14 de fevereiro de 2026

Dan Da Dan chega a Portugal com celebração especial na FNAC Colombo


Um dos maiores fenómenos mundiais da mangá da actualidade está prestes a aterrar em Portugal. Dan Da Dan, a obra de sucesso que já conquistou leitores em todo o mundo, chega oficialmente às livrarias nacionais no próximo 16 de Fevereiro, numa edição da Devir. No Japão, o título ocupa um lugar de destaque como a terceira colecção mais vendida, apenas atrás de One Piece e Jujutsu Kaisen, somando mais de 10 milhões de exemplares vendidos.

Para assinalar este lançamento muito aguardado, a Devir prepara uma acção especial no dia 17 de Fevereiro, a partir das 16h00, na FNAC Colombo, em Lisboa. Mais do que uma simples apresentação editorial, o evento foi pensado como um verdadeiro ponto de encontro da comunidade mangá, celebrando a paixão pelo género num ambiente descontraído, participativo e festivo.

Com o apoio de daividjones, a iniciativa aposta fortemente na interação com o público. Um dos grandes destaques será a presença dos cosplayers Vins, que dará vida à personagem Momo, e Hantzie, no papel de Okarun. Ambos prometem contagiar os fãs com muita energia, sessões de fotografia e participação ativa nas várias dinâmicas do evento, criando uma experiência mais próxima e imersiva para todos os presentes.

Aproveitando o espírito do Carnaval, o convite estende-se também ao público: todos são incentivados a aparecer caracterizados ou em cosplay, seja inspirado no universo de Dan Da Dan ou noutras personagens icónicas do imaginário mangá e anime. O objectivo é tornar o evento ainda mais visual, divertido e memorável, celebrando a criatividade e a diversidade da comunidade.

Com este lançamento, Dan Da Dan promete não só conquistar novos leitores portugueses, como também reforçar o dinamismo da cena mangá em Portugal, mostrando que estas histórias continuam a atravessar fronteiras e a unir fãs de todas as idades.



13 de fevereiro de 2026

A Incrível Adele viaja até ao Canadá em “Funky Fofinho”

A irreverente Adele está de malas feitas — e desta vez o destino é gelado! No 15.º volume da colecção A Incrível Adele, intitulado “Funky Fofinho”, a protagonista troca as tropelias do costume por umas férias de inverno no Quebeque, Canadá. E claro: nada corre exactamente como seria de esperar… ainda bem.

Boa, vamos de férias. E não é para qualquer lado, é para o Canadá!” — é assim que começa esta nova aventura. Adele viaja com os pais para conhecer a prima Charlie, que a acha “mega” (um elogio que Adele aceita de imediato, mesmo sem perceber grande coisa do que se diz por lá!).

Entre gorros divertidos, neve até perder de vista e temperaturas bem abaixo de zero, o programa promete passeios em plena natureza canadiana, treinos improváveis de esquilos, confusões linguísticas e disparates em série. A companhia também não desilude: Charlie é tão energética quanto curiosa, e o seu coelho Jaja é um verdadeiro sósia do icónico Ajax. O resultado? Uma sucessão de momentos cómicos onde o humor sarcástico de Adele contrasta com a ternura “fofinha” do ambiente invernal.

A série original, Mortelle Adèle, tornou-se um autêntico fenómeno editorial em França. Criada pelo argumentista Antoine Dole (conhecido pelo pseudónimo Mr Tan) e ilustrada por Diane Le Feyer, a colecção conquistou milhões de leitores desde o seu lançamento.

Com dezenas de volumes publicados e presença constante nos tops de vendas de literatura infantojuvenil, Adele é hoje uma das personagens mais populares da banda desenhada europeia. O seu sucesso explica-se facilmente: humor mordaz, ilustrações expressivas e uma protagonista que pensa — e diz — exactamente aquilo que lhe passa pela cabeça.

A Incrível Adéle #15: Funky Fofinho, Mr Tan e Diane Le Feyer, Bertrand Editora, 80 pp. cor, capa mole, 12,20€

Portugal Jurássico: a BD que revive os gigantes que habitaram a Lourinhã

A importância da Lourinhã no panorama paleontológico global é difícil de sobrestimar. A região é reconhecida como um dos mais ricos depósitos fossilíferos do Jurássico Superior, frequentemente comparada, em relevância científica, a formações famosas como a Morrison (EUA).

O Museu da Lourinhã desempenha um papel central na investigação, preservação e divulgação deste património científico, sendo uma referência internacional no estudo de dinossauros europeus.

Editado pela Mudnag Edições, Portugal Jurássico assume-se essencialmente como um álbum de banda desenhada com ilustrações de grande dimensão, onde o impacto visual é protagonista. O objectivo é conjugar rigor científico com uma abordagem acessível e envolvente.

Todo o conteúdo científico foi verificado pelo paleontólogo André Saleiro, em parceria com o Museu da Lourinhã, garantindo que cada representação artística respeita o conhecimento científico actual. Mais do que um simples álbum ilustrado, a obra pretende funcionar como uma ponte entre ciência e público, especialmente junto de leitores jovens e entusiastas da paleontologia.

A escolha do Festival de Banda Desenhada da Lourinhã (LouriBD) no próximo mês de Março para o lançamento não poderia ser mais simbólica. Num território onde os dinossauros fazem parte da identidade local — da investigação científica ao turismo — a apresentação de uma obra dedicada ao Jurássico português assume um significado especial.

Com Portugal Jurássico, Henrique Gandum reforça a capacidade da banda desenhada como meio de divulgação científica, celebrando um dos capítulos mais fascinantes da história natural portuguesa e sublinhando o papel da Lourinhã como um dos epicentros mundiais do mundo jurássico.

Uma obra que promete transportar os leitores para um tempo em que Portugal era dominado por gigantes.

Portugal Jurássico, Henrique Gandum, Mudnag Edições, 36 pp., cor, capa mole, 14€

12 de fevereiro de 2026

O Menino Triste - Exposição de originais

 


Perigo na Casa da Falésia: Hercule Poirot em banda desenhada

A obra Perigo na Casa da Falésia (Peril at End House), um dos romances mais populares de Agatha Christie protagonizados por Hercule Poirot, ganhou uma elegante adaptação para banda desenhada, transportando para o campo visual toda a intriga psicológica e o charme clássico do detective belga.

Nesta versão em BD, com argumento de Frédéric Brémaud e desenho de Alberto Zanon, somos conduzidos até à costa da Cornualha, onde se ergue uma magnífica casa empoleirada numa falésia, propriedade de Nick Buckley — jovem, independente e aparentemente perseguida pela morte. O que começa como uma sucessão de “acidentes” estranhos transforma-se rapidamente num caso sério quando um tiro parece ser disparado contra a jovem no jardim de um hotel vizinho, onde Poirot e o capitão Hastings se encontram hospedados.

Incansável e metódico, Poirot entra em acção, recorrendo às suas célebres “pequenas células cinzentas” para desvendar quem deseja eliminar Nick Buckley — e porquê. À medida que investiga os hóspedes da Casa da Falésia, o detective revela uma teia de mentiras, identidades ambíguas e motivações ocultas, numa história onde nada é exatamente o que parece.

Frédéric Brémaud opta por uma adaptação fiel ao espírito do romance original, mantendo o ritmo clássico da narrativa de Christie, mas com uma leitura visual dinâmica e acessível. O trabalho gráfico de Alberto Zanon destaca-se pelo traço claro, expressivo e pela recriação cuidada da atmosfera britânica dos anos 1930, contribuindo para uma leitura envolvente tanto para fãs de longa data como para novos leitores.

Esta adaptação de Perigo na Casa da Falésia confirma o potencial da banda desenhada como meio para revitalizar os clássicos do policial. Respeitando a complexidade do enredo original e valorizando a figura icónica de Hercule Poirot, o álbum funciona tanto como homenagem à autora como porta de entrada para novos leitores descobrirem — ou redescobrirem — Agatha Christie.

Perigo na Casa da Falésia, Frédéric Brémaud e Alberto Zanon, Arte de Autor, 56 pp., cor, capa dura, 19,50€

11 de fevereiro de 2026

Casemate #198

A edição abre com um dossiê especial sobre o Festival de Angoulême, no qual 12 vencedores do Grande Prémio partilham memórias, alegrias e frustrações ligadas ao mais prestigiado evento da BD europeia.

Segue-se uma entrevista com Neidhardt, que revisita a sua carreira singular marcada por uma trajectória “épica” como impostor profissional — um percurso invulgar que atravessa a sua obra e identidade artística.

A reportagem “Hypersurveillance” aborda os perigos da vigilância massiva e do controlo digital, refletindo sobre o “grande policiamento” contemporâneo e os seus impactos sociais.

No cinema, destaque para o Marsupilami na versão de Philippe Lacheau, analisando a adaptação da famosa personagem franco-belga ao grande ecrã.

As secções habituais marcam presença:
Journorama: revista de imprensa sobre a actualidade da BD.
L’Écho des Rézos: o melhor das redes sociais (Facebook, X, Bluesky, Instagram, etc.).

Entre as pré-publicações com pranchas exclusivas, a revista apresenta:
Apogée, um space opera bélico de Duval, Emem e Blanchard.
Landais, numa exploração na Guiana em busca dos montes Tumuc-Humac.
Terre ou Lune, de Khoo, que imagina um futuro dominado por aves e restrições.
Thorgal, por Bec e Mangin, confrontando o herói com a misteriosa deusa de âmbar.
Off, de Renard e Tollet, num cenário pós-apocalíptico.
Barrio negro, centrado na comunidade francesa no Panamá.
Eldorado, sobre o sonho frustrado de um jovem aspirante a futebolista profissional.

A edição inclui ainda:
Um guia de 24 bandas desenhadas a descobrir em fevereiro.
Um agenda detalhada com 218 lançamentos, além de festivais e exposições.
Um passeio por um Paris atípico, guiado por Finot.
Um retrato de Guston, por Michaëlis.
E, a encerrar, a habitual secção de cartas dos leitores.

No conjunto, esta edição combina grandes entrevistas, temas sociais contemporâneos, pré-publicações exclusivas e um panorama abrangente das novidades da BD em Fevereiro de 2026.

Casemate #198, février 2026, 100 pp., 9,95€

10 de fevereiro de 2026

Um livro esquecido num banco: quando a leitura se torna encontro

Num tempo dominado por ecrãs, notificações e mensagens instantâneas, Um livro esquecido num banco, de Jim & Mig, surge como um gesto delicado de resistência poética ao fluxo digital. A obra, que chega às livrarias portuguesas pela ASA a 10 de Fevereiro, propõe algo simples e ao mesmo tempo profundamente humano: voltar a comunicar através do papel, da espera e do mistério.

A história começa de forma quase banal. Camélia está sentada num banco público quando repara num livro pousado ao seu lado, aparentemente esquecido. Ao abri-lo, descobre uma dedicatória inesperada: um convite para o levar, lê-lo e, depois, deixá-lo noutro banco, para que continue o seu percurso nas mãos de um novo leitor. Intrigada e divertida, Camélia aceita o jogo.

Mas o livro guarda um segredo. Ao folheá-lo em casa, ela percebe que algumas letras estão cuidadosamente assinaladas, formando uma mensagem escondida — uma espécie de chamada silenciosa à comunicação. Tocada por esse gesto anónimo e cansada da monotonia do seu quotidiano, Camélia decide responder da mesma forma: marca letras, constrói palavras, quase um desejo, e devolve o livro a um banco público, à espera de uma resposta.

É assim que se inicia uma correspondência “à livro aberto”, feita de fragmentos, pistas e silêncios partilhados, entre Camélia e um desconhecido. Uma troca que não depende de perfis, likes ou respostas imediatas, mas sim de atenção, tempo e sensibilidade.

Jim & Mig constroem aqui uma narrativa subtil e profundamente actual, apesar — ou precisamente por causa — da sua recusa em seguir os códigos da comunicação moderna. Um livro esquecido num banco fala de solidão urbana, do desejo de ligação e da magia dos encontros improváveis. Cada página convida o leitor a desacelerar, a observar os detalhes e a lembrar-se de que as histórias mais marcantes nem sempre começam com grandes acontecimentos, mas com pequenos gestos.

Visualmente e narrativamente delicado, o livro destaca-se também pelo seu conceito: o livro como objecto vivo, que circula, transporta vozes e cria laços entre pessoas que talvez nunca se encontrem, mas que se reconhecem nas palavras deixadas para trás.

Mais do que uma simples história de ficção, Um livro esquecido num banco é uma reflexão sensível sobre a forma como nos relacionamos, lemos e comunicamos. Um convite a redescobrir o prazer da leitura partilhada e a acreditar que, mesmo num mundo hiperconectado, ainda há espaço para o mistério, a espera e a poesia.

A partir de 10 de Fevereiro, este pequeno grande livro promete encontrar novos leitores — talvez num banco de jardim, talvez numa estante — e lembrar-nos de que, às vezes, basta abrir um livro para não estarmos tão sós.

Um livro esquecido num banco, Jim & Mig, ASA, cor, capa dura, 97 pp.