10 de abril de 2026

Mulheres de Papel – O Papel das Mulheres na Banda Desenhada Portuguesa


Com curadoria nacional, a mostra propõe um olhar abrangente sobre a produção feminina contemporânea na banda desenhada portuguesa, reunindo obras de 16 autoras: Alice Prestes, Amanda Baeza, Bárbara Lopes, Filipa Beleza, Inês Garcia, Joana Afonso, Joana Mosi, Joana Rosa, Kachisou, Margarida Madeira, Marta Teives, Patrícia Costa, Raquel Costa, Rita Alfaiate, Sofia Neto e Susa Monteiro.

A exposição distingue-se pela forte aposta em originais, privilegiando o contacto directo com o processo artístico em detrimento de reproduções. A complementar esta abordagem, haverá ainda uma componente audiovisual que revela os bastidores criativos de cada autora, oferecendo ao público uma perspectiva mais íntima e detalhada sobre a construção da banda desenhada.

Integrada na programação do festival, “Mulheres de Papel” dialoga com outras exposições dedicadas a universos icónicos como Naruto e Peanuts, bem como com a obra Don Vega, do autor francês Pierre Alary, que marcará presença no evento.

Spy x Family #16

O 16.º volume de Spy x Family, manga de Tatsuya Endo, dá continuidade ao equilíbrio característico entre comédia, acção e intriga política que tem definido a série desde a sua estreia. Neste novo tomo, a narrativa avança em duas frentes distintas: a missão secreta de Loid Forger e o quotidiano escolar de Anya.

A obra é publicada originalmente no Japão pela Shueisha, com serialização digital através da plataforma Shōnen Jump+, onde se tem mantido como um dos títulos mais populares da atualidade.

No centro da componente mais política da narrativa, Loid — sob a identidade de psiquiatra — aproveita uma oportunidade para recolher informações durante um encontro com Melinda Desmond. A personagem, ligada diretamente a Donovan Desmond, figura-chave da operação em curso, torna-se aqui uma peça relevante para o avanço da missão. Este momento permite levantar novas pistas sobre o enigmático líder político, cuja influência continua a pairar como uma ameaça latente. Ainda que as revelações sejam parciais, reforçam o clima de tensão e espionagem que sustenta o arco principal da série.

Em paralelo, o volume acompanha o início de um novo semestre na Academia Eden, onde Anya se vê envolvida numa inesperada rivalidade de dimensão internacional. Este desenvolvimento introduz novos elementos de humor e conflito, mantendo o tom leve que contrasta com a narrativa mais densa centrada nos adultos. A personagem continua a ser um dos motores da popularidade da série, funcionando como ponto de ligação entre o quotidiano escolar e o universo mais amplo de espionagem e conspiração.

Spy x Family tem-se destacado pela capacidade de cruzar géneros distintos, combinando elementos de comédia familiar com temas de espionagem e crítica social. Neste volume 16, essa fórmula mantém-se eficaz, alternando entre momentos de tensão política e episódios de cariz mais leve. A dinâmica entre os membros da família Forger — cada um com segredos próprios — continua a ser central, contribuindo para a construção de uma narrativa multifacetada que apela a diferentes públicos.

Spy x Family #16, Tatsuya Endo, Devir, 212 pp., p&b, capa mole, 9,99€

9 de abril de 2026

La ligne claire d’Hergé, de Gilles Rattier, dedicada a Bob de Moor

Se há coisa que nunca me canso de cole cionar são monografias de autores de banda desenhada. Ao longo dos anos, fui construindo uma biblioteca que já conta com dezenas de volumes — alguns raros, outros mais acessíveis — mas todos fundamentais para compreender melhor os bastidores desta arte que tanto me fascina. Não são apenas livros: são portas de entrada para processos criativos, contextos históricos e, muitas vezes, para autores que ficam injustamente na sombra.

Foi precisamente essa sensação que tive ao receber a edição especial de La ligne claire d’Hergé, de Gilles Rattier, dedicada a Bob de Moor. Este é o tipo de obra que encaixa na perfeição na minha estante — e que justifica plenamente a obsessão por este género editorial.

Quem, como eu, acumula monografias, sabe que o maior prazer está em descobrir o que não é imediatamente visível nas pranchas publicadas. Neste caso, Rattier oferece-nos um mergulho profundo no papel de Bob de Moor dentro do universo de Hergé.

Durante muito tempo, De Moor foi visto como o “segundo homem”, o colaborador exemplar mas discreto. Esta monografia desmonta essa visão redutora e mostra-nos um autor completo, cuja importância vai muito além do estatuto de assistente.

Ao folhear este livro, fica claro que De Moor não era apenas um executante talentoso: era um verdadeiro guardião da estética da linha clara. A sua capacidade de replicar — e, subtilmente, expandir — o estilo de Hergé é impressionante. Para qualquer leitor interessado em Tintin, esta obra oferece uma perspectiva quase inédita: a de perceber como a consistência visual das aventuras foi, em grande parte, assegurada por uma equipa, com De Moor em destaque.

O título do livro levanta uma questão fascinante: a “linha clara” pertence apenas a Hergé? Rattier sugere que não. No contexto dos Studios Hergé, este estilo transforma-se numa linguagem colectiva, dominada por vários artistas — mas poucos com a mestria de De Moor. Este é, aliás, um dos aspectos que mais aprecio em monografias: a capacidade de questionar ideias feitas e de revelar zonas cinzentas na história da BD.

Do ponto de vista editorial, esta edição especial é exactamente aquilo que procuro: rica em documentação, generosa em imagens e cuidada na abordagem crítica. Não é apenas um livro para ler — é um livro para revisitar, comparar, estudar.

E é aqui que entra o lado mais pessoal: quando olho para a minha biblioteca, com dezenas de monografias alinhadas, sei que esta veio ocupar um lugar merecido. Não apenas por ser dedicada a um autor muitas vezes secundarizado, mas porque contribui para uma compreensão mais ampla de um dos movimentos mais importantes da banda desenhada europeia.

Bob de Moor: La ligne claire d’Hergé, Gilles Rattier, BD Must, 320 pp., cor, capa dura, 95€ (exemplar exclusivo para Les Amis d'Hergé)

Punk Comix – Banda Desenhada e Punk em Portugal

A Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha recebe, no próximo dia 11 de abril, um conjunto de iniciativas dedicadas à banda desenhada, no âmbito do Leituras a Oeste – Encontro de Artes e Banda Desenhada Jorge Machado-Dias. O evento promete reunir público, investigadores e entusiastas desta forma de expressão artística, numa tarde dedicada à reflexão e divulgação da BD em Portugal.

A programação tem início às 15h00 com a inauguração da exposição “Punk Comix – Banda Desenhada e Punk em Portugal”, que ficará patente ao público até ao dia 7 de Maio. Com curadoria de Marcos Farrajota e Joana Pires, a mostra propõe uma leitura aprofundada da relação entre a cultura punk e a banda desenhada no contexto português.

A exposição destaca o caráter alternativo, independente e contestatário desta ligação, apresentando autores, publicações e movimentos que marcaram diferentes momentos desta interseção cultural. Ao longo do percurso expositivo, os visitantes poderão explorar a evolução de uma contracultura que encontrou na BD um meio privilegiado de expressão artística e intervenção.

Pelas 15h30, terá lugar uma sessão de conversa com o investigador e autor Pedro Moura, subordinada ao tema “Banda desenhada: Nem fácil, nem menor”. A iniciativa propõe uma reflexão sobre a complexidade da banda desenhada enquanto forma narrativa, abordando a sua percepção pública, os desafios que enfrenta e o seu posicionamento no panorama cultural contemporâneo.

Com entrada livre, esta iniciativa integra a programação do festival e reforça o papel da Biblioteca Municipal como espaço de promoção cultural e reflexão artística, convidando a comunidade a descobrir e debater o universo da banda desenhada em Portugal.

8 de abril de 2026

Corto Maltese: O dia anterior

O regresso de Corto Maltese continua a afirmar-se como uma das reinvenções mais interessantes da banda desenhada europeia contemporânea. Em Corto Maltese – O Dia Anterior, com argumento de Martin Quenehen e desenho de Bastien Vivès, somos transportados para uma narrativa actual, onde os grandes temas do nosso tempo se cruzam com o espírito aventureiro clássico da personagem criada por Hugo Pratt.

A história começa em Sydney, onde Corto tenta ajudar Marcus, um velho amigo pirata preso numa espiral de autodestruição marcada pelo vício. Fiel à sua natureza errante, Corto opta por aquilo que melhor sabe fazer: fugir para a frente, lançando-se numa nova aventura. A oportunidade surge através de uma advogada que representa um grupo de activistas ambientais. Uma das suas integrantes foi detida nas ilhas Tuvalu e enfrenta a ameaça de extradição para a China — um destino que poderá significar o fim da sua liberdade.

É assim que se inicia uma viagem rumo ao Pacífico, a bordo de um hidroavião decadente pilotado por Marcus, numa missão que mistura resgate, redenção e denúncia. O cenário escolhido não é inocente: Tuvalu surge como símbolo das primeiras vítimas reais das alterações climáticas, com o aumento do nível do mar a ameaçar a própria existência destas ilhas.

Quenehen constrói um argumento que respeita o ADN de Corto — o aventureiro solitário, irónico e moralmente ambíguo — mas introduz uma camada contemporânea, onde temas como activismo, geopolítica e crise ambiental ganham protagonismo. Já Vivès oferece um traço moderno, depurado e expressivo, que pode dividir fãs mais puristas, mas que reforça o tom intimista e melancólico da narrativa.

O álbum destaca-se precisamente por esse equilíbrio entre tradição e renovação. Não se limita a revisitar o mito de Corto Maltese, antes procura colocá-lo no presente, confrontando-o com dilemas atuais e urgentes. A aventura mantém-se, mas agora carrega um peso mais real, mais político — e talvez por isso mais inquietante.

Corto Maltese – O Dia Anterior é, assim, uma leitura que vai além do escapismo habitual. É uma viagem que nos lembra que o espírito livre de Corto continua vivo, mas também que o mundo que ele percorre está em transformação — e nem sempre para melhor.

Corto Maltese: O dia anterior, Martin Quenehen e Bastien Vivès, Arte de Autor, 176 pp., p&b + caderno final a cores, capa dura, 27,95€

Ilustra BD - 7ª edição

O Ilustra BD está de regresso ao Barreiro para a sua 7.ª edição, reafirmando-se como um dos principais encontros dedicados à banda desenhada e à ilustração em Portugal. Com uma programação diversificada, o evento reúne autores nacionais e internacionais, editores e público, promovendo um espaço de partilha, descoberta e celebração da narrativa gráfica.

Entre os destaques desta edição estão as exposições, que percorrem diferentes universos e estilos. Uma das mais emblemáticas é dedicada ao universo de Snoopy e da série Peanuts, criada por Charles M. Schulz, assinalando os 75 anos desta icónica personagem, numa parceria com a Penguin Random House.

A programação inclui também “Shhhh”, do ilustrador André da Loba, uma proposta sensorial inspirada no seu livro homónimo, especialmente pensada para o público escolar, convidando à exploração dos sons do quotidiano.

Outro ponto alto é “Zorro - o Herói Popular”, de Pierre Alary, uma exposição que revisita o mito de Zorro enquanto símbolo de justiça e resistência, em parceria com a Ala dos Livros.

A mostra “Mulheres de Papel”, com curadoria de Hugo Pinto, reúne o trabalho de 16 ilustradoras contemporâneas, propondo uma reflexão sobre o papel das mulheres na banda desenhada portuguesa.

Já os fãs de manga poderão embarcar no universo de Naruto, criado por Masashi Kishimoto, numa exposição que percorre o caminho do jovem ninja, com curadoria de Paulo Monteiro e parceria com a Devir.

Para além das exposições, o Ilustra BD mantém a aposta numa programação abrangente, com feira do livro, sessões de autógrafos, conversas com autores, oficinas e visitas guiadas, proporcionando uma experiência completa para públicos de todas as idades.

A identidade visual desta edição é assinada por Gualter Amaro, contribuindo para reforçar a imagem contemporânea e dinâmica do evento.

Com entrada aberta à criatividade e ao imaginário, o Ilustra BD volta assim a afirmar o Barreiro como um ponto de encontro essencial para todos os amantes da banda desenhada e da ilustração.



7 de abril de 2026

Batman - Grant Morrison #6

O sexto volume da colecção Batman por Grant Morrison, reúne algumas das histórias mais experimentais e sombrias da sua passagem pelo universo do Cavaleiro das Trevas. Com 188 páginas, este tomo compila material originalmente publicado pela DC Comics no final da década de 2000.

O volume inclui os números #8 a #10 da série Batman and Robin, originalmente editados entre 2009 e 2010. Estas histórias integram a fase em que Dick Grayson assume o manto de Batman, acompanhado por Damian Wayne como Robin, num período de transição marcante após os eventos de Final Crisis.

Entre os arcos narrativos presentes, destaca-se Blackest Knight, uma história que cruza elementos de horror com o universo gótico de Gotham, e The Return of Bruce Wayne, do qual faz parte o capítulo The Time and the Batman.

Em Blackest Knight, Batman e Batwoman enfrentam uma ameaça insólita: uma figura que assume a identidade do Cavaleiro das Trevas sob a forma de um morto-vivo. A história explora temas de identidade e legado, recorrentes na escrita de Morrison, ao mesmo tempo que introduz uma atmosfera de terror que se afasta do tom mais tradicional das histórias do herói. A presença de Batwoman reforça a dimensão mais sombria e de investigação do enredo, num confronto que coloca em causa a própria noção de quem — ou o que — pode ser Batman.

Já em The Time and the Batman, Morrison desenvolve uma das suas abordagens mais características: a manipulação do tempo como elemento narrativo. A história liga passado, presente e futuro de Bruce Wayne, construindo um puzzle complexo que envolve viagens temporais e pistas deixadas ao longo de diferentes épocas. Com a participação do Joker, o arco reforça a dimensão quase mítica do confronto entre herói e vilão, apresentando-o como um ciclo que transcende o tempo.

Além do argumento de Grant Morrison, o volume conta com arte de Andy Clarke, Ian Hannin e Scott Hanna. O trabalho visual acompanha a complexidade do argumento, alternando entre sequências de ação intensa e momentos mais abstratos, especialmente nas passagens de caráter temporal.

Batman - Grant Morrison #6, Andy Clarke, Ian Hannin, Scott Hanna e Grant Morrison, Devir, 188 pp., cor, capa dura, 20€