Desde o início da série que somos confrontados com uma premissa desconcertante: Hikaru não é, verdadeiramente, Hikaru — ou pelo menos já não é o mesmo. Neste novo volume, essa inquietação atinge um novo patamar. Yoshiki, dividido entre o medo e uma inexplicável necessidade de proximidade, permanece ao lado desta presença que ocupa o lugar do seu amigo. O que poderia ser apenas rejeição ou fuga transforma-se numa ligação ambígua, quase inevitável, onde o afecto e o terror coexistem.
Neste volume, a investigação conduzida por Yoshiki e pelo “novo” Hikaru ganha maior densidade. As pistas multiplicam-se, mas, em vez de esclarecerem, aprofundam o mistério. A aldeia onde vivem assume um papel cada vez mais central, quase como uma entidade viva, carregada de segredos antigos e silêncios cúmplices. Há uma sensação crescente de que tudo está interligado — o passado, as ausências, as presenças — e que algo maior se move nas margens da compreensão.
Visualmente, o manga mantém o seu registo atmosférico e subtilmente perturbador. Os silêncios, os olhares e os enquadramentos transmitem tanto quanto os diálogos, criando uma leitura imersiva onde o desconforto se instala de forma gradual, mas persistente.
O Verão em que Hikaru Morreu #5, Mokumokuren, Editorial Presença, 200 pp., p&b, capa mole, 11,90€


Sem comentários:
Enviar um comentário