segunda-feira, 1 de junho de 2026

Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja regressa com novos autores, exposições e mercado alternativo

O Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja regressa entre 5 e 21 de Junho para a sua 21.ª edição, trazendo à cidade alentejana dezenas de autores, exposições, sessões de autógrafos e um vasto mercado editorial dedicado à nona arte.

Entre os nomes em destaque na programação deste ano estão Beatriz Brajal, Dinis Conefrey, Luckas Ioanathan e Thomas Ott, autores que terão exposições dedicadas às suas obras. A estreia literária de Beatriz Brajal, A cada sete ondas, e o álbum Estância do Sino Coberto, de Dinis Conefrey, ambos lançados no final de 2025, servem de mote para duas das mostras anunciadas.

O brasileiro Luckas Ioanathan, vencedor do Prémio Jabuti para Melhor Banda Desenhada com Como Pedra, marcará presença em Beja com uma exposição centrada na obra distinguida. Já o suíço Thomas Ott integra igualmente o conjunto de autores internacionais convidados para esta edição.

Uma das principais novidades do festival é a criação do Interstícios, um mercado dedicado à autoedição e à edição alternativa, que reunirá pequenos projetos editoriais independentes ligados à banda desenhada e às artes visuais. Entre os participantes encontram-se editoras e coletivos como Magma Bruta, Opuntia Books, Erva Daninha e Gorila Sentado.

O evento mantém ainda algumas das suas marcas habituais, como os encontros entre público e autores, sessões de autógrafos e um mercado do livro que contará com cerca de 60 editoras representadas.

A programação inclui também a exposição colectiva espanhola Aventureras gráficas, com trabalhos de Ana Penyas, Laura Pérez, María Medem, Natacha Bustos e Nuria Tamarit. Estão ainda previstas mostras de Inês Louro (Portugal), Simone Baumann (Suíça) e Benjamin Bachelier (França), bem como a exposição colectiva romena Dracula in Comics.

Um dos momentos de homenagem desta edição será dedicado ao autor Filipe Pina, falecido em 2025. A exposição reunirá obras de André Oliveira, Filipe Andrade, Nuno Lourenço Rodrigues, Nuno Saraiva e Osvaldo Medina, celebrando o legado deixado pelo artista.

O colectivo Toupeira, responsável desde 1996 por um atelier de produção de banda desenhada em Beja, junta-se igualmente à programação, promovendo a participação de autores provenientes de Angola, Brasil, Espanha, Reino Unido e Portugal.

A edição deste ano decorre num momento particularmente relevante para a banda desenhada em Portugal. A Câmara Municipal de Beja está a preparar a instalação do futuro Museu de Banda Desenhada (MBD), o primeiro equipamento do género no país.

Anunciado no início deste ano, o projeto prevê a recuperação de um edifício devoluto no centro histórico da cidade, num investimento superior a 1,2 milhões de euros, financiado por fundos comunitários. A abertura está prevista para 2027.

Segundo Paulo Monteiro, diretor da Bedeteca de Beja e do Festival Internacional de Banda Desenhada, o futuro museu contará com um espólio de exceção, composto por cerca de 1.500 pranchas originais de banda desenhada, além de centenas de fotografias, manuscritos e correspondência de quase uma centena de autores portugueses. Entre os nomes representados estarão figuras históricas como Rafael Bordalo Pinheiro, Stuart de Carvalhais e Carlos Botelho. O espaço incluirá ainda salas de leitura, exposições permanentes e temporárias, oficinas pedagógicas, loja, arquivo e um terraço panorâmico.

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