Originalmente publicado em 2019 no Japão, este volume é mais uma obra onde o autor utiliza o medo e a repulsa para explorar temas como a obsessão e a busca desesperada por um amor impossível. Ryusuke, o protagonista, regressa a uma cidade onde já viveu e começa a ouvir rumores inquietantes sobre suicídios ligados a estranhas Leituras na Encruzilhada. Estas leituras são feitas por um rapaz misterioso, vestido de preto, que revela o destino dos indivíduos que procuram saber sobre o seu futuro, levando-os a uma espiral de loucura e obsessão pelo seu amor.
A premissa é simples, mas assustadoramente eficaz. Os que recebem a leitura tornam-se obcecados pela ideia do objeto de seu amor de tal maneira que a linha entre a paixão e a autodestruição desaparece. O terror começa a crescer à medida que a história de Ryusuke se entrelaça com o mistério por trás deste rapaz de preto, que parece ter uma ligação direta com a tragédia que assola os habitantes da cidade.
Em cada uma das histórias que compõem As Angústias Amorosas dos Mortos, Ito dá uma nova reinterpretação ao conceito de “amor impossível”. Os cenários grotescos e os personagens desfigurados pelas suas próprias obsessões criam uma atmosfera insuportavelmente tensa, onde a linha entre o amor e a loucura é constantemente ultrapassada. O autor utiliza, como sempre, o seu estilo visual único, com figuras distorcidas e cenas de horror que capturam o leitor de maneira quase visceral.
O que torna este volume ainda mais impactante é a maneira como Ito mistura o sobrenatural com o humano, criando uma metáfora para as obsessões que todos nós podemos experimentar — mas que, no universo de Junji Ito, são levadas ao extremo. O amor aqui não é apenas uma emoção, mas uma força aterradora, capaz de destruir vidas e corações, fisicamente e psicologicamente.
As angústias amorosas da morte, Junji Ito, Devir, 406 pp., p&b, capa mole, 20€






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