segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Casemate #204: Lucky Luke em destaque na edição de Agosto/Setembro

Já está disponível o n.º 204 da revista francesa Casemate, correspondente a Agosto/Setembro de 2026, com Lucky Luke em grande destaque na capa. E há uma boa razão para isso: o cowboy que dispara mais depressa do que a própria sombra prepara-se para celebrar 80 anos, e a revista dedica dez páginas ao próximo álbum da série, assinado por Achdé e Jul, incluindo quatro pranchas de antecipação.

Sob a sugestiva chamada de capa em torno de uma «receita milagrosa» preparada para o octogenário Lucky Luke, a Casemate antecipa assim uma das novidades mais aguardadas da BD franco-belga deste ano.

Mas este número oferece muito mais. A revista começa por recordar como Arthur Conan Doyle chegou a assumir o papel do seu próprio detective, Sherlock Holmes, seguindo-se Chloé Cruchaudet e Home Sweet Home. Philippe Squarzoni coloca em órbita Musk, dedicado ao homem mais rico do mundo, enquanto Pierre-Henry Gomont se interessa pelo espectacular Palio, as célebres corridas de cavalos italianas. Entre as principais antevisões encontram-se ainda Jordi Lafebre, numa escapadela pelos céus ingleses a bordo de um balão; Pascal Rabaté, com L’Enfance des ruines; e Catel, que revisita René Goscinny, apresentado como um inesgotável criador de ideias.

Outro dos destaques é Nanbanjin, apresentado como um duplo relato construído a partir dos diferentes pontos de vista de Cyril Pedrosa e Taiyō Matsumoto. Há ainda espaço para Chroniques de fer et d’écailles, onde se cruzam fantasy e steampunk, e para Catherine Meurisse, que transforma Henry David Thoreau num inesperado precursor do ecossabotagem. Michel Rabagliati traça, por seu lado, um retrato simultaneamente terno e amargo de uma Montreal cheia de contrastes, enquanto Alexandre Standjofski aborda o optimismo e a alegria de El Bacha.

Com Lucky Luke na capa e dez páginas dedicadas ao seu regresso, a Casemate é, naturalmente, um número particularmente apetecível para os seguidores do célebre cowboy criado por Morris, mas também uma boa antevisão da intensa rentrée da banda desenhada franco-belga de 2026.

Casemate #204, août-septembre 2026, 98 pp., 9,95€

Gannibal 7: o terror aperta o cerco em Kuge

A Seita prossegue a publicação portuguesa de Gannibal, de Masaaki Ninomiya, com a edição do sétimo volume daquela que é considerada uma das mais marcantes séries de suspense e terror japonesas da última década.

Publicado originalmente no Japão pela Nihon Bungeisha, em 19 de Outubro de 2020, o sétimo volume reúne capítulos anteriormente serializados na revista Weekly Manga Goraku, onde Gannibal foi publicada entre 2018 e 2021, num total de 13 volumes.

Ao longo da série, o polícia Daigo Agawa, recentemente transferido para a remota aldeia de Kuge, vê-se confrontado com uma comunidade fechada sobre si própria, marcada por tradições ancestrais e por um inquietante rumor: os habitantes poderão praticar canibalismo. À medida que a investigação avança, o ambiente torna-se cada vez mais opressivo e as fronteiras entre superstição, violência e realidade começam a esbater-se.

Neste sétimo tomo, Masaaki Ninomiya mantém o ritmo intenso que caracteriza a série, aprofundando os conflitos entre Daigo e os habitantes da aldeia, ao mesmo tempo que acrescenta novas peças ao complexo puzzle que envolve a família Gotō e os segredos de Kuge. O suspense é construído de forma gradual, recorrendo a um notável equilíbrio entre a investigação policial, o horror psicológico e a tensão permanente que envolve todas as personagens.

Graficamente, Gannibal continua a impressionar pelo traço realista de Ninomiya. O domínio dos contrastes, das expressões faciais e dos enquadramentos transmite uma constante sensação de claustrofobia e ameaça, fazendo da própria aldeia uma personagem central da narrativa.

Gannibal #7, Masaaki Ninomiya, A Seita, 192 pp., p&b, capa mole, 11,99€

sábado, 8 de agosto de 2026

Dylan Dog: Morte em 16 por 9

Criado por Tiziano Sclavi em 1986, Dylan Dog é o célebre investigador do paranormal, o detective dos pesadelos, uma das mais conhecidas personagens de BD de sempre, cujas aventuras ao mesmo tempo aterradoras, inquietantes e melancólicas, têm encantado leitores – e leitoras – em todo o mundo. Onde termina o artista e começa a obra, onde se interrompe a dor e se inicia o prazer, onde se fundem as linhas que separam a vítima do carrasco? É nesse espaço liminal nebuloso que se terá de mover Dylan Dog, lutando para não acabar sufocado nas espirais inebriantes de uma misteriosa mecenas que fez da arte a sua razão de vida. E de morte. Roberto Recchioni e Corrado Roi arrastam-nos numa viagem alucinante, uma tempestade de emoções contrastantes que levará o investigador do pesadelo a ficar prisioneiro de uma mente alienígena, e o levará ao ponto de ruptura, a um passo do abismo, obrigando-o a enfrentar os piores fantasmas do seu passado.

Dylan Dog: Morte em 16 por 9, Roberto Recchioni e Corrado Roi, A Seita, 208 pp., p&b, capa dura, 24€

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Thorgal Saga 2: Wendigo

Durante a viagem de regresso do país Qâ, Thorgal e a sua família veem‑se apanhados em pleno conflito entre dois povos autóctones. Nestas terras ainda selvagens, nada parece capaz de travar o caos da guerra, desde que o Wendigo, uma criatura mitológica, foi invocado. Para salvar Aaricia, grávida e ferida, Thorgal não tem outra escolha senão tomar partido e voltar a comprometer‑se na loucura dos homens.

Mergulhando nas lendas ancestrais do Norte, Fred Duval constrói uma narrativa tensa e profundamente humana baseada em Wendigo, uma criatura do folclore ameríndio associada à fome, à solidão extrema e à perda da humanidade. A história destaca-se pela forma como combina aventura e horror, colocando as personagens perante dilemas éticos intensos. O traço expressivo de Corentin Rouge, aliado ao argumento sólido de Fred Duval, reforça o sentimento de claustrofobia e tensão constante. Mais do que um simples episódio de aventura, Wendigo é uma reflexão sobre o instinto de sobrevivência e o preço a pagar quando a civilização cede lugar à barbárie.

Thorgal Saga 2: Wendigo, Fred Duval e Corentin Rouge, A Seita, 136 pp., cor, capa dura, 28€

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Wild West regressa com um novo capítulo!

A Ala dos Livros acaba de editar o 5.º volume da série Wild West, intitulado Redenção, da dupla Thierry Gloris (argumento) e Jacques Lamontagne (desenho), dando início a um novo díptico que volta a cruzar ficção com personagens reais da conquista do Oeste americano.

Desde o primeiro volume, Thierry Gloris tem construído a série recorrendo a figuras históricas do Velho Oeste, como Wild Bill Hickok, Calamity Jane e Charlie Utter, integrando-as em tramas ficcionais cheias de acção, violência, suspense e rigor na reconstituição histórica. Neste quinto álbum, junta-se à narrativa mais uma personagem lendária: Belle Starr, uma das mais famosas fora da lei da história do Oeste americano, conhecida como a "Rainha dos Bandidos".

A acção decorre em Dolores City, na fronteira entre a Califórnia e o Nevada. Depois dos acontecimentos dramáticos dos volumes anteriores, Wild Bill vive agora como xerife da pequena cidade, enquanto Calamity Jane regressa aos excessos da bebida e Charlie Utter desempenha as funções de carteiro. A aparente tranquilidade termina com a chegada da família Ballou, liderada pela enigmática Catherine. Sob a identidade de pacíficos rancheiros escondem-se perigosos fugitivos, cuja presença irá mergulhar Dolores City no caos e conduzir ao reencontro com um velho inimigo.

Um dos grandes trunfos da série continua a ser o extraordinário trabalho gráfico de Jacques Lamontagne. O seu desenho realista, a atenção ao detalhe histórico e a qualidade das paisagens do Oeste fazem de Wild West uma das mais belas séries de western franco-belga da actualidade. A capa de Redenção volta a confirmar esse nível de excelência, sendo, uma vez mais, um dos grandes atractivos do álbum.

Wild West – Volume 5: Redenção: Thierry Gloris e Jacques Lamontagne, Ala dos Livros, 48 pp., cor, capa dura, 17,50€

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

O Diabo e a Coral: a nova obra de Josep Homs já chegou às livrarias

A Ala dos Livros acaba de editar em Portugal O Diabo e a Coral, a mais recente obra de Josep Homs, um álbum que combina ficção histórica, fantasia e drama num dos períodos mais sombrios da história europeia.

A ação decorre em Praga, em 1938, quando o continente se afunda no ódio, na intolerância e na iminência da Segunda Guerra Mundial. Enquanto Hitler parece conduzir a Europa para o abismo, corre o rumor de que o ditador é guiado pelo próprio Diabo. Mas e se essa ideia não fosse apenas uma metáfora?

É neste contexto que surge Lúcifer, preso contra a sua vontade ao mundo dos homens e incapaz de regressar ao Inferno. A única pessoa capaz de o ver é Coral, uma jovem judia inteligente e determinada. Entre ambos estabelece-se uma estranha relação de dependência, obrigando-os a unir esforços para quebrar o misterioso feitiço que os mantém ligados. A resposta poderá estar escondida no passado do pai de Coral, o enigmático Rabino Loew.

Com o seu reconhecido talento gráfico, Josep Homs constrói uma narrativa visualmente deslumbrante, onde o fantástico se cruza com acontecimentos históricos reais, oferecendo uma reflexão sobre o fanatismo, a liberdade e a condição humana.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Albert Londres tem de Desaparecer chega hoje às livrarias

A Levoir e o jornal Público editam hoje, 31 de Julho, a novela gráfica Albert Londres tem de Desaparecer, da autoria de Frédéric Kinder e Borris.

Entre a biografia e a ficção, a obra revisita os últimos meses de vida de Albert Londres, considerado um dos pioneiros do jornalismo de investigação moderno. Muito mais do que um simples repórter, Londres destacou-se por denunciar injustiças e abusos, revelando ao mundo realidades incómodas como as condições da prisão de Cayenne, o tráfico de mulheres na Argentina ou o tratamento desumano nos hospitais psiquiátricos.

Em Dezembro de 1931, parte para a China numa viagem envolta em mistério. Sem mandato de qualquer jornal, prepara-se para investigar um alegado tráfico de armas e ópio que envolveria altas esferas da Marinha francesa. As revelações que prometia publicar eram, nas suas próprias palavras, «dinamite». No entanto, nunca chegaram a ver a luz do dia. Em Maio de 1932, Albert Londres desapareceu no naufrágio do Georges Philippar, um acontecimento que continua a alimentar dúvidas sobre se a sua morte foi realmente acidental.

Premiada com o Prémio de Banda Desenhada RTL 2022, esta é uma obra que cruza rigor histórico, suspense e ficção para revisitar um dos maiores mistérios da história do jornalismo francês.

Albert Londres tem de Desaparecer, Frédéric Kinder e Borris, Levoir, 104 pp., cor, capa dura, 16,90 €