segunda-feira, 15 de junho de 2026

O Verão em que Hikaru Morreu #6

A tensão e o mistério continuam a crescer em O Verão em que Hikaru Morreu, o perturbador manga de Mokumokuren publicado em Portugal pela  Editorial Presença.

Yoshiki e Hikaru cresceram juntos numa pequena aldeia e eram inseparáveis. Porém, depois de algo inexplicável tomar o lugar de Hikaru, Yoshiki decidiu permanecer ao lado dessa entidade, mesmo sabendo que o seu verdadeiro amigo já não estava ali. Neste sexto volume, a chegada de Tanaka traz novas revelações sobre a identidade de «Hikaru» e sobre a ameaça que se aproxima. Enquanto o misterioso «buraco» que liga dois mundos continua a expandir-se, Yoshiki e a entidade partem para Ashidori em busca de respostas, enfrentando verdades dolorosas sobre a ligação que os une.  

No Japão, o volume original foi publicado pela Kadokawa Shoten a 4 de Dezembro de 2024, dando início ao chamado “Arco do Fecho dos Buracos” da história.  

O Verão em que Hikaru Morreu #6, Mokumokuren, Editorial Presença, 200 pp., p&b, capa mole, 11,90€

Absolute Batman: Zoo – Uma Gotham reinventada e mais selvagem do que nunca

O universo da DC Comics entrou recentemente numa nova fase de reinvenção com a linha Absolute Universe, um projecto que reimagina os seus heróis mais icónicos a partir de uma realidade alternativa nascida após a batalha apocalíptica da Liga da Justiça contra Darkseid. Desta nova continuidade surge uma versão de Gotham City mais crua, imprevisível e brutal, onde até os símbolos tradicionais de esperança e justiça são profundamente transformados.

É neste contexto que chega Absolute Batman: Zoo, uma narrativa que apresenta um Cavaleiro das Trevas radicalmente diferente daquele que os leitores estão habituados a conhecer. Aqui, Gotham é aterrorizada por um gangue de assassinos mascarados que semeia o caos nas ruas, enquanto a cidade mergulha num clima de medo constante. Nesta realidade alternativa, Bruce Wayne não é o bilionário que treina sob a tutela de Alfred na icónica Mansão Wayne. Pelo contrário: trata-se de um jovem sem a estrutura, os recursos ou o legado que tradicionalmente definem o Batman. Privado dos elementos que moldaram o vigilante clássico, este Bruce Wayne constrói a sua própria versão da justiça — mais instintiva, mais violenta e muito mais imprevisível.

A obra, criada por Scott Snyder e pelo artista Nick Dragotta, com contributos visuais de Gabriel Hernández Walta, explora precisamente essa desconstrução do mito do Batman. Em vez de um detective meticuloso e estratega, encontramos um combatente moldado pela sobrevivência, que enfrenta o crime de Gotham quase como uma força bruta em conflito directo com a degradação da cidade.

Absolute Batman: Zoo funciona, assim, como uma história de origem alternativa que desafia tudo aquilo que o leitor pensa saber sobre o herói. A ausência de Alfred, da fortuna Wayne e da estrutura clássica do Batman cria um vazio narrativo que é preenchido por uma abordagem mais selvagem e instintiva ao combate ao crime. O título também introduz uma Gotham mais animalizada e simbólica, onde a violência dos antagonistas reflecte uma cidade à beira do colapso social e moral. O “zoo” do título sugere precisamente essa dimensão: uma selva urbana onde predadores e presas se confundem, e onde a ordem foi substituída pelo caos.

A edição original de Absolute Batman: Zoo foi publicada em 2024 pela DC Comics, integrando o arranque da nova linha Absolute Batman, concebida como uma reinvenção total do mito do Cavaleiro das Trevas para uma nova geração de leitores. Mais do que uma simples reinterpretação, esta obra afirma-se como uma proposta ousada que questiona o que aconteceria a Batman se tudo aquilo que o define lhe fosse retirado. O resultado é uma narrativa intensa, visualmente impactante e filosoficamente provocadora, que reforça a ideia de que mesmo os maiores ícones da BD podem renascer sob novas formas.

Absolute Batman: Zoo, Scott Snyder, Nick Dragotta e Gabriel Hernández Walta, Devir, 190 pp., cor, capa dura, 20€

domingo, 14 de junho de 2026

Sendai abre pré-venda de Midori: a Menina das Camélias, a obra mais controversa de Suehiro Maruo

A editora Sendai anunciou a abertura da pré-venda de Midori: a Menina das Camélias, uma das obras mais conhecidas e polémicas de Suehiro Maruo, autor de referência do movimento ero-guro (erótico-grotesco) japonês. O lançamento marca a chegada ao mercado português de um clássico cult que continua a suscitar debate décadas após a sua publicação original.

A história acompanha Midori, uma jovem órfã que, após a morte da mãe, é forçada a sobreviver sozinha num ambiente marcado pela exploração, miséria e violência. O seu destino cruza-se com o de um circo de aberrações itinerante, onde encontra um mundo tão fascinante quanto cruel. Entre artistas excêntricos, personagens grotescas e situações extremas, Midori tenta preservar a sua humanidade num cenário onde a inocência parece não ter lugar.

Com uma estética inspirada no Japão da era Taishō e nas antigas feiras de curiosidades, Maruo constrói uma narrativa visualmente impressionante, marcada por um detalhe artístico extraordinário e por uma atmosfera simultaneamente poética e perturbadora. A obra tornou-se uma das mais emblemáticas do género ero-guro, destacando-se pela forma como explora os limites entre beleza e horror.

Mais do que uma simples história de terror ou choque, Midori: a Menina das Camélias é frequentemente interpretada como uma crítica social às desigualdades, à exploração humana e à perda da inocência. A sua abordagem gráfica e temática tornou-a uma obra destinada a leitores adultos e um dos títulos mais discutidos da banda desenhada japonesa.

A edição da Sendai representa uma oportunidade única para os leitores portugueses conhecerem uma das obras mais marcantes e controversas da carreira de Suehiro Maruo, autor cuja influência continua a ser sentida no manga alternativo e de vanguarda.

A pré-venda já se encontra disponível, permitindo aos fãs garantir antecipadamente este lançamento muito aguardado.

Supergirl: Mulher do Futuro – Uma viagem épica de vingança, identidade e redenção

Durante décadas, a Supergirl viveu à sombra do Superman. Apesar de possuir os mesmos poderes e de partilhar a herança kryptoniana, Kara Zor-El foi frequentemente vista como uma versão secundária do seu famoso primo. Contudo, Supergirl: Mulher do Futuro, de Tom King e Bilquis Evely, veio alterar por completo essa percepção, oferecendo uma das histórias mais marcantes da personagem nos últimos anos.

Publicada originalmente pela DC Comics como uma minissérie de oito números, esta obra apresenta uma Supergirl diferente daquela que muitos leitores conhecem. Kara não é apenas uma heroína poderosa; é também uma sobrevivente marcada pela perda. Ao contrário de Superman, que chegou à Terra ainda bebé, ela recorda-se de Krypton, da sua destruição e de tudo aquilo que perdeu. Essa bagagem emocional torna-se um dos elementos centrais da narrativa.

A história começa numa fase de profunda reflexão para a protagonista. Sentindo-se sem rumo e sem um verdadeiro propósito, Kara questiona o seu lugar no universo. Foi enviada para proteger o primo, mas este cresceu e tornou-se o maior herói da Terra. Afinal, qual é o seu papel?

A resposta surge de forma inesperada quando conhece Ruthye, uma jovem alienígena determinada a vingar a morte do pai. O assassino continua em liberdade e a rapariga está disposta a atravessar a galáxia para fazer justiça pelas próprias mãos. Relutantemente, Supergirl aceita acompanhá-la, iniciando uma longa jornada pelo espaço que se transforma numa reflexão sobre vingança, sofrimento, responsabilidade e perdão.

Tom King constrói uma narrativa profundamente humana sob a aparência de uma aventura de ficção científica. Através da relação entre Kara e Ruthye, o argumentista explora temas complexos como o luto, a maturidade e as consequências das escolhas individuais. O resultado é uma história que vai muito além do tradicional confronto entre heróis e vilões. Visualmente, a obra é simplesmente deslumbrante. Bilquis Evely cria um universo rico em detalhes, repleto de paisagens alienígenas, cidades exóticas e personagens memoráveis. O seu traço elegante e expressivo confere à narrativa uma dimensão épica sem perder de vista a intimidade emocional dos protagonistas. Cada página funciona como uma ilustração cuidadosamente concebida, reforçando o impacto dramático dos acontecimentos. Outro dos grandes méritos de Supergirl: Mulher do Futuro é a forma como redefine a personagem principal. Kara surge como uma figura complexa, vulnerável e profundamente humana, mesmo possuindo capacidades quase divinas. É precisamente essa combinação que torna a história tão poderosa.

Considerada por muitos leitores e críticos como uma das melhores obras da DC da última década, esta novela gráfica demonstra que ainda existem novas histórias para contar no universo dos super-heróis. Mais do que uma aventura espacial, trata-se de uma emocionante viagem de autodescoberta que devolve à Supergirl o protagonismo que merece.

Supergirl: Mulher do Futuro, Tom King e Bilquis Evely, Devir, 224 pp., cor, capa dura, 20€

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Exposição de ilustração da Raquel Costa

 


Casemate #202

A revista Casemate chega às bancas com a sua edição n.º 202, referente ao mês de Junho de 2026, oferecendo mais uma vez um panorama rico e diversificado do universo da banda desenhada francófona e internacional. Entre entrevistas exclusivas, reportagens, pré-publicações e críticas, esta edição destaca autores consagrados, novos talentos e algumas das obras mais aguardadas do momento.

Logo nas primeiras páginas, a revista apresenta uma série de encontros com criadores de diferentes sensibilidades. Os leitores poderão descobrir o trabalho de Mazan e Dethan, que regressam com uma abordagem original ao imaginário pré-histórico, enquanto Dabitch revisita a figura de Jack London numa aventura ambientada no Havai.

A vertente histórica e biográfica marca igualmente presença com um dossier dedicado a Fritz Haber, cientista cuja contribuição revolucionou a química moderna, mas cuja herança continua a suscitar debates éticos. Já o autor Cavaillez partilha uma experiência profundamente pessoal ao transformar a sua própria história de surdez, iniciada aos cinco anos de idade, numa narrativa de ficção.

Como habitualmente, a Casemate inclui as suas secções de actualidade, com o Journorama, dedicado às notícias e tendências do mundo da BD, e L’Écho des Rézos, que reúne os melhores momentos das redes sociais da comunidade francófona da banda desenhada.

Entre os destaques editoriais deste número encontra-se a despedida de Le Roy des Ribauds, série assinada por Vincent Brugeas e Ronan Toulhoat, acompanhada por páginas exclusivas que permitem aos leitores mergulhar nos bastidores da obra. Também merecem destaque as pré-publicações de novos trabalhos de Gradimir Smudja, que imagina um Louvre esvaziado para escapar à ocupação alemã, e de Shin Zero, que apresenta uma visão irreverente de super-heróis confrontados com a precariedade do quotidiano.

Um dos momentos altos da edição é a homenagem a Enki Bilal, figura incontornável da banda desenhada europeia. A revista celebra cinco décadas de carreira de um autor cuja obra continua a explorar temas como a memória, a resistência, a política e a condição humana. O dossier inclui entrevistas, análises e páginas exclusivas que ajudam a compreender a importância do seu legado artístico.

Para os leitores que procuram novas leituras, a Casemate propõe uma selecção de 24 bandas desenhadas a descobrir durante o mês de Junho, complementada por um extenso guia com 197 lançamentos, festivais e exposições. Trata-se de uma ferramenta indispensável para acompanhar a actualidade editorial e planear futuras aquisições.

A recta final da revista reserva ainda espaço para vários álbuns muito aguardados. Destacam-se a derradeira obra de Pierre Christin, desenvolvida com Lory e Titwane, o novo capítulo de Les Enfants de la Résistance, que acompanha os últimos momentos da Segunda Guerra Mundial, e a colaboração entre Romain Hugault e Jean-Charles Rousseau, dedicada ao fascinante universo das corridas aéreas do início do século XX.

Completam a edição os trabalhos de Bienvenu, que celebra a infância através de imagens de ficção científica repletas de imaginação, e de Sanlaville, que revisita a célebre interpretação de Gustave Doré para a fábula “O Lobo e o Cordeiro”. Como é tradição, o número encerra com a secção de correspondência dos leitores.

Casemate #202, juin 2026, 100 pp., cor, 9,95€

Evento Leya na Feira do Livro de Lisboa