obra, aliada ao suspense constante da investigação, transformou o romance original num clássico moderno do género policial.
Na adaptação de Fabrice Colin e Richard Guérineau, a força da narrativa de Ellory ganha uma nova dimensão visual. O desenho atmosférico e expressivo reforça a tensão permanente da história, transportando o leitor para um universo marcado pela escuridão, pelo medo e pela procura incessante da verdade.
Com este lançamento, a Arte de Autor continua a apostar em adaptações de grande qualidade literária, trazendo aos leitores portugueses uma obra intensa e inesquecível, onde o suspense e a emoção caminham lado a lado até à última página. Apenas o Silêncio promete afirmar-se como uma das mais marcantes novidades do ano para os apreciadores de banda desenhada policial e de thrillers psicológicos.
Apenas o Silêncio, Fabrice Colin e Richard Guérineau, Arte de Autor, 112 pp., cor, capa dura
sexta-feira, 26 de junho de 2026
Johan & Pirlouit – une vie en dessin: uma viagem ao coração de um clássico da banda desenhada franco-belga
Mais do que um simples livro de ilustrações, esta obra funciona como uma verdadeira celebração do talento de Peyo e da evolução do seu traço ao longo das décadas. Reunindo desenhos originais, estudos de personagens, esboços preparatórios, ilustrações raras e documentação de arquivo, o volume revela o processo criativo de um dos autores mais influentes da escola belga.
Ao folhear as suas páginas, percebe-se como Johan e Pirlouit foram amadurecendo visualmente até alcançarem a forma que os leitores conhecem. Os primeiros esboços evidenciam a procura constante de equilíbrio entre dinamismo, legibilidade e expressividade, características que viriam a tornar-se marcas registadas da narrativa de Peyo. É também fascinante observar a atenção dedicada aos cenários medievais, às armaduras, aos castelos e aos inúmeros elementos que ajudaram a construir um universo simultaneamente histórico e fantasioso.
Outro dos grandes méritos da obra reside na forma como contextualiza a importância da série dentro da história da banda desenhada europeia. Johan e Pirlouit não foram apenas protagonistas de aventuras memoráveis; representaram também um laboratório criativo onde nasceram ideias, personagens e soluções narrativas que influenciaram profundamente a produção posterior do autor. Entre essas criações, destaca-se naturalmente a primeira aparição dos Schtroumpfs, que acabariam por conquistar uma popularidade mundial sem precedentes.
A edição apresenta-se com a qualidade gráfica que se tornou habitual nas publicações da Champaka dedicadas aos grandes mestres da nona arte. A reprodução dos originais permite apreciar detalhes muitas vezes invisíveis nas versões publicadas, desde correcções a lápis até indicações de composição e enquadramento. Para coleccionadores, investigadores e apaixonados pela arte do desenho, trata-se de uma fonte valiosa de informação e inspiração.
Johan & Pirlouit – une vie en dessin, Dupuis/Champaka, 256 pp., cor, capa dura com sobre-capa, 79€
As Filhas de Salem: um mergulho sombrio na histeria que marcou a História
Situada na rígida e opressiva colónia de Salem, na Nova Inglaterra do século XVII, a obra conduz o leitor a uma sociedade dominada pelo medo, pelo fanatismo religioso e pela intolerância. A história é narrada por Abigail, uma jovem de 17 anos que se tornou uma das vítimas da histeria colectiva que levou à perseguição e condenação de dezenas de pessoas acusadas de bruxaria.
Tudo começa de forma aparentemente inocente, quando um jovem rapaz oferece a Abigail um pequeno burro de madeira esculpido. A partir desse momento, desencadeia-se uma sucessão de acontecimentos que revelam a fragilidade de uma comunidade onde a superstição e o obscurantismo prevalecem sobre a razão e a justiça.
Com uma narrativa envolvente e uma forte componente documental, Thomas Gilbert recria de forma magistral o ambiente sufocante da época, explorando temas que permanecem actuais: o medo do diferente, a manipulação das crenças, os perigos do extremismo e a facilidade com que uma sociedade pode transformar suspeitas em condenações.
Graficamente, As Filhas de Salem destaca-se por uma abordagem expressiva e intensa, capaz de transmitir toda a tensão emocional e psicológica dos acontecimentos. O resultado é uma leitura simultaneamente fascinante e perturbadora, que convida à reflexão sobre um dos mais conhecidos casos de perseguição colectiva da História.
Com esta edição, a Arte de Autor acrescenta ao seu catálogo uma obra de grande relevância histórica e literária, destinada tanto aos leitores de banda desenhada como aos interessados em episódios marcantes do passado.
As Filhas de Salem, Thomas Gilbert, Arte de Autor, 200 pp., cor, capa dura, 27,50€

























