Com ilustrações de Artur Correia (1932–2018) e texto adaptado da obra de Manuel Pinheiro Chagas, este título já vendeu mais de vinte mil exemplares e conheceu várias edições, sinal claro de que continua a conquistar novos leitores. Editado pela Bertrand, é um livro que atravessa gerações, mantendo intacta a sua frescura e capacidade de cativar.
A narrativa é construída em torno de um enquadramento simples e eficaz. João, um antigo mestre-escola, decide contar a História de Portugal a um grupo de habitantes da sua terra, Agualva, ao longo de dez noites. A partir desse pretexto, o leitor é conduzido numa viagem que começa antes da independência nacional e termina no reinado de D. Luís.
Reis, batalhas, intrigas, descobertas e episódios menos conhecidos surgem aqui tratados com ironia, clareza e um humor subtil que nunca desrespeita os factos históricos. O resultado é uma sucessão de episódios vivos e memoráveis, que convidam tanto ao riso como à reflexão.
A obra original de Manuel Pinheiro Chagas, escritor e político português do século XIX, ganha nova vida nesta adaptação para banda desenhada. Longe de ser uma simples transposição, trata-se de uma verdadeira recriação visual, que respeita o espírito do texto e o torna acessível a leitores de todas as idades.
O humor desempenha aqui um papel central: aproxima o leitor da História, desmonta solenidades excessivas e mostra que o passado pode ser contado com leveza sem perder profundidade.
O traço inconfundível de Artur Correia é uma das grandes forças deste livro. Nascido em Lisboa em 1932, foi um dos mais importantes autores de banda desenhada portugueses, com uma carreira marcada pela versatilidade e pela criatividade. Colaborou com publicações emblemáticas como Cavaleiro Andante, Pisca-Pisca, Fungagá da Bicharada ou A Fagulha, deixando uma marca profunda na BD destinada ao público jovem.Na Bertrand Editora, assinou obras fundamentais como História Alegre de Portugal, Heróis da História de Portugal e a memorável adaptação de O Romance da Raposa, de Aquilino Ribeiro, mais tarde convertida em animação no seu próprio estúdio.
A partir de 1965, Artur Correia destacou-se também no cinema de animação, conquistando mais de uma dezena de prémios nacionais e internacionais. O reconhecimento no Festival de Cinema de Annecy foi decisivo para a criação do seu estúdio, em 1973. Até ao fim da vida, manteve-se fiel às duas grandes paixões que definiram o seu percurso: a animação e a banda desenhada.
Num tempo em que se discute a melhor forma de ensinar História, História Alegre de Portugal em BD continua a ser um exemplo luminoso. Divertida, pedagógica e visualmente marcante, esta obra prova que o conhecimento não tem de ser pesado para ser sério.
Talvez seja essa a razão pela qual continua a ser reeditada e lida: porque transforma o passado num prazer presente. Um clássico da banda desenhada portuguesa que permanece, merecidamente, sempre actual.
História Alegre de Portugal em BD, Artur Correia, Bertrand Editora, 256 pp., capa mole, cor, 19,90€



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