29 de setembro de 2019

Os meus heróis foram sempre drogados

Já está nas banca a novela gráfica do universo Criminal, "Os meus heróis foram sempre drogados".

Obra da dupla criadora de The Fade Out: Crepúsculo em Hollywood, vencedor do prémio Eisner para Melhor Série Limitada (2016) e do Galardão BD do Comic Con Portugal para Melhor Álbum Estrangeiro editado em Portugal (2019), e de Criminal, a série policial noir que já valeu a Ed Brubaker o Eisner para Melhor Escritor três vezes, e que venceu os Eisners para Melhor Nova Série e Melhor Série Limitada, "Os meus heróis foram sempre drogados" venceu em 2019 o prémio Eisner para Melhor Romance Gráfico Original.

Ellie sempre teve ideias muito românticas sobre os toxicodependentes. As almas trágicas de artistas atraídos por agulhas e comprimidos têm sido a obsessão dela desde a morte da sua mãe, também ela uma drogada. Mas quando Ellie acaba numa clínica de reabilitação para a alta sociedade, nem tudo é o que parece, e ela vai acabar por encontrar outro tipo de romance... muito mais perigoso. Pelas mãos da dupla Brubaker e Phillips, um conto alimentado a drogas e a cultura pop, de uma jovem rapariga em busca das trevas... e do que ela lá encontra.

Este curto romance gráfico (uma novela gráfica!) ambientado no universo implacável e terrível de Criminal, mete em cena dois jovens a tentar recuperar das suas dependências a substâncias aditivas numa clínica de reabilitação de luxo... dois jovens que se envolvem, e acabam por fazer sobressair um no outro os seus piores traços e hábitos. Obviamente, nem tudo é o que parece, neste conto sobre pessoas que tomam consistentemente as piores decisões possíveis, magoando tudo e todos à sua volta, e a si próprios.

"Os meus heróis foram sempre drogados" talvez seja uma das histórias mais pessoais que Ed Brubaker já contou em banda desenhada: muitos dos acontecimentos e da caracterização das personagens são baseados nas lembranças e memórias que o escritor tem da suia juventude. “A minha mãe era dependente, e eu cresci a ir com ela a reuniões dos alcoólicos anónimos, dos meus oito anos em diante, ia com ela pelo menos uma vez por semana. Tinha de ficar lá, calado, a ouvir pessoas a contarem as suas histórias, a chorarem e agradecerem uns aos outros pelo apoio, numa sala cheia de fumo, que cheirava a tabaco, mofo e café. Foi uma das experiências formativas das minha vida como escritor, e algo com que me tenho debatido. Desde muito novo que sabia tudo sobre agarrados e bêbados, e dava comigo a romantizar as dependências, como se fossem uma maldição de família que me ia apanhar. E creio que sempre quis escrever sobre isso. Sobre como podemos crescer a admirar pessoas ‘fracturadas’, e como, no fundo, todos estamos fracturados.

Desenhado por Sean Phillips num dos seus momentos mais depurados e visualmente impressionantes, "Os meus heróis foram sempre drogados" conta também com as cores impressionantes de Jacob Phillips, que enche as suas páginas com cores variadas e surpreendentes - azuis, pastéis, amarelos pálidos... Em vez de cores planas, são dispersas, manchadas, inquietas, criando um efeito dinâmico e transbordando de vida, longe dos tons escuros e quentes que marcam as páginas da série principal de Criminal. "Os meus heróis foram sempre foram drogados" foi também o livro que relançou a série, depois de alguns anos de interrupção; depois de editar a fase inicial (que ficará completa em meados de 2020), a G. Floy irá atacar a nova série em finais de 2020.

Os meus heróis foram sempre drogados (My Heroes Were Always Junkies), Ed Brubaker e Sean Phillips, G. Floy, 72 pp., cor, capa dura, 13€







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