6 de janeiro de 2026

Beja prepara o primeiro Museu de Banda Desenhada de Portugal

Beja volta a afirmar-se como um dos principais centros da banda desenhada em Portugal. A cidade alentejana vai acolher o primeiro Museu de Banda Desenhada (MBD) do país, um projecto há muito desejado que deverá abrir portas ao público em 2027, após um investimento global superior a 1,2 milhões de euros, com financiamento comunitário já garantido.

De acordo com a informação divulgada pela Câmara Municipal de Beja, o investimento total ascende a 1.274.027,69 euros, sendo comparticipado em 85% por fundos comunitários, através do programa Alentejo 2030. O museu resultará da reabilitação de um edifício devoluto no centro histórico da cidade, que será adaptado para acolher este novo equipamento cultural de dimensão inédita no panorama nacional.

Em declarações à agência Lusa, Paulo Monteiro — diretcor da Bedeteca de Beja, técnico da autarquia e também responsável pelo Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja — confirmou que a candidatura apresentada pela câmara foi aprovada em Outubro. Segundo o responsável, o calendário aponta para a abertura do concurso da obra em 2026 e para a inauguração do museu no ano seguinte.

Um dos aspectos mais relevantes do futuro MBD de Beja é o seu acervo, já considerado excepcional. O museu contará com um espólio que cobre um período que vai de meados do século XIX ao início do século XXI, permitindo uma visão abrangente da história da banda desenhada portuguesa.

No total, o acervo integra cerca de 1.500 pranchas originais de banda desenhada, além de centenas de fotografias, manuscritos, guiões e correspondência, pertencentes a quase uma centena de autores nacionais. Entre os nomes representados encontram-se figuras incontornáveis como Rafael Bordalo Pinheiro, Stuart de Carvalhais e Carlos Botelho, entre muitos outros.

Segundo Paulo Monteiro, este conjunto de materiais possibilita “uma panorâmica muito alargada sobre a história da banda desenhada portuguesa”, reforçando a importância patrimonial e artística da chamada 9.ª arte no contexto nacional.

O Museu de Banda Desenhada de Beja será muito mais do que um espaço expositivo. A infraestrutura integrará três salas de leitura, onde ficará instalada a actual Bedeteca de Beja, hoje sediada na Casa da Cultura. Estão igualmente previstas sete salas de exposição permanente, duas salas para exposições temporárias, uma sala dedicada a oficinas pedagógicas, uma ampla área com função de loja, gabinetes, arquivo, terraço e outras valências complementares.

Este conjunto de espaços permitirá ao museu funcionar como centro vivo de investigação, divulgação, criação e formação, dirigido tanto a públicos especializados como ao grande público.

Para Paulo Monteiro, este é também um passo essencial para o reconhecimento do valor histórico, artístico e cultural da banda desenhada, cuja origem remonta a cerca de 1850. “É muito importante que as pessoas no nosso país tenham noção do real valor deste património e da contribuição da banda desenhada para a história da arte portuguesa”, sublinha.

A criação do museu surge como consequência natural de um trabalho continuado desenvolvido em Beja ao longo das últimas décadas. Desde 2005 que a cidade acolhe uma das poucas bedetecas existentes em Portugal e recebe anualmente o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, um dos mais antigos e prestigiados do país.

A este ecossistema cultural junta-se ainda o colectivo Toupeira, activo há quase 25 anos, composto por mais de 30 autores que vivem da banda desenhada e da ilustração, reforçando a centralidade de Beja na criação contemporânea.

Com o Museu de Banda Desenhada, Beja dá um passo decisivo para consolidar esse legado, transformando-se num polo cultural de referência nacional e internacional e garantindo que a história e o futuro da 9.ª arte tenham, finalmente, uma casa própria em Portugal.

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