31 de janeiro de 2026
Blue Exorcist – Volume 30: O Confronto Final Pelo Destino da Humanidade
Neste tomo, a batalha que tem consumido a série chega a um ponto crítico: embora Rin Okumura e os seus companheiros tenham conseguido destruir a forma física de Satanás, o Rei Demónio inicia um processo devastador, devorando a própria Terra em busca de um novo corpo para se reerguer. Antes de morrer, um sábio confia a Shiemi Moriyama a missão de selar Satanás, depositando nela uma responsabilidade esmagadora. Dividido e hesitante, o exército de selamento que deveria enfrentar a ameaça recua, indeciso sobre o que fazer perante o cataclismo iminente.
É então que a voz de Shiemi ecoa com determinação, alcançando Rin e o resto dos exorcistas, reacendendo a chama de resistência nos corações dos seus aliados. À medida que a história se desenrola, o confronto final aproxima-se a passos largos, e o destino do mundo permanece numa balança frágil, cheia de incerteza e tensão.
O volume 30 de Blue Exorcist intensifica a luta entre o bem e o mal como nunca antes, mostrando que mesmo quando tudo parece perdido, a coragem e a fé podem reacender a esperança. A obra continua a explorar temas de lealdade, sacrifício e a eterna batalha pela salvação da humanidade — num crescendo que prepara os leitores para os episódios finais desta jornada memorável.
Blue Exorcist #30, Kazue Kato, Devir, 198 pp., p&b, capa mole, 9,99€
Kaiju Nº 8 – Volume 10: Hoshina Entra em Acção e o Conflito Alcança um Novo Patamar
Neste tomo, assistimos a Hoshina a vestir a poderosa “Numbers 10” para enfrentar um cataclismo sem precedentes. Pela primeira vez na história da série, um combatente entra em batalha com uma arma de Kaiju dotada de vontade própria, o que torna o confronto extremamente complexo e perigoso. Apesar das dificuldades, a perspicácia e o espírito de Hoshina permitem que a ofensiva seja lançada, abrindo caminho para momentos verdadeiramente intensos. Mas a acção não se restringe a Hoshina. Na zona de Oizumi, onde se encontra Kafka, a situação agrava-se dramaticamente com o aparecimento de seis Kaijus colossais que empurram o conflito para um novo patamar de perigo e urgência. Quando tudo parece perdido, surge uma ajuda inesperada que muda o rumo dos acontecimentos e reacende as esperanças de vitória.
No coração deste volume está também a colisão decisiva dos planos do Kaiju N.º 9, cujas intenções ameaçam transformar o campo de batalha numa verdadeira tempestade de desafios para os nossos heróis. A combinação de estratégias imprevisíveis e inimigos formidáveis cria uma narrativa tensa, repleta de suspense e momentos que prendem o leitor até à última página.
Kaiju Nº 8 #10, Naoya Matsumoto, Devir, 192 pp., p&b, capa mole, 9,99€
30 de janeiro de 2026
Frieren – Volume 7: A Jornada Continua Entre Encontros, Memórias e o Peso do Tempo
Ao longo do volume, Frieren prossegue a sua jornada rumo a Aureole depois de concluir o exigente exame de magia. Pelo caminho, o que mais se destaca não são apenas as paisagens e desafios, mas os encontros e despedidas que pontuam o trajecto. Cada nova personagem ou reencontro traz de volta não só rostos conhecidos, mas também as palavras, os afectos e as memórias dos heróis do passado — aqueles que partilharam grandes feitos e cujas vozes continuam a ecoar na mente de Frieren.
Este volume aprofunda de forma sensível o lado emocional da narrativa. Aqui, não se trata apenas de aventuras ou combates mágicos: trata-se de explorar o “coração” daqueles que viveram muito e agora enfrentam o peso do tempo, da perda e da memória. Frieren, com a sua longevidade quase imortal, é confrontada com o facto de que o tempo dos seus companheiros foi sempre finito, e são esses momentos de lembrança — as despedidas, as conversas tardias, as reflexões silenciosas — que dão força e significado à sua caminhada. O 7.º volume reafirma que Frieren não é apenas um conto de fantasia tradicional: é uma obra que nos convida a refletir sobre a transitoriedade da vida, a emoção de recordar os que amámos e o desafio de honrar essas memórias enquanto se avança. É uma leitura recomendada tanto a fãs da série como a quem procura histórias que toquem verdadeiramente o coração.
Oshi no Ko – Vol. 5: Sucesso, Expectativas e Drama no Palco
Neste tomo, acompanhamos Aqua e Ruby já a colher os frutos do seu esforço: ambos continuam a actuar com sucesso, solidificando as suas carreiras no meio artístico com performances que prendem a atenção dos fãs e dos críticos. Ruby, em particular, vive um momento muito especial com o seu grupo, a renovada B-Komachi. Depois de um primeiro espectáculo cheio de energia e impacto, as expectativas em torno da banda só crescem, sinalizando que este pode ser o início de uma ascensão meteórica no universo idol.
Por outro lado, Aqua vê surgir um projecto excitante e desafiador: a sua participação numa peça de teatro “2,5D” — um tipo de espectáculo que mistura actores reais com elementos estilísticos típicos dos mundos do manga e do anime. Este novo desafio promete ser mais do que uma simples actuação. Akane Kurokawa — que se tornou a “namorada” de Aqua durante um popular reality show — junta-se ao elenco, assim como Kana Arima, uma actriz que não esconde o quanto está apaixonada por ele. Esta conjunção de sentimentos, rivalidades e relações complicadas prepara o terreno para uma boa dose de confusão emocional e narrativa intensa dentro e fora do palco.
Oshi no Ko #5, Aka Akasaka e Mengo Yokoyari, Devir, 192 pp., p&b, capa mole, 10€
29 de janeiro de 2026
SHI - Livro 2
Shi – Livro Dois, Josep Horms e Zidrou, Ala dos Livros, 128 pp., cor, capa dura, 32€
28 de janeiro de 2026
Crianças do Mar - Ensaio de quadriculografia portuguesa
Manga
Kaijū no Kodomo
(Japão), Monthly Ikki, 2005
Daisuke Igarashi
Estreia em Portugal: Álbum Devir, Outubro de 2024
A obra acompanha Ruka, uma rapariga que, durante as férias de Verão, conhece dois irmãos misteriosos, Umi e Sora, criados em contacto íntimo com o oceano. A partir desse encontro, a narrativa mergulha numa história profundamente poética e simbólica, onde o mar, a vida, a humanidade e o cosmos se entrelaçam, explorando temas como a origem da existência, a ligação entre o ser humano e a natureza e o lugar do homem no universo.
Quadriculografia portuguesa:
- Volume 1, Álbum Devir [2024]
- Volume 2, Álbum Devir [2025]
- Volume 3, Álbum Devir [2025]
- Volume 4, Álbum Devir [2026]
Crianças do Mar #4
Originalmente publicada no Japão entre 2007 e 2011, Crianças do Mar (Kaijū no Kodomo) é composta por cinco volumes e destacou-se desde cedo pela sua abordagem profundamente contemplativa da relação entre o ser humano, a natureza e o oceano. Longe das convenções mais comerciais do mangá, Daisuke Igarashi constrói uma narrativa densa, simbólica e visualmente deslumbrante, onde o mar surge não apenas como cenário, mas como força viva e espiritual.
A edição portuguesa do volume 4 tem lançamento previsto para finais de Janeiro de 2026, dando continuidade ao trabalho de tradução e publicação iniciado pela Devir em Outubro de 2024. Até ao momento, os três primeiros volumes já se encontram disponíveis, permitindo aos leitores acompanhar o percurso de Ruka Azumi, uma jovem que, durante um verão marcado por conflitos pessoais, se cruza com Umi e Sora, dois rapazes misteriosos com uma ligação inexplicável ao oceano e às suas criaturas.
No volume 4, a narrativa acelera e aproxima-se de um ponto de ruptura. O evento principal aproxima-se. A tensão sente-se desde as primeiras páginas: no iate, Anglade recebe o convite, enquanto Kanako e Dede partem em busca de Ruka e Umi. As peças começam finalmente a mover-se em direcção a um confronto inevitável, tanto no plano pessoal como no simbólico.
Este volume aprofunda também os conflitos do passado, levantando questões que ecoam ao longo de toda a obra. O que causou a divergência definitiva entre Jim e Anglade? Entre planos desencontrados e mudanças aceleradas no mar, a narrativa regressa à origem dessa fractura. Tudo começou há seis anos, na Antártida, num momento-chave que ajuda a compreender não só o afastamento entre as personagens, mas também o rumo inquietante que o oceano — e a própria humanidade — parece estar a tomar.
Acompanhando estes acontecimentos, Daisuke Igarashi mantém o seu traço fluido e expressivo, capaz de transmitir emoções, silêncio e grandiosidade natural com uma força rara. A leitura torna-se cada vez mais sensorial e abstrata, exigindo do leitor atenção e disponibilidade para mergulhar num ritmo próprio, distante das estruturas narrativas convencionais.
Com a publicação do quarto volume, Crianças do Mar entra numa fase decisiva e aproxima-se do seu desfecho. Para os leitores portugueses, este lançamento representa não só a continuação de uma história marcante, mas também a confirmação do compromisso da Devir em trazer obras autorais e exigentes para o mercado nacional. Mais do que um simples mangá, Crianças do Mar afirma-se como uma experiência literária e visual profunda, que convida à reflexão sobre a vida, o planeta e o lugar que ocupamos nele.
Crianças do Mar #4, Daisuke Igarashi, Devir, p&b, 192 pp., capa mole, 20€
27 de janeiro de 2026
O regresso de Calvin e Hobbes
Este volume, originalmente publicado em inglês nos Estados Unidos com o título Attack of the Deranged Mutant Killer Monster Snow Goons pela Andrews McMeel Publishing, surgiu pela primeira vez no mercado norte-americano no início da década de 1990 — em edições que datam de 1992 e que reuniam tiras publicadas entre Junho de 1990 e Abril de 1991.
A colectânea apresenta algumas das mais divertidas aventuras de Calvin, um miúdo cheio de imaginação, e do seu amigo Hobbes, o tigre de peluche que ganha vida na sua imaginação. Neste volume, o mote são os “demónios da neve” — monstros de neve que se tornam terrivelmente (e hilariantemente) reais nas mãos de Calvin — além de outras peripécias como batalhas de bolas de neve, as desventuras no clube G.R.O.S.S. que exclui meninas, escapadas intergalácticas com o Spaceman Spiff e engenhocas como o Transmogrificador e o Duplicador.
A série Calvin & Hobbes continua a encantar pela mistura de humor, filosofia e crítica subtil, traduzindo a magia e o caos da infância em cada página. Com esta reedição, fãs antigos e novos têm mais uma oportunidade de redescobrir ou conhecer este clássico incontornável da banda desenhada.
Calvin e Hobbes: O Ataque dos Demónios da Neve, 128 pp., p&b, capa mole, 13,99€
24 de janeiro de 2026
História Alegre de Portugal em BD: aprender a rir da nossa História
Com ilustrações de Artur Correia (1932–2018) e texto adaptado da obra de Manuel Pinheiro Chagas, este título já vendeu mais de vinte mil exemplares e conheceu várias edições, sinal claro de que continua a conquistar novos leitores. Editado pela Bertrand, é um livro que atravessa gerações, mantendo intacta a sua frescura e capacidade de cativar.
A narrativa é construída em torno de um enquadramento simples e eficaz. João, um antigo mestre-escola, decide contar a História de Portugal a um grupo de habitantes da sua terra, Agualva, ao longo de dez noites. A partir desse pretexto, o leitor é conduzido numa viagem que começa antes da independência nacional e termina no reinado de D. Luís.
Reis, batalhas, intrigas, descobertas e episódios menos conhecidos surgem aqui tratados com ironia, clareza e um humor subtil que nunca desrespeita os factos históricos. O resultado é uma sucessão de episódios vivos e memoráveis, que convidam tanto ao riso como à reflexão.
A obra original de Manuel Pinheiro Chagas, escritor e político português do século XIX, ganha nova vida nesta adaptação para banda desenhada. Longe de ser uma simples transposição, trata-se de uma verdadeira recriação visual, que respeita o espírito do texto e o torna acessível a leitores de todas as idades.
O humor desempenha aqui um papel central: aproxima o leitor da História, desmonta solenidades excessivas e mostra que o passado pode ser contado com leveza sem perder profundidade.
Na Bertrand Editora, assinou obras fundamentais como História Alegre de Portugal, Heróis da História de Portugal e a memorável adaptação de O Romance da Raposa, de Aquilino Ribeiro, mais tarde convertida em animação no seu próprio estúdio.
Num tempo em que se discute a melhor forma de ensinar História, História Alegre de Portugal em BD continua a ser um exemplo luminoso. Divertida, pedagógica e visualmente marcante, esta obra prova que o conhecimento não tem de ser pesado para ser sério.
Talvez seja essa a razão pela qual continua a ser reeditada e lida: porque transforma o passado num prazer presente. Um clássico da banda desenhada portuguesa que permanece, merecidamente, sempre actual.
História Alegre de Portugal em BD, Artur Correia, Bertrand Editora, 256 pp., capa mole, cor, 19,90€
23 de janeiro de 2026
22 de janeiro de 2026
Elas #1: Miúda nova
No centro da narrativa está Ella, uma adolescente que parece encaixar perfeitamente no retrato clássico da “rapariga nova” na escola. Inteligente, espirituosa e carismática, integra-se rapidamente, faz amigos e aparenta ter uma vida normal. Mas essa normalidade é apenas a superfície de uma realidade muito mais complexa.
Ella convive, dentro de si, com cinco personalidades distintas, cada uma com a sua própria identidade, temperamento e até cor de cabelo. Nem sempre cooperantes, estas “outras Elas” tornam o quotidiano da protagonista um verdadeiro desafio, criando tensão constante em torno da possibilidade de o seu segredo ser descoberto. A série explora assim, de forma acessível ao público jovem, temas como a construção da identidade, a convivência com a diferença, a saúde mental e a aceitação de quem somos — mesmo quando isso não se enquadra nos padrões esperados.
A escrita está a cargo de Kid Toussaint, pseudónimo de Thierry Toussaint, um dos nomes mais respeitados da banda desenhada francófona contemporânea. Escritor e tradutor belga, Toussaint é uma figura central do histórico jornal Spirou e da editora Dupuis, tendo assinado diversos sucessos ao longo da sua carreira. O autor é conhecido pela sua capacidade de abordar temas complexos com sensibilidade, humor e clareza, tornando-os acessíveis a leitores jovens sem nunca os simplificar em excesso.
Na vertente visual, Aveline Stokart assume um papel fundamental. O seu traço expressivo e dinâmico dá vida às múltiplas facetas de Ella, distinguindo visualmente cada personalidade e reforçando o impacto emocional da narrativa. A ilustradora, que já colaborou com vários projectos de destaque na BD europeia, consegue equilibrar leveza e intensidade, criando páginas vibrantes que dialogam perfeitamente com o texto. Não é por acaso que Kid Toussaint já colaborou anteriormente com artistas de renome como Miss Prickly, cocriadora de A Incrível Adele, reforçando o prestígio criativo associado à série.
Elas #1: Miúda nova, Kid Toussaint e Aveline Stokart, Bertrand Editora, 96 pp., cor, capa mole, 15,50€
19 de janeiro de 2026
O Gosto pelo Cloro
Originalmente publicado em 2008, o livro narra o encontro entre dois jovens (cujo nome nunca é revelado), que se cruzam na piscina de uma forma simples, mas carregada de simbolismo. Ele nada por recomendação médica, tentando melhorar a sua saúde; ela, uma antiga campeã de natação, um pouco misteriosa e reservada, vai ajudá-lo a aperfeiçoar a sua técnica. No entanto, entre as braçadas e o toque da água, algo mais começa a nascer: uma relação subtil, onde o desejo e a sedução se misturam com a calma e a fluidez das águas.
A narrativa não é apenas sobre a técnica da natação, mas sobre os gestos, os olhares e os pequenos momentos de vulnerabilidade que se revelam entre os dois personagens. Vivès, através do seu estilo gráfico simples mas extremamente expressivo, consegue capturar a tensão emocional e a ambiguidade que existe entre eles. O desenrolar da história é pausado, quase como a própria sensação de flutuar na água, mantendo o leitor suspenso, imerso numa atmosfera de intimidade silenciosa e desejo não expresso.
A leveza da história contrasta com o que ela evoca. Ao longo da leitura, somos levados a questionar: o que acontece quando as emoções se misturam com os nossos corpos, como acontece na água? Como pode o simples contacto físico tornar-se algo mais profundo e inquietante? Este é um tema recorrente na obra de Vivès, que sabe exatamente como tornar simples momentos em experiências complexas.
Bastien Vivès é um autor com enorme notoriedade e, em Portugal, várias das suas obras foram publicadas. Além de O Gosto do Cloro, podemos encontrar Polina, Uma Irmã e dois álbuns hors-serie de Corto Maltese.
O Gosto do Cloro foi um marco na carreira de Vivès, recebendo diversos prémios e reconhecimento internacional. Entre os prémios que a obra recebeu, destacam-se:
• Prix des Libraires (2009) – Um dos mais prestigiados prémios de banda desenhada em França;
• Angoulême (2009) – A nomeação para o Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême é uma das maiores distinções que uma obra de banda desenhada pode alcançar.
O Gosto pelo Cloro, Bastien Vivés, 144 pp., cor, capa dura, 22€
18 de janeiro de 2026
Old Pa Anderson + Redenção: Hermann revisita o Oeste com maturidade e desencanto
Publicadas originalmente no final da década de 1990 e início dos anos 2000, estas histórias surgem num momento em que Hermann já se afastara definitivamente do western clássico de aventura que ajudara a popularizar com Comanche. Aqui, o Oeste é um espaço de desgaste moral, violência banalizada e personagens esmagadas pelo peso do tempo e das escolhas feitas.
Old Pa Anderson apresenta-nos uma figura central que se afasta deliberadamente do herói tradicional do género. Anderson é um velho colono, duro, autoritário e profundamente marcado por uma vida de sobrevivência num território hostil. A relação com os filhos é tensa, construída sobre ressentimentos, silêncio e violência latente.
Na altura do lançamento original, a crítica destacou a complexidade psicológica das personagens e a recusa de qualquer romantização do Oeste. Old Pa Anderson foi frequentemente descrito como um retrato implacável da figura patriarcal, onde a autoridade se confunde com tirania e onde a família surge como mais um campo de batalha.
Graficamente, Hermann apresenta aqui um desenho mais rugoso e expressivo, com cenários áridos que refletem o vazio emocional das personagens. A paisagem deixa de ser mero pano de fundo para se tornar parte integrante do drama.Redenção funciona como prolongamento temático e emocional da primeira história, aprofundando as consequências da violência e da herança moral deixada por Anderson. Se o primeiro volume é marcado pelo conflito, o segundo mergulha na culpa, no remorso e na impossibilidade de verdadeira redenção.
Aquando da sua publicação original, muitos críticos sublinharam o tom quase trágico da narrativa, aproximando-a mais do drama psicológico do que do western tradicional. Yves H. constrói um argumento contido, onde os silêncios são tão importantes quanto os diálogos, e onde cada ato de violência deixa marcas irreversíveis.
A crítica da época reconheceu em Redenção uma obra dura, desconfortável, mas profundamente coerente, destacando a maturidade da dupla Hermann/Yves H. e a sua capacidade de usar o western como veículo para uma reflexão universal sobre responsabilidade e herança moral.
O volume duplo agora publicado pela Arte de Autor permite ler estas duas histórias como um todo coeso, reforçando a ideia de que estamos perante um western de desconstrução, onde não há espaço para heroísmo fácil nem para finais conciliatórios.
Na altura do lançamento original, estas obras dividiram leitores mais nostálgicos, mas foram amplamente elogiadas pela crítica especializada, que viu nelas a afirmação definitiva de Hermann como um autor que recusava repetir fórmulas e que preferia arriscar narrativamente, mesmo à custa do conforto do leitor.
Com este lançamento, a Arte de Autor continua o seu trabalho de recuperação e valorização da obra de Hermann em Portugal, oferecendo ao público uma edição que sublinha a relevância contemporânea destas histórias. Old Pa Anderson + Redenção é um livro exigente, sombrio e profundamente humano — uma leitura incontornável para quem vê na banda desenhada não apenas entretenimento, mas também um espaço de reflexão sobre a condição humana.
Mais do que um western, esta é uma história sobre pais e filhos, sobre a violência herdada e sobre a difícil — e muitas vezes impossível — ideia de redenção.
Old Pa Anderson + Redenção, Hermann e Yves H., Arte de Autor, capa dura, cor
17 de janeiro de 2026
Tokyo Revengers - Ensaio de quadriculografia portuguesa
Ken Wakui
Estreia em Portugal: Distrito Manga, Julho de 2024
- Tokyo Revengers #1 [2024]
- Tokyo Revengers #2 [2024]
- Tokyo Revengers #3 [2024]
- Tokyo Revengers #4 [2024]
- Tokyo Revengers #5 [2025]
- [2025]
- Tokyo Revengers #7 [2025]
- Tokyo Revengers #8 [2026]
Dino Attanasio (1925–2026): Adeus ao mestre da banda desenhada franco-belga
Nascido em Milão, em 1925, e radicado na Bélgica desde jovem, Attanasio foi um dos nomes associados à chamada Escola de Bruxelas, destacando-se pela elegância do traço, pela clareza narrativa e por uma versatilidade rara. Trabalhou com naturalidade tanto o humor como a aventura, deixando marca em revistas históricas como Spirou.
O seu nome ficará para sempre ligado a séries como Signor Spaghetti (com argumentos iniciais de René Goscinny) e Modeste et Pompon, mas a sua obra vai muito além de títulos específicos: Attanasio foi um desenhador de movimento, ritmo e humanidade, um verdadeiro artesão da narrativa gráfica.
A sua longeva carreira atravessou várias fases da banda desenhada europeia, e o seu trabalho continua a ser redescoberto por novas gerações de leitores e autores. Com a sua morte, desaparece mais um dos construtores silenciosos do meio — daqueles que não procuravam protagonismo, mas deixaram uma marca profunda e duradoura.
Ficam as páginas que desenhou, o prazer da leitura e a certeza de que a história da BD não se escreve sem o seu nome.
Fica aqui a quadriculografia portuguesa de Dino Attanasio.
Batman Grant Morrison - Livro 4
A misteriosa organização Black Glove acredita finalmente ter conseguido o impossível: matar o Batman. Através de manipulação psicológica, traições cuidadosamente planeadas e um ataque directo à mente de Bruce Wayne, o plano parece resultar. A narrativa avança num território onde a fronteira entre realidade e delírio se torna cada vez mais difusa, arrastando o leitor para um pesadelo desconcertante, tão instável quanto a própria psique do herói.
Curiosamente, no meio do caos, apenas o Joker acredita que o Batman ainda está vivo. Esta inversão de papéis é uma das grandes forças do argumento de Morrison: o inimigo de sempre surge como o único capaz de compreender verdadeiramente a natureza do seu oposto. Afinal, se o Batman morresse, o próprio Joker deixaria de fazer sentido. Esta dinâmica acrescenta uma camada inesperada e fascinante à relação entre ambos.
Visualmente, o volume é marcante. O desenho de Tony Daniel e Lee Garbett acompanha o tom alucinatório da história, com uma paleta de cores vibrante e por vezes quase psicadélica, que reforça a sensação de desorientação mental e colapso interno. A arte não se limita a ilustrar a narrativa — participa activamente nela, ajudando a construir a atmosfera de paranóia e decadência.
Batman Grant Morrison - Livro 4, Grant Morrisson, Tony Daniel e Lee Garbett, Devir, 152 pp., cor, capa dura, 20€
“Ataque dos Titãs” celebra marco histórico com o lançamento do 10.º volume
É neste contexto de enorme sucesso que chega agora o 10.º volume da colecção, sob o título “Fortaleza de Sangue”, um momento particularmente simbólico para fãs e coleccionadores. Este volume marca um ponto de viragem na narrativa, colocando a 104.ª divisão perante uma situação desesperada: com a Muralha Rose violada e privados de equipamento de combate, os soldados são obrigados a evacuar aldeias ameaçadas pela presença dos Titãs.
A tensão cresce quando o grupo procura abrigo no antigo Castelo de Utgard, na esperança de um breve descanso. No entanto, o que deveria ser um refúgio transforma-se num verdadeiro pesadelo quando, de forma totalmente inédita, os Titãs atacam durante a noite, um acontecimento sem precedentes que apanha todos de surpresa e aprofunda o mistério em torno da natureza destas criaturas.
Para além do impacto narrativo, esta edição comemorativa destaca-se também pelo seu conteúdo especial: inclui um marcador exclusivo, assinalando o lançamento do 10.º volume, com assinatura do autor, um detalhe pensado especialmente para os fãs mais dedicados e para os coleccionadores da série.
Mais de uma década após a sua publicação original, Ataque dos Titãs continua a provar a sua relevância cultural e literária, mantendo-se como uma obra incontornável da manga contemporânea. O lançamento de “Fortaleza de Sangue” não é apenas a celebração de mais um volume, mas também a confirmação do legado duradouro de uma história que redefiniu os limites do género.
Ataque dos Titãs, Hajime Isayama, Distrito Manga, 192 pp., p&b, capa mole, 10,95€
16 de janeiro de 2026
DEVIR arranca 2026 com Dan Da Dan e reforça aposta no mangá e na banda desenhada de autor
Publicada originalmente no Japão pela Shueisha, Dan Da Dan tornou-se num curto espaço de tempo um fenómeno global, ultrapassando os 10 milhões de exemplares vendidos e conquistando leitores muito para além do circuito tradicional do mangá. A série destaca-se pela forma como cruza acção explosiva, humor irreverente, romance adolescente, ficção científica e elementos sobrenaturais, tudo filtrado por uma sensibilidade contemporânea profundamente ligada à cultura digital, às redes sociais e ao imaginário urbano actual.
A sua adaptação a anime, exibida internacionalmente, contribuiu para consolidar o estatuto da obra como um dos títulos mais relevantes do mangá da actualidade. A chegada da edição portuguesa insere-se num contexto de crescimento sustentado do género: a banda desenhada — incluindo o mangá — foi recentemente identificada como o terceiro género literário mais vendido em Portugal, reflectindo a consolidação de novos hábitos de leitura e o interesse crescente pela produção asiática.
Paralelamente ao reforço da sua linha de mangá, a DEVIR prossegue o trabalho de valorização da banda desenhada de autor com a conclusão da prestigiada Colecção Angoulême, através do lançamento de dois títulos fundamentais da BD europeia contemporânea.
O Gosto do Cloro, de Bastien Vivès, é uma obra originalmente publicada em França que se tornou um marco da narrativa gráfica intimista. Com um desenho minimalista e uma abordagem sensorial ao quotidiano, Vivès constrói uma história silenciosa sobre desejo, observação e adolescência, amplamente reconhecida pela crítica internacional e estudada em contextos académicos.
Já Kiki de Montparnasse, de Catel & Bocquet, recupera a figura icónica de Kiki, musa do meio artístico parisiense do início do século XX. Publicada originalmente em França, esta biografia gráfica combina rigor histórico com uma linguagem visual expressiva, afirmando-se como uma obra de referência na recuperação de figuras femininas centrais da história cultural europeia.
Este conjunto de lançamentos confirma a estratégia editorial da DEVIR: apostar simultaneamente em fenómenos globais, como Dan Da Dan, e em obras consagradas, garantindo qualidade editorial, fidelidade às edições originais e uma oferta capaz de dialogar com diferentes públicos e gerações de leitores.
Para contextualizar este momento do mercado, a DEVIR disponibiliza a possibilidade de uma entrevista com Ana Lopes, editora da DEVIR, permitindo aprofundar o impacto de Dan Da Dan no panorama editorial português, bem como analisar a afirmação do mangá e da banda desenhada asiática junto de novos públicos.
Num período em que a leitura gráfica ganha cada vez mais espaço nas livrarias e nos hábitos culturais, os lançamentos da DEVIR para o início de 2026 confirmam que a banda desenhada — longe de ser um nicho — ocupa hoje um lugar central na edição literária em Portugal.
Presença Comics anuncia Solo Leveling 16 para Janeiro de 2026
Este 16.º volume marca um momento decisivo na saga protagonizada por Seong Jinu, conduzindo a narrativa para o clímax de um arco fundamental da história. O caçador que começou como o mais fraco de todos enfrenta agora os monarcas mais poderosos, em confrontos que colocam à prova não apenas a sua força esmagadora, mas também a sua capacidade estratégica e o peso das decisões que carrega.
Determinando-se a assumir plenamente a responsabilidade de proteger a Humanidade e aqueles que lhe são próximos, Seong Jinu vê o seu exército de sombras crescer, espelhando a dimensão da guerra iminente. Os inimigos que enfrenta são capazes de aniquilar caçadores de topo, tornando cada batalha um exercício extremo de sobrevivência, onde um único erro pode significar a destruição total.
Este volume apresenta-se como o culminar inesquecível de um ciclo narrativo, combinando acção intensa, sacrifícios marcantes, dilemas emocionais e revelações surpreendentes. Embora um arco da saga chegue ao fim, a obra deixa claro que novos caminhos e desafios se abrem no horizonte, preparando o terreno para futuras aventuras.
Originalmente publicado na Coreia do Sul com o título 나 혼자만 레벨업 (Na Honjaman Lebel-eop), conhecido internacionalmente como Solo Leveling, este volume integra a adaptação em manhwa da web novel escrita por Chugong, com ilustrações de Jang Sung-rak (Dubu), do estúdio REDICE. A publicação inicial da série em formato de volume começou em 2018, tendo os volumes finais, incluindo o equivalente ao actual volume 16, sido editados ao longo de 2021, período em que a série atingiu o auge da sua popularidade mundial.
Com este lançamento, a Presença Comics continua a consolidar a presença de Solo Leveling no mercado português, oferecendo aos leitores uma edição cuidada de uma obra que se tornou um verdadeiro fenómeno global, cruzando manga, manhwa, animação e videojogos. Janeiro de 2026 promete, assim, começar em grande para os fãs da saga.
Solo Leveling #16, Dubu e Chegong, Presença, 272 pp, p&b, capa mole, 16,90€
One-Punch Man #23
Após conseguirem escapar por pouco à temível Princesa Supersádica, o Esquadrão Privado do Novoricon vê-se rapidamente confrontado com uma nova ameaça. Um Monstro de Nível Demoníaco surge perante Bushi Broca, dando início a uma batalha feroz, à qual se juntam Lairon e Okamaitachi. O combate é caótico, intenso e serve para mostrar o verdadeiro desespero de heróis que lutam muito acima da sua zona de conforto.
Em paralelo, o volume acompanha também o Samurai Atómico, que enfrenta um inimigo particularmente repugnante. Este confronto destaca não só a perícia absurda do herói com a espada, mas também o contraste entre a sua postura honrada e a natureza grotesca dos monstros que dominam este arco da história.
Como já é habitual, Yusuke Murata eleva o nível artístico a patamares impressionantes: páginas repletas de movimento, enquadramentos dinâmicos e um detalhe visual que torna cada golpe memorável. Mesmo sem Saitama no centro da acção, o volume nunca perde força, equilibrando drama, brutalidade e o humor característico da série.
One-Punch Man #23, One e Yusuke Murata, Devir, 204 pp., p&b, 9,99€
15 de janeiro de 2026
Convite | Anaïs Nin: Cinema e BD na Cinemateca – 19 de janeiro
O encontro tem início às 18h00, com uma mesa-redonda sobre a obra Anaïs Nin – No Mar das Mentiras, que contará com a participação de Nuno Sena, sub-diretor da Cinemateca Portuguesa, Ana Lopes, editora da Devir, e Rui Alves de Sousa, jornalista da RTP, numa conversa sobre adaptação, criação e cruzamentos entre os dois universos.
Às 19h00, será exibido o filme Henry & June, de Philip Kaufman, onde a actriz portuguesa Maria de Medeiros interpreta Anaïs Nin. O filme transporta-nos para a Paris de 1931 e acompanha a intensa viagem de descoberta interior e erótica da escritora, a partir do encontro com Henry Miller. Em paralelo, a banda desenhada de Léonie Bischoff revisita livremente a sensualidade e a complexidade desta figura fascinante do século XX, inspirando-se na sua obra, nos diários e na correspondência com Miller.
Será um momento de conversa, cinema e reflexão — ideal para terminar o dia de forma inspiradora. Esperamos poder contar com a sua presença.
Nota: Em caso de interesse, será possível disponibilizar bilhetes para a sessão de cinema. Os bilhetes deverão ser levantados obrigatoriamente antes do início da mesa-redonda, às 18h00, na Cinemateca. No entanto, terá de ser confirmada a presença até ao amanhã, às 12h00. (bilhetes limitados).
As angústias amorosas da morte
Originalmente publicado em 2019 no Japão, este volume é mais uma obra onde o autor utiliza o medo e a repulsa para explorar temas como a obsessão e a busca desesperada por um amor impossível. Ryusuke, o protagonista, regressa a uma cidade onde já viveu e começa a ouvir rumores inquietantes sobre suicídios ligados a estranhas Leituras na Encruzilhada. Estas leituras são feitas por um rapaz misterioso, vestido de preto, que revela o destino dos indivíduos que procuram saber sobre o seu futuro, levando-os a uma espiral de loucura e obsessão pelo seu amor.
A premissa é simples, mas assustadoramente eficaz. Os que recebem a leitura tornam-se obcecados pela ideia do objeto de seu amor de tal maneira que a linha entre a paixão e a autodestruição desaparece. O terror começa a crescer à medida que a história de Ryusuke se entrelaça com o mistério por trás deste rapaz de preto, que parece ter uma ligação direta com a tragédia que assola os habitantes da cidade.
Em cada uma das histórias que compõem As Angústias Amorosas dos Mortos, Ito dá uma nova reinterpretação ao conceito de “amor impossível”. Os cenários grotescos e os personagens desfigurados pelas suas próprias obsessões criam uma atmosfera insuportavelmente tensa, onde a linha entre o amor e a loucura é constantemente ultrapassada. O autor utiliza, como sempre, o seu estilo visual único, com figuras distorcidas e cenas de horror que capturam o leitor de maneira quase visceral.
O que torna este volume ainda mais impactante é a maneira como Ito mistura o sobrenatural com o humano, criando uma metáfora para as obsessões que todos nós podemos experimentar — mas que, no universo de Junji Ito, são levadas ao extremo. O amor aqui não é apenas uma emoção, mas uma força aterradora, capaz de destruir vidas e corações, fisicamente e psicologicamente.
As angústias amorosas da morte, Junji Ito, Devir, 406 pp., p&b, capa mole, 20€
As Sisters #1 – Irmãs à Força: humor, caos e cumplicidade entre irmãs
No centro da narrativa estão Wendy e Marina, duas irmãs que representam universos quase opostos. Wendy é uma pré-adolescente confiante, sociável e preocupada com amizades, moda e rapazes. Quer crescer, afirmar a sua independência e ter algum espaço só para si. Já Marina, a irmã mais nova, é energética, carente, imprevisível e absolutamente decidida a seguir Wendy para todo o lado — mesmo quando não é convidada.
Este choque permanente entre desejos, idades e personalidades é o motor da série. O que para Wendy é invasão de privacidade, para Marina é pura admiração e vontade de partilhar tudo com a irmã mais velha. O resultado é uma sucessão de conflitos, mal-entendidos e situações absurdas que espelham, com humor exagerado, a realidade de muitas famílias.
Cada página de As Sisters apresenta uma pequena história independente, com ritmo rápido e punchlines eficazes. Esta estrutura torna a leitura especialmente acessível ao público mais jovem, mas também apelativa para leitores adultos que reconhecem, com um sorriso cúmplice, muitas das situações retratadas. Entre ataques de choro dramáticos, discussões intensas que terminam em abraços apertados, planos mirabolantes que correm mal e momentos inesperados de ternura, a série consegue equilibrar com habilidade o humor físico, o diálogo afiado e a observação do quotidiano.
Criada em 2006, As Sisters tornou-se rapidamente um fenómeno editorial em França e noutros países europeus, contando actualmente com dezenas de volumes, adaptações para televisão em formato de animação e um público fiel que atravessa várias gerações. Parte desse sucesso deve-se à capacidade da dupla Cazenove e William em criar personagens expressivas, facilmente reconhecíveis e emocionalmente próximas dos leitores.
A edição portuguesa da Bertrand Editora traz finalmente As Sisters para o público nacional, preenchendo uma lacuna na oferta de banda desenhada humorística dirigida a leitores infantojuvenis. Irmãs à Força é uma leitura ideal para crianças e pré-adolescentes, mas também para pais, irmãos mais velhos e todos aqueles que conhecem bem as alegrias — e os desafios — de crescer em família.
Mais do que uma simples coleção de gags, As Sisters é um retrato divertido e caloroso da convivência entre irmãos, onde o conflito anda de mãos dadas com o afeto. Um primeiro volume que promete muitas gargalhadas… e que deixa clara a vontade de continuar a acompanhar as aventuras de Wendy e Marina nos próximos volumes.
As Sisters #1 – Irmãs à Força, Cazenove e William, Bertrand Editora, 96 pp., cor, capa mole, 12,20€
Presença Comics lança O Verão em Que Hikaru Morreu – Volume 3
Neste terceiro volume, o súbito e inexplicável regresso do “Hikaru” à pequena vila deixa de passar despercebido. As desconfianças começam a multiplicar-se entre os habitantes, enquanto os espíritos do outro lado se mostram cada vez mais agitados. As pessoas sensíveis a estas presenças decidem, finalmente, agir, determinadas a descobrir a verdade que se esconde por detrás deste regresso impossível.
No centro da narrativa está, mais uma vez, Yoshiki, que continua a debater-se com a identidade do ser que usa o rosto do seu melhor amigo. A dor da perda mistura-se com o medo e a negação, à medida que se torna evidente que o “Hikaru” já não partilha a mesma visão da vida e da morte. A série reforça assim a ideia de que brincar com forças que não se compreendem tem sempre um preço, e que nem todas as feridas podem ser evitadas.
À medida que o mistério se adensa e forças invisíveis se aproximam, este volume conduz o leitor por uma viagem intensa, marcada por sentimentos de amizade, luto e escolhas irreversíveis, aprofundando o tom sombrio e emocional que distingue a obra desde o início.
Originalmente publicada no Japão com o título Hikaru ga Shinda Natsu (光が死んだ夏), a série é da autoria de Mokumokuren e começou a ser editada em 2021, através da Kadokawa. O terceiro volume da edição original japonesa foi lançado em 2022, consolidando a reputação da obra como um dos títulos mais elogiados da nova vaga de manga de terror psicológico.
Com a chegada de O Verão em Que Hikaru Morreu – Volume 3, a Presença Comics reforça o seu catálogo com uma série que se destaca pela escrita contida, pelo desconforto constante e pela forma como explora os limites entre o humano e o sobrenatural, prometendo continuar a surpreender — e inquietar — os leitores portugueses.
O Verão em Que Hikaru Morreu #3, Mokumokuren, Presença, 184 pp., p&b, capa mole, 11,90€
Escorpião Azul revela plano editorial para o primeiro semestre de 2026
A editora Escorpião Azul já definiu o seu plano editorial para o primeiro semestre de 2026, mantendo uma linha de edição criteriosa e apostada em obras com identidade forte, dirigidas a leitores exigentes e atentos à banda desenhada contemporânea. O programa anunciado para os primeiros seis meses do ano inclui três títulos confirmados, distribuídos entre Fevereiro e Maio, com a possibilidade de ainda surgir um quarto lançamento, caso as condições o permitam.
O arranque do semestre acontece em Fevereiro, com a publicação de HP, um livro que marca o primeiro lançamento do ano pela Escorpião Azul. Embora os detalhes sobre a obra sejam reservados para comunicação própria, a sua inclusão como título inaugural sublinha a intenção da editora de começar 2026 com uma proposta forte e distintiva.
Em Março, chega a 2.ª edição de O Jardim dos Espectros, uma obra que regressa ao catálogo após a boa recepção da edição original. Esta reedição permitirá não só responder à procura de leitores que não tiveram oportunidade de adquirir o livro anteriormente, como também reafirmar a importância do título dentro do percurso editorial da Escorpião Azul.
Já em Maio, está prevista a edição de Dark Peak, encerrando o semestre com uma novidade que promete reforçar a diversidade temática e estética do catálogo. Este lançamento confirma a estratégia da editora de espaçar as publicações ao longo do semestre, garantindo visibilidade e atenção a cada obra.
Para além destes três títulos, a Escorpião Azul admite a possibilidade de editar mais um livro ainda durante o primeiro semestre de 2026, dependendo da evolução do calendário e das condições de produção. Esta abertura deixa antever alguma flexibilidade editorial e a vontade de aproveitar oportunidades que possam surgir.
Com este plano para o início de 2026, a Escorpião Azul reafirma um posicionamento assente na qualidade, no cuidado editorial e na construção de um catálogo coeso, apostando tanto na continuidade de obras relevantes como em novas propostas. Um primeiro semestre contido em número de lançamentos, mas sólido na ambição e na identidade, que reforça a presença da editora no panorama da banda desenhada em Portugal.










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