terça-feira, 18 de agosto de 2026

Dad, de Nob, chega a Portugal pela Zero a Oito

A Zero a Oito lança em Portugal os dois primeiros volumes de Dad, a popular série de humor familiar criada pelo autor francês Nob. Os álbuns portugueses intitulam-se As meninas do papá e Segredos de família, correspondendo aos dois primeiros volumes da edição original da Dupuis, Filles à papa e Secrets de famille.

A série acompanha Dad, um actor que é, acima de tudo, pai a tempo inteiro de quatro filhas: Pandora, Ondine, Roxane e Bébérénice. Cada uma tem uma idade e uma personalidade bem diferentes, proporcionando ao autor matéria para retratar, através de gags, as pequenas alegrias, conflitos e atribulações da vida familiar. A própria Dupuis apresenta Dad como uma comédia familiar dirigida tanto às crianças e adolescentes como aos pais.

Antes de chegar às livrarias em álbum, Dad foi publicado no histórico semanário belga Spirou

Nob é o pseudónimo de Bruno Chevrier, autor francês nascido em Tours, em 1973. Interessado desde cedo pela banda desenhada, criou o seu primeiro fanzine ainda no liceu e, aos 16 anos, conquistou o primeiro prémio de um concurso de BD do Festival de Grenoble. Dois anos depois recebeu também um prémio no concurso escolar do Festival de Angoulême. Em 1994 instalou-se em Paris para estudar Expressão Visual.

A participação num concurso para jovens talentos da Glénat abriu-lhe as portas da revista Tchô!, da qual viria a tornar-se um dos autores regulares e, a partir de 2001, também director editorial e grafista, funções que desempenhou até 2008. Nesse período criou séries como Bogzzz e, sobretudo, Mamette. É também autor de Mon ami Grompf, inicialmente publicado na revista D-Lire.

A ligação mais regular de Nob ao universo de Spirou surgiu posteriormente, incluindo a sua participação em L'Atelier Mastodonte. Foi neste contexto que nasceu Dad. O próprio autor explicou que a ideia inicial remontava aos seus primeiros tempos na revista Tchô! e consistia numa série sobre um pai solteiro que vivia com a filha. Quando recuperou o projecto, desenvolveu-o até chegar à família formada por Dad e as quatro filhas.

Nob é responsável pelo argumento e desenho de Dad — e, nos álbuns originais, também pelas cores.

Com As meninas do papá e Segredos de família, a Zero a Oito dá assim início à publicação portuguesa de uma das séries de humor familiar contemporâneas da Dupuis, construída em torno das relações entre um pai e quatro filhas e das situações, por vezes ternurentas e frequentemente cómicas, que fazem parte do seu quotidiano.

Página oficial de Dad na Dupuis

Dad #1: As meninas do papá, Nob, Zero a Oito, 56 pp., cor, capa mole, 12,99€

Dad #2: Segredos de família, Nob, Zero a Oito, 56 pp., cor, capa mole, 12,99€

A Bela Casa à Beira-mar #1 — o pesadelo continua

Depois de A Bela Casa do Lago, James Tynion IV e Álvaro Martínez Bueno regressam ao inquietante universo que criaram com A Bela Casa à Beira-mar, agora publicado em Portugal pela Devir.

A bela casa do lago foi apenas o começo...

Desta vez, os convidados não conhecem Max, embora ela saiba tudo sobre cada um deles. São especialistas de topo nas respectivas áreas, figuras influentes e algumas das mentes mais brilhantes da humanidade. Quando Max lhes oferece a possibilidade de escapar a uma catástrofe e viver num paraíso especialmente construído para eles, a proposta parece demasiado boa para ser recusada. Afinal, se alguém tiver de representar o futuro da humanidade, porque não eles?

Mas, como os leitores de A Bela Casa do Lago já sabem, neste universo as aparências escondem sempre algo bastante mais perturbador. A nova série introduz novas personagens, novas ameaças e uma nova casa, levando a história pós-apocalíptica por caminhos inesperados. A DC apresenta-a expressamente como a continuação do ciclo iniciado em The Nice House on the Lake.

Com argumento de James Tynion IV, desenho de Álvaro Martínez Bueno e cores de Jordie Bellaire, este primeiro volume reúne os números #1 a #6 de The Nice House by the Sea. A publicação original da nova série começou nos Estados Unidos, pela DC Comics, em 24 de Julho de 2024, data de lançamento de The Nice House by the Sea #1. 

A Bela Casa à Beira-mar #1, James Tynion IV e Álvaro Martínez Bueno, Devir, 208 pp., cor, capa dura, 20€

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

One-Punch Man #25 — Garou está cada vez mais poderoso

A Devir prossegue a publicação portuguesa de One-Punch Man com a chegada do volume 25 do popular mangá criado por ONE, com desenho de Yusuke Murata.

O confronto com a Associação de Monstros continua e a situação torna-se cada vez mais complicada para os heróis. No labirinto subterrâneo, Prisioneiro Puri-Puri encontra Garou, mas rapidamente percebe que o «Caçador de Heróis» atingiu um nível de poder muito superior ao de antes. Enquanto isso, Saitama decide acompanhar Flash, prosseguindo ambos pelo complexo subterrâneo. À superfície, a ameaça também aumenta: Nyaan coloca os Heróis de Classe A numa situação aparentemente desesperada. É então que entra em cena o enigmático Cavaleiro Motriz, disposto a enfrentar o poderoso monstro.

O volume reúne os capítulos 119 a 125, além de uma história extra, e corresponde a uma fase particularmente intensa do arco da Associação de Monstros.

One-Punch Man #25 foi publicado originalmente no Japão pela Shueisha, na colecção Jump Comics, em 2 de Maio de 2022. A edição digital japonesa surgiu posteriormente, em 3 de Junho de 2022. As histórias tinham sido inicialmente publicadas na plataforma digital Tonari no Young Jump.

One-Punch Man 25, ONE e Yusuke Murata, Devir, 196 pp., p&b, capa mole, 9,99€

sábado, 15 de agosto de 2026

Batman: O Regresso do Cavaleiro das Trevas — uma obra que redefiniu Batman

Quarenta anos depois da sua publicação original, Batman: O Regresso do Cavaleiro das Trevas mantém-se como uma das obras fundamentais da história da banda desenhada de super-heróis. Escrita e desenhada por Frank Miller, com arte-final de Klaus Janson e cores de Lynn Varley, a história transformou profundamente a forma como Batman seria representado nas décadas seguintes. A própria DC assinala em 2026 os 40 anos da obra, destacando a sua influência duradoura na banda desenhada, animação, televisão e cinema.

Num futuro próximo, Bruce Wayne está envelhecido e afastado da identidade de Batman há dez anos. Entretanto, Gotham mergulhou numa espiral de violência e criminalidade. Incapaz de permanecer como mero espectador, Wayne volta a vestir o uniforme e regressa às ruas com uma brutalidade e determinação que reflectem tanto a cidade que encontrou como os anos que passaram. Ao seu lado surge uma nova Robin, a adolescente Carrie Kelley, enquanto velhos adversários como Duas-Caras e Joker regressam também à cena. Batman terá ainda de enfrentar os Mutantes, uma violenta quadrilha que aterroriza Gotham, e confrontar-se com uma sociedade que já não sabe se deve encará-lo como herói, criminoso ou relíquia de outro tempo.

Mas Frank Miller vai muito além de uma história sobre o regresso de um super-herói. O Regresso do Cavaleiro das Trevas aborda o envelhecimento, a violência, o poder político, a manipulação dos meios de comunicação e os limites da justiça. O confronto entre Batman e Superman, que representam aqui duas concepções profundamente diferentes sobre a relação entre o indivíduo e o poder instituído, tornou-se uma das imagens mais emblemáticas da história das duas personagens.

A história apareceu originalmente nos Estados Unidos em 1986, publicada pela DC Comics numa minissérie de quatro números em formato Prestige. Os quatro capítulos originais são The Dark Knight Returns, The Dark Knight Triumphant, Hunt the Dark Knight e The Dark Knight Falls. Quando foram posteriormente reunidos num único volume, o título do primeiro capítulo — The Dark Knight Returns — passou a identificar toda a obra.

Batman: O Regresso do Cavaleiro das Trevas, Frank Miller, Klaus Janson e Lynn Varley, Devir, 200 pp., cor, capa mole, 10€

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Saint-Exupéry e a origem de O Principezinho na colecção Novela Gráfica da Levoir

A Levoir publica um novo título da sua colecção Novela Gráfica: Saint-Exupéry e a Origem de O Principezinho, com argumento de Pierre-Roland Saint-Dizier e desenho de Cédric Fernandez.

A banda desenhada procura revelar quem era Antoine de Saint-Exupéry antes do sucesso mundial de O Principezinho e de que forma uma existência marcada pela aventura, pelo risco e pelas viagens contribuiu para o nascimento de uma das obras mais conhecidas da literatura do século XX.

Antes de se tornar mundialmente célebre como escritor, Saint-Exupéry foi sobretudo um homem dos ares. Como piloto da Aéropostale, enfrentou algumas das rotas mais perigosas da aviação da época, sobrevoou o Saara em condições extremas, participou no resgate de pilotos feitos reféns, atravessou oceanos em aparelhos cuja fiabilidade estava muito longe dos padrões actuais e procurou companheiros desaparecidos nos Andes. Experiências que deixariam marcas profundas no escritor e que alimentariam uma obra literária em que a solidão, a amizade, a responsabilidade, a coragem e a relação entre o homem e o mundo assumem um lugar central.

A narrativa acompanha igualmente o caminho que conduziu à criação de O Principezinho. Durante as noites solitárias e os longos períodos passados entre missões, viagens e exílios, de África à América do Sul e aos Estados Unidos, foram-se formando algumas das ideias que mais tarde encontrariam expressão no pequeno viajante vindo do asteróide B 612.

A Segunda Guerra Mundial constitui outro momento determinante deste percurso. Saint-Exupéry participou no conflito como aviador e viveu intensamente as convulsões políticas e humanas do seu tempo. É precisamente num dos períodos mais conturbados da sua vida, durante a permanência nos Estados Unidos, que escreve O Principezinho, publicado pela primeira vez em 1943. Num mundo mergulhado na guerra, Saint-Exupéry criou uma história aparentemente simples e destinada às crianças, mas carregada de interrogações sobre a amizade, o amor, a perda, a solidão e aquilo que verdadeiramente confere sentido à existência humana.

Saint-Exupéry e a Origem de O Principezinho propõe, assim, descobrir o homem por detrás do escritor e perceber como o aviador, o aventureiro e o testemunho de uma época particularmente dramática se encontram na génese de uma obra que atravessou gerações.

O álbum chega às bancas a 14 de Agosto, constituindo o 7.º dos 12 volumes que integram a IX série da colecção Novela Gráfica da Levoir/Público.

Colecção Novela Gráfica #7: Saint-Exupéry e a Origem de O Principezinho, Pierre-Roland Saint-Dizier e Cédric Fernandez, Levoir, cor, 176 pp., capa dura, 16,90€

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

CLING! La bande dessinée parle cash — quando a BD fala de dinheiro

A relação entre banda desenhada e dinheiro está no centro de CLING! La bande dessinée parle cash, catálogo da exposição com o mesmo título apresentada na Monnaie de Paris, em Paris, de 10 de Abril a 6 de Setembro de 2026.

Sob a direcção de Lucas Hureau e Damien MacDonald, com a contribuição de Irène Le Roy Ladurie, a obra acompanha uma exposição que parte de uma ideia particularmente fértil: ao longo da sua história, a banda desenhada utilizou constantemente o dinheiro, a riqueza e a sua ausência para falar da sociedade.

Da imprensa popular às paredes dos museus, o 9.º Arte conquistou progressivamente reconhecimento sem perder a capacidade de observar com ironia o mundo que o rodeia. E poucos temas serão tão universais como o dinheiro. Moeda e banda desenhada têm, aliás, algo em comum: ambas são objectos populares, produzidos em série e destinados a circular.

É neste cruzamento que encontramos personagens incontornáveis da história da BD. Tio Patinhas mergulha na sua caixa-forte, os Dalton assaltam bancos, Tintin persegue tesouros, Largo Winch herda um império e Gaston Lagaffe declara guerra aos parquímetros. Através deles e de muitos outros, a banda desenhada tem representado o dinheiro enquanto objecto de desejo, instrumento de poder, causa de conflitos ou simplesmente inesgotável fonte de humor.

CLING! La bande dessinée parle cash organiza esta relação através de oito grandes arquétipos: aventureiros, ladrões, poupadores, milionários, marginais, jogadores, falsificadores e alquimistas. São diferentes maneiras de procurar, acumular, gastar, roubar, fabricar ou rejeitar a riqueza, permitindo simultaneamente observar como a BD tem retratado as transformações económicas e sociais.

O catálogo reúne pranchas originais, obras raras e criações contemporâneas, prolongando em livro um percurso expositivo que abrange cerca de dois séculos de criação, dos strips da imprensa norte-americana aos comics, passando pela BD franco-belga e pelo manga. A exposição que lhe serve de base reúne mais de 250 obras provenientes de colecções públicas e privadas.

Mais do que um simples catálogo de exposição, CLING! propõe assim olhar para a História da banda desenhada através de um elemento omnipresente nas nossas sociedades: o dinheiro. Entre humor, aventura, crítica social e sátira, as moedas, notas, tesouros, fortunas e falências que povoam as vinhetas acabam por revelar muito sobre as sociedades que as produziram.

CLING! La bande dessinée parle cash, direcção de Lucas Hureau e Damien MacDonald, 160 pp., cor, capa mole, 30 €

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Casemate #204: Lucky Luke em destaque na edição de Agosto/Setembro

Já está disponível o n.º 204 da revista francesa Casemate, correspondente a Agosto/Setembro de 2026, com Lucky Luke em grande destaque na capa. E há uma boa razão para isso: o cowboy que dispara mais depressa do que a própria sombra prepara-se para celebrar 80 anos, e a revista dedica dez páginas ao próximo álbum da série, assinado por Achdé e Jul, incluindo quatro pranchas de antecipação.

Sob a sugestiva chamada de capa em torno de uma «receita milagrosa» preparada para o octogenário Lucky Luke, a Casemate antecipa assim uma das novidades mais aguardadas da BD franco-belga deste ano.

Mas este número oferece muito mais. A revista começa por recordar como Arthur Conan Doyle chegou a assumir o papel do seu próprio detective, Sherlock Holmes, seguindo-se Chloé Cruchaudet e Home Sweet Home. Philippe Squarzoni coloca em órbita Musk, dedicado ao homem mais rico do mundo, enquanto Pierre-Henry Gomont se interessa pelo espectacular Palio, as célebres corridas de cavalos italianas. Entre as principais antevisões encontram-se ainda Jordi Lafebre, numa escapadela pelos céus ingleses a bordo de um balão; Pascal Rabaté, com L’Enfance des ruines; e Catel, que revisita René Goscinny, apresentado como um inesgotável criador de ideias.

Outro dos destaques é Nanbanjin, apresentado como um duplo relato construído a partir dos diferentes pontos de vista de Cyril Pedrosa e Taiyō Matsumoto. Há ainda espaço para Chroniques de fer et d’écailles, onde se cruzam fantasy e steampunk, e para Catherine Meurisse, que transforma Henry David Thoreau num inesperado precursor do ecossabotagem. Michel Rabagliati traça, por seu lado, um retrato simultaneamente terno e amargo de uma Montreal cheia de contrastes, enquanto Alexandre Standjofski aborda o optimismo e a alegria de El Bacha.

Com Lucky Luke na capa e dez páginas dedicadas ao seu regresso, a Casemate é, naturalmente, um número particularmente apetecível para os seguidores do célebre cowboy criado por Morris, mas também uma boa antevisão da intensa rentrée da banda desenhada franco-belga de 2026.

Casemate #204, août-septembre 2026, 98 pp., 9,95€