30 de setembro de 2019

Entradas na minha biblioteca de BD no mês de Setembro de 2019

Álbuns

  • As serpentes cegas, Levoir, 2019
  • Comanche: obra completa - Volume 2, Ala dos Livros, 2019
  • Os meus heróis foram sempre drogados, G. Floy, 2019
  • O número 73304-23-4153-6-96-8, Levoir, 2019
  • Neve nos bolsos, Levoir, 2019
  • Untertaker #1: O devorador de ouro, Ala dos Livros, 2019
  • Alice num mundo real, Levoir, 2016
  • Café Budapeste, Levoir, 2019

Revistas

  • dBD #136, septembre 2019
  • Revista do Clube Tex Portugal #10, Julho de 2018
  • Tintin c'est l'aventure #2, Septembre-Octobre-Novembre 2019

Livros

  • Corto Maltese et la mer, Éditions Ouest-France, 2017
  • Alix - L'art de Jacques Martin, Casterman, 2018 
  • Tintin du cinéma à la BD, Desclée de Brouwer, 2019

Outros

Alix - L'art de Jacques Martin

Juntamente com Tintin e Blake e Mortimer, Alix é uma figura emblemática da revista Tintin, onde nasceu em 1948 e manteve-se até aos finais da década de 1980. O seu autor, Jacques Martin (1921-2010), foi um dos pilares dos Estúdios Hergé, onde criou as suas próprias séries (Alix e Lefranc) e colaborou nas aventuras de Tintin. A sua estética classicista, influenciada por Hergé e Edgar Pierre Jacobs, apoiou-se sempre numa visão rigorosa da Antiguidade romana.
A presente obra, recentemente entrada na minha biblioteca, recheada de documentos escritos e desenhados por Martin, surge como um catálogo da exposição "Alix - L'art de Jacques Martin", decorrente dos 70 anos da série e que ocorreu em Janeiro de 2018 no Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême.

Alix - L'art de Jacques Martin, Casterman, 2018, 160 pp., capa dura

29 de setembro de 2019

Descender #4: Mecânica orbital

Continua a grande saga de ficção científica de Jeff Lemire e Dustin Nguyen, que acaba de vencer este ano o seu segundo prémio Eisner para Melhor Arte!

A luta épica de um jovem robô para se manter vivo num universo em que os andróides foram colocados fora-da-lei, e em que caçadores de prémios espreitam em todos os planetas da galáxia. Tim-21, Telsa e Quon conseguem finalmente escapar da Lua Máquina, e partir em busca de um mítico robô ancião que pode ser a chave para o problema dos Colectores. Entretanto, Andy e o seu grupo de indesejáveis perseguem Tim, mas a sua frágil aliança vai ser posta em causa pelas revelações de Broca. Uma odisseia cósmica, dinâmica e emotiva, que lança homens contra máquinas e mundo contra mundo, e uma das grandes space operas da banda desenhada actual.

Lemire consegue continuar a instilar vida nova na sua saga, construindo mais narrativas que se vão integrar nela, e essa mesma sensação de vida nova pode ser vista na arte de Dustin Nguyen, com as suas páginas a mostrar a sua brilhante combinação de explosões de cor vibrantes e de gradientes mais subtis.
Jesse Schedeen - IGN

Jeff Lemire é um autor best-seller do New York Times, com uma carreira como escritor e artista de romances gráficos de sucesso. Venceu em 2008 e 2013 o Shuster Award for Best Canadian Cartoonist, que premeia o melhor artista de BD canadiano. Foi também nomeado oito vezes para os prémios Eisner, e venceu em 2017 com a sua série de super-heróis Black Hammer o prémio de Melhor Nova Série, e de novo em 2019 com Gideon Falls, a série que a G. Floy inaugurou em Julho. Foi também nomeado para sete prémios Harvey e oito Shuster Awards. A sua mais recente obra foi o romance gráfico Roughneck, que a Publishers Weekly descreveu como um livro “poderoso” (e que a G. Floy editará no final de 2019).

Dustin Nguyen é outro artista de comics best-seller dos EUA, conhecido por obras como Wildcats v3.o, The Authority Revolution, Batman, Superman/Batman, Detective Comics, Batgirl e Batman: Streets of Gotham. É um dos mais requisitados artistas actuais de capas para as grandes editoras americanas. Com Descender, Dustin Nguyen venceu por duas vezes o Prémio Eisner para Melhor Arte Pintada (em 2015 e 2019), um dos mais prestigiados dos comics.

Descender #4: Mecânica orbital [reúne os números #17-#21 de Descender], Jeff Lemire e Dustin Nguyen, G. Floy, 120 pp., cor, capa dura, 13€\

Harrow County #6: Magia de Raízes

Mais um volume disponível da série Harrow County, com argumento de Cullen Bunn e arte de Tyler Crook

Neste volume, quando uma das assombrações do condado de Harrow vem pedir ajuda a Emmy, esta descobre com surpresa que uma das suas mais antigas amigas se pode estar a virar contra ela. E, enquanto Emmy se focou obsessivamente nas ameaças externas ao seu mundo, talvez tenha ignorado um problema muito maior a crescer na sua terra...

Este volume reúne os números #21-#24 de Harrow County, o estranho e inquietante conto de fadas southern gothic, criado pelo escritor Cullen Bunn e assombrosamente desenhado e pintado pelo artista Tyler Crook.

Ninguém consegue prever para onde a história de Harrow County vai. Pode acabar em beleza, ou pode acabar no horror. Seja como for, não se consegue parar de ler.
- SciFiPulse

Cullen Bunn é um autor de comics americanos, bem conhecido pelas histórias que escreveu para a Marvel, em particular as suas mini-séries de Deadpool (de que a G. Floy já editou os primeiros dois volumes, estando o terceiro previsto para este mês de Outubro). É também um conhecido romancista de histórias de terror, e autor de inúmeras séries de comics independentes. Tyler Crook trabalhou durante anos na indústria de videojogos, até ao lançamento, em 2011, de Petrograd, uma novela gráfica escrita por Phillip Gelatt, que marcou a sua estreia na BD. Crook venceu também um Russ Manning Award, um prémio atribuído durante os Eisners, e que premeia o trabalho de um estreante no mundo da BD.

Originalmente prevista para seis volumes, o sucesso da série Harrow County levou a que fosse prolongada para um total de oito. 

Harrow County foi considerada:

Melhor Série em Continuação 2015
Melhor Escritor 2015
- Horror News Network

Melhor Série em Continuação 2015
Melhor Escritor 2015
- Ghastly Awards

Harrow County #6: Magia de Raízes [reúne os números #21-#24 de Harrow County], Tyler Crook e Cullen Bunn, G. Floy, 120 pp., cor, capa dura, 13€

dBD #137 (Octobre 2019)

Está em distribuição o número de Outubro da revista francesa de informações e crítica de BD, a dBD.

Eis o índice da edição #137:
XAVIER DORISON / À la une
Ses trois nouveautés laissent deviner un auteur arrivé à maturité. Même s’il porte encore ses doutes, son oeuvre est amenée à vivre de beaux jours.
Actualités / Quoi de neuf ?
Pour ne rien manquer des à-côtés de la bande dessinée.
MANU DIBANGO / Personnalité
C’est par l’entremise du toujours curieux Géant Vert que la porte du studio de ce musicien connu à l’international s’est ouverte.
DANIEL MAGHEN / Enchères
Il l’avait promis. Il l’a fait. Après son départ de Christie’s, il crée sa propre maison de ventes. Courageux !
BATMAN / USA
Si à 80 ans, nous commençons à avoir de l’arthrite et du mal à nous déplacer, Batman, non ! Heureusement, car le super-héros a encore besoin de toutes ses forces pour sauver le monde.
THIERRY SMOLDEREN / One-Shot
Il forme avec Alex Clérisse un duo inattendu et vivifiant pour le 9e art. À la rédaction, on adore leurs (déjà !) trois albums en commun !
LAURENT-FRÉDÉRIC BOLLÉE / Reprise
Bruno Brazil l’a retourné adolescent quand il lisait Tintin. Des années après, profitant des nombreux revivals de la bande dessinée, il convainc les éditions du Lombard de reprendre ce personnage avec son complice Philippe Aymond. My god!
UGO BIENVENU / Nouvelle vague
En très peu de temps, Ugo Bienvenu a « imposé » son dessin, son humour et ses sujets. Vivifiant !
JEAN-YVES LAFESSE / Un peu d'humour
Le spécialiste des caméras cachées s’est posé un instant pour écrire un scénario BD au contenu très punk. No future?
CRITIQUES / Chroniques & Journal des sorties
Par nos journalistes
NINE ANTICO & GRÉGOIRE CARLÉ / Coup de cœur du mois 
Comment définir cet album météorite qu’est Il était 2 fois Arthur ? À vous de juger !
JULIEN NEEL / Jeunesse 
Lou ! dans un tout autre format. Prometteur !
JEUNESSE / Chroniques
Par Philippe Peter 

dBD, octobre 2019, 100 pp., cor, 9,90€

Tintin du cinéma à la BD

Bob Garcia já publicou vários estudos tintinófilos, surgindo com mais uma obra sobre o cinema na obra de Hergé.
Após mais de vinte anos de visionamento de centena horas de filmes, Bob Garcia interessou-se pelas origens da cultura cinematográfica de Hergé, actores e realizadores que o inspiraram nas suas aventuras de banda desenhada, nomeadamente nas de Tintin. "Tintin du cinema à la BD" é o resultado dessas pesquisas, recheado de numerosas referências e influências inéditas e surpreendentes.

Tintin du cinéma à la BD, Bob Garcia, Ed. Desclée de Brouwer, 2019, 273 pp., capa flexível, 19,50€

Os meus heróis foram sempre drogados

Já está nas banca a novela gráfica do universo Criminal, "Os meus heróis foram sempre drogados".

Obra da dupla criadora de The Fade Out: Crepúsculo em Hollywood, vencedor do prémio Eisner para Melhor Série Limitada (2016) e do Galardão BD do Comic Con Portugal para Melhor Álbum Estrangeiro editado em Portugal (2019), e de Criminal, a série policial noir que já valeu a Ed Brubaker o Eisner para Melhor Escritor três vezes, e que venceu os Eisners para Melhor Nova Série e Melhor Série Limitada, "Os meus heróis foram sempre drogados" venceu em 2019 o prémio Eisner para Melhor Romance Gráfico Original.

Ellie sempre teve ideias muito românticas sobre os toxicodependentes. As almas trágicas de artistas atraídos por agulhas e comprimidos têm sido a obsessão dela desde a morte da sua mãe, também ela uma drogada. Mas quando Ellie acaba numa clínica de reabilitação para a alta sociedade, nem tudo é o que parece, e ela vai acabar por encontrar outro tipo de romance... muito mais perigoso. Pelas mãos da dupla Brubaker e Phillips, um conto alimentado a drogas e a cultura pop, de uma jovem rapariga em busca das trevas... e do que ela lá encontra.

Este curto romance gráfico (uma novela gráfica!) ambientado no universo implacável e terrível de Criminal, mete em cena dois jovens a tentar recuperar das suas dependências a substâncias aditivas numa clínica de reabilitação de luxo... dois jovens que se envolvem, e acabam por fazer sobressair um no outro os seus piores traços e hábitos. Obviamente, nem tudo é o que parece, neste conto sobre pessoas que tomam consistentemente as piores decisões possíveis, magoando tudo e todos à sua volta, e a si próprios.

"Os meus heróis foram sempre drogados" talvez seja uma das histórias mais pessoais que Ed Brubaker já contou em banda desenhada: muitos dos acontecimentos e da caracterização das personagens são baseados nas lembranças e memórias que o escritor tem da suia juventude. “A minha mãe era dependente, e eu cresci a ir com ela a reuniões dos alcoólicos anónimos, dos meus oito anos em diante, ia com ela pelo menos uma vez por semana. Tinha de ficar lá, calado, a ouvir pessoas a contarem as suas histórias, a chorarem e agradecerem uns aos outros pelo apoio, numa sala cheia de fumo, que cheirava a tabaco, mofo e café. Foi uma das experiências formativas das minha vida como escritor, e algo com que me tenho debatido. Desde muito novo que sabia tudo sobre agarrados e bêbados, e dava comigo a romantizar as dependências, como se fossem uma maldição de família que me ia apanhar. E creio que sempre quis escrever sobre isso. Sobre como podemos crescer a admirar pessoas ‘fracturadas’, e como, no fundo, todos estamos fracturados.

Desenhado por Sean Phillips num dos seus momentos mais depurados e visualmente impressionantes, "Os meus heróis foram sempre drogados" conta também com as cores impressionantes de Jacob Phillips, que enche as suas páginas com cores variadas e surpreendentes - azuis, pastéis, amarelos pálidos... Em vez de cores planas, são dispersas, manchadas, inquietas, criando um efeito dinâmico e transbordando de vida, longe dos tons escuros e quentes que marcam as páginas da série principal de Criminal. "Os meus heróis foram sempre foram drogados" foi também o livro que relançou a série, depois de alguns anos de interrupção; depois de editar a fase inicial (que ficará completa em meados de 2020), a G. Floy irá atacar a nova série em finais de 2020.

Os meus heróis foram sempre drogados (My Heroes Were Always Junkies), Ed Brubaker e Sean Phillips, G. Floy, 72 pp., cor, capa dura, 13€


28 de setembro de 2019

O Caminho do Oriente - 2º volume

Em meados de Outubro sairá o segundo volume da versão colorida de O Caminho do Oriente, numa edição de José Pires. O primeiro volume esgotou a sua tiragem de 40 cópias. Para os interessados, contactar gussy.pires@sapo.pt

Tintin c'est l'aventure #2

Numa parceria com a Fundação Hergé, a GEO lançou o segundo número desta revista trimestral. Além das várias separatas, a revista contempla-nos com alguns artigos interessantes como:

  • Îles, terres d'imaginaire - uma busca na literatura e na BD de ilhas que conquistaram o nosso imaginário;
  • Entrevista com o tintinólogo Michel Serres;
  • À la recherche du Yéti - Em busca do abominável homem das neves;
  • De Zaharoff à Bazaroff - Itinerário de um comerciante de armas;
  • Entrevista com o desenhador Emmanuel Lepage;
  • L'Afrique rêvée des sorciers.
 Tintin c'est l'aventure #2, sept-ont-nov 2019, 136 pp., cor, 15,99€

27 de setembro de 2019

Cartaz do 30º Festival de Banda Desenhada da Amadora - 24/Outubro a 3/Novembro


Casemate #129 (Octobre 2019)

O número de Outubro da revista Casemate está nas bancas portuguesas.

O sumário desta edição é a seguinte:
P.4-6 Alléluia, Sœur-Marie Thérèse revient parmi les siens !
P.8-10 Hubert sculpte de drôles d’oiseaux avec Le Boiseleur
P.12-16 Closets revient sur l’amitié entre Einstein et Haber
P.18-20 Rouge passé, une terroriste sur le chemin de la rédemption
P.22-23 Journorama, revue de presse de l’actu BD
P.24-29 Riff Reb’s adapte le Vagabond des étoiles de London (+4 planches)
P.30-35 Sfar explore l’adolescence de Zlabya dans le Chat du Rabbin (+4 planches)
P.36-41 Hérenguel fait de Kong le roi d’un New York destroy (+4 planches)

Cahier spécial Mattéo #5 • 32 pages
Après les tranchées, la révolution bolchévique et les bourgeois de Collioure, Jean-Pierre Gibrat retient son Mattéo dans la terrible guerre civile espagnole. Celle qui change les hommes, mais aussi les femmes. (+20 planches commentées).

P.43-52 Une sélection de 36 BD à découvrir en octobre
P.54-58 Agenda : les 416 sorties d’octobre, les festivals et les expos
P.58-63 Charlie Chaplin, un triomphe entre ombre et lumière (+3 planches)
P.64-69 Merwan règle les querelles de 2068 à la balle au prisonnier ! (+4 planches)
P.70-75 Senso, histoire de rencontres et rapprochements pour Alfred (+4 planches)
P.76-79 Avril dans le calme régénérant de ses Isolated Houses
P.80-81 Perriot se décarcasse pour Soutine
P.82 Le courrier du mois à la loupe

Casemate #129, octobre 2019, 114 pp., 9,00€

26 de setembro de 2019

Chester Gould - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Desenhador, argumentista
(EUA) Pawnee, 20 de Novembro de 1900 - Woodstock, 11 de Maio de 1985

Gould é o criador da série Dick Tracy, que escreve e desenha de 1931 a 1977. Estuda desenho por correspondência, trabalhando por um período curto em Oklahoma, desenhando cartoons desportivos.
Vence o Prémio Reuben da Sociedade Nacional de Cartunistas em 1959 e 1977. Em 1980, os Mystery Writers of America homenageiam Gould pelo seu trabalho com um Prémio Especial Edgar. Em 1995, a tira de Dick Tracy é uma das vinte incluídas na série de quadradinhos comemorativos da Comic Strip Classics.
De 1991 a 2008, a arte e os artefactos da carreira de Gould são exibidos no Museu Chester Gould-Dick Tracy no Old Courthouse, na Praça de Woodstock, Illinois. Os visitantes do Museu viram histórias em vinhetas originais, correspondência, fotografias e muitas recordações, incluindo a prancheta e a cadeira de desenho de Gould. Em 2000, o Museu recebe um Prémio de Realização Superior da Associação de Museus de Illinois e, em 2001, recebe um Prémio de Excelência da Sociedade Histórica do Estado de Illinois. O museu continua hoje como um museu virtual online.
Gould aposenta-se em 25 de Dezembro de 1977 e morre em 1985, em Woodstock, Illinois, devido a insuficiência cardíaca congestiva.
Em 2005, Gould entra no Hall Of Fame dos Cartunistas de Oklahoma em Pauls Valley, Oklahoma.

Séries publicadas em Portugal:

[actualizado em 26.09.2019]

Colecção Novela Gráfica #13: Café Budapeste

Termina hoje a colecção da Levoir/Público com a publicação do volume Café Budapeste, o último volume da colecção da 5ª série das Novelas Gráficas.

Zapico é o autor e ilustrador de Café Budapeste, uma novela gráfica sobre judeus sobreviventes da Shoá na Guerra da Independência. Depois de se ter estreado no mercado francês, construiu uma carreira em Espanha, em que Café Budapeste é a sua carta de apresentação e onde se mostra um hábil narrador. Alfonso Zapico é também autor de Gente de Dublin, a biografia gráfica de James Joyce, que os leitores portugueses já tiveram oportunidade de ler, (editado pela Levoir e o Público em 2018), livro nomeado para o prémio de melhor obra espanhola no Salón Internacional del Cómic de Barcelona em 2012, e com o qual venceu o Premio Nacional del Cómic.

Yechezkel Damjanich é um jovem violinista judeu que vive com a sua mãe doente na devastada Budapeste do pós-guerra. Para fugir à miséria, “Chaskel” diminuitivo pelo qual é tratado em família, pede ajuda ao tio Yoséef Nagy, que vive na Palestina, onde dirige o Café Budapeste, um lugar pitoresco perto da Cidade Velha, onde judeus, árabes e ocidentais coexistem … Um oásis efémero de harmonia onde as notas do violino de Yechezkel vão dar lugar ao estrondo dos obuses de Davidka, bombas árabes, ódio e destruição.

Neste ambiente de intolerância e violência a paixão de Yechezkel por Yaiza, uma jovem de origem árabe, enfrenta ainda maiores desafios. Mas isso não os impedirá de procurarem a felicidade, numa cidade em guerra, onde o Café Budapeste é um dos últimos espaços de paz e tolerância.

Alternando de forma hábil a realidade histórica — e as questões políticas e geoestratégicas inerentes a um dos momentos mais importantes da história do século XX, a formação do Estado de Israel, cujas consequências ainda hoje se fazem  sentir na região — com os dramas pessoais de Yechezkel e da sua família, Zapico constrói uma história cativante, que é um hino à tolerância e à paz entre os homens, independentemente da etnia ou credo.
    
Colecção Novela Gráfica #13: Café Budapeste, Alfonso Zapico, Levoir/ Público, 160 pp., p&b, capa dura, 10,90€

Conversas com os putos e com os professores deles

Ser professor em Portugal é mais ou menos como ser árbitro de futebol. Um tipo anda por ali a tentar controlar vinte e tal pirralhos injustiçados enquanto é mimado por todos os lados com uma variedade de insultos que se vão ramificando pela sua árvore genealógica acima, sem ter o direito de poder passar-se da cabeça, bater em alguém ou sequer responder ao mesmo nível. 
Quer-se dizer… pode responder ao mesmo nível. E até bater em alguém. Pode…
Só que depois é brindado com um processo disciplinar assinado por alguma indignada sumidade da Educação que provavelmente passa os Domingos, rodeada de gente pouco escolarizada ou bem instalado no camarote de algum criminoso, num estádio a insultar árbitros.

Neste terceiro livro da série Conversas com os Putos temos acesso a algumas coisas que o stôres dizem fora das aulas. 
Há de tudo. Desde burros ignorantes com as palas bem fechadas para se protegerem daquilo que não compreendem, a profissionais competentes já meio avariados da psique. 
Não é à primeira vista que se distinguem uns dos outros. 
O resultado do seu trabalho só é perceptível anos mais tarde. Está bem à vista na programação televisiva, nos resultados das eleições e no número de licenciados que emigram.

Conversas com os putos e com os professores deles, Álvaro, Insónia, 80 pp., p&b, capa mole, 11€

25 de setembro de 2019

Top das vendas de BD em França de 9 a 15 de Setembro de 2019

1º lugar (=) [3ª semana]
Les Indes fourbes #1
Juanjo Guarnido, Alain Ayroles
DELCOURT

2º lugar (=) [3ª semana]
XIII #25: The XIII History
Iouri Jigounov, Yves Sente
DARGAUD

3º lugar (=) [2ª semana]
Centaurus #5: Terre de mort
Zoran Janjetov, Leo, Rodolphe
DELCOURT


Édipo

Mais um volume da colecção "A sabedoria dos mitos" está nas livrarias nacionais, numa edição da Gradiva. Depois de Prometeu, chega-nos Édipo, um original francês de 2018. 

Para evitar a queda de Tebas anunciada pelos deuses, o rei Laio e a sua mulher Jocasta não têm escolha que não seja abandonar o filho recém-nascido no monte Citéron, expondo-o a uma morte certa. Contra todas as expectativas, o pequeno Édipo é salvo e acolhido pelo rei de Corinto. Criado como um príncipe, cresce sem saber o segredo trágico das suas origens. Mas, um dia, um bêbedo insulta-o e afirma que ele é uma criança adoptada. O jovem decide então tirar tudo a limpo. Para isso, consulta o oráculo de Delfos e este revela-lhe um destino terrível: Édipo matará o pai e desposará a mãe. Fugindo para evitar que a profecia se cumpra, não vai senão precipitar a sua funesta realização...

Édipo [Colecção A Sabedoria dos Mitos], Clotilde Bruneau e Diego Oddi, Gradiva, 56 pp., cor, capa dura, 16,50€

24 de setembro de 2019

A arte da guerra

Continuando a edição portuguesa da edição norte-americana da série Illustrated Library of Chinese Classics da Princeton University Press, a Presença edita agora a adaptação em BD de "A arte da guerra" de Sun Tzu.  

C. C. Tsai é um dos cartoonistas mais populares da Ásia, e as suas versões dos clássicos chineses já foram traduzidas em mais de vinte línguas e venderam acima de 40 milhões de exemplares.
Este volume apresenta a adaptação ilustrada de A Arte da Guerra de Sun Tzu, a melhor obra sobre guerra e estratégia de todos os tempos – um livro que continua a ser considerado um manual para o sucesso, não só por comandantes militares, como por líderes políticos, empresariais e de muitas outras áreas.
Concebida há cerca de 2500 anos por um filósofo-guerreiro, A Arte da Guerra continua a atrair os que aspiram a destacar-se e a ajudar a construir países de sucesso. Qual a melhor forma de alcançar esse objectivo e que papel terá a guerra no processo? Quais os poderes e respectivos limites de um general comandante? Como vencer sem entrar em guerra? As respostas de Sun Tzu a estas e a outras questões são-nos dadas através dos cartoons de C. C. Tsai, que nos mostram Sun Tzu em diferentes situações, seja a lutar em terrenos perigosos, a lançar um ataque-surpresa ou a espiar os seus inimigos.
Esta edição inclui ainda um prefácio de Lawrence Freedman, uma das maiores autoridades mundiais em estratégia militar, que nos esclarece como A Arte da Guerra tem influenciado o pensamento estratégico do Ocidente. Além disso, inclui o texto original em chinês, em barras laterais presentes em todas as páginas, o que enriquece o livro para leitores e estudantes de chinês, sem contudo os distrair das vinhetas. O texto foi habilmente traduzido do chinês por Brian Bruya, que apresenta igualmente uma introdução.

A Arte da Guerra, C. C. Tsai (baseado na obra de Sun Tzu), Presença, 144 pp., p&b, capa flexível, 14,90€

22 de setembro de 2019

Edições da Marvel - Panini Brasil nas bancas portuguesas em Setembro




Edições da Maurício de Sousa nas bancas portuguesas em Setembro








Confúcio - Os Anacletos

A Presença iniciou a publicação de adaptações de clássicos da literatura chinesa, aproveitando a edição norte-americana da Princeton University Press da série Illustrated Library of Chinese Classics. O primeiro volume é a adaptação da obra Os Anacletos de Confúcio

Os expressivos desenhos de Tsai dão vida a Confúcio e seus discípulos como em mais nenhuma outra edição desta obra. Em Os Analectos, o célebre filósofo debate com os discípulos a questão de como ser um líder que valha a pena seguir numa sociedade de elevada cultura e rivalidade cruel. Que virtudes devem ser cultivadas, como contribuir para uma sociedade harmoniosa, quais são as coisas mais importantes na vida. Indiferente aos credos religiosos, mas firme defensor da tradição, Confúcio acentua o poder da sociedade para formar indivíduos sensíveis, respeitadores e virtuosos. Em muitos aspectos, Confúcio aborda directamente questões dos nossos dias – tais como valorizar aqueles que nos rodeiam, educar a próxima geração e criar um mundo em que as pessoas sejam motivadas a agir da forma mais correcta. Este livro, uma magnífica introdução a um clássico intemporal, contém um esclarecedor prefácio de Michael Puett, coautor de O Caminho da Vida: O que os filósofos chineses nos podem ensinar sobre a arte de bem viver. Nesta edição, o texto original de Confúcio, em chinês, foi artisticamente incluído em estreitas barras laterais em cada uma das páginas, tornando-a assim mais rica para leitores e estudantes de chinês, sem contudo os distrair das vinhetas. A presente edição foi traduzida da edição inglesa, brilhantemente traduzida do chinês por Brian Bruya, que é também autor da introdução.

Confúcio - Os Anacletos, C. C. Tsai, Presença, 228 pp., p&b, capa flexível, 16,90€

21 de setembro de 2019

Undertaker #1 - O devorador de ouro

A Ala dos Livros inicia a publicação de Undertaker, um western de Xavier Dorison (argumento) e Ralph Meyer (desenho), com três tomos publicados até à data no mercado francófono. O primeiro ("Le mangeur d'or"), agora editado, é de 2015 e inicia o relato da história de Jonas Crow, cangalheiro, encarregado de proceder ao enterro de um antigo milionário que quer ser sepultado no filão que, outrora, originou a sua fortuna. Os preparativos do funeral, que deviam desenrolar-se de forma tranquila, acabam por ser perturbados por um pormenor: de forma a poder levá-lo consigo para a eternidade, Joe Cusco engoliu, antes de morrer, todo o ouro que tinha. Mas este segredo acaba por ser descoberto, provocando a ira dos mineiros de Anoki City. Como é possível deixar enterrar uma tal fortuna quando, para sobreviver, os mineiros têm de suar sangue e lágrimas dentro dos filões? Como Jonas afirma, “a morte nunca vem só…

Undertaker #1 - O devorador de ouro, Xavier Dorison e Ralph Meyer, Ala dos Livros, 64 pp., cor, capa dura, 16,95€

20 de setembro de 2019

Greg Capullo - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Gregory Capullo
Desenhador, argumentista
(EUA) Schenectady, Nova Iorque, 30 de Março de 1962

O primeiro trabalho de Greg Capullo em banda desenhada é uma série de terror denominada Gore Shriek (1986-1991), publicada pela loja de banda desenhada FantaCo Enterprises. A partir de 1990, começa a trabalhar para a Marvel, onde se destaca pelo seu seu trabalho nas revistas Quasar e X-Force. Em 1993, Todd McFarlane, um dos co-fundadores da Image, convida Capullo a ilustrar a sua série Spawn, iniciando no #16 da revista, sendo o desenhador que mais números de Spawn ilustra nos primeiros 100 números da série. Paralelamente, desenha também outros spin-offs, incluindo a minissérie The Creech, que cria, escreve e desenha. Em 2011, é convidado para trabalhar como ilustrador da série Batman da fase Novos 52, com argumento de Scott Snyder, desenhando a quase totalidade dos números da série. Posteriormente, co-cria com Mark Millar a minissérie Reborn (2016-2017) para a Image. Entretanto, trabalha para a DC Comics, principalmente em projectos ligados ao personagem Batman.

Séries publicadas em Portugal: 
Batman, Reborn

[actualizado em 20.09.2019]

19 de setembro de 2019

Colecção Novelas Gráficas #12 – Neve nos Bolsos

Já está nas bancas o penúltimo volume da 5ª  série da colecção Novela Gráfica, numa parceria editorial da Levoir e do jornal Público. Neve nos Bolsos, da autoria de Kim, é um relato autobiográfico onde nos conta os seus anos como imigrante na Alemanha.  

Joaquín Aubert Puig-Arnau, conhecido no mundo da banda desenhada como Kim, é um autor e desenhador sobejamente conhecido dos leitores portugueses. Kim é o desenhador de A Arte de Voar e A Asa Quebrada, obras com argumento de Antonio Altarriba e já anteriormente editadas pela Levoir e o Público.  Em 2010, recebeu o Premio Nacional del Cómic pela primeira destas duas obras.

Outubro de 1963, numa estrada no sul de França, o jovem Joaquim Aubert, ainda não conhecido como Kim, pede boleia. Joaquim chega a terras germânicas, como tantos outros espanhóis que atravessaram a Europa à procura de trabalho.  Ele não emigrou por necessidade, não tinha uma situação pessoal desesperada como muitos dos seus companheiros no albergue de Remscheid, ele tinha um lugar para voltar, ao contrário de alguns dos seus compatriotas, que se viram obrigados a fugir de um país esmagado pela ditadura franquista.

Através das suas memórias de juventude, cheias de momentos ternos, divertidos, e também duros e tristes, ele traça-nos um retrato autobiográfico da sua vida na Alemanha e das vivências de outros espanhóis que emigraram com o mesmo objectivo, ganhar a vida.

De uma maneira despojada de sentimentalismos, e sem qualquer intenção de julgamento, Kim faz desfilar perante os olhos do leitor todo o tipo de personagens o que permite ter uma visão do que era a realidade da Espanha da época.

Colecção Novelas Gráficas #12: Neve nos Bolsos, Kim, Levoir/Público, 192 pp., p&b, capa dura, 10,90€

18 de setembro de 2019

Adrian Alphona - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Desenhador
(Canadá) Toronto

O trabalho mais famoso de Adrian Alphona é a cocriação com Brian K. Vaughan da série Runaways para a chancela Tsunami da Marvel. Os criadores foram os autores dos diferentes números desde o seu início (Abril de 2003) até ao #24 da segunda série, distribuído no final de 2006. Alphona deixa de trabalhar em BD, com exceção de algumas capas. Regressa no one-shot Captain Britain and MI-13 Annual, em 2009. Começa de novo a colaborar regularmente com a Marvel com os seis números que ilustra para a segunda série de Uncanny X-Force, em 2013. Em 2014, torna-se o principal ilustrador das terceira e quarta séries de Ms. Marvel.

Séries publicadas em Portugal:
Ms. Marvel

Top das vendas de BD em França de 2 a 8 de Setembro de 2019

1º lugar (=) [2ª semana]
Les Indes fourbes #1
Juanjo Guarnido, Alain Ayroles
DELCOURT

2º lugar (=) [2ª semana]
XIII #25: The XIII History
Iouri Jigounov, Yves Sente
DARGAUD

3º lugar (novo)
Centaurus #5: Terre de mort
Zoran Janjetov, Leo, Rodolphe
DELCOURT



17 de setembro de 2019

Revista do Clube Tex Portugal #10

Como associado do Clube Tex Portugal, recebi o 10º número da revista correspondente ao primeiro semestre de 2019. 

A capa é uma ilustração original de Sérgio Streiechen.

O sumário deste número é o seguinte:
  • GIACOMO DANUBIO – Mario João Marques 
  • A OUTRA FACE – Sérgio Maderia de Sousa 
  • COMANCHE, UMA HEROÍNA NO OESTE – Rui Cunha 
  • O MURRO DE TEX A CARSON CENSURADO – José Carlos Francisco 
  • A MENSAGEM DOS DAKOTAS – Jesus Nabor Ferreira 
  • A CENSURA NOS QUADRINHOS – João Marin 
  • UM COZINHEIRO NA CORTE BONELLI – Júlio Schneider 
  • EL MORISCO – Moreno Burattini 
  • OS DESENHADORES DE TEX – ENSAIOS BIOGRÁFICOS – AURELIO GALLEPPINI – Jorge Machado-Dias 
  • GALERIA TOYBROKER – Ricardo Leite 
Revista do Clube Tex Portugal #10, 52 pp., cor, exclusivo para os associados

Bia e o Unicórnio: A Tempestade Mágica

A Nuvem de Letras acaba de editar o 6º volume em português da série de Dana Simpson, Bia e o Unicórnio.

Neste volume, "A Tempestade mágica", explica que nem todas as tempestades são o que parecem. E o pior é quando deixam a Pureza de Narinas Celestiais sem magia! Vem descobrir como é que a Bia e o Unicórnio desvendam este mistério. OS UNICÓRNIOS EXISTEM! E são óptimos amigos, Mas também um bocado snobs.

Bia e o Unicórnio: A Tempestade Mágica, Dana Simpson, Nuvem de Letras, 160 pp., cor, capa flexível, 13,90€

16 de setembro de 2019

P. Craig Russell - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Desenhador, Argumentista
(EUA) Wellsville, 30 de Outubro de 1951 

Formado em pintura pela Universidade de Cincinnati, Russel faz de tudo na banda desenhada. Após  distinguir-se ao serviço da Marvel pelo trabalho com Killaraven e Doctor Strange, faz adaptações de óperas de Mozart (A Flauta Mágica), Strauss (Salomé) e Wagner (O Anel dos Nibelungos). Craig é autor dos cinco volumes da adaptação em banda desenhada dos Contos de Fadas de Oscar Wilde, colaborando em Batman, Conan, Hellboy, The Spirit, Morte e Sandman. O seu trabalho mais recente inclui adaptações em banda desenhada de Coraline e The Graveyard Book de Neil Gaiman.

Séries publicadas em Portugal:
Batman, Contos de Fadas de Óscar Wilde, Deuses Americanos, Hellboy, Sandman

[actualizado em 16.09.2019]

15 de setembro de 2019

Monstress - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Heroic-Fantasy
(EUA) Monstress, 4 de Novembro de 2015
Sana Takeda (desenho) e Marjorie Liu (argumento)
Estreia em Portugal: Álbum Saída de Emergência, Julho de 2017

Num mundo alternativo de beleza art déco inspirado na Ásia oriental, uma história de coragem, vingança e compaixão… Maika Meiolobo é uma adolescente que sobreviveu a uma guerra cataclísmica entre humanos e arcânicos, uma raça híbrida que descende dos Anciãos. Escravizada por bruxas inimigas que suspeitam dos seus poderes latentes, Maika começa a desvendar o seu misterioso passado e, durante o processo, descobre que tem uma ligação psíquica com uma poderosa criatura de outro mundo. Perante a opressão e o terrível perigo, Maika torna-se caçadora e presa, perseguida por aqueles que desejam usá-la, colocando-a no centro de uma guerra devastadora entre forças humanas e sobrenaturais. Enquanto isso, o monstro no seu interior começa a despertar… Em 2017 e 2018, a série recebeu 5 Eisner Awards, 3 Hugo Awards, 2 British Fantasy Awards e 1 Harvey Award.

Quadriculografia portuguesa:
  1. Despertar (Awakening), 2016 [2017]
  2. O sangue (The Blood), 2017 [2018]
  3. Refúgio (Haven), 2018 [2019]
[actualizado em 15.09.2019]