25 de abril de 2026

Dan Da Dan #3: Caos Sobrenatural, Romance e Revelações

O terceiro volume de Dan Da Dan, da autoria de Yukinobu Tatsu, chega com a energia frenética que já se tornou imagem de marca da série. Entre fenómenos paranormais, combates intensos e momentos inesperadamente emotivos, esta obra continua a destacar-se como uma das mais originais da nova geração de manga.

A história prossegue com Okarun e Momo Ayase numa missão pouco convencional: recuperar as misteriosas “bolas” que ele perdeu durante o confronto com a excêntrica Velhota Turbo. Este ponto de partida, tão absurdo quanto intrigante, serve de base para uma sequência de eventos cada vez mais caótica.

Surge então Aira Shiratori, uma rapariga que encontra uma dessas relíquias e desperta poderes espirituais. Convicta de que Momo é uma entidade demoníaca, Aira cria um conflito inesperado que rapidamente escala para algo muito mais perigoso. O verdadeiro perigo manifesta-se com a chegada de Acroseda, a enigmática mulher do vestido vermelho. A sua presença desencadeia um confronto intenso, onde Okarun recorre aos poderes da Velhota Turbo que agora residem dentro de si. A batalha é caótica e imprevisível, culminando num momento crítico em que Aira se vê em grande perigo. A identidade de Acroseda e a sua ligação a Aira tornam-se o grande mistério deste volume, prometendo desenvolvimentos ainda mais surpreendentes nos capítulos seguintes.

Dan Da Dan estreou-se em Abril de 2021 na plataforma digital Shōnen Jump+, da editora Shueisha, conquistando rapidamente popularidade graças à sua mistura ousada de acção, comédia romântica e terror sobrenatural.

O volume 3 foi publicado no Japão a 4 de Outubro de 2021, consolidando o ritmo acelerado e o estilo visual dinâmico que caracterizam a série.

Monster #7

O 7.º volume de Monster, de Naoki Urasawa, marca um ponto de viragem decisivo na narrativa, aprofundando não só o mistério central, mas sobretudo a complexidade emocional das suas personagens. Aqui, o passado começa finalmente a emergir com mais nitidez — e, com ele, verdades perturbadoras.

No centro deste volume está Eva Heinemann, uma figura marcada por ressentimento e autodestruição. O seu ódio por Dr. Kenzo Tenma é quase palpável, alimentado por frustrações pessoais e pela queda da vida privilegiada que outrora teve. Ainda assim, Eva representa uma peça crucial: é uma das poucas pessoas capazes de testemunhar algo que pode provar a inocência de Tenma. A tensão dramática nasce precisamente desta contradição — alguém que poderia salvá-lo, mas que se recusa a fazê-lo.

Urasawa constrói com mestria o arco de Eva, conduzindo-a por um percurso de memória e confronto interno. Quando finalmente decide ajudar Tenma, não o faz por redenção fácil, mas como resultado de um mergulho doloroso no passado. É nesse momento que surge uma revelação-chave: Eva confirma ter visto Johan Liebert, ligando-o directamente aos acontecimentos violentos que moldam a narrativa. Este testemunho, ainda que tardio, reforça a aura enigmática e aterradora de Johan, cuja presença continua a ser mais sentida do que vista. Paralelamente, a ameaça intensifica-se com a aproximação de Roberto, um agente implacável que encarna a “mão maligna” por detrás de forças maiores. A perseguição a Eva introduz um ritmo quase sufocante, lembrando ao leitor que, neste mundo, qualquer tentativa de redenção pode ter um custo elevado.

O elemento mais intrigante deste volume é, no entanto, a introdução da Mansão da Rosa Vermelha. Mais do que um simples cenário, este lugar surge como símbolo e chave para decifrar o passado de Johan e Nina. À medida que Nina Fortner, Tenma e Johan convergem para este ponto, a narrativa ganha um tom quase inevitável — como se todos os caminhos levassem a uma origem comum, sombria e cuidadosamente escondida. Visualmente, Urasawa mantém o seu estilo contido e expressivo, privilegiando olhares, silêncios e enquadramentos que ampliam a tensão psicológica. Não há excessos: cada vinheta serve a construção de um suspense que é tanto emocional quanto narrativo.

Monster #7, Naoki Urasawa, Devir, 416 pp., p&b, capa mole, 20€

24 de abril de 2026

“Então, Michael?!”: O gato mais caótico (e adorável) regressa com Casos de Família

A Sendai Editora prepara-se para mais um lançamento que promete conquistar fãs de mangá e amantes de gatos: o décimo nono título do seu catálogo, Então, Michael?!: Casos de Família, da autoria de Makoto Kobayashi. A obra será apresentada no festival Maia BD, reforçando a aposta da editora em clássicos intemporais com forte apelo humorístico.

Michael é, à primeira vista, um gato perfeitamente comum: adora comer, dormir e procurar os cantos mais quentinhos da casa. No entanto, a sua personalidade curiosa e imprevisível transforma o quotidiano numa sequência constante de confusões.

Neste novo volume, acompanhamos diferentes episódios da sua vida doméstica. Entre tentar ensinar à sua cria os “princípios básicos” de ser um gato, tornar-se o centro das atenções quando chegam visitas e enfrentar aquilo que considera o seu maior rival — um bebé humano —, Michael revela-se tão hilariante quanto caótico. O humor surge precisamente dessa mistura entre comportamentos felinos realistas e situações absurdas, criando momentos com os quais qualquer dono de animais se vai identificar.

Makoto Kobayashi, nascido em 1958 na cidade de Niigata, demonstrou desde cedo interesse pelo desenho e pela narrativa visual. Ainda jovem, inspirava-se nas séries que lia semanalmente, dando os primeiros passos no mundo do mangá.

A sua mudança para Tóquio, em 1977, marcou o início da carreira profissional, trabalhando como assistente de Mikiya Mochizuki. No ano seguinte, estreou-se oficialmente como autor. Curiosamente, Michael surgiu quase por acaso: enquanto desenhava uma série sobre um artista de mangás, um capítulo protagonizado por um gato destacou-se junto do público. O editor percebeu o potencial e sugeriu uma nova série focada nesse animal — assim nasceu Michael.

O nome foi inspirado pela popularidade global de Michael Jackson na época, especialmente após o impacto do videoclipe Thriller. O resultado foi um sucesso imediato que, em 1986, valeu à série o prestigiado Prémio Kodansha de Mangás.

Então, Michael?!: Casos de Família, Makoto Kobayashi, Sendai Editora, 216 pp., p&b, capa mole, €9,90

23 de abril de 2026

A Fuga

Nos turbulentos finais dos anos 50, quando Portugal fervilhava entre a miséria, a coragem e a repressão, um homem simples torna-se protagonista de uma das fugas mais audaciosas da história do regime salazarista. António Tereso, motorista da Carris e militante clandestino do PCP, é preso pela PIDE e, quebrado pela tortura, carrega uma culpa que o consome: falou quando não devia. Agora, precisa de recuperar a honra — perante a família, os companheiros e o próprio Partido.

A Fuga revela o percurso íntimo e heróico de Tereso: a vergonha, o isolamento entre os «rachados», a humilhação e o plano impossível que aceita para se redimir — organizar uma evasão da fortíssima cadeia de Caxias. Durante dois anos vive uma dupla identidade, conquista a confiança dos guardas e prepara, em segredo absoluto, uma operação digna de cinema.

O resultado é uma fuga espetacular: um carro blindado oferecido por Hitler a Salazar, sete dos mais importantes dirigentes comunistas escondidos no seu interior e um homem determinado a recuperar a dignidade perdida — custe o que custar.

A fuga, Jorge Mateus e Paulo Caetano, Iguana, 110 pp., cor, capa mole, 18,45€


A adopção #3

Um nascimento e pedidos de adopção que se concretizam quando menos se espera. Depois, a dor que vira tudo de cabeça para baixo. Uma família onde o pai espanhol entrou com um pedido de adopção em Espanha enquanto a mãe francesa entrou com um pedido de adopção em França. Uma família onde ambos os pedidos se concretizam ao mesmo tempo e, como costuma acontecer nesses casos, uma família onde a natureza assume o controlo e a mãe engravida. É uma família onde a terceira menina é repentinamente adoptada. É também uma família onde quem mais sofre é quem sai do ventre da mãe, porque ela não foi adoptada como as suas duas irmãs. E é uma família onde a dor ataca, deixando o pai sozinho com as suas três filhas adoptivas. É uma história de vida, ou melhor, de quatro vidas, e acima de tudo, é uma enorme história de amor.

Depois de o segundo tomo de A Adopção ter obtido, em 2017 e 2018 respectivamente os Prémio Saint-Michel para o Melhor álbum Francófono e o Prémio da BD Fnac da Bélgica, esta série tornou-se uma referência incontornável da BD europeia dos últimos anos.

Após a edição dos volumes Integrais 1 e 2 desta série (Ala dos Livros, 2022 e 2024, respectivamente) a Ala dos Livros, publica o 3º volume da série.

A Adopção #3: O rei dos mares, Arno Monin e Zidrou, 72 pp., cor, capa dura, 25,90€

11.ª Mostra do Clube Tex

 


22 de abril de 2026

A Trilogia Shakespeariana de Gianni De Luca amanhã nas bancas


A Trilogia Shakespeariana, de Gianni De Luca, é uma das obras mais inovadoras da história da banda desenhada europeia. Publicada originalmente na década de 1970, a obra reúne adaptações em quadrinhos de três peças clássicas de William Shakespeare: A Tempestade, Hamlet e Romeu e Julieta. Com textos adaptados por Raoul Traverso, esta trilogia não apenas recria os enredos shakespearianos, mas também redefine a linguagem visual do meio.

A adaptação de obras teatrais para banda desenhada é um desafio significativo, sobretudo no caso de Shakespeare, cuja dramaturgia se baseia intensamente no diálogo, na expressão corporal e em cenários minimalistas. A Trilogia Shakespeariana surge como uma resposta criativa a esse desafio, propondo uma fusão entre teatro e banda desenhada que rompe com convenções tradicionais.

A trilogia é composta por três narrativas:

* A Tempestade – uma história de magia, vingança e reconciliação.

* Hamlet – a tragédia do príncipe dinamarquês consumido pela dúvida e pela vingança.

* Romeu e Julieta – o clássico romance trágico entre jovens amantes de famílias rivais.

Estas histórias foram originalmente publicadas na revista Il Giornalino entre 1975 e 1976 e posteriormente reunidas em diferentes edições em volume.  

As obras representam um marco na história da banda desenhada europeia, que continua a influenciar autores contemporâneos e a demonstrar o potencial artístico da banda desenhada enquanto meio narrativo. Nesta trilogia, De Luca abandona a divisão clássica em quadradinhos, criando páginas onde as personagens se movem livremente através de cenários contínuos, quase como se estivessem em palco. Essa solução visual aproxima a banda desenhada da linguagem teatral, respeitando simultaneamente o espírito das obras originais.

Trilogia Shakespeariana, de Gianni De Luca e Raoul Traverso, Levoir/A Seita/Público, p&b, 168 pp., capa dura, 16,90€