A história começa de forma quase banal. Camélia está sentada num banco público quando repara num livro pousado ao seu lado, aparentemente esquecido. Ao abri-lo, descobre uma dedicatória inesperada: um convite para o levar, lê-lo e, depois, deixá-lo noutro banco, para que continue o seu percurso nas mãos de um novo leitor. Intrigada e divertida, Camélia aceita o jogo.
Mas o livro guarda um segredo. Ao folheá-lo em casa, ela percebe que algumas letras estão cuidadosamente assinaladas, formando uma mensagem escondida — uma espécie de chamada silenciosa à comunicação. Tocada por esse gesto anónimo e cansada da monotonia do seu quotidiano, Camélia decide responder da mesma forma: marca letras, constrói palavras, quase um desejo, e devolve o livro a um banco público, à espera de uma resposta.
É assim que se inicia uma correspondência “à livro aberto”, feita de fragmentos, pistas e silêncios partilhados, entre Camélia e um desconhecido. Uma troca que não depende de perfis, likes ou respostas imediatas, mas sim de atenção, tempo e sensibilidade.
Jim & Mig constroem aqui uma narrativa subtil e profundamente actual, apesar — ou precisamente por causa — da sua recusa em seguir os códigos da comunicação moderna. Um livro esquecido num banco fala de solidão urbana, do desejo de ligação e da magia dos encontros improváveis. Cada página convida o leitor a desacelerar, a observar os detalhes e a lembrar-se de que as histórias mais marcantes nem sempre começam com grandes acontecimentos, mas com pequenos gestos.
Visualmente e narrativamente delicado, o livro destaca-se também pelo seu conceito: o livro como objecto vivo, que circula, transporta vozes e cria laços entre pessoas que talvez nunca se encontrem, mas que se reconhecem nas palavras deixadas para trás.
Mais do que uma simples história de ficção, Um livro esquecido num banco é uma reflexão sensível sobre a forma como nos relacionamos, lemos e comunicamos. Um convite a redescobrir o prazer da leitura partilhada e a acreditar que, mesmo num mundo hiperconectado, ainda há espaço para o mistério, a espera e a poesia.
A partir de 10 de Fevereiro, este pequeno grande livro promete encontrar novos leitores — talvez num banco de jardim, talvez numa estante — e lembrar-nos de que, às vezes, basta abrir um livro para não estarmos tão sós.


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