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13 de janeiro de 2017

Os 70 anos de Steve Canyon

Apesar de ser reconhecido pela sua série Terry e os Piratas, Milton Caniff encontrava-se descontente por não ser o titular dos direitos da sua criação. Os direitos estavam detidos pelo Chicago Tribune, jornal que publicava os originais da série. Assim, em 1946, Caniff decidiu criar uma nova série com a condição de ser titular dos seus direitos editoriais. Detido o controlo criativo da nova série, Caniff negoceia com a Field Enterprises a sua publicação e consegue que a King Features Syndicate subcontratasse a Field para a distribuição da série nos Estados Unidos da América. 
Em 13 de Janeiro de 1947 é publicada a primeira tira de Steve Canyon em 168 jornais dos EUA. O sucesso da série foi retumbante, tendo sido capa das revistas Time e Newsweek. Entretanto, Caniff abandona em finais de 1946 a série Terry e os Piratas, sendo substituído por George Wunder.

Steve Canyon, originalmente um piloto de transportes aéreos, foi recrutado pela Força Aérea para participar na Guerra da Coreia, permanecendo militar até ao final da série em 4 de Junho de 1988.

Vários artistas colaboraram na série, muitos deles não creditados, como era habitual nesta indústria dos comics. Em 1953, Caniff recruta para seu assistente Dick Rockwell, que tem como tarefa o desenho dos personagens secundários e dos cenários. Rockwell acompanhou Cannif até ao falecimento deste em 3 de Maio de 1988. 

Em 23 de Junho de 1997, uma tira autorizada celebrando os 50 anos de Steve Canyon foi publicada pelo Air Force Times, um jornal semanal civil da Força Aérea dos Estados Unidos. 

Em finais dos anos 40 do século passado, o realizador David Selznick adapta Steve Canyon ao cinema com Guy Madison a interpretar o papel principal.

Em 1958 e 1959, a tira é adaptada a uma série de televisão de 34 episódios de trinta minutos e difundidos pela NBC. O actor Dean Fredericks, que protagonizou em 1955 e 1956 o servente hindu da série Jungle Jim, interpreta Canyon.

A série em Portugal, baptizada em Luís Ciclone, estreia-se no primeiro número do Mundo de Aventuras de 18 de Agosto de 1949.



20 de setembro de 2016

60º aniversário de Gil Jourdan

Gil Jourdan é a primeira série de Maurice Tillieux após o seu ingresso na revista Spirou, obrigando-se a deixar a série Félix, publicada no concorrente Heroic Álbuns. Contudo, Tillieux mantém a estrutura da série Félix, oferecendo novos nomes aos principais personagens da nova série: Félix passa a ser Gil Jourdan, Allume-Gaz André Líbellule, Alonzo Cabarez passa a ser o polícia Crouton e a figura feminina Linda será a secretária Queue-de-Cerise.

A série estreia-se no Spirou #962 de 20 de Setembro de 1956 com o episódio "Libellule s'évade".

Gil Jourdan é um detective privado, assessorado pela sua secretária Queue-de-Cerise. Junta-se ao elenco André Líbélule, um ex-condenado por roubo de jóias e a Croûton, um honesto funcionário da polícia.  Este trio resolverá com humor e inteligência intricados enigmas policiais.

Em 1969, Tillieux cede o desenho a Gos. A série termina em 1978 com o acidente mortal de viação de Tillieux.

A série conta com 16 álbuns, sendo o último datado de 1969.

Bibliografia portuguesa:


  • A evasão do Borboleta (Libellule s'évade), 1956, Tillieux, Jacaré #1 a #13
  • A luva de três dedos (Le gant à trois doigts), 1964, Tillieux, Nau Catrineta #315-#358; Jornal da BD #91

8 de setembro de 2016

Didier Savard (1950-2016)

Faleceu no passado dia 4 de Julho Didier Savard, o desenhador da série Dick Hérisson. Nascido em 1950, Savard iniciou a sua carreira nos anos 70 na imprensa francesa. Em 1982, é-lhe proposto pelo redactor-chefe da Charlie Mensuel, Nikita Mandrika, que desenhasse a série Dick Hérisson. Um ano depois é lançado o primeiro episódio, "A sombra do toureiro", editado, posteriormente, pela Dargaud. Em 1986, encontra Jean-Claude Mézières, criando para a revista Okapi as aventuras de Léonid Beaudragon. Em 1997, em colaboração com Sophie Loubière, escreve o folhetim radiofónico com cem episódios intitulado "Le secret du coffre rouge". Neste mesmo ano, desenha para o jornal Le Monde um tributo às aventuras de Tintin, intitulado "Objectif Monde". Em 2000, Savard é agraciado com o Prix RTL 9 para o melhor álbum de aventuras, "Le 7ª Cri", a nona aventura de Dick Hérisson. Infelizmente, a sua doença não lhe permite terminar a 12ª aventura, a continuação do último álbum da série publicado em 2004, "L'Araignée poupre". 

A bibliografia portuguesa de Didier Savard é escassa, limitando-se à publicação dos dois primeiros episódios de Dick Hérisson:
  • A sombra do toureiro (L'ombre du torero), álbum Meribérica, 1989; Público Júnior #76 a #99
  • Os ladrões de orelhas (Les vouleurs d'oreilles), Selecções BD #35 a #37




1 de março de 2016

Capitão América faz 75 anos

Ironicamente, o super-herói americano da 2ª Guerra Mundial foi dado como inapto para o serviço militar. Amargurado e decepcionado, Steven Rogers decidiu que teria de participar no esforço de guerra do seu país e ofereceu-se para uma experiência científica na criação de um corpo de “super-soldados”. A injecção de um soro e a exposição a raios gama transformaram um jovem debilitado no primeiro americano de um projectado corpo de super-soldados. Infelizmente, um agente italiano infiltrou-se no laboratório, acabando por assassinar o cientista inventor do soro. Como não havia registos científicos da descoberta, Steven Rogers acabou por ser o único super-soldado, tomando o nome de Capitão América.

Criado por Joe Simon e Jack Kirby, o Capitão América estreou-se no primeiro número da revista Captain American Comics em 1 de Março de 1941.  Em plena 2ª Guerra Mundial, o Capitão América simbolizava o patriotismo e a coragem do soldado americano contra os inimigos do eixo (Alemanha, Japão e Itália).

O sucesso do Capitão América foi enorme, sendo o primeiro herói da Marvel a transportar-se para o cinema, com a realização de uma série para televisão em 1944. Desde então, várias séries e filmes retratam as aventuras do Soldado da América.

O Capitão América foi considerado, em 2011, o sexto herói mais popular no "Top 100 Comic Book Heroes of All Time", o segundo da lista "The Top 50 Avengers" em 2012, e, novamente, o segundo do "Top 25 best Marvel superheroes", lista publicada em 2014.

Ensaio de bibliografia portuguesa (álbuns):
  • O sentinela da liberdade, Ron Garney e Mark Waid, Devir [2001]
  • Capitão América, Série Ouro - Os clássicos da banda desenhada #1, Correio da Manhã, 2005
  • Capitão América: A lenda viva, John Byrne, Roger Sterne e Joseph Rubinstein, Público, 2012
  • Perdido na dimensão Z, John Romita Jr. e Rick Remender, Panini Comics, 2014
  • O soldado de Inverno, Steve Epting e Ed Brubaker, Colecção Universo Marvel #1 e #2, Levoir, 2014 
  • Uma nova era, John Cassaday e John New Rieber, Colecção Oficial Graphic Novels da Marvel #3, Editorial Salvat, 2015
  • Sonhadores americanos, Steve McNiven, Travis Charest, Paul Azaceta, Ed Brubaker e Frank Tieri, Colecção Poderosos Heróis Marvel, Levoir, 2015



18 de fevereiro de 2016

80 anos de O Fantasma

Em 1526, Sir Christopher  Standish, um jovem aristocrata inglês, dirige-se de barco para o Oriente, sendo atacado por um bando de piratas chineses, provocando um naufrágio. Náufrago, Standish alcança uma ilha onde é recolhido por uma tribo pigmeu, transformando-se numa figura que, geração após geração, terá a missão de combater o mal em qualquer parte do mundo.

A série foi criada por Lee Falk (argumentista) e Ray Moore (desenhos) para a King Features Syndicate (EUA) em 17 de Janeiro de 1936. Em 1947, é Wilson McCoy que assegura o desenho até 1961. Após algumas pranchas da responsabilidade de Bill Lignante, o Fantasma continua a sua saga com desenhos de Sy Barry.

O quinto Fantasma encontrou o pirata Barba Negra no início do século XVII  e o 13º Fantasma The viaja para o jovem Estados Unidos, lutando ao lado de Jean Lafitte na Guerra de 1812. O 16 Fantasma passa algum tempo nas pradarias como um cowboy do Velho Oeste.

O actual Fantasma casou, em 1977, com Diana Palmer  e hoje o seu jovem filho, Kit, está em aprendizagem para assumir um dia o "Juramento da Caveira" sagrado e tornar-se o 22º Fantasma.

A série ainda não foi descontinuada, continuando com a tira diária e a prancha colorida de domingo, assegurada nos argumentos por De Paul e na arte por Ryan e Beatty (nas pranchas dominicais).




10 de fevereiro de 2016

Marc Lebut faz 50 anos

Em 1963, Francis criava para a revista Record as aventuras de Monsieur Bulle e do seu automóvel. Três anos mais tarde, recuperando o tema, convida o argumentista Maurice Tillieux para criar para a Spirou a série Marc Lebut, herói que virá acompanhado do seu automóvel Ford T e do seu vizinho Monsieur Goular.

A primeira prancha aparece na revista Spirou nº 1452 de 10 de Fevereiro de 1952 numa aventura intitulada Allegro Ford T.  Foram publicados treze álbuns que recolheram as histórias curtas entre uma e oito pranchas e dois álbuns com uma história completa de 44 pranchas (Ford T fortissimo e La Ford T fait des bonds). O último episódio (Le voisin porte-veine) tem também a assinatura do argumentista Lucien Froidebise, substituindo Tillieux que falecera em 1978, ironicamente, num acidente de viação. Entretanto, Francis assegura o argumentao publicando várias histórias curtas que, infelizmente, vão alimentando o declínio da série.


Bibliografia portuguesa:

  • Allegro Ford T (Aleggro Ford T), 1966, Spirou (2ª série) #1 a #24
  • A vitória do Ford T (Le Ford T gagne), 1972, Jacaré #1 a#13
  • Não se pode ser prestável, Pisca-Pisca #16
  • O calhambeque regressa ao passado, Pisca-Pisca #28
  • Fim de semana acidentado, Pisca-Pisca #29



25 de janeiro de 2016

Adéle Blanc-Sec faz 40 anos



Adéle Blanc-Sec estreia-se nas páginas do diário Sud-Ouest a 25 de Janeiro de 1976, para, mais tarde, se mudar para a mítica revista À Suivre.

Os primeiros episódios são uma homenagem não declarada à obra de Edgar Pierre Jacobs, decorrendo as aventuras na cidade de Paris nos inícios do século XX, nos anos trágicos que prececem a Primeira Guerra Mundial, acontecimento que irá marcar a obra de Jacques Tardi, o autor da série. 

Adéle é uma jovem enérgica e descomplexada, pronta a descobrir as intrigas fantásticas, defrontando sábios loucos, múmias ressuscitadas, bestas monstruosas e seitas místicas e criminosas. Adèle Blanc-Sec é ferida diversas vezes, chegando mesmo a ser assassinada, mas ressuscita através de métodos científicos.

Em 2010, Luc Besson realiza "As múmias do faraó", transportando Adéle Blanc-Sec para o grande ecrã.

Foram publicados nove álbuns, sendo o último desenhado por Tardi já no século XXI, em 2007. 

Bibliografia portuguesa:
  • Adéle e o monstro (Adéle et la bête), 1976, Álbum Livraria Bertrand [1978]; Álbum Witloof [2003]; Álbum Edições ASA [2010]*
  • O demónio da Torre Eiffel ( La démon de la Tour Eiffel), 1976, Álbum Livraria Bertrand [1978]; Álbum Witloof [2003]; Álbum Edições ASA [2010]*
  • O sábio louco (Le savant fou), 1977, Álbum Livraria Bertrand [1979]; Álbum Witloof [2003]; Álbum Público/Edições ASA [2011]
  • Múmias loucas (Momies en folie), 1978, Álbum Livraria Bertrand [1980]
*Álbum duplo



19 de janeiro de 2016

80º aniversário da série Jo, Zette e Jocko

O nascimento da série, escrita e desenhada por Hergé, deve-se a um pedido dos responsáveis do periódico católico francês Coeurs Vailants, que, a partir de 1930, já publicava as aventuras de Tintin, que desejavam uma série onde os heróis tivessem uma família, com um pai e uma mãe, ao contrário de Tintin, cujas ligações familiares eram obscuras e desconhecidas.

Assim nasce a série com os personagens Jo e Zette, filhos do engenheiro Legrand, e de Jocko, chimpanzé adoptivo da família. Contudo, Hergé desembaraça-se rapidamente dos pais das crianças, colocando-as como as personagens centrais de rocambolescas aventuras.

A série estreia-se com o episódio "Le rayon du mystére" na Coeurs Vailants nº 3 (8º ano) de 19 de Janeiro de 1936 em pranchas em bicromia. A partir de Outubro de 1936, a série é também publicada no periódico belga  Le Petit Vingtiéme, agora a preto e branco.

Mais tarde, com a colaboração de Jacques Martin, a série é colorida e publicada na revista Tintin. Foram realizadas cinco aventuras. Uma sexta, inacabada, foi realizada por Bob De Moor, que responde a uma solicitação de Hergé para adaptar o argumento "Tintin et le Thermozéro". Contudo, o trabalho de adaptação do episódio de Tintin, "A ilha negra", às exigências do editor britânico, impede que De Moor realize o projecto.

A última prancha da série é publicada na revista Tintin nº 328 de 3 de Fevereiro de 1955.

Em Portugal, a série toma o nome de Joana, João e o Macaco Simão, tendo a Difusão Verbo publicado integralmente a obra. A revista Zorro e o suplemento Quadradinhos do jornal A Capital também publicaram algumas aventuras.

Bibliografia portuguesa:
  • O «Manitoba» não responde (Le Rayon du Mystère 1er épisode, Le "Manitoba" ne répond plus), 1936, Zorro #89 a #140; Quadradinhos (Jornal A Capital) #14 a #39; Álbum Difusão Verbo [1981]
  • A erupção do Karamako (Le Rayon du Mystère 2ème épisode, L'éruption du Karamako), 1937, Zorro #141 ao #192; Quadradinhos (Jornal A Capital) #40 a #65; Álbum Difusão Verbo [1981]
  • Destino Nova Iorque (Destination New York), 1951, Álbum Difusão Verbo [1982]
  • O testamento do Sr. Pump (Le testament de M. Pump), 1951, Álbum Difusão Verbo [1982]
  • O vale das cobras (Le valée des cobras), 1954, Álbum Difusão Verbo [1982]

4 de janeiro de 2016

50º aniversário Chevalier Ardent

Foi há 50 anos, em 4 de Janeiro de 1966, que nascia Chevalier Ardent nas páginas do Tintin belga (#1 do 21º ano), uma das séries de culto da BD franco-belga, com a assinatura de François Craenhals.

Tendo como cenário o ambiente medieval dos nobres cavaleiros, a série tem como personagem principal o filho de Eleutério de WalburgeArdent, que só tem um sonho: entrar na corte do Rei Arthus. Para que aconteça, terá de combater o sinistro Príncipe Negro. Feito cavaleiro, Ardent reconstrói o seu castelo Rougecogne e apaixona-se pela bela Gwendoline. Contudo, o pai de Gwendoline tenta romper este idílio, enviando Ardent para missões impossíveis, nas brumas irlandesas o nas estepes asiáticas.

Realizada por Craenhals (argumento e desenho), esta série épica tem incursões no mundo do fantástico, com um desenho realista e seguro.

A série possui 20 álbuns, além de várias histórias curtas, todos da autoria de Craenhals, exceptuando o penúltimo que tem o argumento de Gérard Dewamme.

Em Portugal, a bibliografia da série, baptizada com o nome de Cavaleiro Ardent, contém os seguintes títulos:
  • O príncipe negro (Le prince noir), 1970, Álbum Livraria Bertrand [1982]
  • Os lobos de Rougecogne (Les loups de Rougecogne), 1966, Álbum Difusão Verbo [1985]
  • A lei da estepe (La loi de la steppe), 1967, Álbum Difusão Verbo [1985]
  • A trompa da névoa (La corne de brume), 1968, Tintin #1 a #17/2º ano; Álbum Difusão Verbo [1986]
  • Os lobisomens (Les loups-garous), 1969, Selecções Tintin (Íbis) #8
  • A harpa sagrada (La harpe sacrée), 1969, Tintin #13 a #34/3º ano; Álbum Difusão Verbo [1987]
  • O urso com cornos (L'ours cornu), 1969, Almanaque Tintin #1
  • Sangue de boi (Sang de boeuf), 1969, Tintin #5/3º ano
  • O segredo do rei Arthus (Le secret du roi Arthus), 1970, Tintin #36/4º ano a #6/5º ano
  • O cão dos Arboé (Le chien des Arboé), 1970, Mundo de Aventuras (2ª fase) #374
  • A torre serracena (La tour Sarrasine), 1970, Mundo de Aventuras (2ª fase) #413
  • A aposta (Le pari), 1970, Tintin Especial Anual de 1976
  • O duende (Le farfadet), 1971, Mundo de Aventuras (2ª fase) #475
  • O tesouro do mago (Le trésor du mage), 1971, Tintin #20 a #43/6º ano
  • A salamandra (La salamandre), 1972, Almanaque Tintin #3
  • O barqueiro (Le passeur), 1973, Tintin Especial Anual de 1977
  • Fome em Rougecogne (Famine à Rougecogne), 1974, Almanaque Tintin #9
  • A princesa cativa (La Princesse captive), 1974, Tintin #38 a #47/8º ano
  • A revolta do vassalo (La révolte du vassal), 1975, Tintin #35 a #46/9º ano
  • Os cavaleiros do Apocalipse (Les cavaliers de l’apocalypse), 1977, Tintin #17 a #37/11º ano
  • A passagem (Le passage), 1978, Tintin #29 a #32/13º ano

50º Aniversário de Bernard Prince

Foi Greg, na altura chefe de redacção da revista Tintin, que criou o primeiro episódio de Bernard Prince para o jovem desenhador HermannPrince herda um pequeno veleiro, o Cormoran, salva um pequeno indiano, o Djinn, e conhece um grosseiro, mas fiel marinheiro, o Barney Jordan. Este trio inicia um périplo de aventuras cheio de intrigas e exotismo, tornando Bernard Prince parte da galeria dos grandes heróis da banda desenhada franco-belga. O herói estreia-se no Tintin belga #1 (21º ano) de 4 de Janeiro de 1966.

Conhecedor dos gostos artísticos de Hermann, Greg imagina histórias plenas de aventuras exóticas, onde não faltam vulcões em erupção, portos longíquos e áridos desertos. Os enredos giram em volta do Cormoran, um pequeno barco de transporte de mercadorias, que percorre os quatro cantos do mundo, possibilitando cenários de rara beleza e talento artístico.


Hermann desenhará 13 aventuras, cedendo o seu lugar a Dany em 1967, que terá a autoria de dois episódios ("Le Piêge aux cent mille dards" e "Orage sur le Cormoran"). Édouard Aidans desenha mais duas aventuras ("La dynamitera" e "Le poisson vert"), fechando o ciclo do argumentista Greg.

Mais tarde, e por influência do filho, Hermann ressuscita o herói em 2010 com "Menace sur le fleuve". Em 1980, é editado um álbum hors-serie que reúne as doze histórias curtas desenhadas (todas publicadas em Portugal) por Hermann.

A bibliografia portuguesa é a seguinte.
  • Bilhete surpresa (Billet surprise), 1966, Hermann e Greg, Mundo de Aventuras (2ª fase) #506
  • Operação «casados de fresco» (Opération «jeunes mariés»), 1966, Hermann e Greg, Mundo de Aventuras (2ª fase) #506
  • A terceira testemunha (Le troisième témoin), 1966, Hermann e Greg, Mundo de Aventuras (2ª fase) #506
  • Uma lanterna para um pequeno polegar (Une lanterne pour un Petit Poucet), 1966, Hermann e Greg, Mundo de Aventuras (2ª fase) #506
  • Barney em apuros (Simples routine), 1966, Hermann e Greg, Mundo de Aventuras (2ª fase) #401
  • A fuga do Cormoran ( L'évasion du Cormoran), 1966, Hermann e Greg, Mundo de Aventuras (2ª fase) #506
  • Especialidade da casa (Spécialité maison), 1966, Hermann e Greg, Mundo de Aventuras (2ª fase) #506
  • Os piratas de Lokanga (Les pirates de Lokanga), 1967, Hermann e Greg, Álbum Editorial Íbis [1969](2); Álbum Livraria Bertrand [1978]*; Tintin #49/13º ano a #7/14º ano; Álbum Publico/ASA [2015]*
  • O general Satã (Le general Satan), 1967, Hermann e Greg, Álbum Editorial Íbis [1969]*; Álbum Livraria Bertrand [1978] ; Tintin #7 a #15/14º ano; Álbum Publico/ASA [2015]
  • Tormenta sobre Coronado (Tonerre sur Coronado), 1967, Hermann e Greg, Tintin #1 a #18/2º ano; Álbum Publico/ASA [2015]
  • A fronteira do inferno (La frontière de l'enfer), 1968, Hermann e Greg, Álbum Editorial Íbis [1969]; Álbum Publico/ASA [2015]
  • Aventura em Manhattan (Aventure a Manhattan), 1968, Hermann e Greg, Álbum Distri Editora [1987] (1); Tintin #46/2º ano a #11/3º ano; Álbum Publico/ASA [2015]
  • Oásis em chamas (L'oasis en flammes), 1969,  Hermann e Greg, Álbum Livraria Bertrand [1973]; Álbum Publico/ASA [2015]
  • A lei do furacão (La loi de l'ouragan), 1969, Hermann e Greg, Álbum Livraria Bertrand [1977]; Tintin #35/3º ano a #4/4º ano; Álbum Publico/ASA [2015]
  • A passageira (La passagére), 1970, Hermann e Greg, Tintin #37 a #40/4º ano; Álbum Distri Editora [1987] 
  • As vítimas (Les victimes), 1970, Hermann e Greg, Tintin Especial Anual de 1974
  • A fornalha dos condenados (La fournaise des damnés), 1971, Hermann e Greg, Tintin #37/5º ano a #6/6º ano; Álbum Publico/ASA [2015]
  • A chama verde do conquistador (La flamme vert du conquistador), 1971, Hermann e Greg, Álbum Meribérica [1988]; Tintin #47/6ºano a #14/7º ano; Álbum Publico/ASA [2015]
  • Barney Jordan, o sol vermelho (Barney voit rouge), 1973, Hermann e Greg, Selecções Tintin (Íbis) #2
  • O regresso do fantasma (Guérrilla pour une fantôme), 1973, Hermann e Greg, Álbum Livraria Bertrand [1974]; Álbum Publico/ASA [2015]
  • O sopro de Moloch (Le souffle du Moloch), 1974, Hermann e Greg, Álbum Meribérica [1989]; Tintin #37 a #47/8º ano; Álbum Publico/ASA [2015]
  • A fortaleza das brumas (La forteresse des brumes), 1975, Hermann e Greg, Álbum Público/ASA [2009] ; Tintin #20 a 34/9º ano
  • Objectivo Cormoran (Objectif Cormoran), 1976, Hermann e Greg; Álbum Público/ASA [2009] ; Tintin #46/9º ano a #9/10º ano
  • O rapto de Djinn (Djinn a disparu), 1977, Hermann e Greg, Mundo de Aventuras (2ª fase) #349
  • O porto dos loucos (Le port des fous), 1977, Hermann e Greg, Álbum Distri Editora; Tintin #20 a #42/10º ano; Álbum Publico/ASA [2016]
  • Nictalope (Le nyctalope), 1978, Dany e Greg, Selecções BD (1ª série) #3
  • A cilada dos 100.000 dardos (La piége aux 100.000 dards), 1979, Dany e Greg, Álbum Meribérica [1987]; Selecções BD (1ª série) #1 a #3; Álbum Publico/ASA [2016]
  • Ameaça sobre o rio (Menace sur le fleuve), 2010, Hermann e Y. Hermann, Álbum Vitamina BD [2010]
*Contém os episódios «General Satã» e «Os piratas de Lokanga»


30 de novembro de 2015

Faz hoje 70 anos que se estreou a revista Pluto

Foi precisamente em 30 de Novembro de 1945 que nasce o Pluto, a primeira aventura editorial de Roussado Pinto. A pequena revista teve somente 25 números, terminando em 24 de Maio de 1946, não concluindo algumas histórias em continuação. Custava 70 centavos e saía à sexta-feira.
Vítor Péon desenhou grande parte das capas de uma revista onde, também, era autor da maioria das bandas desenhadas.  A Pluto também publicou bandas desenhadas de autores estrangeiros: Broncho Bill de Harry O'Neil e Os Sobrinhos do Capitão de Harold Knerr. O número do Natal de 1945, com o preço de 1$50, oferecia uma construção de armar com o tradicional presépio.


3 de novembro de 2015

Murphy Anderson [1926-2015]

Nascido em Ashville (Carolina do Norte) em 9 de Julho de 1926, Anderson tem o primeiro contacto com a banda desenhada, lendo o Buck Rogers. Inicia a sua carreira em 1944 na editora Fiction House, onde descobre os trabalhos dos lendários Will Eisner e de Lou Fine. Após o serviço militar, ilustra a série Buck Rogers. Colabora com a revista do exército norte-americano e em regime de free-lancer publica trabalhos em diversas revistas: Pines Comics, St. John Publications, Ziff Davis, DC Comics e a antecessora da Marvel, a Atlas Comics. Finalmente, é contratado pela DC Comics, sucedendo a Carmine Infantino na série Captain Comet. Em 1960, com o argumentista John Broome, cria a série Os Cavaleiros Atómicos, série que termina em 1965. Como arte-finalista, trabalha para as revistas Superboy, Superman, Superman Family, Action Comics, Superman’s Pal Jimmy Olsen, The Atom, The Atom and Hawkman, Detective Comics, DC Comics Presents, The Flash, Green Lantern, Hawkman, Korak Son of Tarzan, The Spectre, Mystery in Space, Strange Adventures, World’s Finest, entre outras. Em 1973, desenha Korak e alguns episódios de John Carter de Marte.

Ensaio de bibliografia portuguesa:

Buck Rogers
  • O rapto do cientista [1958/09/15-1958/12/11], Espaço Mundo de Aventuras (1ª série) #1; Espaço Mundo de Aventuras (2ª série) #1
  • [1958/07/14-1958/09/11], Mundo de Aventuras (1ª fase) #546
  • A caminho das estrelas [1958/09/28-1959/01/11], Espaço Mundo de Aventuras (1ª série) #46
  • O segredo do cientista [1959/01/18-1959/04/19], Espaço Mundo de Aventuras (1ª série) #15

Os Cavaleiros Atómicos (arg. John Broome)

  • O primeiro combate (The Rise of the Atomic Knights), Mundo de Aventuras (2ª fase) #186"
  • A ameaça da criatura de cristal (The Menace of the Water-Raider); Mundo de Aventuras (2ª fase) #195"
  • Os homens das cavernas de Nova Iorque (The Cavemen of New York), Mundo de Aventuras (2ª fase) #204
  • A cidade perdida de Los Angeles (The Lost City of Los Angeles), Mundo de Aventuras (2ª fase) #214
  • ... Mundo fora do tempo! (World Out of Time), Mundo de Aventuras (2ª fase) #231
  • Dia de acção de graças - 1990! (Thanksgiving Day--1990), Mundo de Aventuras (2ª fase) #245
  • Guerra em Washington! (War In Washington), Mundo de Aventuras (2ª fase) #275
  • O ataque dos cães gigantes (The Attack of the Giant Dogs), Mundo de Aventuras (2ª fase) #302
  • Quando a Terra escurece (When the Earth Blacked Out), Mundo de Aventuras (2ª fase) #335
  • O rei de Nova Orleãs (The King of New Orleans), Mundo de Aventuras (2ª fase) #497

John Carter de Marte (arg. Marv Wolfman)

  • A fuga (Escape), Mundo de Aventuras (2ª fase) #66
  • O vale da morte (Into the Valley of Death), Mundo de Aventuras (2ª fase) #66
  • A chegada (The arrival), Mundo de Aventuras (2ª fase) #59
  • Encontro com a princesa [-], Mundo de Aventuras (2ª fase) #59
  • Tribunal do medo (Trial of Fear), Mundo de Aventuras (2ª fase) #59

Korak (arg. Robert Kanigher)

  • A tribo perdida, Mundo de Aventuras (2ª fase) #112
  • A montanha do terror, Mundo de Aventuras (2ª fase) #140
  • Os desterrados, Mundo de Aventuras (2ª fase) #98
  • Irmãos de sangue, Mundo de Aventuras (2ª fase) #127
  • O sonho, Mundo de Aventuras (2ª fase) #98
  • O trono das caveiras, Mundo de Aventuras (2ª fase) #154


3 de agosto de 2015

Os 50 anos de Taka Takata

Foi em 3 de Agosto de 1965 que apareceu na revista belga Tintin a primeira prancha da série Taka Takata, com desenhos de Jo-El Azara e textos de Vicq.

Taka Takata é um militar do exército japonês sob as ordens do implacável coronel Rata Hôsoja e do seu adjunto HatéjojoTaka Takata, pobre soldado de segunda classe, esforça-se por aprender os rudimentos técnicos da arte militar. Contudo, apesar da sua boa vontade, é um desastrado que destrói material, não sendo um bom motivo de orgulho para o Império do Sol Nascente. O seu sonho é libertar-se do coronel e conquistar a liberdade.


A série teve o seu início com gags e histórias curtas e, mais tarde, contou com episódios com as habituais 44 pranchas.

Em Portugal, podemos encontrar as suas aventuras nas revistas Tintin, Selecções Tintin e Almanaque Tintin e em álbuns da Arcádia e ASA.

A bibliografia portuguesa encontra-se no blog Bedeteca Portugal.


4 de julho de 2014

O 70º aniversário de Jordi Bernet

Jordi Bernet Cussó nasceu na capital da Catalunha, Barcelona, em 14 de Junho de 1944. 

Jordi inicia-se na banda desenhada, muito novo, apenas com quinze anos, por razões financeiras, na célebre revista espanhola Pulgarcito, com a história humorística criada por seu pai, Miguel Bernet (faleceria um ano depois, em 1960), Doña Urraca. Contudo, Jordi decide, a partir de 1962, enveredar por um estilo realista, mais próximo dos seus inspiradores, Hal Foster, Milton Caniff e Alex Raymond

Em 1965, Bernet é contratado pela revista belga Spirou, onde inicia, com argumento do seu tio Miguel Cussó, a série Dan Lacombe, publicada também em Espanha na revista Chicos. Entretanto, substitui Jesus Blasco em Paul Foran, com textos de José Larraz.

Divergências entre o artista e a editora Dupuis (proprietária da Spirou) fazem cessar, em 1976, a colaboração de Bernet com a revista. Volta-se para o mercado alemão, onde já colaborava com Cussó com Wat 69, uma heroína sexy e humorística, e Andrax, uma série de ficção científica. 

Mas é em 1982 que Jordi Bernet adquire notoriedade no mundo da BD ao assumir a série Torpedo (substituindo Alex Toth e textos de Henrique Abuli) para a revista espanhola Creepy. Em 1985, lança Survan e Metropol com argumentos de Antonio Segura. No mesmo ano, desenha Custer, um "one-shot" biográfico e, três anos mais tarde, com Carlos Trillo, a série Light and Bold

A partir dos inícios dos anos noventa, Bernet concentra as suas actividades nos mercados italiano e espanhol, iniciando, entre outros trabalhos, a série Clara da Noite, com textos de Trillo e Eduardo Maicas. Desenha, sobre um texto de Cláudio Nizzi, um episódio de Tex Willer ("L'Uomo de Atalanta"), além de uma aventura de Batman e a trilogia de Jonah Hex

Em 1986, recebe em Angouleme, o prémio de Melhor Álbum Estrangeiro por Torpedo: Chaud Devant

Em Portugal, encontramos parte da obra de Bernet com as séries Dan LacombePaul Foran, AndraxTorpedo e Clara da Noite. De seguida, publicamos um ensaio de bibliografia portuguesa de Jordi Bernet. Se quer aceder a bibliografia integral da série, clique no respectivo nome.

[one-shot]

  • Régulus (?), ?, Jornal do Cuto #170


Dan Lacombe

  • Dan Lacombe [Dan Lacombe], 1968, Bernet e Cussó, Jacto #a #20

  • A múmia [La momie], 1970, Bernet e Larraz, Mundo de Aventuras [V série] #106 e #107
  • O habitante do moinho [L'habitant du moulin], 1971, Bernet e Larraz, Mundo de Aventuras [V série] #146 e #147
  • Os demónios da selva [Les démons de la jungle], 1971, Bernet e Larraz, Mundo de Aventuras [V série] #157 e #158
  • Tempestade nas Caraíbas [Baroud dans l'ile], 1973, Bernet e Larraz, Mundo de Aventuras [V série] #306 e #307
  • A sombra do gorila [L'ombre du gorille], 1975, Bernet e Larraz, Mundo de Aventuras [V série] #262

  • O rapto, (?), ?, Bernet e Cussó, Grilo #50 a #64


  • Para patife, patife e meio (De perro a perro), 1982, Bernet e Abuli, O Mosquito (5ª série) #2
  • Pela boca morre o peixe (Érase un chivato), 1982, Bernet e Abuli, O Mosquito (5ª série) #3
  • [-], 1982, Bernet e Abuli, O Mosquito (5ª série) #4
  • Dumbo (Dumbo), 1982, Bernet e Abuli, O Mosquito (5ª série) #5
  • Tempos duros (Qué tiempos aquellos), 1982, Bernet e Abuli, O Mosquito (5ª série) #6
  • Um solo de trompete (Un solo de trompet), 1982, Bernet e Abuli, O Mosquito (5ª série) #7
  • R.I.P.E. Ámen (R.I.P. y amén), 1982, Bernet e Abuli, O Mosquito (5ª série) #8
  • A troca (El cambiazo), 1982, Bernet e Abuli, O Mosquito (5ª série) #9
  • Ano novo, morte nova (Año nuevo muerte nueva), 1982, Bernet e Abuli, O Mosquito (5ª série) #12
  • Em nome de Lou (?), ?, Bernet e Abuli, Selecções BD (2ª série) #1
  • Era uma vez na Sicília... (?), ?, Bernet e Abuli, Selecções BD (2ª série) #3
  • A hiena que ri (?), ?, Bernet e Abuli, Selecções BD (2ª série) #5
  • Mortos em pé (?), ?, Bernet e Abuli, Selecções BD (2ª série) #8
  • [-] (?), ?, Bernet e Abuli, Selecções BD (2ª série) #13
  • Sing-sing blues (?), ?, Bernet e Abuli, Selecções BD (2ª série) #17
  • Era uma vez em Itália (?), ?, Bernet e Abuli, Selecções BD (2ª série) #19
  • A santa vendetta (?), ?, Bernet e Abuli, Selecções BD (2ª série) #21
  • A pomba da paz (?), ?, Bernet e Abuli, Selecções BD (2ª série) #25
  • Jogo falso (?), ?, Bernet e Abuli, Selecções BD (2ª série) #29
  • [colectânea #2], Bernet e Abuli, Álbum Editorial Futura
  • [colectânea #3], Bernet e Abuli, Álbum Editorial Futura
  • [colectânea #4], Bernet e Abuli, Álbum Editorial Futura
  • [colectânea #5], Bernet e Abuli, Álbum Editorial Futura
  • [colectânea #6], Bernet e Abuli, Álbum Editorial Futura

Clara da Noite
  • [colectânea], Bernet, Trillo e Maicas, Álbum Vitamina BD

11 de junho de 2014

Os 80 anos de Mandrake

A personagem de Mandrake materializou-se quando Lee Falk, jovem universitário de 19 anos, a idealizou, desenhando algumas tiras do célebre mágico. Contudo, só dez anos depois propôs a série à King Features Syndicate, que, de imediato, a aceitou.

Após alguma reflexão, Falk decide entregar o grafismo a um desenhador profissional, recaindo a escolha em Phil Davis. Assim, em 11 de Junho de 1934 nasce a primeira aventura do mágico Mandrake. O sucesso é imediato, tendo a King adjudicado uma prancha semanal colorida em Fevereiro do ano seguinte.

Em 1939, Mandrake é adaptado à televisão (ver o post Mandrake no cinema) e também se inicia a publicação em comics-books. Nos anos quarente, a série é transportada para folhetins radiofónicos. 

Mandrake é um mágico dotado de poderes hipnóticos, trajando um fato Belle Époque com chapéu alto, um cuidado bigode e um penteado abrilhantado. Os seus poderes misteriosos são utilizados na luta contra o crime. O seu inimigo implacável é o Cobra, chefe de uma seita secreta e os seus parceiros são Lothar, um gigante negro, antigo rei africano, e Narda, a sua eterna noiva de raízes balcânicas.

Após a morte de Phil Davis em 1964, o grafismo é assegurado por Fred Fredericks. Lee Falk tem a responsabilidade do argumento até à sua morte em 1999, passando Fredericks a assegurar a responsabilidade total da série.

Mandrake é uma das daily-strips com maior longevidade dos comics norte-americanos. Com efeito, Fred Fredericks, com 84 anos, só deu por terminada a tira diária da série após 79 anos ininterruptos de aventuras. A prancha dominical já havia terminado no último domingo de 2012. Contudo, a King Features Syndicate continua a reeditar, diariamente, a partir de Julho de 2013, no seu sítio da internet, as aventuras do famoso mágico.

Em Portugal, é vasta a bibliografia de Mandrake nas revistas portuguesas. A estreia em terras lusas foi no Mundo de Aventuras nº 62 de 19 de Outubro de 1950. Também foram editados vários álbuns da série pelas editoras Portugal Press, Agência Portuguesa de Revistas, Editorial Futura e Correio da Manhã. Pode consultar um ensaio de bibliografia portuguesa de Mandrake na Bedeteca Portugal.




7 de junho de 2014

Os 30 anos de XIII

Em 1976, Greg propõe a Jean Van Hamme para ressuscitar a série Bruno Brazil, que seria desenhada por William Vance. Por razões diversas o projecto é abortado. Contudo, Van Hamme, entusiasta da Brigada Caimão, esquematiza um argumento, onde a aventura e a intriga política seriam os ingredientes de uma nova série seguidora de Bruno Brazil.

Inspirado para as sequências iniciais num romance de Robert Lunlum, XIII conta-nos o longo percurso de um homem amnésico em busca da sua verdadeira identidade. A única pista que possuí é um XIII tatuado acima da clavícula esquerda. Por outro lado, rapidamente descobre que uma rede criminosa liderada pelo assassino Mangusto o persegue, assim como os serviços secretos dos EUA que suspeitam do seu envolvimento no assassinato de William Sheridan, o presidente da República.

O primeiro ciclo da série, iniciado na revista Spirou em 7 de Junho de 1984, teve 19 episódios, todos escritos por Van Hamme e desenhados por Vance, à excepção do décimo e oitavo, que teve a autoria do desenhador de Blueberry, Jean Giraud.

O segundo ciclo inicia-se em 2011 com argumento de Yves Sente e desenhos de Yuri Jigounov, tendo, à data, cinco álbuns publicados.

Paralelamente, existe a série spin-off XIII-Mystery onde vários autores vão biografando os vários protagonistas da série principal. A série iniciou-se em 2008 com o episódio dedicado a Mangusto e, neste momento, existem sete álbuns editados.

O sucesso de XIII leva o herói ao cinema com duas séries de episódios: a primeira de 2008, com realização de Duane Clark, com dois episódios e a segunda, ainda em exibição, com inicio em 2011 e já contando com 26 episódios, com a realização do mesmo Duane Clark. Esta série de episódios tem vindo a ser transmitida na TV portuguesa, através dos canais por cabo.

Além do cinema, XIII tem vindo a ser explorado em jogos de tabuleiro e video-jogos, assim com vasto material de merchandising (XIII já foi a estrela das «raspadinhas» francesas), atestando o sucesso da série, uma das mais vendidas actualmente no mercado francófono.

Em Portugal, além da transmissão da série televisiva, foram publicados em álbum os dez primeiros episódios do primeiro ciclo da série, além dos dois primeiros de XIII Mystery. A bibliografia portuguesa da série pode ser consultada na Bedeteca Portugal.

 


5 de junho de 2014

Os 70 anos de Johnny Hazard

Em 1943, Frank Robbins recebe um convite dos responsáveis da King Features Syndicate para desenhar a série Agente Secreto X-9. Apesar das boas condições financeiras, Robbins recusa a proposta por ter um objectivo de criar a sua própria série. A King aceita o projecto de Robbins e em 5 de Junho de 1944 (na véspera do dia em que os aliados desembarcam na Normandia) é publicada a primeira tira de Johnny Hazard. A página colorida de domingo inicia-se um mês depois, a 2 de Julho.

Johnny é um militar americano de grande porte atlético que escapa aos seus captores nazis pilotando um avião alemão. Regressa aos EUA e reencontra o seu amigo Snap, um simpático jornalista, e a navegadora Gabby Gillepsie, ingressando na pilotagem aérea ao serviço de uma companhia privada.

Durante a Guerra da Coreia, Hazard volta ao serviço militar, actuando contra as actividades inimigas de espionagem, corporizadas nas personagens femininas de Ginny, Maria, Gloria e Lady Jaguar.

Próximo do grafismo de Milton Canniff (ver a série Terry e os piratas), Johnny Hazard é considerada uma das melhores séries realistas sobre a aviação militar.

Frank Robbins encerra a série em 20 de Agosto de 1977 e retira-se para o México, onde se dedica à pintura. As 934 tiras e as 156 pranchas dominicais são doadas à Universidade de Siracusa de Nova Iorque.

Em Portugal, a série teve bastante sucesso com a publicação de dezenas de episódios, nomeadamente, nas revistas da Agência Portuguesa de Revistas. A estreia deu-se logo no primeiro número da revista Mundo de Aventuras em 18 de Agosto de 1949. A Editorial Futura editou o único álbum português da série, incluindo-o na colecção Antologia da BD Clássica.

Como era habitual no período pré-25 de Abril, os censores reclamavam que os heróis da banda desenhada deveriam ter nomes portugueses, num pseudo-enaltecimento do orgulho luso. Johnny Hazard não escapa a essa fúria patriótica, sendo baptizado em João Tempestade.

A bibliografia portuguesa da série pode ser consultada na Bedeteca Portugal.





1 de junho de 2014

Jonathan Cartland faz 40 anos

Jonathan Cartland merece estar presente entre os melhores westerns da banda desenhada. Apesar de ser um herói frágil, Cartland é um homem que luta pela justiça e pela protecção dos índios norte-americanos. Casado com uma bela squaw, Cartland, um caçador de origem irlandesa, assiste ao assassinato da jovem e do filho recém-nascido.

Amargurado com a morte da família, oferece-se como explorador no exército norte-americano e parte à conquista do Oeste.

A série foi criada por Michel Blanc-Dumont, com notórias influências de Jean Giraud, o desenhador de Blueberry, e pelo argumentista Laurence Harlé, que no primeiro episódio assina Kikapoo. A primeira aventura tem a a estreia no efémero mensário Lucky Luke de Junho de 1974, passando, posteriormente, pelas revistas Pilote e Charlie. São editadas dez aventuras, encerrando-se a série em 1995. O álbum Les survivants de l'ombre ganha o prémio de Melhor Álbum do Festival de Angoulême de 1987.

Em Portugal, são publicados pela Meribérica os primeiros cinco álbuns. A revista Jornal da BD e o suplemento do Diário Popular, Flecha 2000, publicam um episódio da série. A bibliografia portuguesa da série pode ser consultada no site Bedeteca Portugal.



8 de maio de 2014

Ramiro faz 40 anos

Estamos em 1973. William Vance é colaborador assíduo na revista Femmes d'Aujourd'hui, onde desenha a série Bob Morane, com argumentos do criador Henri Vernes. Apesar de também colaborar na revista Tintin com Bruno Brazil, Vance decide avançar com uma nova série para aquela revista feminina, associando-se a Lucien Meys na criação de Roderic, uma série que se centra nas Cruzadas da Terra Santa. Contudo, esta personagem conhece apenas dois episódios, sendo substituída por Ramiro. A primeira prancha desta série aparece no número 1514 da Femmes d'Aujourd'hui de 8 de Maio de 1974.

Ramiro é o filho bastardo do rei Afonso VIII de Castela e as suas aventuras têm como cenário a Espanha medieval e os conflitos entre os diversos reinos cristãos a par da reconquista da Península Ibérica ao invasor mouro. Os primeiros episódios são escritos por Jacques Stoquart, cedendo, pouco depois, o seu lugar a Vance, que assegura a total autoria da série.

Apaixonado pela Espanha, seu país de adopção, Vance descreve com uma veracidade histórica uma época rica em aventura, bravura e heroicidade. Juntamente com a sua esposa, a colorista Petra, espanhola, Vance percorre os célebres Caminhos de Santiago, que lhe permitem conceber alguns episódios da série, reconstituindo, com precisão, os monumentos românicos. Os álbuns de Ramiro são verdadeiras obras didácticas de um período áureo da História da Humanidade, onde Vance oferece um cunho pedagógico com uma série de suplementos documentais que acompanham cada episódio. 

Ramiro teve nove episódios, com o último álbum, a primeira parte de "Qui es-tu, Wisigoth?", a ser editado em 1989. Curiosamente, a segunda parte nunca seria publicada. 

Em Portugal, apenas foram publicados quatro dos primeiros cinco episódios, deixando inédita a segunda aventura. A bibliografia portuguesa da série pode ser consultada na Bedeteca Portugal.