quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Un Opéra de Papier - Les mémoires de Blake et Mortimer

Un Opéra de Papier, editada originalmente em 1981 e há muito esgotada, é uma obra autobiográfica de Edgar Pierre Jacobs, onde o autor de Blake e Mortimer nos relata como se iniciou no desenho, os seus primeiros empregos no comércio e na banca, o ingresso como barítono na ópera e o encontro com Hergé.

Com a libertação da Bélgica, ocupada pelos nazis na 2ª Guerra Mundial, Jacobs é um dos fundadores da epopeia da revista Tintin, e na primeira pessoa conta-nos os acontecimentos que marcaram o lançamento deste grande feito da imprensa juvenil europeia.

A obra continua com os curriculum vitae de Mortimer, Blake e Olrik e com os bastidores de todos os episódios da dupla britânica desenhados por Jacobs, desde O segredo do Espadão até As 3 fórmulas do professor Sato.

A obra está profusamente recheada de desenhos e fotografias que fundamentam graficamente a biografia e a bibliografia de Edgar Pierre Jacobs.

Un Opéra de Papier - Les mémoires de Blake et Mortimer, Edgar Pierre Jacobs, Gallimard, 2013, 190 pp, 31,03 € (á venda em Portugal nas lojas FNAC)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O 65º aniversário de Alix

A história inicia-se em 53 a.C. quando o jovem escravo gaulês de nome Alix descobre as suas origens após a morte de Honório, o seu senhor. Libertado da servidão e legal descendente de Honório, Alix conquista o estatuto de cidadão romano, participando activamente na construção do Império. Apesar da credibilidade e rigor histórico da série, o protagonista envolve-se em algumas aventuras, pelo menos, dois séculos fora da sua época.

A série, criada por Jacques Martin para o semanário belga Tintin e estreada em 16 de Setembro de 1948, transporta os leitores até Roma, à Gália, aos territórios teutónicos, à Mesopotâmia, África e Ásia Menor, chegando mesmo até à China. Júlio César, Cleópatra e Vercingétorix são algumas das grandes figuras históricas que tomam palco nas aventuras do jovem romano. A partir da segunda aventura («A esfinge de ouro»), um novo actor se junta à aventura: Enak, um jovem órfão egípcio, que se torna o principal amigo de Alix.

A progressão da miopia de Jacques Martin, obriga-o, em 1998, a delegar o desenho no seu primeiro assistente, Rafael Morales. Em 2006, chega a vez de passar o testemunho do argumento a François Maingoval. Desde então e, após a morte de Martin (14 de Dezembro de 2007), têm sido vários os autores a encarregarem-se da série: Patrick Weber, Christopher Simon, Ferry, François Corteggiani e Marco Venanzi.

Aproveitando o sucesso da série, em 1996 surge a colecção «Les Voyages de Alix» (36 tomos editados), uma série pedagógica que retrata os usos, costumes e a arquitectura dos povos da Idade Antiga.  Dentro da mesma ideia editorial, são editados três volumes da colecção «Alix raconte». Finalmente, em 2012, é lançado o «spin-off» Alix Senator, uma série paralela que nos leva a um Alix mais velho e membro do Senado Romano, contando-nos os meandros das intrigas políticas que circulam em Roma. Está prevista para este mês a edição do segundo episódio desta série.

Em Portugal, a série estreia-se na revista Tintin em 16 de Janeiro de 1971 com as primeiras pranchas do episódio «O túmulo etrusco», seguindo-se depois mais nove episódios. Mais tarde, as Edições 70 publica uma colecção de 19 álbuns e, posteriormente, a parceria Público/ASA reedita os mesmos álbuns, tendo a ASA editado mais três inéditos em Portugal.

Neste momento, estão publicados 32 episódios da série Alix, tendo Portugal registado a edição dos primeiros vinte, além do 23º e 26º episódios.

Deixo-vos a quadriculografia portuguesa completa de Alix:
  • Alix, o intrépido (Alix l'intrépide), 1948, Martin, Tintin #12 a #39/14º ano; Álbum Edições 70 [1981]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010] 
  • A esfinge de ouro (Le sphinx d'or), 1949, Martin,  Álbum Edições 70 [1981]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010]
  • A ilha maldita (L'île maudite), 1951, Martin,  Álbum Edições 70 [1981]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010]
  • A tiara de Oribal (La tiare d'Oribal), 1955, Martin,  Álbum Edições 70 [1982]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010]
  • A garra negra (Le griffe noire), 1957, Martin,  Álbum Edições 70 [1982]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010]
  • As legiões perdidas (Les légions perdues), 1962, Martin,  Álbum Edições 70 [1982]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010]
  • O último espartano (Le dernier spartiate), 1966, Martin,  Álbum Edições 70 [1983]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010]
  • O túmulo etrusco (Le tombeau etrusque), 1967, Martin, Tintin #34/3º ano a #16/4º ano; Álbum Edições 70 [1983]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010]
  • O deus selvagem (Le dieu sauvage), 1969, Martin, Tintin #10 a #36/5º ano; Álbum Edições 70 [1983]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010]
  • Iorix, o Grande (Iorix le Grand), 1971, Martin, Tintin #12 a #38/6º ano; Álbum Edições 70 [1984]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010]
  • O príncipe do Nilo (Le prince du Nil), 1973, Martin, Tintin #13 a #35/8º ano; Álbum Edições 70 [1984]; Álbum ASA [2010]
  • O filho de Espártaco (Le fils de Spartacus), 1974, Martin, Tintin #9 a #19/9º ano; Álbum Edições 70 [1985]; Álbum ASA [2010]
  • O espectro de Cartago (Le spectre de Carthage), 1976, Martin, Tintin #20 a #35/10º ano; Álbum Edições 70 [1986]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010]
  • As presas do vulcão/O deus vulcão (La proie du volcan), 1977, Martin, Tintin #17 a #38/11º ano; Álbum Edições 70 [1987]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010] 
  • A criança grega/Herkios, o jovem grego (L'enfant greg), 1979, Martin, Tintin #49 a #52/12º ano; Álbum Edições 70 [1989]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010]
  • A torre de Babel (La tour de Babel), 1981, Martin, Tintin #9 a #21/15º ano*; Álbum Edições 70 [1987]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010]
  • O imperador da China (L'empereur de Chine), 1982, Martin, Álbum Edições 70 [1989]; Álbum ASA [2010]
  • Vercingétorix (Vercingetorix), 1985, Martin, Álbum Edições 70 [1989]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010]
  • O cavalo de Tróia (Le cheval de Troie), 1988, Martin, Álbum Edições 70 [1990]; Álbum Público/ASA [2010]; Álbum ASA [2010]
  • Ó Alexandria (Ô Alexandrie), 1996, Martin, Álbum ASA [2002]
  • O rio de Jade (Le fleuve de Jade), 2003, Morales e Martin, Álbum ASA [2004]
  • O ibero (L'ibère), 2007, Christophe, Martin, Mangoval e Weber, Álbum ASA [2011]


sábado, 14 de setembro de 2013

A história das histórias da revista Tintin

A revista belga/francesa Tintin nasceu  em 26 de Setembro de 1946.

São várias as obras que historiam a revista nos seus 42 anos de existência.

A última, da autoria de Alain Lerman, é, sem dúvida, a mais marcante, dado o volume de informação que possui, desde todas as capas, passando pela listagem de todas as histórias, contos e dossiês. Além de documentar todo a edição belga e francesa da revista Tintin, o autor alarga o seu estudo a várias edições de outros países, como a portuguesa. O autor já havia publicado em 1979, pela editora Glenat,  a «Histoire du journal Tintin».

Em 2006, Dominique Maric edita «Le Journal Tintin - Les coulisses d'une aventure» com a chancela da Moulinsart.

No início da década de 80, com um prefácio de Hergé, é lançado a obra colectiva «35 ans du journal Tintin», com edição da Lombard e cinco anos mais tarde, Philippe Goddin, por ocasião do 40º aniversário da revista, propôe «L'aventure du journal Tintin», com a marca da mesma editora.

Em 1996, novamente a Lombard publica a sua história em três belos volumes com o título «Lombard - Un demi-siècle d'aventures», onde escalpeliza anualmente a história da sua pérola: a revista Tintin.

Finalmente, e para que possamos ter uma visão mais abrangente do impacto da revista, existe a obra de Hugues Dayez, «Le Duel Tintin-Spirou» da editora Luc Pire.

Quanto à edição portuguesa da revista Tintin, publiquei, há uns anos, o inventário da revista, estando disponível para os interessados neste post.








sexta-feira, 13 de setembro de 2013

24º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora

O mais famoso festival de BD do país está a chegar. Um dos pontos fortes são os concursos de Banda Desenhada e de Cartoon, cujos regulamentos já estão publicados e podem ser consultados na página do facebook do Festival http://www.facebook.com/amadorabd.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Juvebêdê #54

Juvebêdê é uma revista de banda desenhada da Associação Juvemédia com dezassete anos de existência. Dependente dos apoios financeiros disponíveis, esta publicação não tem mantido, infelizmente, uma edição regular. Contudo, um novo número da Juvebêdê é sempre bem-vindo, tanto mais que é das poucas publicações portuguesas de informação sobre banda desenhada.

A edição #54 de Agosto de  2013 tem, além de várias informações editoriais, como destaque o 9º World Press Cartoon 2013 com uma extensa reportagem fotográfica.

Juvebêdê #54, Agosto 2013, 24 pp, distribuição gratuita

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

dBD #76

Terminada as férias de Verão, eis o número de Setembro da revista francesa de informação de BD, a dBD.

Os destaques desta edição vão, além das inúmeras notícias sobre edições e exposições e o habitual caderno crítico das novidades editoriais, para as entrevistas a Michel Jans (acerca do lançamento da biografia de Hugo Pratt - «Je me souviens de Pratt»), a Zep, a Stephen Desberg (acerca das edições de Hell, IR$, Miss Octobre, John Tiffany e Cassio).

A recordação deste número de Henri Filippini vai para o desenhador francês do início do século XX, Louis Forton.

dBD #76, septembre 2013, 98 pp, 9,80 €

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Capitan faz 50 anos



A acção da série decorre no século XVII e retrata Capitan de Castaignac, um émulo de Artagnan. Capitan, assistido por Larose, o seu fiel valete, deixa Gascogne, terra natal e ruma à capital do império, Paris. Após alguns combates de capa e espada, Capitan torna-se um agente secreto às ordens do Cardeal Richelieu.


Os autores, o casal Lilliane e Fred Funcken, afirmaram que «é uma época que amam bastante, sendo uma oportunidade de explorar os nossos conhecimentos sobre a História dos Costumes. A nossa documentação neste domínio é das mais completas, com livros raros que nem existem na Biblioteca Nacional. Esta paixão vem do tempo que Hergé nos pediu a série Cavaleiro Branco». Aproveitando este acervo documental, o casal Funcken edita, anos mais tarde, uma apaixonante colecção em sete volumes sobre a história dos uniformes militares ao longo dos tempos.


O rigor histórico sempre conferiram uma grande credibilidade às séries do casal Funcken, como o Cavaleiro Branco, Harald o viking, Jack Diamond e Doc Silver, além dos inúmeros «one-shots» desenhados durante a sua carreira na revista Tintin.

Na série Capitan, alguns dos argumentos são de Yves Duval e Jacques Acar. A saga inicia-se em 10 de Setembro de 1963 no Tintin belga, prolongando-se até Junho de 1971, publicando-se a última aventura na revista Tintin Sélection.

Em Portugal, foram publicados cinco episódios repartidos pelas revistas Tintin, Mundo de Aventuras e Selecções do Mundo de Aventuras (nestas duas últimas, com os desenhos são a preto e branco).

A quadriculografia portuguesa da série Capitan é a seguinte:
  • Em guarda, Capitão! (En garde, Capitan !), 1963, Funcken, Zorro #156 a #161, Selecções do Mundo de Aventuras #192
  • Os conspiradores (Capitan contre les conspirateurs), 1964, Funcken, Selecções do Mundo de Aventuras #200
  • O homem da máscara de ouro (Capitan et le masque de cuir), 1965, Funcken, Selecções do Mundo de Aventuras #221
  • Uma aposta por Tornado (Pari pour Tornade), 1969, Funcken e Duval, Tintin #42/5º ano
  • O cofre de ébano (Capitan et le coffret d’ébène), 1968, Funcken, Mundo de Aventuras (2ª fase) #261