quarta-feira, 24 de junho de 2026

Amadora BD 2026 já tem datas confirmadas e concursos em andamento

A organização do Amadora BD já começou a revelar os primeiros detalhes da edição de 2026 do maior festival de banda desenhada realizado em Portugal. A 37.ª edição do evento decorrerá entre os dias 15 e 25 de Outubro de 2026, na Amadora, mantendo a tradição de reunir autores, leitores, editores e entusiastas da nona arte.

Embora o programa completo ainda não tenha sido divulgado, já são conhecidas algumas iniciativas que servirão de antevisão ao festival. Entre elas destacam-se os concursos de banda desenhada promovidos pela organização, que este ano têm como tema central o combate ao bullying e a promoção da inclusão. O Concurso de Banda Desenhada da Amadora 2026 dirige-se a jovens autores entre os 12 e os 30 anos, desafiando-os a reflectir sobre os impactos emocionais e sociais do bullying através da criação artística. Os prémios variam entre os 500 e os 1000 euros.

Paralelamente, o Concurso Municipal de Banda Desenhada da Amadora é destinado aos alunos do 1.º e 2.º ciclos das escolas do concelho, incentivando a utilização da banda desenhada como ferramenta de sensibilização para o respeito pela diferença, amizade e entreajuda. As candidaturas para ambos os concursos decorrem até 27 de setembro de 2026, sendo os vencedores anunciados durante o festival. 


terça-feira, 23 de junho de 2026

Ataque dos Titãs #12

A Distrito Manga continua a publicação da aclamada série de Hajime Isayama, trazendo para o mercado português o 12.º volume de Attack on Titan, uma das fases mais intensas e decisivas da obra.

Neste volume, a narrativa acelera de forma dramática. O Corpo de Exploração, liderado por Erwin, avança numa operação desesperada para resgatar Eren das mãos do Titã Colossal e do Titã Couraçado. Fora das muralhas e com recursos limitados, a sobrevivência da missão torna-se cada vez mais improvável. A tensão aumenta à medida que surgem novas dúvidas: qual será a verdadeira lealdade de Ymir? E conseguirá Eren voltar a reunir-se com os seus companheiros?

A obra aprofunda ainda mais o conflito entre humanidade e titãs, colocando os protagonistas perante decisões difíceis e revelações que mudam o rumo da história.

Originalmente publicado no Japão pela Kodansha, Attack on Titan é uma criação de Hajime Isayama, autor que redefiniu o género shonen com uma narrativa marcada por acção, mistério e fortes reviravoltas.

Ataque dos Titãs #12, Hajime Isayama, Distrito Manga, 192 pp., p&b, capa mole, 10,95€

Seminário ibério sobre Tintin - 24 de Junho de 2026

 


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Seminário Ibérico Interdisciplinar: “Tintin – álbuns com história, geografia, arte e património”

 


Edens #10

A Distrito Manga continua a apostar na publicação de Edens Zero, a popular série de ficção científica e aventura criada por Hiro Mashima, e traz aos leitores portugueses o aguardado 10.º volume da colecção durante o mês de Junho de 2026.

A história entra numa das suas fases mais intensas, com Rebecca e Happy a apressarem-se rumo a Belial Gore transportando um remédio capaz de salvar Weisz, gravemente ferido após ter sido baleado. Contudo, os seus planos são interrompidos quando ambos são capturados por Sylph, a guerreira do vento. Em paralelo, Shiki e Homura veem o seu caminho bloqueado por Sylph e pelo seu irmão Jin, enquanto o confronto com o temível Drakken Joe, o “Alquimista das Trevas”, atinge níveis cada vez mais perigosos. Mas aquilo que a tripulação da Edens Zero ainda desconhece é que as verdadeiras trevas do seu inimigo são muito mais aterradoras do que poderiam imaginar. 

Originalmente publicado no Japão pela Kodansha em 2020, este volume dá continuidade a uma das sagas mais marcantes da obra de Hiro Mashima, autor também conhecido pelos sucessos Fairy Tail e Rave

Edens Zero Vol. 10, Hiro Mashima, Distrito Manga, 192 pp. p&b, capa mole, 10,95€


domingo, 21 de junho de 2026

As Gotas de Deus — o mangá que transformou o vinho em narrativa épica

Entre mistério, rivalidade familiar e uma verdadeira viagem sensorial pelo mundo do vinho, As Gotas de Deus  tornou-se uma das obras mais marcantes do manga contemporâneo.

Criada sob o pseudónimo Tadashi Agi (dupla formada pelos irmãos Shin e Yuko Kibayashi, com arte de Shu Okimoto), a série foi publicada pela primeira vez em 2004 na revista Weekly Morning, no Japão, onde se manteve em publicação até 2014. A série principal foi reunida em 44 volumes (tankōbon), a que se juntam sequelas e continuações que expandem o universo da história.

O sucesso foi tão grande que a obra acabou por ser publicada em mais de uma dezena de países, incluindo França — onde teve enorme impacto — além de edições em vários mercados europeus e americanos. Em Portugal, chega através da Levoir e do jornal Público, integrando a aposta na banda desenhada de grande qualidade literária.

O ponto de partida é simples e poderoso: a morte de um famoso enólogo deixa um testamento que obriga o filho biológico, Shizuku Kanzaki, e o filho adoptivo, o crítico Toomine Issei, a competir para identificar os melhores vinhos do mundo — culminando na busca pelas lendárias “Gotas de Deus”. Mais do que uma competição, a obra fala de identidade, herança e descoberta pessoal, usando o vinho como linguagem universal.

O sucesso levou a várias adaptações: duas séries televisivas e uma adaptação internacional recente (2023), além de uma nova série de animação estreada em 2026.

As Gotas de Deus #1, Tadashi Agi e Shu Okimoto, Levoir, 240 pp., p&b, capa mole, 14,90€

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Showa. Uma História do Japão (1939-1944): o Japão em guerra pelos olhos de Shigeru Mizuki

O segundo volume de Showa. Uma História do Japão leva-nos aos anos de 1939 a 1944, um dos períodos mais dramáticos da história contemporânea do Japão. Da autoria de Shigeru Mizuki, um dos mais importantes mangaká japoneses do século XX, esta obra combina relato autobiográfico, análise histórica e banda desenhada para oferecer uma perspectiva única sobre os acontecimentos que marcaram a Segunda Guerra Mundial.

Integrada na série original Comic Shōwa-shi, publicada pela Kodansha no Japão entre 1988 e 1989, esta obra retrata a escalada do conflito na Ásia, a continuação da Segunda Guerra Sino-Japonesa e a entrada do Japão na Guerra do Pacífico após o ataque a Pearl Harbor. Ao mesmo tempo, acompanha a vida do próprio Mizuki, cuja juventude é profundamente marcada pelo ambiente de militarização crescente e pela mobilização para a guerra.

Com uma impressionante capacidade narrativa, o autor alterna entre os grandes acontecimentos políticos e militares e as experiências do cidadão comum, mostrando de que forma as decisões dos líderes afectaram milhões de pessoas. O resultado é um retrato simultaneamente íntimo e abrangente de uma sociedade mergulhada no conflito, onde o patriotismo, a propaganda, o medo e o sofrimento coexistem no quotidiano da população.

Mais do que um simples livro de história, Showa. Uma História do Japão (1939-1944) é uma reflexão sobre os efeitos devastadores da guerra e sobre as escolhas que moldaram o Japão moderno. Através do seu traço inconfundível e de um olhar simultaneamente crítico e humano, Shigeru Mizuki convida-nos a compreender um dos períodos mais complexos da história japonesa a partir da experiência de quem o viveu.

Uma leitura essencial para os interessados na história do Japão, na Segunda Guerra Mundial e na obra de um dos grandes mestres da manga.

Showa. Uma História do Japão (1939-1944), Shigeru Mizuki, Devir, 548 pp., cor, 30€

Dez Mil Elefantes

Chega hoje às bancas uma das mais marcantes novelas gráficas dos últimos anos: Dez Mil Elefantes, de Pere Ortín e Nzé Esono Ebalé, editada pela Levoir em parceria com o Público.

Distinguida com o Prémio Baudet d’Or, esta obra leva-nos à Guiné Equatorial dos anos 40, durante o período colonial espanhol, para revisitar uma história esquecida através do olhar de quem a viveu. Baseada numa profunda investigação histórica e ilustrada integralmente com caneta esferográfica, a narrativa revela as contradições da propaganda colonial e dá voz às memórias silenciadas de um passado ainda presente.

Com argumento do jornalista e escritor Pere Ortín e arte do reconhecido ilustrador e activista equato-guineense Nzé Esono Ebalé, Dez Mil Elefantes é uma poderosa reflexão sobre colonialismo, identidade, memória e liberdade de expressão.

Uma obra visualmente extraordinária e historicamente relevante, agora disponível na colecção Novela Gráfica da Levoir e do Público.

Dez Mil Elefantes, Pere Ortín e Nzé Esono Embalé, Levoir, 144 pp, cor, capa dura, 16,90€ 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

One Piece 13: o fim de Water Seven e o início de Ennies Lobby

O volume 13 de One Piece, da autoria de Eiichiro Oda, reúne alguns dos momentos mais marcantes da saga de Water Seven e prepara o caminho para uma das histórias mais memoráveis de toda a série. Determinado a impedir que Robin abandone os seus companheiros, o bando do Chapéu de Palha enfrenta directamente a CP9, a poderosa organização secreta ao serviço do Governo Mundial. Ao mesmo tempo, Franky vê-se envolvido num perigoso conflito devido à sua ligação ao projecto da arma ancestral Pluton, um dos maiores mistérios do universo de One Piece.

À medida que a acção se intensifica, são reveladas importantes verdades sobre as motivações de Robin e sobre os interesses do Governo Mundial, levando os protagonistas a tomar decisões que irão mudar o rumo da sua aventura. Entre combates emocionantes, momentos de grande tensão e revelações surpreendentes, este volume encerra a saga de Water Seven no capítulo 374 e dá início à muito aguardada saga de Ennies Lobby, a partir do capítulo 375.

Esta edição corresponde à compilação dos volumes originais japoneses 37, 38 e 39, oferecendo aos leitores uma das fases mais emocionantes da obra de Eiichiro Oda

One Piece #13, Eiichiro Oda, Devir, 640 pp., p&b, capa mole, 23€

Naruto #63 – O Mundo dos Sonhos: a identidade por detrás da máscara é finalmente revelada

A recta final da Quarta Grande Guerra Ninja continua a acelerar neste volume, um dos mais marcantes da obra de Masashi Kishimoto. Depois de anos de mistério em torno do enigmático homem mascarado, a verdade começa finalmente a emergir num dos momentos mais memoráveis de toda a série.

Ao lado de Kakashi Hatake e Might Guy, Naruto Uzumaki enfrenta um adversário que parecia invencível. Durante o combate, os ninjas da Folha descobrem uma ligação surpreendente entre os poderes do homem mascarado e a técnica Kamui de Kakashi. A revelação deixa todos perplexos e abre caminho para desvendar um dos maiores segredos da guerra.

Recusando-se a desistir, Naruto continua a lutar com toda a sua determinação. A batalha atinge o auge quando consegue quebrar a máscara do inimigo, revelando uma identidade que mudará para sempre o rumo do conflito e lançará nova luz sobre acontecimentos do passado. Paralelamente, o volume explora as origens e as motivações do homem que se escondeu durante tanto tempo nas sombras, acrescentando profundidade emocional ao confronto.  

Originalmente intitulado Yume no Sekai (O Mundo dos Sonhos), este  volume da série foi publicado pela editora Shueisha no Japão, a 28 de Dezembro de 2012. O volume reúne os capítulos 598 a 607 do manga e corresponde a um dos momentos mais aguardados pelos leitores, devido à revelação da identidade do homem mascarado e ao aprofundamento do seu passado.  

Naruto #63 – O Mundo dos Sonhos, Masashi Kishimoto, Devir, p&b, 192 pp., capa mole, 9,99€

Blue Exorcist #31: a ofensiva final contra Satan

A guerra contra Satan entra numa nova e dramática fase. Com os Cavaleiros da Verdadeira Cruz a lançarem um ataque coordenado à fortaleza do Senhor dos Demónios, os exorcistas veem-se envolvidos numa batalha decisiva que poderá determinar o destino de Assiah e Gehenna.

Enquanto Satan convoca Asmodeus, o Rei da Luxúria, para travar o avanço inimigo, Shura enfrenta um dos mais poderosos soberanos demoníacos. Ao mesmo tempo, Osceola Redarm mede forças com Amon, um adversário que despreza os esforços dos exorcistas e que parece impossível de derrotar. No meio do caos, Rin e Yukio procuram aproveitar a abertura criada pelos combates para romper o portão que conduz ao coração da fortaleza. Contudo, atravessar essa barreira revela-se uma tarefa muito mais difícil do que esperavam.

Com Shura e Osceola encurralados e a missão à beira do fracasso, os heróis são forçados a considerar medidas desesperadas. O volume combina acção intensa, revelações importantes e momentos de grande tensão emocional, preparando o terreno para os confrontos decisivos do arco final da série. 

O volume 31 foi publicado originalmente no Japão pela Shueisha em 4 de Junho de 2024.

Blue Exorcist #31, Kazue Kato, Devir, 200 pp., p&b, capa mole, 9,99€

terça-feira, 16 de junho de 2026

Sendai abre pré-venda de Planetes 1, a aclamada obra de Makoto Yukimura

A editora Sendai anunciou a abertura da pré-venda de Planetes 1, o primeiro volume da aclamada série de ficção científica criada por Makoto Yukimura, autor que mais tarde conquistaria reconhecimento mundial com Vinland Saga. Considerada uma das obras mais realistas e humanas do género, Planetes chega agora aos leitores portugueses numa edição muito aguardada pelos fãs de manga.

A história acompanha Hatirota Hoshino, mais conhecido por Hatimaki, um astronauta que trabalha na recolha de detritos espaciais em órbita terrestre. Embora a sua função seja essencial para garantir a segurança das viagens espaciais, trata-se de um trabalho pouco valorizado num futuro onde as deslocações entre a Terra, as estações espaciais e a Lua se tornaram parte da rotina. Ao lado dos colegas Yuri, Fee e da recém-chegada Tanabe, Hatimaki passa os seus dias a remover lixo espacial enquanto alimenta o sonho de um dia possuir a sua própria nave. No entanto, à medida que se aproxima dos 26 anos e entra no quarto ano da sua carreira, começa a questionar as suas escolhas, ambições e o verdadeiro significado da vida que leva.

Passada no ano de 2075, a série destaca-se pela forma como combina ciência credível e tecnologia futurista com temas profundamente humanos. Questões como o propósito de vida, os sonhos, a solidão, as relações interpessoais e o lugar da humanidade no espaço são exploradas com uma maturidade rara, tornando Planetes numa obra que vai muito além da simples aventura espacial.

O reconhecimento da crítica não tardou a chegar. Em 2002, Planetes recebeu o prestigiado Prémio Seiun na categoria de banda desenhada. A adaptação para anime, produzida pela Sunrise e exibida pela NHK em 2003, conquistou igualmente o Prémio Seiun de 2005 na categoria de média, tornando-se a primeira obra desde Nausicaä do Vale do Vento a vencer o galardão tanto na sua versão original como na adaptação animada.

Com a abertura da pré-venda de Planetes 1, a Sendai traz finalmente ao mercado português uma das mais importantes obras de ficção científica do manga contemporâneo, recomendada tanto para fãs do género como para leitores que procuram histórias profundas, emocionantes e repletas de reflexão.

Astérix regressa em grande: novo filme de animação e álbum chegam em 2026

Os fãs de Astérix têm motivos para celebrar! No final de 2026, o mais famoso gaulês da banda desenhada regressa ao grande ecrã com uma aventura inédita intitulada Astérix: O Reino da Núbia (Astérix, Le Royaume de Nubie), acompanhada pelo lançamento do respectivo álbum.

Realizado por Alexandre Heboyan, o novo filme de animação baseia-se numa história original de Matthieu Delaporte e Alexandre de La Patellière, dupla conhecida pelos seus trabalhos em O Primeiro Nome (Le Prénom) e O Conde de Monte Cristo. A produção terá uma ampla distribuição internacional, estando já confirmada a estreia em 27 idiomas.

Nesta nova história, um acidente inesperado altera completamente a vida da aldeia gaulesa. Um elixir da juventude é derramado por engano na poção mágica preparada por Panoramix, transformando os habitantes da aldeia em crianças inofensivas.

Com a aldeia agora vulnerável perante as investidas romanas, cabe a Astérix, Obélix e o fiel Ideiafix encontrar uma solução. Para salvar os seus amigos, os heróis embarcam numa longa viagem até ao Reino da Núbia, onde procuram uma rara semente de baobá, ingrediente essencial para preparar o antídoto capaz de reverter o feitiço.

Entre perigos, descobertas e muito humor, esta nova aventura promete manter o espírito clássico da série criada por René Goscinny e Albert Uderzo, ao mesmo tempo que apresenta um cenário exótico e personagens inéditas.

Tal como tem acontecido com outras grandes aventuras de Astérix, a estreia cinematográfica será acompanhada pelo lançamento do álbum oficial da história, permitindo aos leitores reviver a aventura em formato de banda desenhada.

Astérix: O Reino da Núbia tem estreia marcada nos cinemas para 2 de Dezembro de 2026, afirmando-se desde já como um dos lançamentos mais aguardados do universo Astérix.

Os gauleses estão de volta e, desta vez, o destino da aldeia passa pelas areias e mistérios da Núbia.

Dan Da Dan #4: acção sobrenatural, romance e batalhas cada vez mais intensas

Já se encontra disponível o quarto volume de Dan Da Dan, a mais recente entrada na popular série de manga criada por Yukinobu Tatsu.

Neste quarto volume, Okarun vê-se aprisionado num vácuo criado pelos serponianos, que regressam à escola com um objectivo muito específico: recuperar o seu tão desejado símbolo da masculinidade. Quando a situação parece não ter solução, Aira desperta o poder da aura de Acroseda, revelando uma força que permanecia adormecida no seu interior.

Ao lado de Momo, os três protagonistas enfrentam uma batalha intensa contra um adversário formidável: um serponiano fundido com os seus subordinados, o Demónio de Dover e o lendário Nessie. Entre ataques sobrenaturais, momentos de grande tensão e reviravoltas inesperadas, o grupo terá de aprender a trabalhar em conjunto para sobreviver.

Conhecida pela sua mistura única de acção, comédia, ficção científica e elementos sobrenaturais, Dan Da Dan continua a conquistar leitores em todo o mundo. Este quarto volume mantém o ritmo frenético da série, acrescentando ainda uma componente romântica agridoce que aprofunda as relações entre as personagens.

Dan Da Dan 04, Yukinobu Tatsu, Devir, 192 pp., p&b, capa mole, 9,99€

Michel Durand adapta Victor Hugo em “Os Trabalhadores do Mar”: uma obra monumental entre a banda desenhada e a gravura

As grandes obras da literatura continuam a encontrar novos caminhos para chegar aos leitores contemporâneos. Desta vez, é o romance Os Trabalhadores do Mar (Les Travailleurs de la Mer), publicado por Victor Hugo em 1866, que ganha uma impressionante adaptação em banda desenhada pelas mãos de Michel Durand, um dos mais talentosos desenhadores franceses da atualidade. Mais do que uma simples transposição do texto original, este álbum apresenta-se como um verdadeiro feito artístico, capaz de reproduzir toda a grandiosidade épica, emocional e visual da obra de Hugo.

A história decorre na ilha de Guernesey e acompanha Gilliatt, um pescador solitário e sonhador, apaixonado pela jovem Déruchette. Quando o vapor La Durande naufraga nos perigosos rochedos de Douvres, o seu proprietário, Mess Lethierry, vê ameaçada a fortuna construída em torno do revolucionário motor da embarcação. Determinado a recuperar a máquina, Lethierry promete a mão da sobrinha a quem conseguir resgatar o motor perdido. Perante uma missão considerada impossível, apenas Gilliatt aceita enfrentar os elementos. Segue-se uma extraordinária aventura marítima onde o protagonista trava uma batalha solitária contra o oceano, os ventos, as marés e os perigos da natureza. No entanto, a maior prova talvez o aguarde em terra firme, quando descobre que o coração da mulher que ama pertence a outro. Misturando romance, tragédia, heroísmo e reflexão sobre a condição humana, Os Trabalhadores do Mar permanece uma das obras mais intensas e emocionantes de Victor Hugo.

Se o romance original já impressionava pela sua dimensão épica, a adaptação de Michel Durand eleva essa sensação através de uma abordagem gráfica excepcional. O álbum foi inteiramente realizado em hachura, uma técnica de desenho extremamente exigente baseada na sobreposição de linhas que criam volumes, luz, profundidade e textura. O resultado aproxima-se simultaneamente da gravura clássica e da ilustração do século XIX, oferecendo uma identidade visual absolutamente singular. Cada prancha transmite a força brutal dos elementos naturais. O mar torna-se uma personagem viva, ameaçadora e majestosa. As tempestades, os rochedos e as máquinas ganham uma presença quase física, refletindo o confronto entre a natureza indomável e o progresso tecnológico que marcou a Revolução Industrial.

Ao mesmo tempo, Durand não descura a dimensão humana da narrativa. Os silêncios, os olhares e os momentos de intimidade entre as personagens revelam uma sensibilidade que contrasta com a violência dos cenários marítimos.

Uma das particularidades de Os Trabalhadores do Mar é a forma como Victor Hugo combina o romantismo clássico com temas profundamente modernos para a sua época. A máquina recuperada por Gilliatt simboliza o avanço tecnológico e a transformação da sociedade industrial. O herói não enfrenta apenas as forças da natureza; enfrenta também os desafios de um mundo em mudança, onde o progresso técnico altera as relações humanas e económicas. Michel Durand compreende perfeitamente esta dimensão do romance e traduz-a visualmente com grande inteligência, conferindo às engrenagens, motores e estruturas metálicas uma presença quase monumental.

Num panorama editorial onde abundam as adaptações literárias, poucas conseguem alcançar o equilíbrio entre respeito pela obra original e afirmação artística própria. Os Trabalhadores do Mar é uma dessas raras exceções.

A fidelidade ao espírito de Victor Hugo alia-se ao talento gráfico de Michel Durand para criar uma experiência de leitura intensa, contemplativa e profundamente emocionante. O resultado é um álbum que poderá seduzir tanto os admiradores do escritor francês como os leitores de banda desenhada que procuram obras visualmente ambiciosas. Com este lançamento, Michel Durand confirma-se como um dos grandes mestres do desenho contemporâneo, oferecendo uma interpretação poderosa de um clássico intemporal. Uma obra que celebra a coragem humana, a força da natureza e a beleza do sacrifício, através de páginas que ficam gravadas na memória muito depois da leitura terminar.

Os trabalhadores do mar, Michel Durand, A Seita, 168 pp., cor, capa dura, 29€

Kaiju nº 8 #11

O volume 11 de Kaiju N.º 8 marca um dos momentos mais intensos da obra de Naoya Matsumoto. Nesta fase da história, os cinco kaiju de classe numerada criados pelo N.º 9 reúnem-se na área da Divisão Leste, obrigando os capitães da Força de Defesa a enfrentar batalhas extremamente difíceis contra inimigos concebidos especificamente para eliminar os seus principais combatentes. Enquanto a chefe de pelotão Shinonome também se vê ameaçada, Kafka Hibino avança para a batalha recordando uma promessa feita a Kikoru Shinomiya, um compromisso que terá um peso decisivo nos acontecimentos que se seguem.  

O volume foi publicado pela primeira vez no Japão, pela editora Shueisha, em 5 de Dezembro de 2023. 

Reunindo os capítulos 82 a 89, este tomo destaca-se pela determinação dos membros da Força de Defesa em permanecerem fiéis às suas convicções, mesmo perante adversários aparentemente invencíveis. É um volume repleto de acção, sacrifício e desenvolvimento de personagens, consolidando a escalada dramática que tornou Kaiju N.º 8 um dos mangas shōnen mais populares dos últimos anos. 

Kaiju nº 8 #11, Naoya Matsumoto, Devir, 200 pp., p&b, capa mole, 9,99€

segunda-feira, 15 de junho de 2026

O Verão em que Hikaru Morreu #6

A tensão e o mistério continuam a crescer em O Verão em que Hikaru Morreu, o perturbador manga de Mokumokuren publicado em Portugal pela  Editorial Presença.

Yoshiki e Hikaru cresceram juntos numa pequena aldeia e eram inseparáveis. Porém, depois de algo inexplicável tomar o lugar de Hikaru, Yoshiki decidiu permanecer ao lado dessa entidade, mesmo sabendo que o seu verdadeiro amigo já não estava ali. Neste sexto volume, a chegada de Tanaka traz novas revelações sobre a identidade de «Hikaru» e sobre a ameaça que se aproxima. Enquanto o misterioso «buraco» que liga dois mundos continua a expandir-se, Yoshiki e a entidade partem para Ashidori em busca de respostas, enfrentando verdades dolorosas sobre a ligação que os une.  

No Japão, o volume original foi publicado pela Kadokawa Shoten a 4 de Dezembro de 2024, dando início ao chamado “Arco do Fecho dos Buracos” da história.  

O Verão em que Hikaru Morreu #6, Mokumokuren, Editorial Presença, 200 pp., p&b, capa mole, 11,90€

Absolute Batman: Zoo – Uma Gotham reinventada e mais selvagem do que nunca

O universo da DC Comics entrou recentemente numa nova fase de reinvenção com a linha Absolute Universe, um projecto que reimagina os seus heróis mais icónicos a partir de uma realidade alternativa nascida após a batalha apocalíptica da Liga da Justiça contra Darkseid. Desta nova continuidade surge uma versão de Gotham City mais crua, imprevisível e brutal, onde até os símbolos tradicionais de esperança e justiça são profundamente transformados.

É neste contexto que chega Absolute Batman: Zoo, uma narrativa que apresenta um Cavaleiro das Trevas radicalmente diferente daquele que os leitores estão habituados a conhecer. Aqui, Gotham é aterrorizada por um gangue de assassinos mascarados que semeia o caos nas ruas, enquanto a cidade mergulha num clima de medo constante. Nesta realidade alternativa, Bruce Wayne não é o bilionário que treina sob a tutela de Alfred na icónica Mansão Wayne. Pelo contrário: trata-se de um jovem sem a estrutura, os recursos ou o legado que tradicionalmente definem o Batman. Privado dos elementos que moldaram o vigilante clássico, este Bruce Wayne constrói a sua própria versão da justiça — mais instintiva, mais violenta e muito mais imprevisível.

A obra, criada por Scott Snyder e pelo artista Nick Dragotta, com contributos visuais de Gabriel Hernández Walta, explora precisamente essa desconstrução do mito do Batman. Em vez de um detective meticuloso e estratega, encontramos um combatente moldado pela sobrevivência, que enfrenta o crime de Gotham quase como uma força bruta em conflito directo com a degradação da cidade.

Absolute Batman: Zoo funciona, assim, como uma história de origem alternativa que desafia tudo aquilo que o leitor pensa saber sobre o herói. A ausência de Alfred, da fortuna Wayne e da estrutura clássica do Batman cria um vazio narrativo que é preenchido por uma abordagem mais selvagem e instintiva ao combate ao crime. O título também introduz uma Gotham mais animalizada e simbólica, onde a violência dos antagonistas reflecte uma cidade à beira do colapso social e moral. O “zoo” do título sugere precisamente essa dimensão: uma selva urbana onde predadores e presas se confundem, e onde a ordem foi substituída pelo caos.

A edição original de Absolute Batman: Zoo foi publicada em 2024 pela DC Comics, integrando o arranque da nova linha Absolute Batman, concebida como uma reinvenção total do mito do Cavaleiro das Trevas para uma nova geração de leitores. Mais do que uma simples reinterpretação, esta obra afirma-se como uma proposta ousada que questiona o que aconteceria a Batman se tudo aquilo que o define lhe fosse retirado. O resultado é uma narrativa intensa, visualmente impactante e filosoficamente provocadora, que reforça a ideia de que mesmo os maiores ícones da BD podem renascer sob novas formas.

Absolute Batman: Zoo, Scott Snyder, Nick Dragotta e Gabriel Hernández Walta, Devir, 190 pp., cor, capa dura, 20€

domingo, 14 de junho de 2026

Sendai abre pré-venda de Midori: a Menina das Camélias, a obra mais controversa de Suehiro Maruo

A editora Sendai anunciou a abertura da pré-venda de Midori: a Menina das Camélias, uma das obras mais conhecidas e polémicas de Suehiro Maruo, autor de referência do movimento ero-guro (erótico-grotesco) japonês. O lançamento marca a chegada ao mercado português de um clássico cult que continua a suscitar debate décadas após a sua publicação original.

A história acompanha Midori, uma jovem órfã que, após a morte da mãe, é forçada a sobreviver sozinha num ambiente marcado pela exploração, miséria e violência. O seu destino cruza-se com o de um circo de aberrações itinerante, onde encontra um mundo tão fascinante quanto cruel. Entre artistas excêntricos, personagens grotescas e situações extremas, Midori tenta preservar a sua humanidade num cenário onde a inocência parece não ter lugar.

Com uma estética inspirada no Japão da era Taishō e nas antigas feiras de curiosidades, Maruo constrói uma narrativa visualmente impressionante, marcada por um detalhe artístico extraordinário e por uma atmosfera simultaneamente poética e perturbadora. A obra tornou-se uma das mais emblemáticas do género ero-guro, destacando-se pela forma como explora os limites entre beleza e horror.

Mais do que uma simples história de terror ou choque, Midori: a Menina das Camélias é frequentemente interpretada como uma crítica social às desigualdades, à exploração humana e à perda da inocência. A sua abordagem gráfica e temática tornou-a uma obra destinada a leitores adultos e um dos títulos mais discutidos da banda desenhada japonesa.

A edição da Sendai representa uma oportunidade única para os leitores portugueses conhecerem uma das obras mais marcantes e controversas da carreira de Suehiro Maruo, autor cuja influência continua a ser sentida no manga alternativo e de vanguarda.

A pré-venda já se encontra disponível, permitindo aos fãs garantir antecipadamente este lançamento muito aguardado.

Supergirl: Mulher do Futuro – Uma viagem épica de vingança, identidade e redenção

Durante décadas, a Supergirl viveu à sombra do Superman. Apesar de possuir os mesmos poderes e de partilhar a herança kryptoniana, Kara Zor-El foi frequentemente vista como uma versão secundária do seu famoso primo. Contudo, Supergirl: Mulher do Futuro, de Tom King e Bilquis Evely, veio alterar por completo essa percepção, oferecendo uma das histórias mais marcantes da personagem nos últimos anos.

Publicada originalmente pela DC Comics como uma minissérie de oito números, esta obra apresenta uma Supergirl diferente daquela que muitos leitores conhecem. Kara não é apenas uma heroína poderosa; é também uma sobrevivente marcada pela perda. Ao contrário de Superman, que chegou à Terra ainda bebé, ela recorda-se de Krypton, da sua destruição e de tudo aquilo que perdeu. Essa bagagem emocional torna-se um dos elementos centrais da narrativa.

A história começa numa fase de profunda reflexão para a protagonista. Sentindo-se sem rumo e sem um verdadeiro propósito, Kara questiona o seu lugar no universo. Foi enviada para proteger o primo, mas este cresceu e tornou-se o maior herói da Terra. Afinal, qual é o seu papel?

A resposta surge de forma inesperada quando conhece Ruthye, uma jovem alienígena determinada a vingar a morte do pai. O assassino continua em liberdade e a rapariga está disposta a atravessar a galáxia para fazer justiça pelas próprias mãos. Relutantemente, Supergirl aceita acompanhá-la, iniciando uma longa jornada pelo espaço que se transforma numa reflexão sobre vingança, sofrimento, responsabilidade e perdão.

Tom King constrói uma narrativa profundamente humana sob a aparência de uma aventura de ficção científica. Através da relação entre Kara e Ruthye, o argumentista explora temas complexos como o luto, a maturidade e as consequências das escolhas individuais. O resultado é uma história que vai muito além do tradicional confronto entre heróis e vilões. Visualmente, a obra é simplesmente deslumbrante. Bilquis Evely cria um universo rico em detalhes, repleto de paisagens alienígenas, cidades exóticas e personagens memoráveis. O seu traço elegante e expressivo confere à narrativa uma dimensão épica sem perder de vista a intimidade emocional dos protagonistas. Cada página funciona como uma ilustração cuidadosamente concebida, reforçando o impacto dramático dos acontecimentos. Outro dos grandes méritos de Supergirl: Mulher do Futuro é a forma como redefine a personagem principal. Kara surge como uma figura complexa, vulnerável e profundamente humana, mesmo possuindo capacidades quase divinas. É precisamente essa combinação que torna a história tão poderosa.

Considerada por muitos leitores e críticos como uma das melhores obras da DC da última década, esta novela gráfica demonstra que ainda existem novas histórias para contar no universo dos super-heróis. Mais do que uma aventura espacial, trata-se de uma emocionante viagem de autodescoberta que devolve à Supergirl o protagonismo que merece.

Supergirl: Mulher do Futuro, Tom King e Bilquis Evely, Devir, 224 pp., cor, capa dura, 20€