15 de abril de 2026

Coimbra BD 2026: O regresso do grande festival de banda desenhada a Coimbra


A cidade de Coimbra volta a afirmar-se como um dos principais polos da cultura visual em Portugal com o regresso do Coimbra BD 2026. O evento decorre entre os dias 24 e 26 de Abril, no emblemático Convento São Francisco, e promete uma edição mais ambiciosa, com programação alargada e novas áreas dedicadas à banda desenhada, ilustração e cultura pop.

Com mais de 60 autores e ilustradores, tanto nacionais como internacionais, esta edição reforça o papel de Coimbra como ponto de encontro criativo. Entre os convidados destacam-se nomes portugueses como Daniel Maia — responsável pelo cartaz —, André Carrilho, João Mascarenhas e Filipe Abranches, além de artistas internacionais como Marcello Quintanilha, Ángel de la Calle e Anna Poszepczyńska.

Segundo Margarida Mendes Silva, vereadora da cultura da Câmara Municipal de Coimbra, o festival tem vindo a consolidar-se como um espaço de criação, divulgação e partilha artística, promovendo o contacto direto entre o público e os criadores.

Uma das principais novidades deste ano é o aumento da área expositiva, com a inclusão da antiga igreja do Convento São Francisco. Este novo espaço será dedicado às editoras e às sessões de autógrafos, respondendo à crescente procura por parte de artistas e público. Outra aposta forte é a expansão da área de videojogos, com destaque para produções nacionais — especialmente de estúdios locais de Coimbra —, reforçando a ligação entre a banda desenhada e outras formas de narrativa visual.

O Coimbra BD 2026 apresenta uma programação diversificada, pensada para diferentes públicos e interesses. Entre as atividades previstas estão:

Exposições e lançamentos editoriais

Workshops e oficinas de desenho

Sessões de autógrafos com autores

Exibições de cinema

Concursos de cosplay (com selecção para o MCM London)

Área dedicada a jogos de tabuleiro

Os fãs de jogos poderão experimentar títulos como “Dungeons & Dragons”, “Lorcana Winterspell”, “Azul Duel” e “Scrabble”, com demonstrações, painéis e torneios.

O primeiro dia do festival será especialmente dedicado às escolas, com actividades pedagógicas como workshops, horas do conto e apresentações. A organização reforça assim a sua missão de estimular novos públicos e incentivar o talento emergente.

Depois de receber mais de 18 mil visitantes em 2025, a organização espera manter — ou superar — esse número em 2026. O investimento municipal ronda os 54 mil euros, refletindo a crescente importância do evento no panorama cultural.

O festival decorre entre as 10h00 e as 20h00 nos dias 24 e 25 de Abril, e até às 18h00 no dia 26. A entrada é gratuita, tornando este um evento acessível a todos os interessados.

Mais do que um festival, o Coimbra BD afirma-se como um verdadeiro ponto de encontro para criadores, fãs e curiosos. Ao cruzar diferentes linguagens artísticas — da ilustração ao gaming —, o evento reforça o seu papel como motor cultural e criativo, colocando Coimbra no mapa da banda desenhada a nível nacional e internacional.

Kagurabachi: o fenómeno que chega agora em português

A editora Devir publica o primeiro volume de Kagurabachi, uma das séries mais mediáticas da nova geração de mangá japonês. Criada por Takeru Hokazono, a obra destacou-se rapidamente pela forte adesão dos leitores e pela viralização nas redes sociais, tornando-se num dos casos mais invulgares de popularidade recente no setor.

A série estreou no Japão a 19 de Setembro de 2023 na revista Weekly Shōnen Jump, publicação da editora Shueisha, conhecida por lançar alguns dos títulos mais influentes do género shōnen. O primeiro volume encadernado foi editado no mercado japonês em Fevereiro de 2024, reunindo os capítulos iniciais da narrativa. Desde então, Kagurabachi tem sido distribuído internacionalmente, incluindo em formato digital através da plataforma Manga Plus, alargando rapidamente a sua base de leitores fora do Japão.

Apesar da sua curta duração, a série já ultrapassou os milhões de exemplares em circulação, um resultado pouco comum para títulos tão recentes. Este crescimento tem sido impulsionado sobretudo pelo impacto online e pela mobilização de comunidades de fãs, que ajudaram a consolidar a sua visibilidade global. Actualmente, Kagurabachi mantém-se em publicação e não tem conclusão anunciada, continuando a ser serializado na Weekly Shōnen Jump.

No plano crítico, a obra também começou a reunir reconhecimento. Entre as distinções alcançadas, destaca-se a vitória nos Next Manga Award de 2024, na categoria de melhor mangá impresso, além de nomeações para prémios relevantes da indústria japonesa.

O primeiro volume introduz a história de Chihiro Rokuhira, jovem que envereda por um percurso de vingança num universo marcado por espadas de poderes sobrenaturais e conflitos violentos. A narrativa combina elementos clássicos do shōnen com um tom mais sombrio, característica que tem contribuído para a sua recepção positiva.

Kagurabachi, Takeru Hokazono, Devir, 216 pp., p&b, capa mole, 9,99€

14 de abril de 2026

A Incrível Adele #16: Avó Jurássica — quando Adele enfrenta… a pré-história familiar

O 16.º volume de A Incrível Adele, intitulado Avó Jurássica (Jurassic Mamie), traz uma nova e divertida situação: Adele é deixada aos cuidados da sua avó, após os pais já não conseguirem lidar com o seu comportamento.

A convivência entre as duas gera um choque de gerações cheio de humor. Adele vê a avó como um verdadeiro “dinossauro”, com hábitos antiquados como comida saudável obrigatória e remédios caseiros estranhos. Isto dá origem a várias situações caóticas e engraçadas.

Apesar do tom leve, o livro aborda de forma subtil temas como as diferenças entre gerações e a importância da compreensão mútua. No final, mantém-se a essência da série: humor irreverente, criatividade e uma protagonista absolutamente inesquecível.

A Incrível Adele #16: Avó Jurássica,  Mr. Tan e Diane Le Feyer, Bertrand Editora, 80 pp., cor, capa mole, 12.20€

Exposição de Banda Desenhada homenageia Augusto Trigo na Feira do Livro de Moura

A cidade de Moura prepara-se para receber uma das iniciativas culturais mais marcantes da sua programação anual, com a realização da exposição de banda desenhada “O rigor e o detalhe”, dedicada ao artista Augusto Trigo. A mostra integra a 45.ª edição da Feira do Livro de Moura e estará patente entre os dias 15 e 26 de Abril, no Cine-Teatro Caridade.

A exposição propõe uma viagem pela obra de Augusto Trigo, destacando uma das suas principais características: o rigor técnico aliado a um impressionante nível de detalhe. Trata-se de uma oportunidade única para revisitar o trabalho de um dos nomes mais relevantes da banda desenhada portuguesa, permitindo também que novas gerações contactem com o seu legado artístico.

Um dos momentos mais significativos da carreira de Trigo remonta a 2009, quando, em parceria com o argumentista Jorge Magalhães, produziu seis pranchas para “Histórias de Mouras”, incluídas no álbum colectivo Salúquia: a Lenda de Moura em Banda Desenhada, editado pela Câmara Municipal de Moura. Este trabalho marcou a última colaboração da reconhecida dupla, deixando uma marca duradoura na BD nacional.

Para além da exposição, a programação inclui uma homenagem a Augusto Trigo, agendada para o dia 18 de Abril, às 18h00, no espaço da Feira do Livro. A sessão será seguida da apresentação dos fanzines “O menino que rabiscava paredes” e “Na pista de um sonho”, reforçando o espírito de celebração da criatividade e da narrativa gráfica.

Com esta iniciativa, a Câmara Municipal de Moura reafirma o seu compromisso com a promoção cultural e com a valorização da banda desenhada enquanto forma de expressão artística, proporcionando ao público uma experiência enriquecedora e inspiradora.



Os Filhos do Império – Volume 2: Amor, Rebeldia e Destino na Coreia Ocupada

A série de Os Filhos do Império regressa com o seu segundo volume, aprofundando o drama e a complexidade emocional das suas personagens num dos períodos mais conturbados da história da Ásia. Ambientada na Coreia da década de 1930, a obra continua a acompanhar os destinos entrelaçados de Arisa Jo e Jun Seomoon, dois jovens que enfrentam escolhas difíceis num mundo marcado pela opressão e pela mudança.

Para compreender plenamente esta história, é essencial enquadrá-la no período da ocupação japonesa da Coreia (1910–1945). Durante estas décadas, a península coreana esteve sob domínio do Império do Japão, que impôs políticas de assimilação cultural, repressão política e controlo social rigoroso.

Nos anos 1930, esse domínio tornou-se ainda mais severo. A crescente militarização do Japão e o clima de expansão imperial intensificaram a vigilância e a limitação das liberdades individuais. Foi também um período em que muitos coreanos se viram divididos entre resistência, adaptação ou colaboração — dilemas que ecoam diretamente nas escolhas das personagens desta obra.

Neste segundo volume, Arisa Jo encontra-se numa encruzilhada emocional. À medida que fragmentos do seu passado vêm à tona, a sua natureza rebelde leva-a a procurar refúgio em relações inesperadas, desafiando convenções e normas impostas pela sociedade e pelo regime. Por outro lado, Jun Seomoon inicia uma jornada interior marcada pela inquietação e pela procura de sentido. Essa busca conduz-lo progressivamente a ideias mais radicais, reflectindo o clima político da época, onde muitos jovens eram atraídos por movimentos de resistência ou ideologias transformadoras. O contraste entre os dois torna-se cada vez mais evidente: enquanto Arisa se move pela emoção e pela liberdade pessoal, Jun aproxima-se de um caminho mais ideológico e potencialmente perigoso.

A autora, Yudori, constrói uma história onde o aparentemente despreocupado esconde uma tragédia latente. Aos poucos, o leitor descobre que por detrás das atitudes leves ou impulsivas existe um peso emocional profundo, consequência direta das circunstâncias históricas.



O Verão em que Hikaru Morreu #5 – Entre o inquietante e o inevitável

O quinto volume de O Verão em que Hikaru Morreu, da autoria de Mokumokuren, publicado em Portugal pela Editorial Presença, continua a aprofundar uma das narrativas mais enigmáticas e emocionalmente perturbadoras do manga contemporâneo.

Desde o início da série que somos confrontados com uma premissa desconcertante: Hikaru não é, verdadeiramente, Hikaru — ou pelo menos já não é o mesmo. Neste novo volume, essa inquietação atinge um novo patamar. Yoshiki, dividido entre o medo e uma inexplicável necessidade de proximidade, permanece ao lado desta presença que ocupa o lugar do seu amigo. O que poderia ser apenas rejeição ou fuga transforma-se numa ligação ambígua, quase inevitável, onde o afecto e o terror coexistem.

Neste volume, a investigação conduzida por Yoshiki e pelo “novo” Hikaru ganha maior densidade. As pistas multiplicam-se, mas, em vez de esclarecerem, aprofundam o mistério. A aldeia onde vivem assume um papel cada vez mais central, quase como uma entidade viva, carregada de segredos antigos e silêncios cúmplices. Há uma sensação crescente de que tudo está interligado — o passado, as ausências, as presenças — e que algo maior se move nas margens da compreensão.

Visualmente, o manga mantém o seu registo atmosférico e subtilmente perturbador. Os silêncios, os olhares e os enquadramentos transmitem tanto quanto os diálogos, criando uma leitura imersiva onde o desconforto se instala de forma gradual, mas persistente.

Base de dados

O Verão em que Hikaru Morreu #5, Mokumokuren, Editorial Presença, 200 pp., p&b, capa mole, 11,90€

13 de abril de 2026

Runas: Uma História de Mil Faces

A literatura fantástica continua a ser um dos géneros mais cativantes para leitores de todas as idades, especialmente quando alia aventura, emoção e reflexão. Runas: Uma História de Mil Faces, de Carlos Sánchez, publicado pela Nuvem de Letras, é um exemplo claro dessa combinação, oferecendo uma narrativa envolvente que transporta o leitor para um universo mágico repleto de desafios e descobertas.

A história centra-se em Chiri e Dai, duas crianças órfãs que vivem num orfanato junto a uma floresta aparentemente comum. No entanto, tudo muda quando descobrem um portal escondido que as leva até Puddin, um reino misterioso onde o fantástico e o sombrio coexistem. Este novo mundo revela-se muito mais do que um simples cenário mágico. É um espaço onde cada decisão tem peso, onde o perigo espreita a cada passo e onde os protagonistas são forçados a crescer rapidamente.

Puddin é habitado por uma grande diversidade de criaturas — desde bruxas e bardos até ogres e feiticeiros — que enriquecem a narrativa e contribuem para a construção de um universo vivo e imprevisível. No entanto, este reino encontra-se sob a ameaça constante de uma força sombria: o temível Rei Sombrio. Esta figura representa mais do que um simples vilão. Simboliza o desequilíbrio, o medo e a escuridão que se infiltram tanto no mundo exterior como no interior das personagens.

Ao longo da aventura, Chiri e Dai cruzam-se com personagens muito diferentes entre si, formando alianças inesperadas. Estas relações tornam-se essenciais para a sua sobrevivência e para o desenrolar da história.

Carlos Sánchez é um ilustrador, designer e autor ligado à literatura juvenil fantástica, conhecido pela sua capacidade de combinar narrativa envolvente com uma forte componente visual. Natural de Barcelona, desenvolveu desde cedo interesse pelo desenho e pela banda desenhada, área que viria a marcar profundamente o seu percurso criativo. Com formação em Design e especialização em ilustração, Sánchez construiu uma identidade artística assente na criação de universos ricos em detalhe e imaginação. O seu trabalho destaca-se pela forma como funde imagem e texto, proporcionando experiências de leitura dinâmicas e visualmente apelativas.

Base de dados

Runas: Uma História de Mil Faces, Carlos Sánchez, Nuvem de Letras, 168 pp., capa mole, cor, 14,95€