20 de abril de 2026

Mãe e Peras

Mãe e Peras, a novela gráfica de Diana Rodrigues é uma leitura para mães reais que tantas vezes já pensaram: «Só Pode Estar a Gozar Comigo».

A novela gráfica Mãe e Peras, de Diana Rodrigues, criadora da página com o mesmo nome com mais de 500 mil seguidores, está nas livrarias a partir de 21 de Abril.

Com humor afiado, ternura desarmante e uma honestidade que nos faz suspirar, encontramos nestas páginas o lado menos filtrado da maternidade: as culpas, os falhanços épicos, os pequenos triunfos invisíveis e aquele amor gigante que compensa (quase) tudo.

Entre birras no corredor do supermercado, perguntas existenciais às três da manhã e a misteriosa arte de encontrar meias desaparecidas, há uma verdade universal que ninguém ousa dizer em voz alta: ser mãe custa. Custa tempo, sono, paciência… e, às vezes, custa mesmo dinheiro. 

Neste livro, Diana Rodrigues, a voz bem-disposta e mordaz por detrás da página Mãe e Peras, transforma o caos do quotidiano materno numa sequência de ilustrações e episódios onde o riso é a melhor estratégia de sobrevivência.

Porque ser mãe custa. Mas, felizmente, também rende gargalhadas, memórias e histórias que merecem ser contadas.

Diana Rodrigues nasceu na cidade de Castelo Branco, em 1989. É licenciada em Gestão e contabilista, mas é também a actriz, maquilhadora, editora, produtora e realizadora por trás do projecto @mae_e_ peras. O que começou como um desabafo visual sobre os desafios da maternidade rapidamente se transformou numa comunidade de mais de meio milhão de seguidores, onde Diana aplica a máxima de «rir para não chorar», ajudando outros pais a sobreviver ao caos do dia a dia através do humor.

Com a dualidade típica do seu signo de Gémeos, divide o seu tempo entre o rigor dos números e a paixão pelas remodelações, provando que é possível conciliar a estrutura de um balancete com a criatividade sem filtros das redes sociais. Reconhecida pela sua frontalidade e por ter sempre razão (confirmado pelo marido), Diana Rodrigues utiliza os seus guiões para desmistificar a parentalidade real, criando um espaço onde milhares de pais se revêem em cada situação partilhada.

Mãe e Peras, Diana Rodrigues, Oficina do Livro, 168 pp., cor, 19,90€

As Guerras de Lucas - Episódio II

A continuação da premiada série As Guerras de Lucas. Após a estreia do primeiro filme de Star Wars, o jovem George Lucas deixou de ser o sonhador excêntrico que ninguém levava a sério. Elevado ao sucesso de bilheteira e rico em milhões, detinha as chaves para decidir o seu futuro. Determinado a libertar-se de uma vez por todas da ditadura dos estúdios, fez a ousada aposta de arriscar tudo o que possuía para financiar sozinho o seu próximo filme. Uma decisão que teria consequências a longo prazo…

Com base no segundo filme da trilogia Star Wars, este volume conta a história esquecida da verdadeira provação que foi a produção de O Império Contra-Ataca. Drama, conflito e acidentes improváveis atormentaram as filmagens, quase fazendo esquecer os contratempos encontrados no primeiro filme... Uma descida ao inferno que por pouco não destruiu Lucas, mas que, no final, deu origem a um filme hoje considerado a obra-prima da saga. Uma novela gráfica envolvente, repleta de revelações, que nos convida e transporta também para a história da criação de Indiana Jones. Meticulosamente documentado, cheio de revelações e curiosidades, num estilo gráfico dinâmico e empolgante, este livro é essencial tanto para os fãs de Star Wars como para os entusiastas do cinema.

Publicado em Outubro de 2023, e com edições em mais de duas dezenas de países, o primeiro volume da série As Guerras de Lucas vendeu mais de 100. 000 exemplares em França e recebeu dois prestigiados prémios: o Prémio Prix BD Fnac France Inter 2024 e o Prémio Prix BD France Info et Reportage 2024. Fãs assumidos do universo de Star Wars, Laurent Hopman e Renaud Roche assinam uma obra notável que mais do que uma porta para os bastidores de uma das sagas mais importantes da história do cinema é, simultaneamente, uma história de perseverança e de superação que, mais uma vez, prende o leitor até… à última vinheta.

As Guerras de Lucas - Episódio II, Laurent Hopman e Renaud Roche, Ala dos Livros, 208 pp., cor, capa dura, 31€

19 de abril de 2026

“Um Feiticeiro de Terramar” ganha nova vida em romance gráfico pela Relógio d’Água

A obra incontornável da fantasia moderna, Um Feiticeiro de Terramar, de Ursula K. Le Guin, regressa agora às livrarias portuguesas numa nova forma: um romance gráfico que reinterpreta visualmente a jornada de Ged, o mais poderoso feiticeiro do arquipélago de Terramar.

Publicada pela Relógio d’Água, esta adaptação conta com argumento e ilustração de Fred Fordham, conhecido por transpor grandes clássicos da literatura para o formato de banda desenhada. O resultado é uma obra que mantém a essência filosófica e simbólica do original, ao mesmo tempo que a torna mais acessível a novos públicos.

Publicado originalmente em 1968, Um Feiticeiro de Terramar é o primeiro volume do ciclo Terramar e acompanha a juventude de Ged — outrora conhecido como Gavião —, cuja ambição e sede de conhecimento o levam a libertar uma força sombria que ameaça o equilíbrio do mundo. A narrativa acompanha o seu percurso de aprendizagem, redenção e autoconhecimento, temas centrais na obra de Le Guin

Na adaptação gráfica, Fred Fordham traduz esse universo denso e poético para uma linguagem visual marcada por paisagens amplas e um forte sentido cinematográfico. As ilustrações destacam-se pela atenção ao detalhe e pela construção atmosférica, captando tanto a grandiosidade do mundo de Terramar como o conflito interior do protagonista. Mais do que uma simples transposição, esta edição propõe uma nova leitura da obra, onde o ritmo visual e a composição gráfica reforçam o drama pessoal de Ged e a dimensão simbólica da história. A dureza do mundo, as leis da magia e o equilíbrio entre luz e sombra são explorados com um realismo que aproxima o leitor contemporâneo da narrativa clássica.

Com 288 páginas, esta versão em banda desenhada posiciona-se como uma porta de entrada para novos leitores, sem deixar de oferecer uma experiência enriquecedora para os fãs da saga. A publicação confirma também a relevância contínua da obra de Ursula K. Le Guin, frequentemente considerada uma das vozes mais influentes da literatura fantástica do século XX, e demonstra como os grandes clássicos continuam a reinventar-se através de novas linguagens e formatos.

Um Feiticeiro de Terramar, Fred Fordham, Relógio d'Água, 288 pp., cor, capa mole, 24€

18 de abril de 2026

Wild West #4: A lama e o sangue

O quarto volume da série Wild West, intitulado A Lama e o Sangue, marca a conclusão do segundo díptico desta saga de western criada por Thierry Gloris e ilustrada por Jacques Lamontagne. Publicado em Portugal pela Ala dos Livros, este álbum reforça a ambição da série: revisitar o mito do Velho Oeste com um olhar crítico, denso e historicamente consciente.  

Longe da visão romantizada do western clássico, A Lama e o Sangue mergulha num território moralmente ambíguo. A narrativa acompanha figuras lendárias como Wild Bill Hickok, Calamity Jane e Charlie Utter, que continuam a perseguição a um assassino misterioso cuja história pessoal — marcada por violência e trauma — reflete o próprio ambiente brutal do Oeste.  

Neste volume, o passado do antagonista ganha relevância: terá sido vítima de um ataque indígena em criança, perdendo os pais e sendo escalpelado. Este detalhe não serve apenas como elemento dramático, mas como chave temática — a violência não surge como exceção, mas como herança inevitável de um território em conflito permanente.  

Um dos elementos mais interessantes do álbum é a forma como integra acontecimentos e tensões históricas. A presença dos Buffalo Soldiers — soldados afro-americanos contratados para proteger a expansão ferroviária — introduz uma camada adicional de crítica social. A obra expõe a ironia de uma nação que, proclamando liberdade, instrumentaliza minorias oprimidas contra outras comunidades igualmente marginalizadas.  

A narrativa ganha ainda mais peso quando a construção da linha férrea leva à destruição de um cemitério sagrado indígena, desencadeando novas tensões. Este episódio sintetiza um dos temas centrais da série: o progresso como força violenta, que avança à custa da memória, da cultura e da dignidade humana.  

O trabalho gráfico de Lamontagne continua a ser um dos grandes trunfos da série. Com traço detalhado e uma paleta que privilegia tons terrosos e sombrios, o artista cria uma atmosfera opressiva que acompanha o tom da narrativa. A “lama” e o “sangue” do título não são apenas metáforas — estão presentes visualmente em cada página, reforçando a sensação de um mundo sujo, violento e sem redenção.

Enquanto quarto volume, A Lama e o Sangue funciona como desfecho direto dos acontecimentos iniciados no tomo anterior (Escalpes em Série). A estrutura em dípticos permite um desenvolvimento mais aprofundado das personagens e dos conflitos, culminando aqui numa resolução que privilegia o realismo e evita soluções simplistas.  

Wild West – A Lama e o Sangue confirma a série como uma das abordagens mais maduras do western contemporâneo em banda desenhada. Ao conjugar personagens históricas, rigor temático e uma visão crítica do mito americano, Gloris e Lamontagne constroem uma obra que desafia o leitor a confrontar a violência fundadora dos Estados Unidos.

Mais do que uma história de cowboys, este volume é um retrato cru de um mundo onde justiça e barbárie coexistem — e onde, muitas vezes, são indistinguíveis.

Wild West #4: A lama e o sangue, Jacques La Montagne e Thierry Gloris, Ala dos Livros, 48 pp., cor, capa dura, 17,50€

Casemate nº 200: Uma Edição de Memória, Criação e Actualidade

O número 200 da revista Casemate não se limita a assinalar um marco — celebra-o com uma edição rica, diversa e profundamente ligada à história e ao presente da banda desenhada.

Logo nas primeiras páginas, Casemate abre a sua “caixa de recordações”, convidando os leitores a revisitar momentos marcantes das suas duzentas edições. Este olhar retrospectivo sublinha o percurso da revista enquanto observadora privilegiada da evolução da 9.ª arte.

A edição destaca também criadores e obras que dialogam com o mundo actual. Pierre-Henry Gomont Harambat surge com uma abordagem sensível aos desafios do mundo agrícola, enquanto a habitual Journorama oferece uma panorâmica da actualidade da BD.

Nas páginas seguintes, L’Écho des Rézos compila o melhor das redes sociais, mostrando como a banda desenhada vive também no espaço digital.

Entre os destaques mais apetecíveis estão as antevisões de novas obras, acompanhadas de pranchas inéditas. Fabien Vehlmann e Jean-Baptiste Andreae apresentam La Cuisine des ogres, enquanto Geoffroy Delorme partilha a sua experiência singular em L’Homme-chevreuil.

Zep surpreende com Tourner la page, uma obra centrada na morte de um escritor célebre, e a equipa formada por Xavier Dorison, Thomas Delahaye e Jean-Baptiste Parnotte apresenta Cauchon, num registo intenso e provocador.

Como é tradição, a revista inclui uma selecção criteriosa de 24 álbuns a descobrir, seguida de um extenso guia com 262 lançamentos, festivais e exposições, tornando este número uma ferramenta essencial para acompanhar o panorama editorial.

A segunda metade da revista continua a destacar a diversidade criativa da BD contemporânea. Jordi Lafebre Brocal leva-nos à Langue des vipères, num século XV alternativo, enquanto Teresa Radice e Stefano Turconi exploram uma caça às bruxas na França de Richelieu. O clássico Frankenstein ganha nova vida pelas mãos de Sergio Sala, mostrando como as grandes histórias continuam a ser reinventadas.

Nas páginas finais, Dano apresenta um projecto invulgar ao convidar desconhecidos a posarem nus no seu atelier, enquanto Jessica Usdin reflecte sobre um retrato de Andy Warhol assinado por Alice Neel.

Com este número 200, Casemate reafirma-se como uma publicação essencial para quem acompanha a banda desenhada. Entre memória, crítica, descoberta e antecipação, esta edição especial é um verdadeiro retrato da vitalidade e diversidade da 9.ª arte contemporânea.

Casemate #200, avril 2025, 100 pp., cor, 9,80€

17 de abril de 2026

Gannibal #6

Desde a alvorada da Humanidade que o canibalismo nos acompanha, como uma sombra alternativa da civilização. E embora pareça ter desaparecido, muitos pensam que está apenas escondido e esquecido...
Daigo Agawa, polícia citadino, é destacado para Kuge, uma vila perdida nas montanhas, para onde vai viver com a esposa e a filha, em busca de uma vida calma numa comunidade acolhedora. Mas a morte de uma idosa levanta dúvidas sobre o que realmente se passa, e sobre o misterioso desaparecimento do seu predecessor na aldeia.

Acontecimentos estranhos e inesperados, um ambiente que banha numa atmosfera angustiante de exclusão permanente e de tensão que não dá descanso... Gannibal é uma série que anuncia as suas premissas terríveis logo de entrada. Em apenas dez páginas do volume inicial chegámos ao primeiro cadáver, e o nosso protagonista, Daiwo, foi ameaçado por um dos aldeões com uma caçadeira! O desenho de Masaaki Ninomiya ajuda a criar o suspense da série, com enquadramentos apertados e que oscilam entre caras desfiguradas pelo medo ou pela emoção em grande plano, e vistas mais amplas das montanhas cheias de um silêncio pesado. 

Neste sexto volume a narrativa avança, com mais mistérios, alguns resolvidos, outros que se vão adensando, tecendo uma tapeçaria cheia de terror e suspense, enquanto continuamos inexoráveis para o desenrolar final, agora que estamos a atingir o meio da saga. Daigo Agawa, aproxima-se cada vez mais do deslindar do mistério que circunda a vila de Kuge e a família Goto. Serão eles ou não canibais? Vamos finalmente conhecer o propósito das crianças desaparecidas e que descobrimos estarem presas numa cave? E que pensar do passado de Keisuke, membro da família Goto, cuja posição oscila entre os deveres familiares e os de justiça e da moral? Não percam mais esta peça do puzzle.

Originalmente publicado na revista de mangá seinen Weekly Manga Goraku, Gannibal foi adaptado para uma série de live-action na Disney+, já com duas temporadas, e o seu décimo volume foi nomeado para o Prémio de Melhor Série do festival de Angoulême de 2023.

Masaaki Ninomiya é um mangaká que vive em Tóquio. Apesar de uma carreira relativamente curta na indústria, já foi galardoado com vários prémios que o tornaram numa das estrelas em ascensão do mangá. A sua primeira série foi Chousou no Babel, em 2016, e em 2018 começou Gannibal, a série que conquistou os corações da crítica e do público, desde a sua estreia na célebre revista Weekly Manga Goraku. A série já atingiu o número extraordinário de mais de três milhões e meio de exemplares vendidos em todo o mundo. Ninomiya destaca-se pelo seu estilo artístico poderoso e incisivo, que retrata uma atmosfera tensa e personagens complexos, numa exploração profunda da psique humana.

Gannibal #6, Masaaki Ninomiya, A Seita, 192 pp., p&b, capa mole, 11,99€

Nevada #3: Blue Canyon

A série Nevada insere-se claramente no universo do western, ainda que o faça através de uma abordagem moderna e híbrida. Escrita por Fred Duval e Jean-Pierre Pécau, com ilustração de Colin Wilson, a série revisita os códigos clássicos do género — o herói solitário, a fronteira, a violência e a sobrevivência — ao mesmo tempo que os transporta para um contexto histórico menos convencional: o início da indústria cinematográfica americana.

Embora profundamente enraizada no imaginário do Velho Oeste, Nevada não se limita a recriar os cenários tradicionais de cowboys e duelos. A série propõe uma reflexão sobre o próprio mito do western, colocando o seu protagonista, Nevada Márquez, entre dois mundos: o da memória da conquista do Oeste e o da sua recriação ficcional em Hollywood. Este enquadramento é particularmente relevante dentro da evolução do género western na banda desenhada europeia, que nas últimas décadas tem procurado reinterpretar os seus códigos, afastando-se da visão clássica e heróica para explorar dimensões mais ambíguas, sombrias e até meta-narrativas.

O terceiro volume, Blue Canyon, aprofunda esta abordagem ao cruzar o western com o thriller e o universo do cinema nascente. A história parte de um incidente aparentemente banal: durante a rodagem de um filme, um actor morre, obrigando à sua substituição. Nevada é então encarregado de escoltar o novo protagonista até ao local de filmagem — uma missão que rapidamente se transforma numa travessia perigosa por territórios hostis. Este argumento retoma elementos clássicos do western — a viagem, o perigo constante, o confronto com territórios indígenas — mas introduz uma camada adicional: a tensão entre realidade e ficção. O Oeste já não é apenas vivido, é também encenado.

Nevada #3: Blue Canyon, Colin Wilson, Fred Duval e Jean-Pierre Pécau, A Seita, 56 pp., cor, capa dura, 18,99€