4 de fevereiro de 2026

Vincent, de Barbara Stok: a vida e a fragilidade de um génio em novela gráfica

A Iguana lançou esta semana uma novela gráfica dedicada à vida de Vincent van Gogh, um dos artistas mais influentes — e simultaneamente mais incompreendidos — da história da arte. A obra tem autoria da ilustradora e argumentista holandesa Barbara Stok, conhecida pela sua abordagem sensível e intimista a figuras reais e temas existenciais.

O génio e a vida turbulenta de Van Gogh continuam a ser uma fonte inesgotável de inspiração para artistas, estudiosos e amantes de arte. Nesta belíssima novela gráfica, Barbara Stok escolhe focar-se num dos períodos mais intensos e decisivos da vida do pintor: a sua estadia em Arles, no sul de França.

É em Arles que Van Gogh se reencontra, ainda que por breves momentos, com a esperança. Encantado pelas paisagens bucólicas, pela luz vibrante da região e pelas cores do sul francês, o pintor encontra finalmente o ambiente que lhe permite criar algumas das obras que o tornariam imortal.

Este período é marcado por um renovado entusiasmo criativo e pelo sonho de fundar um ateliê de artistas, um espaço de partilha onde pudesse trabalhar lado a lado com outros pintores. Contudo, a fragilidade emocional que o acompanhou ao longo da vida volta a manifestar-se com intensidade crescente.

Os surtos da doença mental de que sofre tornam-se mais frequentes, conduzindo-o a episódios de profunda angústia e perda de controlo. A convivência com Paul Gauguin, inicialmente desejada e idealizada, acaba por agravar a instabilidade emocional de Van Gogh. Após uma discussão violenta entre ambos, ocorre o episódio mais célebre — e trágico — da sua biografia: Van Gogh corta parte da própria orelha, um gesto que simboliza o colapso dos seus sonhos e a ruptura definitiva daquele ideal artístico colectivo.

Barbara Stok evita o sensacionalismo e opta por uma abordagem contida, empática e profundamente humana. O seu estilo gráfico, reconhecível pelos traços expressivos, pela simplicidade formal e pelo uso de cores intensas, traduz com subtileza o estado emocional do pintor e a forma como este percepcionava o mundo à sua volta.

Mais do que uma biografia factual, esta novela gráfica é um retrato emocional de um homem em luta consigo próprio, dividido entre a beleza que via no mundo e a dor que carregava dentro de si.

Vincent van Gogh (1853–1890) produziu a maior parte da sua obra num curto espaço de tempo, criando mais de 800 pinturas num período inferior a uma década. Em vida, vendeu apenas um quadro, sendo o reconhecimento do seu génio essencialmente póstumo. Hoje, é considerado uma figura central da arte moderna, símbolo da relação complexa entre criação artística e sofrimento mental.

Barbara Stok, nascida nos Países Baixos, tem-se destacado no panorama europeu da banda desenhada por obras de carácter autobiográfico e biográfico, como Vincent, Rembrandt e The Coffee Maker. O seu trabalho é frequentemente elogiado pela capacidade de transformar vidas reais em narrativas intimistas, acessíveis e emocionalmente ressonantes.

Esta novela gráfica sobre Vincent van Gogh é, acima de tudo, uma reflexão sobre fragilidade, criação e solidão. Ao centrar-se no período de Arles, Barbara Stok oferece-nos um olhar contido mas poderoso sobre um momento decisivo na vida de um artista que mudou para sempre a história da arte.

Com esta edição, a Iguana traz ao público português uma obra que dialoga tanto com leitores de banda desenhada como com amantes de arte, confirmando a novela gráfica como um meio privilegiado para contar histórias humanas complexas e intemporais.

Vincent, Barbara Stok, Iguana, 144 pp., capa mole, cor, 19,95€

3 de fevereiro de 2026

O Meu Casamento Feliz chega ao volume 5

O Meu Casamento Feliz é mais uma daquelas séries que temos acompanhado com particular interesse. Em Fevereiro, chega às livrarias portuguesas o quinto volume desta obra que, desde o seu lançamento, tem vindo a conquistar leitores um pouco por todo o mundo — e também por cá. O livro já se encontra disponível em pré-venda, sinal claro da expectativa em torno deste novo capítulo.

Combinando cenários visualmente deslumbrantes, uma forte componente emocional e uma narrativa que cruza romance, drama familiar e fantasia sobrenatural, O Meu Casamento Feliz afirma-se como muito mais do que uma simples história de amor.

No centro da narrativa está Miyo Saimori, uma jovem marcada por uma infância de negligência emocional e abuso psicológico, num contexto familiar onde o valor pessoal é medido pela posse de dons sobrenaturais. Sem qualquer habilidade aparente, Miyo cresce acreditando que não tem lugar nem valor no mundo.

No quinto volume, a história entra numa fase decisiva: Miyo descobre finalmente que herdou um raro e poderoso dom do enigmático clã Usuba, um segredo cuidadosamente guardado ao longo de gerações. Este despertar não traz alívio imediato — pelo contrário, vem acompanhado de fragilidade física, pesadelos e uma profunda instabilidade emocional.

Os Usubas insistem para que Miyo permaneça com eles e aprenda a dominar o poder que traz dentro de si. Contudo, aceitar esse dom implica enfrentar traumas, medos e escolhas que podem redefinir o seu futuro.

Em paralelo, Kiyoka Kudou, cuja figura austera esconde um carácter profundamente íntegro, enfrenta pressões crescentes para proteger Miyo e garantir um futuro onde ambos possam finalmente ser felizes. A relação entre os dois continua a desenvolver-se de forma contida, mas emocionalmente intensa, sustentada pela confiança e pela aceitação mútua.

Este quinto volume é particularmente relevante por marcar um momento de revelação e crescimento. Os conflitos deixam de ser apenas externos e tornam-se cada vez mais interiores: identidade, auto-aceitação e responsabilidade ganham peso narrativo.

A pergunta central mantém-se: será o amor entre Miyo e Kiyoka suficiente para ultrapassar os segredos, as expectativas familiares e o peso de um poder que pode tanto salvar como destruir?

O Meu Casamento Feliz (Watashi no Shiawase na Kekkon) teve origem como light novel, escrita por Akumi Agitogi e ilustrada por Tsukiho Tsukioka, sendo publicada pela primeira vez no Japão em 2019. O sucesso foi quase imediato, destacando-se num género frequentemente saturado graças ao seu tom mais maduro e introspectivo.

A adaptação para manga, ilustrada por Rito Kohsaka, veio consolidar ainda mais a popularidade da obra, ampliando o seu alcance internacional. Posteriormente, a série conheceu uma adaptação em anime, estreada em 2023, que ajudou a projectar definitivamente a história para um público global.

Akumi Agitogi tem sido elogiada pela forma sensível como aborda temas como abuso emocional, auto-estima, trauma e reconstrução pessoal, enquanto Rito Kohsaka consegue traduzir visualmente essa carga emocional através de expressões subtis e uma composição elegante, reforçando o tom melancólico e esperançoso da narrativa.

O Meu Casamento Feliz distingue-se por subverter expectativas: não é apenas uma história romântica, nem apenas fantasia sobrenatural. É uma narrativa sobre aprender a reconhecer o próprio valor, sobre encontrar segurança num mundo hostil e sobre a lenta construção da felicidade.

Com este quinto volume, a série reafirma-se como uma das propostas mais interessantes do romance gráfico contemporâneo, capaz de emocionar sem recorrer a excessos e de abordar temas complexos com delicadeza e profundidade.

Um lançamento aguardado, e mais um passo firme numa história que continua a crescer em impacto e relevância.

O Meu Casamento Feliz #5, Akumi Agitogi, Rito Kohsaka e Tsukiho Tsukioka, Presença, 240 pp. p&b, capa mole, 10,90€ 

Clube das Princesas Amaldiçoadas – N.º 4

O Clube das Princesas Amaldiçoadas regressa com o seu quarto volume, aprofundando um universo que continua a reinventar os contos de fadas clássicos com inteligência, humor e um olhar contemporâneo. A partir de 3 de Fevereiro, a ASA traz aos leitores mais um capítulo desta série que prova que ser princesa está longe de significar viver num conto perfeito.

Neste novo volume, as protagonistas enfrentam desafios ainda mais complexos, tanto no plano mágico como emocional. As maldições que as unem não são apenas feitiços a quebrar, mas metáforas de inseguranças, medos e expectativas impostas — por outros e por elas próprias. Unidas pelo clube que criaram, estas princesas recusam aceitar passivamente o destino que lhes foi traçado.

Entre reviravoltas, momentos de cumplicidade e decisões difíceis, o volume n.º 4 explora temas como identidade, amizade, coragem e livre-arbítrio, mantendo o equilíbrio entre aventura e emoção que caracteriza a série. Cada personagem ganha maior profundidade, revelando fragilidades e forças que as tornam próximas do leitor, independentemente da idade.

Visualmente envolvente e narrativamente ágil, este volume do Clube das Princesas Amaldiçoadas continua a destacar-se pela forma como subverte os arquétipos tradicionais dos contos de fadas. Aqui, não há princesas à espera de salvação, mas sim jovens determinadas a escrever a sua própria história — mesmo quando tudo parece conspirar contra elas.

Este novo volume confirma o sucesso da colecção e reforça a sua mensagem central: as maldições podem marcar um início, mas não definem um fim. Uma leitura cativante para quem acompanha a série desde o início e uma excelente porta de entrada para novos leitores que procuram histórias de fantasia com significado, personalidade e espírito crítico.

A não perder, a partir de 3 de Fevereiro, nas livrarias.

Clube das Princesas Amaldiçoadas #4, LambCat, ASA, capa mole

2 de fevereiro de 2026

A Guerra de Troia: um clássico reinventado para leitores jovens

A colecção infantil da Nuvem de Letras recebe, a 2 de Fevereiro, uma nova e ambiciosa adaptação de um dos textos fundadores da cultura ocidental. A Guerra de Troia, com texto de Nicolás Schuff e ilustrações de Mariana Ruiz Johnson, propõe uma versão livre, acessível e literariamente cuidada da Ilíada de Homero, pensada para aproximar os leitores mais jovens de uma das epopeias mais célebres da História.

Narrada na primeira pessoa por Aquiles, herói central do conflito entre gregos e troianos, a obra revisita os dez anos da guerra que marcou o imaginário do mundo antigo e atravessou mais de três milénios de cultura. Deuses caprichosos, paixões extremas e feitos heróicos estruturam um relato onde surgem temas como o ciúme, a infidelidade, a inveja, a vingança, as profecias e o sacrifício. Todos estes elementos são aqui depurados e recontados com clareza narrativa, sem que se perca a força simbólica e emocional do mito original.

O texto de Nicolás Schuff, escritor argentino amplamente reconhecido pelo seu trabalho de adaptação de clássicos e mitos para o público infantil e juvenil, consegue um equilíbrio difícil: preservar o espírito épico da Ilíada ao mesmo tempo que a torna compreensível, envolvente e próxima dos leitores mais novos. A opção por uma voz narrativa íntima — a de Aquiles — humaniza o herói e transforma a grande guerra mítica numa experiência emocional e acessível, funcionando como uma verdadeira porta de entrada para a mitologia grega e para a literatura clássica.

A dimensão visual do livro é assegurada pelas ilustrações de Mariana Ruiz Johnson, ilustradora argentina de projecção internacional, distinguida com vários prémios no âmbito do livro infantil. As suas imagens, vibrantes em cor e movimento, acrescentam densidade e emoção à narrativa, exaltando o carácter fabuloso da história sem perder uma sensibilidade contemporânea. O resultado é um diálogo harmonioso entre texto e imagem, onde a grandiosidade épica convive com a intimidade emocional das personagens.

A Guerra de Troia foi originalmente publicada em espanhol e integra um projecto mais amplo de reinterpretação dos grandes mitos clássicos para o público jovem. Esta edição inaugura uma pequena série que terá continuidade com As Aventuras de Ulisses, dos mesmos autores, cuja publicação está prevista para Junho, permitindo acompanhar o ciclo troiano de forma coerente e progressiva.

A Guerra de Troia, Nicolás Schuf e vMariana Ruiz Johnson, Nuvem de Letras, 136 pp., cor, capa dura, 15,95€

The Ghost in the Shell – Livro 1.5: o capítulo “perdido” que encerra a edição portuguesa da série

Chega às livrarias no próximo dia 2 de Fevereiro o terceiro e último volume de The Ghost in the Shell, de Shirow Masamune, numa edição da Distrito Manga. Intitulado The Ghost in the Shell – Livro 1.5: Human-Error Processor, este lançamento vem encerrar a publicação integral da série em Portugal, com um cuidado editorial que merece destaque.

Apesar de ser o terceiro volume editado, Livro 1.5 insere-se cronologicamente entre o primeiro livro da série e Man-Machine Interface. Esta particularidade confere-lhe um estatuto especial dentro do universo da obra, funcionando como uma ponte narrativa e conceptual entre dois momentos distintos da visão de Masamune.

Um dos aspectos mais relevantes deste lançamento é a oferta de uma caixa arquivadora para toda a série, disponibilizada na compra deste último volume. Trata-se de uma oferta limitada ao stock existente, mas que revela uma atenção pouco comum ao público da banda desenhada em Portugal.

Sendo este um meio onde o leitor é, muitas vezes, também coleccionador, este tipo de iniciativa não só valoriza o produto como incentiva a aquisição da série completa. É um gesto simples, mas eficaz, que demonstra respeito pelo leitor e pela longevidade da obra. Um aplauso, portanto, à Distrito Manga por esta decisão editorial.

The Ghost in the Shell 1.5: Human-Error Processor reúne histórias criadas por Shirow Masamune após a conclusão do manga original, mas antes do desenvolvimento de The Ghost in the Shell 2. Durante anos, este material permaneceu relativamente secundário na bibliografia da série, apesar de enriquecer significativamente o seu universo.

Neste volume, o foco recai sobretudo sobre a acção policial e investigativa da Secção 9, afastando-se ligeiramente das reflexões mais abstractas e filosóficas que dominam outros momentos da obra. Ainda assim, continuam presentes os temas centrais da série: a relação entre homem e máquina, a identidade, a consciência e os limites éticos da tecnologia.

Num século XXI onde a distinção entre humano e artificial é cada vez mais difusa, os agentes da Secção 9 enfrentam cibercriminosos, hackers fantasmas, ciborgues assassinos, micromáquinas defeituosas e cadáveres controlados remotamente. O tom é mais directo e procedural, mas não menos inquietante.

Criado por Shirow Masamune em 1989, The Ghost in the Shell tornou-se rapidamente uma obra de referência da ficção científica em banda desenhada. Integrando elementos de cyberpunk, filosofia, política e ciência, o manga antecipou debates que hoje são centrais na sociedade contemporânea.

A série ganhou projecção internacional com a adaptação cinematográfica animada de Mamoru Oshii, em 1995, cuja influência se estendeu ao cinema ocidental e à cultura pop em geral. Mais tarde, Stand Alone Complex e outras séries animadas expandiram o universo, explorando com maior detalhe a vertente policial e política da Secção 9.

Human-Error Processor ocupa um lugar discreto mas fundamental neste percurso, ao mostrar o funcionamento quotidiano da Secção 9 e ao reforçar o carácter colectivo da unidade, para lá da figura icónica da Major Motoko Kusanagi.

Com a publicação de The Ghost in the Shell – Livro 1.5, a edição portuguesa da série fica finalmente completa. A inclusão da caixa arquivadora reforça a ideia de conjunto e sublinha o estatuto da obra enquanto clássico moderno da banda desenhada.

Mais do que um simples volume intermédio, Human-Error Processor é uma peça essencial para compreender a riqueza e diversidade do universo criado por Shirow Masamune. Um lançamento que merece a atenção de fãs antigos e novos leitores, e um exemplo de como edições cuidadas podem fazer a diferença num mercado pequeno, mas exigente.

The Ghost in the Shell – Livro 1.5, Shirow Masamune, Distrito Manga, 192 pp., p&b, capa mole, 30,45€

Duas Raparigas Nuas, de Luz

A ASA acaba de lançar Duas Raparigas Nuas, um romance gráfico histórico de grande fôlego assinado por Luz, que propõe uma abordagem original e profundamente perturbadora à História do século XX: contá-la através do percurso silencioso de uma obra de arte.

Tudo começa em 1919, numa floresta nos arredores de Berlim, quando o pintor expressionista Otto Mueller cria o quadro Duas Mulheres Nuas. A partir desse momento, a pintura deixa de ser apenas um objecto estético para se tornar uma testemunha muda do seu tempo, atravessando décadas marcadas por transformações políticas, sociais e culturais violentas.

Do atelier do artista às paredes do escritório do seu primeiro proprietário, Duas Raparigas Nuas acompanha a vida quotidiana de quem com ela convive. No entanto, esse percurso íntimo é rapidamente engolido pelas convulsões de um dos períodos mais sombrios da História europeia: a ascensão de Hitler ao poder, o anti-semitismo institucional, a perseguição à arte moderna, classificada como “degenerada” pelo regime nazi, a desapropriação de famílias judias, as exposições infamantes, as vendas forçadas e a destruição pelo fogo.

O quadro não age, não reage, não escolhe. É um actor passivo num mundo que lhe é exterior, mas é precisamente essa passividade que lhe confere uma força narrativa singular. Duas Raparigas Nuas sobrevive onde tantos falharam. Sobrevive às ideologias, à violência e ao esquecimento.

Fruto de uma investigação rigorosa conduzida por Luz, esta obra não se limita a reconstruir factos históricos. Pelo contrário, convida o leitor a uma reflexão profundamente actual sobre a fragilidade da liberdade artística e a necessidade constante de vigilância face a todas as formas de censura política e cultural.

Ao seguir o trajecto de uma pintura classificada como indesejável por um regime totalitário, o autor lembra-nos que a perseguição à arte é sempre um sintoma claro da perseguição ao pensamento livre. O passado narrado ecoa perigosamente no presente.

A importância e a qualidade de Duas Raparigas Nuas foram amplamente reconhecidas pela crítica internacional. A obra conquistou a Fauve d’Or 2025 — Melhor Álbum do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême e o Grande Prémio da Crítica ACBD 2025

O autor Luz, nascido em 1972, na região de Indre-et-Loire, é uma figura central do desenho de imprensa e da banda desenhada francesa contemporânea. O seu percurso inclui colaborações marcantes com publicações como Grosse Bertha e Charlie Hebdo, onde desenvolveu um trabalho profundamente ligado à sátira, ao comentário político e cultural. Colaborador regular de revistas como Les Inrockuptibles, Magic e Fluide Glacial, Luz construiu uma obra plural, onde se cruzam o desenho, a crónica musical e a narrativa gráfica. A sua ligação intensa ao universo da música e ao circuito underground influencia decisivamente o seu estilo visual e a sua abordagem narrativa, sempre pessoal, crítica e inquieta.

Com Duas Raparigas Nuas, a ASA traz ao público português uma obra maior da banda desenhada contemporânea, que cruza História, arte e memória com uma inteligência rara. Um livro que não se limita a contar o passado, mas que nos obriga a olhar para o presente com maior atenção e responsabilidade.

Uma leitura exigente, perturbadora e absolutamente necessária.

Duas Raparigas Nuas, Luz, ASA, 200 pp., cor, capa dura, 32,90€