19 de fevereiro de 2026

Clube das Princesas Amaldiçoadas – Volume 4

O quarto volume de Clube das Princesas Amaldiçoadas (que reúne os episódios 78 a 93 da popular webtoon criada por LambCat) marca um ponto de viragem na narrativa — mais intenso, mais revelador e emocionalmente mais arriscado do que nunca.

Gwendolyn nunca foi a princesa típica dos contos de fadas. Apesar de viver num castelo e ser filha de um rei, está longe de corresponder aos padrões de beleza e comportamento esperados. E é precisamente essa diferença que faz dela uma protagonista tão cativante. Depois de ter descoberto por acaso o misterioso Clube das Princesas Amaldiçoadas — um grupo de princesas que, por razões diversas, carregam maldições físicas ou sociais — Gwen começou um processo de autodescoberta e aceitação que continua a ganhar profundidade neste volume.

Neste volume, um simples jantar transforma-se num verdadeiro caos delicioso. Gwen, determinada a provar o seu valor, decide preparar a refeição com a ajuda de Frederick. O que ele não sabe é que acaba por passar uma tarde inteira na companhia das Princesas Amaldiçoadas — e as consequências dessa convivência são tão divertidas quanto reveladoras. O equilíbrio entre humor e tensão é uma das grandes forças da obra. As situações embaraçosas, os mal-entendidos e os diálogos rápidos dão ritmo à narrativa, mas há sempre algo mais profundo a acontecer por baixo da superfície.

Outro destaque é o papel crescente do misterioso Príncipe Whitney. Carismático, ambíguo e difícil de decifrar, ele acrescenta novas camadas à intriga política e emocional da história. As suas intenções não são totalmente claras — e isso só aumenta o suspense. Ao mesmo tempo, a premonição de Nell lança uma sombra inquietante sobre todos. Se o seu dom de clarividência for real, isso poderá significar que alguém não sobreviverá aos acontecimentos que se aproximam. Pela primeira vez, o perigo deixa de ser apenas emocional.

Neste quarto volume, nota-se uma maturidade crescente na narrativa. As personagens enfrentam escolhas difíceis, lidam com consequências reais e começam a perceber que crescer implica, por vezes, perder ilusões.

O traço expressivo de LambCat e o uso inteligente da comédia continuam a ser marcas registadas da série. A alternância entre momentos caricatos e cenas emocionalmente intensas cria um equilíbrio que prende o leitor do início ao fim.

Clube das Princesas Amaldiçoadas  #4, LambCat, ASA, 320 pp., cor, capa mole, 15,50€


18 de fevereiro de 2026

60º Volume de Naruto — O Clímax da Quarta Grande Guerra Ninja

Foi editado pela Devir o 60.º volume de Naruto, da autoria de Masashi Kishimoto, publicado no Japão a 4 de Maio de 2012 pela Shueisha. Este volume reúne os capítulos 567 a 576, originalmente serializados na Weekly Shōnen Jump entre o final de 2011 e o início de 2012.

O volume marca um dos momentos mais impactantes da Quarta Grande Guerra Ninja: a revelação da verdadeira identidade de Tobi. O confronto entre Naruto, Kakashi e o antigo companheiro desencadeia uma das cenas mais emocionais da série, aprofundando temas como amizade, perda e redenção.

Repleto de acção intensa e revelações decisivas, o volume 60 é um ponto de viragem fundamental na reta final da saga, preparando o caminho para os acontecimentos culminantes da guerra ninja.

Naruto #60, Masashi Kishimoto, Devir, capa mole, 192 pp., p&b, 9,99€

17 de fevereiro de 2026

Longe

«É possível viver a dois quando não sabemos viver connosco próprios?»

Ulysse e Aimée, um casal na casa dos trinta, viajam para o sul da Espanha numa carrinha com o objectivo de irem efectuar mergulho a Cabo de Gata. Mas serão estas as férias de Verão perfeitas? Nem por isso... pois o casal atravessa uma fase de relacionamento difícil e entre ambos nem tudo é cor-de-rosa.

Depois de um ano complicado, Ulysse precisa de novas aventuras, mas também de se reencontrar, principalmente através do mergulho, que encara como forma de terapia. Aimée, por seu turno, depois de ter trabalhado durante um ano na sua tese, sente-se perdida e culpabiliza-se por não ter estado suficientemente disponível para o seu parceiro.

Ulysse sonha em ver um peixe-lua no seu habitat natural; Aimée tem fobia da água. No entanto, cede ao parceiro e aceita efectuar esta viagem, decidindo calar os seus medos. Mas à medida que o casal se aproxima do Cabo de Gata, a tensão e a ansiedade aumentam. E a pergunta impõe-se: é possível viver a dois quando não sabemos viver connosco próprios?

Longe, a obra mais recente de Alicia Jaraba e que a Ala dos Livros edita agora em Portugal, é um road-movie intimista, que nos fala sobre o medo de se sair da zona de conforto e da inércia de um relacionamento longo, cujo rumo já não se controla

Longe, Alicia Jaraba, Ala dos Livros, 144 pp., cor, capa mole, 27,50€

Ulysse & Cyrano: ambição, cozinha e identidade na França das Trente Glorieuses

Ulysse & Cyrano é uma obra que cruza narrativa histórica, romance de formação e relato culinário, usando a cozinha como linguagem universal para falar de ambição, transmissão e realização pessoal. Com edição da ASA e chegada às livrarias a 17 de Fevereiro, esta banda desenhada confirma a mestria de Xavier Dorison na construção de histórias humanas, densas e profundamente actuais.

Ulysse Ducerf é um jovem brilhante, destinado a seguir os passos do pai à frente da empresa familiar. No entanto, no momento em que realiza o exame do bac, o seu futuro é abruptamente posto em causa: surgem acusações graves que apontam para a colaboração da empresa com o esforço de guerra alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Subitamente, o sucesso deixa de ser um caminho linear e passa a carregar o peso da suspeita e da culpa herdada.

Para escapar à pressão mediática e social, Ulysse e a mãe refugiam-se na Borgonha, longe de Paris. É nesse novo cenário que o jovem conhece Cyrano, um homem rude, solitário e envolto em silêncio, cuja relação com a grande cozinha francesa é tão exigente quanto apaixonada. O encontro entre os dois é um choque de temperamentos, mas também o início de uma aprendizagem decisiva.

Através da cozinha, Cyrano transmite a Ulysse muito mais do que técnicas culinárias. Ensina-lhe rigor, humildade, paciência e respeito pela matéria-prima — valores que se tornam essenciais para compreender o mundo e o lugar que nele se ocupa. Cada prato preparado é também uma lição de vida, num processo de formação que molda o carácter do jovem protagonista.

Situado na França das Trente Glorieuses, período de crescimento económico e reconstrução, o livro não ignora as ambiguidades dessa época. Pelo contrário, questiona o preço do progresso, a moralidade do sucesso e as concessões feitas em nome da prosperidade. Ulysse & Cyrano interroga o leitor de forma directa e necessária: qual é o verdadeiro custo da realização pessoal? E será possível alcançá-la sem comprometer os próprios valores?

O argumento de Xavier Dorison alia-se ao desenho expressivo de Stéphane Servain, que confere corpo e textura à narrativa. As cenas de cozinha são particularmente marcantes, quase sensoriais, enquanto os silêncios entre personagens dizem tanto quanto os diálogos. O trabalho conjunto com Antoine Cristau reforça a solidez do relato, equilibrando emoção, reflexão e ritmo narrativo.

Mais do que uma história sobre gastronomia, Ulysse & Cyrano é um livro sobre transmissão, herança e escolha. Um retrato subtil de um jovem à procura do seu caminho e de um mentor improvável, num país que tenta reconciliar-se com o seu passado recente.

Uma leitura rica, exigente e profundamente humana, a descobrir a partir de 17 de Fevereiro, numa edição da ASA que merece destaque.

Ulysse & Cyrano, Xavier Dorison, Antoine Cristau e Stéphane Servain, ASA, cor, capa dura

16 de fevereiro de 2026

DAN DA DAN chega a Portugal: um fenómeno global do mangá estreia a 16 de fevereiro

Chega finalmente a Portugal, a 16 de Fevereiro, um dos títulos mais explosivos e comentados do mangá contemporâneo. DAN DA DAN, da autoria de Yukinobu Tatsu, estreia nas livrarias nacionais pela DEVIR, trazendo consigo o peso de um fenómeno internacional que conquistou leitores muito para além do Japão.

A série foi publicada originalmente a partir de 6 de Abril de 2021 na plataforma digital Shōnen Jump+, da Shueisha — uma revista online que se tornou um espaço privilegiado para novas vozes do mangá e para propostas mais ousadas dentro do universo shōnen. Desde o primeiro capítulo, DAN DA DAN destacou-se pela sua energia visual, liberdade criativa e pela forma irreverente como cruza géneros tradicionalmente separados.

Com mais de 10 milhões de exemplares vendidos, DAN DA DAN consolidou-se rapidamente como um dos grandes sucessos da nova geração do mangá. Em 2025, foi o terceiro título mais vendido no Japão, segundo a Oricon News, apenas atrás de One Piece e Jujutsu Kaisen — ambos também publicados em Portugal pela DEVIR.

A consagração internacional foi reforçada pela adaptação para anime, exibida em plataformas como Crunchyroll e Netflix, que apresentou a série a um público ainda mais vasto. O tema de abertura, “Otonoke”, tornou-se um fenómeno viral, mantendo-se durante 20 semanas consecutivas no primeiro lugar da Billboard Global Japan, um feito raro que ilustra o impacto cultural da obra.

No centro da narrativa estão Momo Ayase e Okarun, dois adolescentes com visões opostas do mundo sobrenatural: ela acredita em fantasmas, ele em extraterrestres. Um desafio aparentemente banal desencadeia uma sucessão de acontecimentos extraordinários que mudam radicalmente as suas vidas.

Ao longo da série, o leitor é confrontado com:

encontros com extraterrestres e entidades espirituais;

fenómenos paranormais tratados com imaginação e humor;

uma comédia romântica marcada por diálogos rápidos e genuínos;

sequências de ação dinâmicas, com um forte sentido cinematográfico.

O grande trunfo de DAN DA DAN está na forma como Yukinobu Tatsu consegue equilibrar o absurdo e o emocional, o grotesco e o humano, criando uma narrativa que é simultaneamente frenética e surpreendentemente sensível.

O lançamento do primeiro tomo de DAN DA DAN em Portugal reforça a aposta da DEVIR nos títulos mais relevantes do mangá atual e confirma a vitalidade do mercado nacional para a banda desenhada japonesa contemporânea. Publicada com respeito pela edição original, esta estreia oferece aos leitores portugueses a oportunidade de acompanhar, desde o início, uma série que já é considerada um clássico moderno do mangá.

Mais do que um sucesso comercial, DAN DA DAN representa uma nova forma de contar histórias no universo shōnen: livre, híbrida e profundamente ligada à cultura pop global. A 16 de Fevereiro, esse fenómeno começa oficialmente a escrever a sua história em Portugal.

DAN DA DAN, Yukinobu Tatsu, Devir, 

Edens Zero – Volume 9: Uma Nova Ameaça no Cosmos

O volume 9 do mangá Edens Zero, criado por Hiro Mashima, mergulha os leitores numa das sagas mais emocionantes de toda a série, trazendo um inimigo formidável que faz tremer a lendária nave Edens Zero e a sua tripulação.

Depois de ultrapassarem os perigos causados por Madame Kurenai, Shiki e os seus amigos enfrentam uma nova e ameaçadora presença: o temido Drakken Joe. Fascinado pela própria Edens Zero e pelos tesouros que a nave possa conter, Drakken Joe prepara-se para a reivindicar como sua, montando uma tripulação poderosa para o confronto. A tripulação de Shiki — composta por Rebecca, Happy, Weisz e outros — terá de unir forças mais uma vez para enfrentar essa ameaça e defender o seu legado no espaço. 

O volume 9 de Edens Zero foi publicado originalmente no Japão em 17 de Abril de 2020. Esta edição japonesa integra os capítulos que aprofundam o confronto com Drakken Joe e o arco do Sakura Cosmos

Posteriormente, a edição em inglês foi lançada em 15 de Setembro de 2020 para leitores de língua inglesa, expandindo ainda mais o alcance da obra no mercado global. 

Edens Zero #9, Hiro Mashima, Distrito Manga, 192 pp., p&b, capa mole, 10,95€

15 de fevereiro de 2026

Três milhões de visualizações do blogue! Obrigado a todos!

 




Tintin fala mirandês: “Ls Xarutos de l Faraó” chegam a Miranda do Douro

A língua mirandesa continua a afirmar-se no panorama cultural português — e agora ganha um reforço de peso: Tintin fala mirandês. A aventura “Ls Xarutos de l Faraó”, versão na Lhéngua de Os Charutos do Faraó, foi apresentada ontem na Biblioteca Municipal António Maria Mourinho, em Miranda do Douro.

Tratou-se de um momento simbólico para a promoção da segunda língua oficial de Portugal, reconhecida em 1999, e para a valorização cultural do planalto mirandês.

Publicada originalmente em 1934, Les Cigares du Pharaon, do autor belga Hergé, é a quarta aventura de Tintin e uma das mais exóticas da série. A narrativa leva o jovem repórter do Egipto à Índia, numa trama que envolve arqueologia, tráfico de droga e sociedades secretas.

Agora, nesta edição mirandesa, todas as personagens falam a língua da região: Tintin, Rastapopoulos, Dupond i Dupond, Oulibeira de la Figueira — e até Milú lhadra an mirandés.

Mais do que uma simples tradução, esta edição representa um gesto cultural de afirmação identitária, aproximando um clássico universal da realidade linguística local. A série é uma das mais traduzidas e vendidas da história da banda desenhada. Com mais de 250 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo e traduções em mais de uma centena de línguas e dialectos, Tintin tornou-se um verdadeiro embaixador da nona arte. A chegada ao mirandês reforça essa dimensão internacional e demonstra que as grandes obras também podem — e devem — dialogar com línguas minoritárias.

14 de fevereiro de 2026

Dan Da Dan chega a Portugal com celebração especial na FNAC Colombo


Um dos maiores fenómenos mundiais da mangá da actualidade está prestes a aterrar em Portugal. Dan Da Dan, a obra de sucesso que já conquistou leitores em todo o mundo, chega oficialmente às livrarias nacionais no próximo 16 de Fevereiro, numa edição da Devir. No Japão, o título ocupa um lugar de destaque como a terceira colecção mais vendida, apenas atrás de One Piece e Jujutsu Kaisen, somando mais de 10 milhões de exemplares vendidos.

Para assinalar este lançamento muito aguardado, a Devir prepara uma acção especial no dia 17 de Fevereiro, a partir das 16h00, na FNAC Colombo, em Lisboa. Mais do que uma simples apresentação editorial, o evento foi pensado como um verdadeiro ponto de encontro da comunidade mangá, celebrando a paixão pelo género num ambiente descontraído, participativo e festivo.

Com o apoio de daividjones, a iniciativa aposta fortemente na interação com o público. Um dos grandes destaques será a presença dos cosplayers Vins, que dará vida à personagem Momo, e Hantzie, no papel de Okarun. Ambos prometem contagiar os fãs com muita energia, sessões de fotografia e participação ativa nas várias dinâmicas do evento, criando uma experiência mais próxima e imersiva para todos os presentes.

Aproveitando o espírito do Carnaval, o convite estende-se também ao público: todos são incentivados a aparecer caracterizados ou em cosplay, seja inspirado no universo de Dan Da Dan ou noutras personagens icónicas do imaginário mangá e anime. O objectivo é tornar o evento ainda mais visual, divertido e memorável, celebrando a criatividade e a diversidade da comunidade.

Com este lançamento, Dan Da Dan promete não só conquistar novos leitores portugueses, como também reforçar o dinamismo da cena mangá em Portugal, mostrando que estas histórias continuam a atravessar fronteiras e a unir fãs de todas as idades.



13 de fevereiro de 2026

A Incrível Adele viaja até ao Canadá em “Funky Fofinho”

A irreverente Adele está de malas feitas — e desta vez o destino é gelado! No 15.º volume da colecção A Incrível Adele, intitulado “Funky Fofinho”, a protagonista troca as tropelias do costume por umas férias de inverno no Quebeque, Canadá. E claro: nada corre exactamente como seria de esperar… ainda bem.

Boa, vamos de férias. E não é para qualquer lado, é para o Canadá!” — é assim que começa esta nova aventura. Adele viaja com os pais para conhecer a prima Charlie, que a acha “mega” (um elogio que Adele aceita de imediato, mesmo sem perceber grande coisa do que se diz por lá!).

Entre gorros divertidos, neve até perder de vista e temperaturas bem abaixo de zero, o programa promete passeios em plena natureza canadiana, treinos improváveis de esquilos, confusões linguísticas e disparates em série. A companhia também não desilude: Charlie é tão energética quanto curiosa, e o seu coelho Jaja é um verdadeiro sósia do icónico Ajax. O resultado? Uma sucessão de momentos cómicos onde o humor sarcástico de Adele contrasta com a ternura “fofinha” do ambiente invernal.

A série original, Mortelle Adèle, tornou-se um autêntico fenómeno editorial em França. Criada pelo argumentista Antoine Dole (conhecido pelo pseudónimo Mr Tan) e ilustrada por Diane Le Feyer, a colecção conquistou milhões de leitores desde o seu lançamento.

Com dezenas de volumes publicados e presença constante nos tops de vendas de literatura infantojuvenil, Adele é hoje uma das personagens mais populares da banda desenhada europeia. O seu sucesso explica-se facilmente: humor mordaz, ilustrações expressivas e uma protagonista que pensa — e diz — exactamente aquilo que lhe passa pela cabeça.

A Incrível Adéle #15: Funky Fofinho, Mr Tan e Diane Le Feyer, Bertrand Editora, 80 pp. cor, capa mole, 12,20€

Portugal Jurássico: a BD que revive os gigantes que habitaram a Lourinhã

A importância da Lourinhã no panorama paleontológico global é difícil de sobrestimar. A região é reconhecida como um dos mais ricos depósitos fossilíferos do Jurássico Superior, frequentemente comparada, em relevância científica, a formações famosas como a Morrison (EUA).

O Museu da Lourinhã desempenha um papel central na investigação, preservação e divulgação deste património científico, sendo uma referência internacional no estudo de dinossauros europeus.

Editado pela Mudnag Edições, Portugal Jurássico assume-se essencialmente como um álbum de banda desenhada com ilustrações de grande dimensão, onde o impacto visual é protagonista. O objectivo é conjugar rigor científico com uma abordagem acessível e envolvente.

Todo o conteúdo científico foi verificado pelo paleontólogo André Saleiro, em parceria com o Museu da Lourinhã, garantindo que cada representação artística respeita o conhecimento científico actual. Mais do que um simples álbum ilustrado, a obra pretende funcionar como uma ponte entre ciência e público, especialmente junto de leitores jovens e entusiastas da paleontologia.

A escolha do Festival de Banda Desenhada da Lourinhã (LouriBD) no próximo mês de Março para o lançamento não poderia ser mais simbólica. Num território onde os dinossauros fazem parte da identidade local — da investigação científica ao turismo — a apresentação de uma obra dedicada ao Jurássico português assume um significado especial.

Com Portugal Jurássico, Henrique Gandum reforça a capacidade da banda desenhada como meio de divulgação científica, celebrando um dos capítulos mais fascinantes da história natural portuguesa e sublinhando o papel da Lourinhã como um dos epicentros mundiais do mundo jurássico.

Uma obra que promete transportar os leitores para um tempo em que Portugal era dominado por gigantes.

Portugal Jurássico, Henrique Gandum, Mudnag Edições, 36 pp., cor, capa mole, 14€

12 de fevereiro de 2026

O Menino Triste - Exposição de originais

 


Perigo na Casa da Falésia: Hercule Poirot em banda desenhada

A obra Perigo na Casa da Falésia (Peril at End House), um dos romances mais populares de Agatha Christie protagonizados por Hercule Poirot, ganhou uma elegante adaptação para banda desenhada, transportando para o campo visual toda a intriga psicológica e o charme clássico do detective belga.

Nesta versão em BD, com argumento de Frédéric Brémaud e desenho de Alberto Zanon, somos conduzidos até à costa da Cornualha, onde se ergue uma magnífica casa empoleirada numa falésia, propriedade de Nick Buckley — jovem, independente e aparentemente perseguida pela morte. O que começa como uma sucessão de “acidentes” estranhos transforma-se rapidamente num caso sério quando um tiro parece ser disparado contra a jovem no jardim de um hotel vizinho, onde Poirot e o capitão Hastings se encontram hospedados.

Incansável e metódico, Poirot entra em acção, recorrendo às suas célebres “pequenas células cinzentas” para desvendar quem deseja eliminar Nick Buckley — e porquê. À medida que investiga os hóspedes da Casa da Falésia, o detective revela uma teia de mentiras, identidades ambíguas e motivações ocultas, numa história onde nada é exatamente o que parece.

Frédéric Brémaud opta por uma adaptação fiel ao espírito do romance original, mantendo o ritmo clássico da narrativa de Christie, mas com uma leitura visual dinâmica e acessível. O trabalho gráfico de Alberto Zanon destaca-se pelo traço claro, expressivo e pela recriação cuidada da atmosfera britânica dos anos 1930, contribuindo para uma leitura envolvente tanto para fãs de longa data como para novos leitores.

Esta adaptação de Perigo na Casa da Falésia confirma o potencial da banda desenhada como meio para revitalizar os clássicos do policial. Respeitando a complexidade do enredo original e valorizando a figura icónica de Hercule Poirot, o álbum funciona tanto como homenagem à autora como porta de entrada para novos leitores descobrirem — ou redescobrirem — Agatha Christie.

Perigo na Casa da Falésia, Frédéric Brémaud e Alberto Zanon, Arte de Autor, 56 pp., cor, capa dura, 19,50€

11 de fevereiro de 2026

Casemate #198

A edição abre com um dossiê especial sobre o Festival de Angoulême, no qual 12 vencedores do Grande Prémio partilham memórias, alegrias e frustrações ligadas ao mais prestigiado evento da BD europeia.

Segue-se uma entrevista com Neidhardt, que revisita a sua carreira singular marcada por uma trajectória “épica” como impostor profissional — um percurso invulgar que atravessa a sua obra e identidade artística.

A reportagem “Hypersurveillance” aborda os perigos da vigilância massiva e do controlo digital, refletindo sobre o “grande policiamento” contemporâneo e os seus impactos sociais.

No cinema, destaque para o Marsupilami na versão de Philippe Lacheau, analisando a adaptação da famosa personagem franco-belga ao grande ecrã.

As secções habituais marcam presença:
Journorama: revista de imprensa sobre a actualidade da BD.
L’Écho des Rézos: o melhor das redes sociais (Facebook, X, Bluesky, Instagram, etc.).

Entre as pré-publicações com pranchas exclusivas, a revista apresenta:
Apogée, um space opera bélico de Duval, Emem e Blanchard.
Landais, numa exploração na Guiana em busca dos montes Tumuc-Humac.
Terre ou Lune, de Khoo, que imagina um futuro dominado por aves e restrições.
Thorgal, por Bec e Mangin, confrontando o herói com a misteriosa deusa de âmbar.
Off, de Renard e Tollet, num cenário pós-apocalíptico.
Barrio negro, centrado na comunidade francesa no Panamá.
Eldorado, sobre o sonho frustrado de um jovem aspirante a futebolista profissional.

A edição inclui ainda:
Um guia de 24 bandas desenhadas a descobrir em fevereiro.
Um agenda detalhada com 218 lançamentos, além de festivais e exposições.
Um passeio por um Paris atípico, guiado por Finot.
Um retrato de Guston, por Michaëlis.
E, a encerrar, a habitual secção de cartas dos leitores.

No conjunto, esta edição combina grandes entrevistas, temas sociais contemporâneos, pré-publicações exclusivas e um panorama abrangente das novidades da BD em Fevereiro de 2026.

Casemate #198, février 2026, 100 pp., 9,95€

10 de fevereiro de 2026

Um livro esquecido num banco: quando a leitura se torna encontro

Num tempo dominado por ecrãs, notificações e mensagens instantâneas, Um livro esquecido num banco, de Jim & Mig, surge como um gesto delicado de resistência poética ao fluxo digital. A obra, que chega às livrarias portuguesas pela ASA a 10 de Fevereiro, propõe algo simples e ao mesmo tempo profundamente humano: voltar a comunicar através do papel, da espera e do mistério.

A história começa de forma quase banal. Camélia está sentada num banco público quando repara num livro pousado ao seu lado, aparentemente esquecido. Ao abri-lo, descobre uma dedicatória inesperada: um convite para o levar, lê-lo e, depois, deixá-lo noutro banco, para que continue o seu percurso nas mãos de um novo leitor. Intrigada e divertida, Camélia aceita o jogo.

Mas o livro guarda um segredo. Ao folheá-lo em casa, ela percebe que algumas letras estão cuidadosamente assinaladas, formando uma mensagem escondida — uma espécie de chamada silenciosa à comunicação. Tocada por esse gesto anónimo e cansada da monotonia do seu quotidiano, Camélia decide responder da mesma forma: marca letras, constrói palavras, quase um desejo, e devolve o livro a um banco público, à espera de uma resposta.

É assim que se inicia uma correspondência “à livro aberto”, feita de fragmentos, pistas e silêncios partilhados, entre Camélia e um desconhecido. Uma troca que não depende de perfis, likes ou respostas imediatas, mas sim de atenção, tempo e sensibilidade.

Jim & Mig constroem aqui uma narrativa subtil e profundamente actual, apesar — ou precisamente por causa — da sua recusa em seguir os códigos da comunicação moderna. Um livro esquecido num banco fala de solidão urbana, do desejo de ligação e da magia dos encontros improváveis. Cada página convida o leitor a desacelerar, a observar os detalhes e a lembrar-se de que as histórias mais marcantes nem sempre começam com grandes acontecimentos, mas com pequenos gestos.

Visualmente e narrativamente delicado, o livro destaca-se também pelo seu conceito: o livro como objecto vivo, que circula, transporta vozes e cria laços entre pessoas que talvez nunca se encontrem, mas que se reconhecem nas palavras deixadas para trás.

Mais do que uma simples história de ficção, Um livro esquecido num banco é uma reflexão sensível sobre a forma como nos relacionamos, lemos e comunicamos. Um convite a redescobrir o prazer da leitura partilhada e a acreditar que, mesmo num mundo hiperconectado, ainda há espaço para o mistério, a espera e a poesia.

A partir de 10 de Fevereiro, este pequeno grande livro promete encontrar novos leitores — talvez num banco de jardim, talvez numa estante — e lembrar-nos de que, às vezes, basta abrir um livro para não estarmos tão sós.

Um livro esquecido num banco, Jim & Mig, ASA, cor, capa dura, 97 pp.

9 de fevereiro de 2026

Fanfulla: Hugo Pratt recuperado em Portugal numa obra rara e aventureira

A Colecção Obras de Pratt, da editora Ala dos Livros, continua a revelar facetas menos conhecidas de um dos maiores mestres da banda desenhada mundial. A mais recente novidade é Fanfulla, uma história de “capa-e-espada” assinada por Hugo Pratt, pouco conhecida do grande público, mas fundamental para compreender a sua evolução artística e narrativa.

Originalmente publicada no histórico semanário juvenil italiano Corriere dei Piccoli, Fanfulla nasce de uma fase muito específica da carreira de Pratt. O autor pretendia dar um novo rumo à banda desenhada nas páginas do jornal, afastando-se de fórmulas mais convencionais e apostando numa narrativa histórica mais madura, visualmente ousada e literariamente ambiciosa.

Com argumento de Mino Milani e desenho de Hugo Pratt, surgem assim as Aventuras de Fanfulla, protagonizadas por Bartolomeo Tito Alon, mais conhecido como Fanfulla da Lodi. A personagem inspira-se numa figura histórica real: um carismático aventureiro renascentista e destemido condottiere que participou nas guerras italianas do século XVI.

A narrativa arranca num momento marcante da História europeia: 6 de Maio de 1527, data do célebre Saque de Roma pelos lansquenetes ao serviço de Carlos V, comandados pelo general Georg von Frundsberg. Fanfulla surge integrado neste cenário brutal e caótico, servindo como fio condutor de uma história onde a ação, a intriga política e o retrato histórico se cruzam com a elegância gráfica típica de Pratt.

Publicada originalmente entre Outubro de 1967 e Fevereiro de 1968, a série estendeu-se por 45 pranchas, apresentadas num curioso jogo visual entre tricromia e bicromia, uma escolha estética que reforçava o dinamismo e o dramatismo da narrativa. Apesar da qualidade da obra e do prestígio dos seus autores, Fanfulla acabou por cair num relativo esquecimento ao longo das décadas, ofuscada por títulos mais populares de Pratt.

Essa lacuna começa agora a ser colmatada com esta edição portuguesa da Ala dos Livros, que recupera Fanfulla no seu formato “italiano” original, respeitando a estrutura e a identidade visual da publicação histórica. Trata-se não apenas de um resgate editorial, mas também de uma oportunidade para redescobrir uma obra que teve boa receção em Itália, integrou o movimento de renovação da BD italiana dos anos 60 e contribuiu para consolidar o nome de Hugo Pratt no panorama internacional.

Com Fanfulla, os leitores portugueses podem revisitar um período menos explorado da obra de Pratt, mas absolutamente essencial: aquele em que o autor experimentava linguagens, estilos e temas que mais tarde culminariam em personagens icónicas como Corto Maltese. Um lançamento que combina aventura, História e memória editorial — e que merece um lugar de destaque nas estantes dos amantes de banda desenhada.

Fanfulla, Mino Milani e Hugo Pratt, Ala dos Livros, 120 pp., cor, capa dura, 33€

4 de fevereiro de 2026

Vincent, de Barbara Stok: a vida e a fragilidade de um génio em novela gráfica

A Iguana lançou esta semana uma novela gráfica dedicada à vida de Vincent van Gogh, um dos artistas mais influentes — e simultaneamente mais incompreendidos — da história da arte. A obra tem autoria da ilustradora e argumentista holandesa Barbara Stok, conhecida pela sua abordagem sensível e intimista a figuras reais e temas existenciais.

O génio e a vida turbulenta de Van Gogh continuam a ser uma fonte inesgotável de inspiração para artistas, estudiosos e amantes de arte. Nesta belíssima novela gráfica, Barbara Stok escolhe focar-se num dos períodos mais intensos e decisivos da vida do pintor: a sua estadia em Arles, no sul de França.

É em Arles que Van Gogh se reencontra, ainda que por breves momentos, com a esperança. Encantado pelas paisagens bucólicas, pela luz vibrante da região e pelas cores do sul francês, o pintor encontra finalmente o ambiente que lhe permite criar algumas das obras que o tornariam imortal.

Este período é marcado por um renovado entusiasmo criativo e pelo sonho de fundar um ateliê de artistas, um espaço de partilha onde pudesse trabalhar lado a lado com outros pintores. Contudo, a fragilidade emocional que o acompanhou ao longo da vida volta a manifestar-se com intensidade crescente.

Os surtos da doença mental de que sofre tornam-se mais frequentes, conduzindo-o a episódios de profunda angústia e perda de controlo. A convivência com Paul Gauguin, inicialmente desejada e idealizada, acaba por agravar a instabilidade emocional de Van Gogh. Após uma discussão violenta entre ambos, ocorre o episódio mais célebre — e trágico — da sua biografia: Van Gogh corta parte da própria orelha, um gesto que simboliza o colapso dos seus sonhos e a ruptura definitiva daquele ideal artístico colectivo.

Barbara Stok evita o sensacionalismo e opta por uma abordagem contida, empática e profundamente humana. O seu estilo gráfico, reconhecível pelos traços expressivos, pela simplicidade formal e pelo uso de cores intensas, traduz com subtileza o estado emocional do pintor e a forma como este percepcionava o mundo à sua volta.

Mais do que uma biografia factual, esta novela gráfica é um retrato emocional de um homem em luta consigo próprio, dividido entre a beleza que via no mundo e a dor que carregava dentro de si.

Vincent van Gogh (1853–1890) produziu a maior parte da sua obra num curto espaço de tempo, criando mais de 800 pinturas num período inferior a uma década. Em vida, vendeu apenas um quadro, sendo o reconhecimento do seu génio essencialmente póstumo. Hoje, é considerado uma figura central da arte moderna, símbolo da relação complexa entre criação artística e sofrimento mental.

Barbara Stok, nascida nos Países Baixos, tem-se destacado no panorama europeu da banda desenhada por obras de carácter autobiográfico e biográfico, como Vincent, Rembrandt e The Coffee Maker. O seu trabalho é frequentemente elogiado pela capacidade de transformar vidas reais em narrativas intimistas, acessíveis e emocionalmente ressonantes.

Esta novela gráfica sobre Vincent van Gogh é, acima de tudo, uma reflexão sobre fragilidade, criação e solidão. Ao centrar-se no período de Arles, Barbara Stok oferece-nos um olhar contido mas poderoso sobre um momento decisivo na vida de um artista que mudou para sempre a história da arte.

Com esta edição, a Iguana traz ao público português uma obra que dialoga tanto com leitores de banda desenhada como com amantes de arte, confirmando a novela gráfica como um meio privilegiado para contar histórias humanas complexas e intemporais.

Vincent, Barbara Stok, Iguana, 144 pp., capa mole, cor, 19,95€

3 de fevereiro de 2026

O Meu Casamento Feliz chega ao volume 5

O Meu Casamento Feliz é mais uma daquelas séries que temos acompanhado com particular interesse. Em Fevereiro, chega às livrarias portuguesas o quinto volume desta obra que, desde o seu lançamento, tem vindo a conquistar leitores um pouco por todo o mundo — e também por cá. O livro já se encontra disponível em pré-venda, sinal claro da expectativa em torno deste novo capítulo.

Combinando cenários visualmente deslumbrantes, uma forte componente emocional e uma narrativa que cruza romance, drama familiar e fantasia sobrenatural, O Meu Casamento Feliz afirma-se como muito mais do que uma simples história de amor.

No centro da narrativa está Miyo Saimori, uma jovem marcada por uma infância de negligência emocional e abuso psicológico, num contexto familiar onde o valor pessoal é medido pela posse de dons sobrenaturais. Sem qualquer habilidade aparente, Miyo cresce acreditando que não tem lugar nem valor no mundo.

No quinto volume, a história entra numa fase decisiva: Miyo descobre finalmente que herdou um raro e poderoso dom do enigmático clã Usuba, um segredo cuidadosamente guardado ao longo de gerações. Este despertar não traz alívio imediato — pelo contrário, vem acompanhado de fragilidade física, pesadelos e uma profunda instabilidade emocional.

Os Usubas insistem para que Miyo permaneça com eles e aprenda a dominar o poder que traz dentro de si. Contudo, aceitar esse dom implica enfrentar traumas, medos e escolhas que podem redefinir o seu futuro.

Em paralelo, Kiyoka Kudou, cuja figura austera esconde um carácter profundamente íntegro, enfrenta pressões crescentes para proteger Miyo e garantir um futuro onde ambos possam finalmente ser felizes. A relação entre os dois continua a desenvolver-se de forma contida, mas emocionalmente intensa, sustentada pela confiança e pela aceitação mútua.

Este quinto volume é particularmente relevante por marcar um momento de revelação e crescimento. Os conflitos deixam de ser apenas externos e tornam-se cada vez mais interiores: identidade, auto-aceitação e responsabilidade ganham peso narrativo.

A pergunta central mantém-se: será o amor entre Miyo e Kiyoka suficiente para ultrapassar os segredos, as expectativas familiares e o peso de um poder que pode tanto salvar como destruir?

O Meu Casamento Feliz (Watashi no Shiawase na Kekkon) teve origem como light novel, escrita por Akumi Agitogi e ilustrada por Tsukiho Tsukioka, sendo publicada pela primeira vez no Japão em 2019. O sucesso foi quase imediato, destacando-se num género frequentemente saturado graças ao seu tom mais maduro e introspectivo.

A adaptação para manga, ilustrada por Rito Kohsaka, veio consolidar ainda mais a popularidade da obra, ampliando o seu alcance internacional. Posteriormente, a série conheceu uma adaptação em anime, estreada em 2023, que ajudou a projectar definitivamente a história para um público global.

Akumi Agitogi tem sido elogiada pela forma sensível como aborda temas como abuso emocional, auto-estima, trauma e reconstrução pessoal, enquanto Rito Kohsaka consegue traduzir visualmente essa carga emocional através de expressões subtis e uma composição elegante, reforçando o tom melancólico e esperançoso da narrativa.

O Meu Casamento Feliz distingue-se por subverter expectativas: não é apenas uma história romântica, nem apenas fantasia sobrenatural. É uma narrativa sobre aprender a reconhecer o próprio valor, sobre encontrar segurança num mundo hostil e sobre a lenta construção da felicidade.

Com este quinto volume, a série reafirma-se como uma das propostas mais interessantes do romance gráfico contemporâneo, capaz de emocionar sem recorrer a excessos e de abordar temas complexos com delicadeza e profundidade.

Um lançamento aguardado, e mais um passo firme numa história que continua a crescer em impacto e relevância.

O Meu Casamento Feliz #5, Akumi Agitogi, Rito Kohsaka e Tsukiho Tsukioka, Presença, 240 pp. p&b, capa mole, 10,90€ 

Clube das Princesas Amaldiçoadas – N.º 4

O Clube das Princesas Amaldiçoadas regressa com o seu quarto volume, aprofundando um universo que continua a reinventar os contos de fadas clássicos com inteligência, humor e um olhar contemporâneo. A partir de 3 de Fevereiro, a ASA traz aos leitores mais um capítulo desta série que prova que ser princesa está longe de significar viver num conto perfeito.

Neste novo volume, as protagonistas enfrentam desafios ainda mais complexos, tanto no plano mágico como emocional. As maldições que as unem não são apenas feitiços a quebrar, mas metáforas de inseguranças, medos e expectativas impostas — por outros e por elas próprias. Unidas pelo clube que criaram, estas princesas recusam aceitar passivamente o destino que lhes foi traçado.

Entre reviravoltas, momentos de cumplicidade e decisões difíceis, o volume n.º 4 explora temas como identidade, amizade, coragem e livre-arbítrio, mantendo o equilíbrio entre aventura e emoção que caracteriza a série. Cada personagem ganha maior profundidade, revelando fragilidades e forças que as tornam próximas do leitor, independentemente da idade.

Visualmente envolvente e narrativamente ágil, este volume do Clube das Princesas Amaldiçoadas continua a destacar-se pela forma como subverte os arquétipos tradicionais dos contos de fadas. Aqui, não há princesas à espera de salvação, mas sim jovens determinadas a escrever a sua própria história — mesmo quando tudo parece conspirar contra elas.

Este novo volume confirma o sucesso da colecção e reforça a sua mensagem central: as maldições podem marcar um início, mas não definem um fim. Uma leitura cativante para quem acompanha a série desde o início e uma excelente porta de entrada para novos leitores que procuram histórias de fantasia com significado, personalidade e espírito crítico.

A não perder, a partir de 3 de Fevereiro, nas livrarias.

Clube das Princesas Amaldiçoadas #4, LambCat, ASA, capa mole

2 de fevereiro de 2026

A Guerra de Troia: um clássico reinventado para leitores jovens

A colecção infantil da Nuvem de Letras recebe, a 2 de Fevereiro, uma nova e ambiciosa adaptação de um dos textos fundadores da cultura ocidental. A Guerra de Troia, com texto de Nicolás Schuff e ilustrações de Mariana Ruiz Johnson, propõe uma versão livre, acessível e literariamente cuidada da Ilíada de Homero, pensada para aproximar os leitores mais jovens de uma das epopeias mais célebres da História.

Narrada na primeira pessoa por Aquiles, herói central do conflito entre gregos e troianos, a obra revisita os dez anos da guerra que marcou o imaginário do mundo antigo e atravessou mais de três milénios de cultura. Deuses caprichosos, paixões extremas e feitos heróicos estruturam um relato onde surgem temas como o ciúme, a infidelidade, a inveja, a vingança, as profecias e o sacrifício. Todos estes elementos são aqui depurados e recontados com clareza narrativa, sem que se perca a força simbólica e emocional do mito original.

O texto de Nicolás Schuff, escritor argentino amplamente reconhecido pelo seu trabalho de adaptação de clássicos e mitos para o público infantil e juvenil, consegue um equilíbrio difícil: preservar o espírito épico da Ilíada ao mesmo tempo que a torna compreensível, envolvente e próxima dos leitores mais novos. A opção por uma voz narrativa íntima — a de Aquiles — humaniza o herói e transforma a grande guerra mítica numa experiência emocional e acessível, funcionando como uma verdadeira porta de entrada para a mitologia grega e para a literatura clássica.

A dimensão visual do livro é assegurada pelas ilustrações de Mariana Ruiz Johnson, ilustradora argentina de projecção internacional, distinguida com vários prémios no âmbito do livro infantil. As suas imagens, vibrantes em cor e movimento, acrescentam densidade e emoção à narrativa, exaltando o carácter fabuloso da história sem perder uma sensibilidade contemporânea. O resultado é um diálogo harmonioso entre texto e imagem, onde a grandiosidade épica convive com a intimidade emocional das personagens.

A Guerra de Troia foi originalmente publicada em espanhol e integra um projecto mais amplo de reinterpretação dos grandes mitos clássicos para o público jovem. Esta edição inaugura uma pequena série que terá continuidade com As Aventuras de Ulisses, dos mesmos autores, cuja publicação está prevista para Junho, permitindo acompanhar o ciclo troiano de forma coerente e progressiva.

A Guerra de Troia, Nicolás Schuf e vMariana Ruiz Johnson, Nuvem de Letras, 136 pp., cor, capa dura, 15,95€

The Ghost in the Shell – Livro 1.5: o capítulo “perdido” que encerra a edição portuguesa da série

Chega às livrarias no próximo dia 2 de Fevereiro o terceiro e último volume de The Ghost in the Shell, de Shirow Masamune, numa edição da Distrito Manga. Intitulado The Ghost in the Shell – Livro 1.5: Human-Error Processor, este lançamento vem encerrar a publicação integral da série em Portugal, com um cuidado editorial que merece destaque.

Apesar de ser o terceiro volume editado, Livro 1.5 insere-se cronologicamente entre o primeiro livro da série e Man-Machine Interface. Esta particularidade confere-lhe um estatuto especial dentro do universo da obra, funcionando como uma ponte narrativa e conceptual entre dois momentos distintos da visão de Masamune.

Um dos aspectos mais relevantes deste lançamento é a oferta de uma caixa arquivadora para toda a série, disponibilizada na compra deste último volume. Trata-se de uma oferta limitada ao stock existente, mas que revela uma atenção pouco comum ao público da banda desenhada em Portugal.

Sendo este um meio onde o leitor é, muitas vezes, também coleccionador, este tipo de iniciativa não só valoriza o produto como incentiva a aquisição da série completa. É um gesto simples, mas eficaz, que demonstra respeito pelo leitor e pela longevidade da obra. Um aplauso, portanto, à Distrito Manga por esta decisão editorial.

The Ghost in the Shell 1.5: Human-Error Processor reúne histórias criadas por Shirow Masamune após a conclusão do manga original, mas antes do desenvolvimento de The Ghost in the Shell 2. Durante anos, este material permaneceu relativamente secundário na bibliografia da série, apesar de enriquecer significativamente o seu universo.

Neste volume, o foco recai sobretudo sobre a acção policial e investigativa da Secção 9, afastando-se ligeiramente das reflexões mais abstractas e filosóficas que dominam outros momentos da obra. Ainda assim, continuam presentes os temas centrais da série: a relação entre homem e máquina, a identidade, a consciência e os limites éticos da tecnologia.

Num século XXI onde a distinção entre humano e artificial é cada vez mais difusa, os agentes da Secção 9 enfrentam cibercriminosos, hackers fantasmas, ciborgues assassinos, micromáquinas defeituosas e cadáveres controlados remotamente. O tom é mais directo e procedural, mas não menos inquietante.

Criado por Shirow Masamune em 1989, The Ghost in the Shell tornou-se rapidamente uma obra de referência da ficção científica em banda desenhada. Integrando elementos de cyberpunk, filosofia, política e ciência, o manga antecipou debates que hoje são centrais na sociedade contemporânea.

A série ganhou projecção internacional com a adaptação cinematográfica animada de Mamoru Oshii, em 1995, cuja influência se estendeu ao cinema ocidental e à cultura pop em geral. Mais tarde, Stand Alone Complex e outras séries animadas expandiram o universo, explorando com maior detalhe a vertente policial e política da Secção 9.

Human-Error Processor ocupa um lugar discreto mas fundamental neste percurso, ao mostrar o funcionamento quotidiano da Secção 9 e ao reforçar o carácter colectivo da unidade, para lá da figura icónica da Major Motoko Kusanagi.

Com a publicação de The Ghost in the Shell – Livro 1.5, a edição portuguesa da série fica finalmente completa. A inclusão da caixa arquivadora reforça a ideia de conjunto e sublinha o estatuto da obra enquanto clássico moderno da banda desenhada.

Mais do que um simples volume intermédio, Human-Error Processor é uma peça essencial para compreender a riqueza e diversidade do universo criado por Shirow Masamune. Um lançamento que merece a atenção de fãs antigos e novos leitores, e um exemplo de como edições cuidadas podem fazer a diferença num mercado pequeno, mas exigente.

The Ghost in the Shell – Livro 1.5, Shirow Masamune, Distrito Manga, 192 pp., p&b, capa mole, 30,45€

Duas Raparigas Nuas, de Luz

A ASA acaba de lançar Duas Raparigas Nuas, um romance gráfico histórico de grande fôlego assinado por Luz, que propõe uma abordagem original e profundamente perturbadora à História do século XX: contá-la através do percurso silencioso de uma obra de arte.

Tudo começa em 1919, numa floresta nos arredores de Berlim, quando o pintor expressionista Otto Mueller cria o quadro Duas Mulheres Nuas. A partir desse momento, a pintura deixa de ser apenas um objecto estético para se tornar uma testemunha muda do seu tempo, atravessando décadas marcadas por transformações políticas, sociais e culturais violentas.

Do atelier do artista às paredes do escritório do seu primeiro proprietário, Duas Raparigas Nuas acompanha a vida quotidiana de quem com ela convive. No entanto, esse percurso íntimo é rapidamente engolido pelas convulsões de um dos períodos mais sombrios da História europeia: a ascensão de Hitler ao poder, o anti-semitismo institucional, a perseguição à arte moderna, classificada como “degenerada” pelo regime nazi, a desapropriação de famílias judias, as exposições infamantes, as vendas forçadas e a destruição pelo fogo.

O quadro não age, não reage, não escolhe. É um actor passivo num mundo que lhe é exterior, mas é precisamente essa passividade que lhe confere uma força narrativa singular. Duas Raparigas Nuas sobrevive onde tantos falharam. Sobrevive às ideologias, à violência e ao esquecimento.

Fruto de uma investigação rigorosa conduzida por Luz, esta obra não se limita a reconstruir factos históricos. Pelo contrário, convida o leitor a uma reflexão profundamente actual sobre a fragilidade da liberdade artística e a necessidade constante de vigilância face a todas as formas de censura política e cultural.

Ao seguir o trajecto de uma pintura classificada como indesejável por um regime totalitário, o autor lembra-nos que a perseguição à arte é sempre um sintoma claro da perseguição ao pensamento livre. O passado narrado ecoa perigosamente no presente.

A importância e a qualidade de Duas Raparigas Nuas foram amplamente reconhecidas pela crítica internacional. A obra conquistou a Fauve d’Or 2025 — Melhor Álbum do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême e o Grande Prémio da Crítica ACBD 2025

O autor Luz, nascido em 1972, na região de Indre-et-Loire, é uma figura central do desenho de imprensa e da banda desenhada francesa contemporânea. O seu percurso inclui colaborações marcantes com publicações como Grosse Bertha e Charlie Hebdo, onde desenvolveu um trabalho profundamente ligado à sátira, ao comentário político e cultural. Colaborador regular de revistas como Les Inrockuptibles, Magic e Fluide Glacial, Luz construiu uma obra plural, onde se cruzam o desenho, a crónica musical e a narrativa gráfica. A sua ligação intensa ao universo da música e ao circuito underground influencia decisivamente o seu estilo visual e a sua abordagem narrativa, sempre pessoal, crítica e inquieta.

Com Duas Raparigas Nuas, a ASA traz ao público português uma obra maior da banda desenhada contemporânea, que cruza História, arte e memória com uma inteligência rara. Um livro que não se limita a contar o passado, mas que nos obriga a olhar para o presente com maior atenção e responsabilidade.

Uma leitura exigente, perturbadora e absolutamente necessária.

Duas Raparigas Nuas, Luz, ASA, 200 pp., cor, capa dura, 32,90€