A análise das obras de e sobre banda desenhada lançadas em Portugal oferece um panorama detalhado sobre a produção e distribuição desse género no país, com base em dados atualizados sobre as 427 obras catalogadas, um número ligeiramente inferior às 441 publicadas no ano anterior. A análise será dividida em várias vertentes, incluindo a distribuição das obras por editoras, por temas, pelo número de páginas publicadas e pelos preços praticados, fornecendo uma visão abrangente das tendências e do panorama atual do setor.
O primeiro ponto de análise foca a distribuição das obras pelas editoras, com o objetivo de compreender quais são as editoras mais ativas na publicação de banda desenhada e como elas influenciam as escolhas de conteúdo e a diversidade do mercado. Além disso, será explorada a variedade temática das obras, revelando como os temas abordados nas publicações variam e quais se destacam em termos de popularidade ou inovação. A análise do número de páginas publicadas por obra permite entender o formato predominante no mercado e as preferências dos leitores, enquanto o estudo dos preços pode oferecer insights sobre o posicionamento comercial das editoras e as condições de acessibilidade para o público.
As obras lançadas em 2025 podem ser consultadas na base de dados deste blogue.
O mercado editorial de banda desenhada em Portugal tem experimentado uma crescente diversificação e um ligeiro aumento no valor das edições ao longo dos últimos anos. Em 2024, o valor total das edições atingiu 7.200,61€, com um preço médio por edição de 17,61€. Esse valor médio sugere um padrão de edições que, embora não sejam das mais acessíveis, mantêm-se dentro de um limite razoável para as edições de qualidade superior, como os álbuns e volumes encadernados.
O ranking das editoras que dominaram o cabaz de compras de BD no ano de 2024 foi liderado pela Devir, com um total de 899,45€, seguida de perto pela ASA com 791,31€, e a Ala dos Livros em terceiro, com 613,21€. A Devir manteve uma posição de destaque, o que reflete não só a popularidade dos seus lançamentos de mangas, mas também o seu forte apelo entre os leitores portugueses.
Já em 2025, o cenário mostra um leve crescimento no valor total das compras, que alcançou 7.118,53€, e uma ligeira redução no preço médio por edição, que passou para 16,67€. Esse ajuste no preço médio indica uma tentativa das editoras de se adaptarem ao mercado e de oferecerem um produto que combine qualidade com preços mais acessíveis para manter a competitividade no setor.
Quando se observa o desempenho das editoras em 2025, a Devir mantém-se na liderança, com um total de 1.354,63€ em lançamentos, mostrando um volume de vendas ainda considerável, embora um aumento moderado se possa notar em relação ao ano anterior. A ASA segue em segundo lugar com 799,35€, reflectindo a força contínua da BD franco-belga, enquanto a A Seita, somando a co-edição, apresenta uma marca de 548,66€. Este crescimento da A Seita aponta para uma crescente procura por edições alternativas e diferenciadas, que atraem um público mais específico.
Uma análise interessante sobre o preço por página das edições de BD em 2024 e 2025 revela uma tendência clara: as editoras de manga apresentam os custos mais baixos por página, uma característica que pode ser atribuída à economia de escala, ao tamanho reduzido das edições e, em grande parte, à impressão a preto e branco, que reduz os custos de produção.
Veja como se distribuem os preços por página das editoras mais relevantes do mercado:
• A Seita: 0,14€/página, com um cabaz de compras de 548,60€ e 3.994 páginas publicadas.
• ASA: 0,13€/página, com um cabaz de 794,35€ e 6.111 páginas publicadas.
• Devir: 0,06€/página, com um cabaz de 1.354,63€ e um total impressionante de 24.325 páginas publicadas.
• Distrito Manga: 0,06€/página, com 391,25€ em compras e 6.200 páginas publicadas.
Se compararmos os mangas, como os lançados pela Devir e pela Distrito Manga, vemos que ambas apresentam um custo de 0,06€/página, o que as coloca no topo da lista em termos de eficiência de custo. Isso pode ser atribuído ao fato de que as edições de manga, em sua maioria, possuem formato menor, menos cores (ou nenhuma), e estilo gráfico mais simples, o que facilita uma produção em maior escala e, consequentemente, reduz os custos unitários.
Por outro lado, editoras como a Ala dos Livros, com 0,23€/página, e Levoir, com 0,20€/página, têm valores mais elevados, o que pode reflectir em edições de maior qualidade gráfica, como a utilização de cores e papel de melhor qualidade, além de uma produção mais limitada.
O preço por página mais baixo nas editoras de manga pode ser explicado também pela sua produção em grande escala, uma prática comum no mercado de manga, que permite a impressão de grandes tiragens a um custo reduzido. Além disso, muitos dos títulos de manga são populares a nível mundial, o que gera uma maior procura e, consequentemente, mais negócios internacionais. Isso contribui para a redução dos preços, fazendo com que o produto seja acessível para um público mais amplo e, por sua vez, sustentando o ciclo de vendas e produção.
Embora as editoras de manga ofereçam preços mais acessíveis, as editoras de BD franco-belga ou de autor, como a ASA, A Seita e Levoir, apresentam preços mais altos por página, muitas vezes devido à qualidade superior da impressão ou ao tamanho das edições, que são, geralmente, mais robustas e com um número maior de páginas. Essas editoras optam por um público disposto a pagar um pouco mais por produtos de luxo ou edições especiais.
Essa disparidade no custo por página também reflete a diversificação do mercado de BD, que vai além de uma simples comparação de preço. Os leitores estão cada vez mais exigentes e, embora as edições de manga sejam acessíveis, há também um mercado robusto para edições de autor, coletâneas e obras de arte, que exigem uma produção mais cuidada e, consequentemente, mais cara.
O mercado editorial de BD em Portugal continua a ser marcado pela diversidade de preços e qualidades, e as editoras de manga, com seus custos por página mais baixos, têm um papel fundamental na popularização da BD. A Devir e a Distrito Manga são bons exemplos de como a economia de escala e a impressão em maior quantidade podem resultar em preços mais acessíveis, sem comprometer a qualidade do produto.
Por outro lado, editoras como a Ala dos Livros, Levoir e A Seita, com preços mais elevados por página, atendem a um público disposto a investir em edições especiais e mais detalhadas, que oferecem não apenas histórias de qualidade, mas também um acabamento premium.
Este equilíbrio entre preço, qualidade e volume de produção garante um mercado editorial de BD em Portugal mais dinâmico e acessível, com opções para todos os tipos de leitores, desde os mais exigentes até os que buscam algo mais acessível. O futuro da BD parece promissor, com cada vez mais alternativas para todos os gostos e orçamentos.

Ao olhar para a origem das obras publicadas, notamos uma clara predominância de três regiões principais: Ásia, Europa e EUA, com um pequeno espaço para outras origens, incluindo Portugal. Vamos analisar as quotas percentuais de cada uma dessas origens e o seu impacto no mercado editorial de BD em Portugal.
Ásia: O Domínio do Manga (41,8%)
A maior fatia da distribuição de obras publicadas em 2024 vem da Ásia. Esta predominância é facilmente explicada pelo enorme impacto do manga japonês, que continua a ser uma das principais forças no mercado de BD em Portugal. Séries como Dragon Ball, One Piece, Ataque dos Titãs, e muitas outros conquistaram uma base de fãs sólida, composta por um público jovem e crescente, que se interessa por histórias que misturam ação, fantasia e drama. O preço acessível das edições de manga, somado ao formato compacto e impressão em preto e branco, contribui para a popularidade dessa origem.
Além disso, as editoras de manga como a Devir e a Distrito Manga têm desempenhado um papel essencial na difusão dessas obras em Portugal, com grandes tiragens e uma abordagem focada no público juvenil. O apelo das histórias de manga é universal, e a globalização da cultura pop japonesa é um fenómeno que tem influenciado diretamente o consumo de BD no país.
Europa: A Tradição e Diversidade Europeia (36,6%)
A Europa ocupa o segundo lugar na origem das obras publicadas, com 128 obras e uma quota de 36,6%. A BD europeia, especialmente a franco-belga, continua a ser uma força dominante no mercado português. Obras como Astérix, Tintin, Blake e Mortimer e O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo continuam a ser best-sellers, tanto entre o público adulto como jovem.
As editoras como ASA, Levoir e Ala dos Livros têm uma forte presença com títulos de grande qualidade gráfica e narrativa, que atraem não só leitores portugueses, mas também colecionadores. A BD europeia oferece uma mistura de romance gráfico, aventura e realismo com uma profundidade que atrai tanto os entusiastas de longa data quanto novos leitores.
EUA: O Peso do Super-herói e das Narrativas Gráficas (12,5%)
Com 44 obras publicadas (aproximadamente 12,5% do total), os EUA representam uma parte importante da oferta de BD em Portugal. O mercado norte-americano é reconhecido principalmente pelo seu vasto portfólio de super-heróis (como as edições da Marvel e da DC Comics), mas também por suas narrativas gráficas inovadoras, que têm atraído leitores adultos.
Outros: O Mercado Global e a Expansão da BD (12,2%)
Com 43 obras publicadas (aproximadamente 12,2%), as obras provenientes de outras partes do mundo, incluindo América Latina, África e Ásia fora do Japão, têm conquistado um espaço crescente no mercado português. Essas obras de autor muitas vezes apresentam perspectivas culturais e narrativas inovadoras, trazendo ao público português uma diversidade de experiências e estilos.
Portugal: O Crescimento da Produção Nacional (5,6%)
Por fim, a produção de BD nacional continua a crescer, representando 69 obras publicadas, o que equivale a 5,6% do total. Embora ainda seja um segmento relativamente pequeno em comparação com as origens estrangeiras, a produção de BD em Portugal tem mostrado uma evolução positiva, com novas vozes a emergirem e a encontrar o seu público. Títulos de autores portugueses, muitas vezes com temas locais e contemporâneos, têm atraído a atenção de leitores e críticos, destacando-se no panorama da BD nacional.
O mercado de BD em Portugal reflete uma realidade globalizada e diversificada, onde obras de diversas origens culturais se misturam para criar um panorama editorial vibrante. O manga japonês continua a ser o líder de vendas, mas a BD europeia mantém-se como um pilar fundamental, com títulos icónicos que continuam a cativar gerações. A produção nacional cresce aos poucos, enquanto as obras de outros países trazem novas perspectivas e enriquecem a oferta.
Essa diversidade, tanto em origem quanto em estilos, demonstra o apetite crescente do público português por novas experiências gráficas, e a BD continua a ser um espaço de inovação e experimentação. Com o mercado cada vez mais dinâmico e competitivo, espera-se que o futuro da BD em Portugal seja ainda mais plural, com mais obras internacionais e nacionais a conquistarem os leitores portugueses.

A banda desenhada (BD) em Portugal apresenta uma rica diversidade de géneros, refletindo a crescente variedade de interesses do público e a evolução do mercado editorial. Em 2025, a distribuição dos géneros das obras publicadas mostrou uma ampla gama de estilos e temáticas, desde os clássicos do infanto-juvenil até as mais modernas novelas gráficas e obras independentes.
Vamos analisar as quotas percentuais de cada género e perceber como o mercado da BD se diversifica em Portugal.
Infanto-juvenil: O Género de Maior Apelo (15,1%)
Com 50 obras publicadas, o género infanto-juvenil lidera o panorama editorial de BD em Portugal, representando 15,1% do total de publicações. Este género continua a ser um dos pilares fundamentais da BD no país, com uma oferta de histórias que cativam as novas gerações e incentivam a leitura entre os mais jovens. Obras com personagens e universos cativantes, como Adèle e Hooky, continuam a figurar no topo das vendas, mas também há uma crescente produção de BD com temas educativos, de amizade e aventura.
Manga: O Fenómeno em Ascensão (38,0%)
O manga continua a ser uma grande tendência, ocupando 126 obras publicadas e representando impressionantes 38% do total. Este género, originário do Japão, tem uma base de fãs jovem e entusiasta em Portugal, com títulos de grande sucesso como Dragon Ball, My Hero Academia, One Piece, e outros que têm conquistado uma legião de leitores fiéis. O preço acessível, o formato compacto e o apelo visual e narrativo do manga têm contribuído para o seu crescimento no mercado português. Editoras como a Devir e a Distrito Manga têm se destacado neste segmento, com títulos traduzidos que alcançam um público crescente e cada vez mais interessado.
Adaptação de Obra Literária: O Encontro Entre a Literatura e a Imagem (5,1%)
Com 17 obras publicadas, o género de adaptação de obra literária representa 5,1% das publicações. Este género tem visto um crescimento contínuo, com obras que trazem à BD clássicos da literatura ou romances contemporâneos, permitindo que os leitores explorem essas narrativas sob uma nova perspectiva visual. A adaptação de grandes clássicos, como O Corcunda de Notre Dame ou D. Quixote de La Mancha atraem tanto os amantes de literatura quanto os fãs de BD.
Humor: A Alegria da BD (6,9%)
O género de humor, com 23 obras publicadas (representando 6,9% do total), continua a ser um pilar tradicional da BD em Portugal. Títulos como Peanuts, Mafalda e Astérix têm conquistado um público amplo devido à sua combinação de humor leve, caracteres cativantes e comentários sociais bem humorados. A BD humorística continua a ser uma forma de entretenimento acessível e universal, capaz de cativar tanto jovens como adultos.
Novela Gráfica: O Crescimento das Narrativas Sérias e Artísticas (8,4%)
As novelas gráficas, com 28 obras publicadas (aproximadamente 8,4% do total), têm vindo a ganhar cada vez mais destaque no mercado português. Estas obras, que abordam temas mais sérios e complexos, são muitas vezes direcionadas a um público adulto, e a sua arte refinada e narrativas profundas têm atraído leitores em busca de histórias mais sofisticadas e de reflexão. Obras como Caderno Azul, Não eras tu quem eu esperava e Um oceano de amor são exemplos desse movimento crescente que eleva a BD a uma forma literária e artística de grande reconhecimento.
Biografia: O Poder das Histórias Reais (3,9%)
Com 13 obras publicadas, o género de biografia representa 3,9% do total. A BD biográfica é um género que tem vindo a crescer, especialmente com obras que contam a vida de figuras históricas ou artistas célebres, muitas vezes de forma acessível e emocionante. Este género permite ao público conhecer grandes histórias reais através de uma linguagem visual envolvente, como é o caso de Hitler, Nellie Bly, ou até mesmo biografias de figuras contemporâneas. A produção de BD de autor em Portugal também tem dado maior destaque a essas histórias.
Outros Géneros: A Diversidade do Mercado (32,4%)
Finalmente, temos a categoria Outros, com 108 obras publicadas, representando 32,4% do total. Esta grande variedade de géneros inclui desde aventura, western, ficção científica, até mesmo títulos mais experimentais e independentes. Géneros como o western (12 obras), ficção científica (9 obras) e aventura (12 obras) ainda têm uma presença significativa, mas, em comparação com os géneros mais populares, representam uma menor fatia do mercado. O género independente (18 obras) também tem ganhado relevância, refletindo a crescente produção de BD de autor e as obras alternativas que buscam novas formas de expressão.
O mercado de BD em Portugal continua a se diversificar, com múltiplos géneros a atrair diferentes públicos e interesses. O manga continua a ser o género dominante, com uma quota significativa de mercado, mas outros géneros, como o infanto-juvenil, a novela gráfica e o humor, também têm um papel crucial na construção do panorama editorial de BD. A adaptação de obras literárias e as biografias representam nichos interessantes que têm vindo a crescer, enquanto os géneros mais tradicionais, como o western e a ficção científica, mantêm-se com uma base fiel de leitores.
Esta variedade de géneros não só reflete a dinâmica do mercado, mas também a crescente democratização da BD, que se tornou um meio de expressão para todos os gostos e faixas etárias. Com a evolução constante do mercado e a crescente diversificação das ofertas editoriais, a BD em Portugal continua a conquistar leitores de todos os tipos e idades, e o futuro da banda desenhada no país promete ser cada vez mais vibrante e plural.
Em relação ao perfil do leitor de banda desenhada em Portugal, nota-se uma diversificação crescente no público. O consumidor português de BD não se limita a um único tipo de obra, mas abrange uma variedade de estilos, desde os mangas japoneses até à BD franco-belga e aos álbuns ilustrados de autor.
A base de fãs da BD clássica, como Astérix e Tintin, continua forte, composta por leitores mais velhos e por pais que transmitem esse gosto às gerações mais novas. No entanto, o público tem-se tornado mais jovem e mais eclético, com um interesse crescente por obras de autores independentes, como O Menino, a Toupeira, a Raposa e o Cavalo, que apela a uma sensibilidade artística e emocional, e por títulos mais contemporâneos e alternativos, como os lançados por editoras como A Seita.
Além disso, as novas edições de mangas, lideradas por editoras como a Devir, continuam a captar a atenção de um público jovem, geralmente composto por leitores entre os 15 e 30 anos. A presença de colectâneas e edições de luxo tem atraído também o público colecionador, que valoriza tanto o conteúdo quanto a qualidade e apresentação das edições.
Outro factor importante é o crescimento das vendas online, que tornou a BD mais acessível a um público nacional que, em anos anteriores, talvez tivesse mais dificuldade em aceder a títulos específicos. A presença de lojas especializadas e plataformas de venda online tem sido crucial para o aumento da procura, sobretudo em períodos festivos e durante o lançamento de títulos aguardados.
O mercado de BD em Portugal continua a expandir e a evoluir, com um público cada vez mais diversificado e exigente. Editoras como a Devir, ASA e A Seita têm demonstrado grande capacidade de adaptação às necessidades dos leitores, com lançamentos estratégicos e uma variedade de títulos que vão de clássicos atemporais a obras inovadoras.
Ao longo de 2024 e 2025, observamos que o preço das edições se ajustou para se manter competitivo, sem comprometer a qualidade. A crescente presença de títulos de autor e de edições alternativas também mostra que a BD está a ganhar espaço como uma forma de arte apreciada por um público diverso, que vai muito além dos estereótipos do coleccionador tradicional.
Portanto, à medida que o mercado continua a crescer e a se diversificar, será fascinante observar como a BD em Portugal se adapta às novas tendências globais e ao interesse do público português. O futuro parece promissor para as editoras que souberem equilibrar qualidade, inovação e preço justo. O 2026 promete trazer novos desafios, mas também muitas oportunidades para um mercado que já está a se afirmar como um dos mais vibrantes e dinâmicos do setor editorial.
Sem comentários:
Enviar um comentário