17 de abril de 2026

Gannibal #6

Desde a alvorada da Humanidade que o canibalismo nos acompanha, como uma sombra alternativa da civilização. E embora pareça ter desaparecido, muitos pensam que está apenas escondido e esquecido...
Daigo Agawa, polícia citadino, é destacado para Kuge, uma vila perdida nas montanhas, para onde vai viver com a esposa e a filha, em busca de uma vida calma numa comunidade acolhedora. Mas a morte de uma idosa levanta dúvidas sobre o que realmente se passa, e sobre o misterioso desaparecimento do seu predecessor na aldeia.

Acontecimentos estranhos e inesperados, um ambiente que banha numa atmosfera angustiante de exclusão permanente e de tensão que não dá descanso... Gannibal é uma série que anuncia as suas premissas terríveis logo de entrada. Em apenas dez páginas do volume inicial chegámos ao primeiro cadáver, e o nosso protagonista, Daiwo, foi ameaçado por um dos aldeões com uma caçadeira! O desenho de Masaaki Ninomiya ajuda a criar o suspense da série, com enquadramentos apertados e que oscilam entre caras desfiguradas pelo medo ou pela emoção em grande plano, e vistas mais amplas das montanhas cheias de um silêncio pesado. 

Neste sexto volume a narrativa avança, com mais mistérios, alguns resolvidos, outros que se vão adensando, tecendo uma tapeçaria cheia de terror e suspense, enquanto continuamos inexoráveis para o desenrolar final, agora que estamos a atingir o meio da saga. Daigo Agawa, aproxima-se cada vez mais do deslindar do mistério que circunda a vila de Kuge e a família Goto. Serão eles ou não canibais? Vamos finalmente conhecer o propósito das crianças desaparecidas e que descobrimos estarem presas numa cave? E que pensar do passado de Keisuke, membro da família Goto, cuja posição oscila entre os deveres familiares e os de justiça e da moral? Não percam mais esta peça do puzzle.

Originalmente publicado na revista de mangá seinen Weekly Manga Goraku, Gannibal foi adaptado para uma série de live-action na Disney+, já com duas temporadas, e o seu décimo volume foi nomeado para o Prémio de Melhor Série do festival de Angoulême de 2023.

Masaaki Ninomiya é um mangaká que vive em Tóquio. Apesar de uma carreira relativamente curta na indústria, já foi galardoado com vários prémios que o tornaram numa das estrelas em ascensão do mangá. A sua primeira série foi Chousou no Babel, em 2016, e em 2018 começou Gannibal, a série que conquistou os corações da crítica e do público, desde a sua estreia na célebre revista Weekly Manga Goraku. A série já atingiu o número extraordinário de mais de três milhões e meio de exemplares vendidos em todo o mundo. Ninomiya destaca-se pelo seu estilo artístico poderoso e incisivo, que retrata uma atmosfera tensa e personagens complexos, numa exploração profunda da psique humana.

Gannibal #6, Masaaki Ninomiya, A Seita, 192 pp., p&b, capa mole, 11,99€

Nevada #3: Blue Canyon

A série Nevada insere-se claramente no universo do western, ainda que o faça através de uma abordagem moderna e híbrida. Escrita por Fred Duval e Jean-Pierre Pécau, com ilustração de Colin Wilson, a série revisita os códigos clássicos do género — o herói solitário, a fronteira, a violência e a sobrevivência — ao mesmo tempo que os transporta para um contexto histórico menos convencional: o início da indústria cinematográfica americana.

Embora profundamente enraizada no imaginário do Velho Oeste, Nevada não se limita a recriar os cenários tradicionais de cowboys e duelos. A série propõe uma reflexão sobre o próprio mito do western, colocando o seu protagonista, Nevada Márquez, entre dois mundos: o da memória da conquista do Oeste e o da sua recriação ficcional em Hollywood. Este enquadramento é particularmente relevante dentro da evolução do género western na banda desenhada europeia, que nas últimas décadas tem procurado reinterpretar os seus códigos, afastando-se da visão clássica e heróica para explorar dimensões mais ambíguas, sombrias e até meta-narrativas.

O terceiro volume, Blue Canyon, aprofunda esta abordagem ao cruzar o western com o thriller e o universo do cinema nascente. A história parte de um incidente aparentemente banal: durante a rodagem de um filme, um actor morre, obrigando à sua substituição. Nevada é então encarregado de escoltar o novo protagonista até ao local de filmagem — uma missão que rapidamente se transforma numa travessia perigosa por territórios hostis. Este argumento retoma elementos clássicos do western — a viagem, o perigo constante, o confronto com territórios indígenas — mas introduz uma camada adicional: a tensão entre realidade e ficção. O Oeste já não é apenas vivido, é também encenado.

Nevada #3: Blue Canyon, Colin Wilson, Fred Duval e Jean-Pierre Pécau, A Seita, 56 pp., cor, capa dura, 18,99€

16 de abril de 2026

15 de abril de 2026

Coimbra BD 2026: O regresso do grande festival de banda desenhada a Coimbra



A cidade de Coimbra volta a afirmar-se como um dos principais polos da cultura visual em Portugal com o regresso do Coimbra BD 2026. O evento decorre entre os dias 24 e 26 de Abril, no emblemático Convento São Francisco, e promete uma edição mais ambiciosa, com programação alargada e novas áreas dedicadas à banda desenhada, ilustração e cultura pop.

Com mais de 60 autores e ilustradores, tanto nacionais como internacionais, esta edição reforça o papel de Coimbra como ponto de encontro criativo. Entre os convidados destacam-se nomes portugueses como Daniel Maia — responsável pelo cartaz —, André Carrilho, João Mascarenhas e Filipe Abranches, além de artistas internacionais como Marcello Quintanilha, Ángel de la Calle e Anna Poszepczyńska.

Segundo Margarida Mendes Silva, vereadora da cultura da Câmara Municipal de Coimbra, o festival tem vindo a consolidar-se como um espaço de criação, divulgação e partilha artística, promovendo o contacto direto entre o público e os criadores.

Uma das principais novidades deste ano é o aumento da área expositiva, com a inclusão da antiga igreja do Convento São Francisco. Este novo espaço será dedicado às editoras e às sessões de autógrafos, respondendo à crescente procura por parte de artistas e público. Outra aposta forte é a expansão da área de videojogos, com destaque para produções nacionais — especialmente de estúdios locais de Coimbra —, reforçando a ligação entre a banda desenhada e outras formas de narrativa visual.

O Coimbra BD 2026 apresenta uma programação diversificada, pensada para diferentes públicos e interesses. Entre as atividades previstas estão:

Exposições e lançamentos editoriais

Workshops e oficinas de desenho

Sessões de autógrafos com autores

Exibições de cinema

Concursos de cosplay (com selecção para o MCM London)

Área dedicada a jogos de tabuleiro

Os fãs de jogos poderão experimentar títulos como “Dungeons & Dragons”, “Lorcana Winterspell”, “Azul Duel” e “Scrabble”, com demonstrações, painéis e torneios.

O primeiro dia do festival será especialmente dedicado às escolas, com actividades pedagógicas como workshops, horas do conto e apresentações. A organização reforça assim a sua missão de estimular novos públicos e incentivar o talento emergente.

Depois de receber mais de 18 mil visitantes em 2025, a organização espera manter — ou superar — esse número em 2026. O investimento municipal ronda os 54 mil euros, refletindo a crescente importância do evento no panorama cultural.

O festival decorre entre as 10h00 e as 20h00 nos dias 24 e 25 de Abril, e até às 18h00 no dia 26. A entrada é gratuita, tornando este um evento acessível a todos os interessados.

Mais do que um festival, o Coimbra BD afirma-se como um verdadeiro ponto de encontro para criadores, fãs e curiosos. Ao cruzar diferentes linguagens artísticas — da ilustração ao gaming —, o evento reforça o seu papel como motor cultural e criativo, colocando Coimbra no mapa da banda desenhada a nível nacional e internacional.


Kagurabachi: o fenómeno que chega agora em português

A editora Devir publica o primeiro volume de Kagurabachi, uma das séries mais mediáticas da nova geração de mangá japonês. Criada por Takeru Hokazono, a obra destacou-se rapidamente pela forte adesão dos leitores e pela viralização nas redes sociais, tornando-se num dos casos mais invulgares de popularidade recente no setor.

A série estreou no Japão a 19 de Setembro de 2023 na revista Weekly Shōnen Jump, publicação da editora Shueisha, conhecida por lançar alguns dos títulos mais influentes do género shōnen. O primeiro volume encadernado foi editado no mercado japonês em Fevereiro de 2024, reunindo os capítulos iniciais da narrativa. Desde então, Kagurabachi tem sido distribuído internacionalmente, incluindo em formato digital através da plataforma Manga Plus, alargando rapidamente a sua base de leitores fora do Japão.

Apesar da sua curta duração, a série já ultrapassou os milhões de exemplares em circulação, um resultado pouco comum para títulos tão recentes. Este crescimento tem sido impulsionado sobretudo pelo impacto online e pela mobilização de comunidades de fãs, que ajudaram a consolidar a sua visibilidade global. Actualmente, Kagurabachi mantém-se em publicação e não tem conclusão anunciada, continuando a ser serializado na Weekly Shōnen Jump.

No plano crítico, a obra também começou a reunir reconhecimento. Entre as distinções alcançadas, destaca-se a vitória nos Next Manga Award de 2024, na categoria de melhor mangá impresso, além de nomeações para prémios relevantes da indústria japonesa.

O primeiro volume introduz a história de Chihiro Rokuhira, jovem que envereda por um percurso de vingança num universo marcado por espadas de poderes sobrenaturais e conflitos violentos. A narrativa combina elementos clássicos do shōnen com um tom mais sombrio, característica que tem contribuído para a sua recepção positiva.

Kagurabachi, Takeru Hokazono, Devir, 216 pp., p&b, capa mole, 9,99€

14 de abril de 2026

A Incrível Adele #16: Avó Jurássica — quando Adele enfrenta… a pré-história familiar

O 16.º volume de A Incrível Adele, intitulado Avó Jurássica (Jurassic Mamie), traz uma nova e divertida situação: Adele é deixada aos cuidados da sua avó, após os pais já não conseguirem lidar com o seu comportamento.

A convivência entre as duas gera um choque de gerações cheio de humor. Adele vê a avó como um verdadeiro “dinossauro”, com hábitos antiquados como comida saudável obrigatória e remédios caseiros estranhos. Isto dá origem a várias situações caóticas e engraçadas.

Apesar do tom leve, o livro aborda de forma subtil temas como as diferenças entre gerações e a importância da compreensão mútua. No final, mantém-se a essência da série: humor irreverente, criatividade e uma protagonista absolutamente inesquecível.

A Incrível Adele #16: Avó Jurássica,  Mr. Tan e Diane Le Feyer, Bertrand Editora, 80 pp., cor, capa mole, 12.20€

Exposição de Banda Desenhada homenageia Augusto Trigo na Feira do Livro de Moura

A cidade de Moura prepara-se para receber uma das iniciativas culturais mais marcantes da sua programação anual, com a realização da exposição de banda desenhada “O rigor e o detalhe”, dedicada ao artista Augusto Trigo. A mostra integra a 45.ª edição da Feira do Livro de Moura e estará patente entre os dias 15 e 26 de Abril, no Cine-Teatro Caridade.

A exposição propõe uma viagem pela obra de Augusto Trigo, destacando uma das suas principais características: o rigor técnico aliado a um impressionante nível de detalhe. Trata-se de uma oportunidade única para revisitar o trabalho de um dos nomes mais relevantes da banda desenhada portuguesa, permitindo também que novas gerações contactem com o seu legado artístico.

Um dos momentos mais significativos da carreira de Trigo remonta a 2009, quando, em parceria com o argumentista Jorge Magalhães, produziu seis pranchas para “Histórias de Mouras”, incluídas no álbum colectivo Salúquia: a Lenda de Moura em Banda Desenhada, editado pela Câmara Municipal de Moura. Este trabalho marcou a última colaboração da reconhecida dupla, deixando uma marca duradoura na BD nacional.

Para além da exposição, a programação inclui uma homenagem a Augusto Trigo, agendada para o dia 18 de Abril, às 18h00, no espaço da Feira do Livro. A sessão será seguida da apresentação dos fanzines “O menino que rabiscava paredes” e “Na pista de um sonho”, reforçando o espírito de celebração da criatividade e da narrativa gráfica.

Com esta iniciativa, a Câmara Municipal de Moura reafirma o seu compromisso com a promoção cultural e com a valorização da banda desenhada enquanto forma de expressão artística, proporcionando ao público uma experiência enriquecedora e inspiradora.