Estudou escultura na prestigiada Institut Saint-Luc, em Bruxelas — uma escola que formou muitos nomes marcantes da banda desenhada franco-belga. 
Desde muito cedo se revelou fascinado pelo desenho e pela natureza, uma paixão que acompanhou toda a sua carreira: já na infância desenhava animais e mais tarde — apesar de ter mantido durante algum tempo vários répteis exóticos — abandonou a ideia de os “coleccionar”, mantendo apenas dois iguanas.
A sua aventura profissional começa em 1973, quando passa a colaborar com a revista Spirou, ainda como jovem autor. Entre os projectos iniciais, destaca-se a criação de histórias curtas onde já ficava evidente o seu gosto por ambientes naturais e animais.
Em 1984 dá-se o passo decisivo: publica o seu primeiro álbum longo, dando corpo à série Broussaille — fruto da colaboração com o argumentista Bom (Michel de Bom). A série apresenta as observações de natureza e reflexões pessoais através do alter-ego Broussaille, alterando o paradigma da BD de aventura para uma BD mais introspectiva e ecológica.
Com Broussaille, Frank Pé ganha visibilidade: a sua linguagem transmite sensibilidade e um profundo respeito pela natureza — traços que se tornariam marcas distintas do seu estilo. 
• A série Zoo (1994–2007), com argumento de Philippe Bonifay, composta por três álbuns, reconverte-o para uma narrativa mais adulta e realista — mantendo sempre o seu domínio no desenho e na cor.
• A colaboração com o argumentista Zidrou em títulos recentes, como A Fera — reinterpretando um mítico animal da BD franco-belga com uma abordagem mais madura, tendo sido publicado em Portugal pela editora A Seita.
Além da BD, Frank Pé também se envolveu em ilustração, estudos de animação, e em projectos artísticos
ligados à natureza — demonstrando sempre um interesse profundo no mundo dos animais e no meio natural.
O trabalho de Frank Pé distingue-se pela harmonia entre desenho realista e sensível, pelo uso da cor, e pela temática frequentemente centrada na natureza e nos animais — um traço pouco comum nas BD tradicionais de aventura.
As suas referências estéticas passavam por autores como André Franquin e Moebius, mas também por movimentos artísticos como o Art Nouveau, e artistas plásticos ou ilustradores da natureza — o que lhe permitia fundir banda desenhada e sensibilidade artística de forma singular.
Frank Pé faleceu a 29 de Novembro de 2025, aos 69 anos.
A sua morte marca o fim de uma das vozes mais poéticas e originais da BD franco-belga contemporânea — um autor capaz de unir a magia do traço com a serenidade da Natureza e a reflexão sensível sobre o nosso mundo.
Frank Pé deixa um legado único: um estilo gráfico inconfundível, uma sensibilidade pela natureza e pelos animais, e uma capacidade de contar histórias que escapam ao convencional da BD de aventuras. Com Broussaille, Zoo ou A Fera, provou que a banda desenhada pode ser introspectiva, poética e visualmente impressionante — algo que inspira novos autores.



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