Logo nas primeiras páginas, Casemate abre a sua “caixa de recordações”, convidando os leitores a revisitar momentos marcantes das suas duzentas edições. Este olhar retrospectivo sublinha o percurso da revista enquanto observadora privilegiada da evolução da 9.ª arte.
A edição destaca também criadores e obras que dialogam com o mundo actual. Pierre-Henry Gomont Harambat surge com uma abordagem sensível aos desafios do mundo agrícola, enquanto a habitual Journorama oferece uma panorâmica da actualidade da BD.
Nas páginas seguintes, L’Écho des Rézos compila o melhor das redes sociais, mostrando como a banda desenhada vive também no espaço digital.
Entre os destaques mais apetecíveis estão as antevisões de novas obras, acompanhadas de pranchas inéditas. Fabien Vehlmann e Jean-Baptiste Andreae apresentam La Cuisine des ogres, enquanto Geoffroy Delorme partilha a sua experiência singular em L’Homme-chevreuil.
Já Zep surpreende com Tourner la page, uma obra centrada na morte de um escritor célebre, e a equipa formada por Xavier Dorison, Thomas Delahaye e Jean-Baptiste Parnotte apresenta Cauchon, num registo intenso e provocador.
Como é tradição, a revista inclui uma selecção criteriosa de 24 álbuns a descobrir, seguida de um extenso guia com 262 lançamentos, festivais e exposições, tornando este número uma ferramenta essencial para acompanhar o panorama editorial.
A segunda metade da revista continua a destacar a diversidade criativa da BD contemporânea. Jordi Lafebre Brocal leva-nos à Langue des vipères, num século XV alternativo, enquanto Teresa Radice e Stefano Turconi exploram uma caça às bruxas na França de Richelieu. O clássico Frankenstein ganha nova vida pelas mãos de Sergio Sala, mostrando como as grandes histórias continuam a ser reinventadas.
Nas páginas finais, Dano apresenta um projecto invulgar ao convidar desconhecidos a posarem nus no seu atelier, enquanto Jessica Usdin reflecte sobre um retrato de Andy Warhol assinado por Alice Neel.
Com este número 200, Casemate reafirma-se como uma publicação essencial para quem acompanha a banda desenhada. Entre memória, crítica, descoberta e antecipação, esta edição especial é um verdadeiro retrato da vitalidade e diversidade da 9.ª arte contemporânea.
Casemate #200, avril 2025, 100 pp., cor, 9,80€


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