A obra é assinada por Fabienne Blanchut e Catherine Locandro, com ilustrações do desenhador Dawid Cathelin (conhecido artisticamente como Dawid). O livro foi publicado originalmente em França em Setembro de 2025, pela editora Dargaud, e chega este mês a Portugal, numa edição da ASA.
A história acompanha Louis, um estudante de 17 anos que, numa Paris recentemente libertada, divide o seu tempo entre os estudos para o exame final do liceu e pequenos trabalhos. Tudo muda quando decide tornar-se voluntário no centro de repatriamento instalado no Hotel Lutetia. Ali chegam diariamente homens e mulheres que sobreviveram ao horror dos campos de concentração. É nesse contexto que Louis conhece Edith, uma jovem que regressou de Auschwitz‑Birkenau. Marcada por memórias traumáticas, Edith vive presa a um silêncio pesado, incapaz de traduzir plenamente a experiência que viveu. Ainda assim, entre ela e Louis nasce um vínculo profundo, feito de gestos simples, respeito e uma tentativa sincera de compreender o sofrimento do outro.
Ao mesmo tempo, o jovem confronta-se com uma revelação devastadora sobre a sua própria família. Ao investigar o passado da guerra, Louis descobre que o pai trabalhou como motorista durante a ocupação e transportou judeus para o campo de internamento de Drancy Internment Camp, ponto de partida para deportações para os campos de extermínio. A descoberta provoca uma ruptura irreparável entre pai e filho, colocando Louis perante questões difíceis sobre culpa, responsabilidade e memória histórica.
Com uma narrativa delicada e emocionalmente poderosa, Os Cabelos de Edith aborda temas fundamentais da memória do Holocausto: a dificuldade de regressar à vida após o trauma, o silêncio das vítimas e o peso moral que a guerra deixou em toda uma geração. O desenho suave e expressivo de Dawid reforça essa dimensão humana, criando um contraste tocante entre a ternura das personagens e a violência do passado que as assombra. Mais do que um relato histórico, este romance gráfico é também uma reflexão sobre a necessidade de lembrar. Ao contar uma história íntima dentro da grande História, os autores prestam homenagem aos sobreviventes e recordam-nos que compreender o passado é essencial para evitar que o horror se repita.
Com a edição portuguesa da ASA, Os Cabelos de Edith afirma-se como uma das obras de banda desenhada histórica mais marcantes dos últimos anos, convidando leitores de todas as idades a refletirem sobre memória, responsabilidade e humanidade.
Os Cabelos de Edith, Fabienne Blanchut, Catherine Locandro e Dawid, ASA, 168 pp., capa dura, 24,90€






