quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Congo: Reino de Sangue

A Mudnag Edições lança este mês Congo: Reino de Sangue, terceiro volume da série de banda desenhada dos irmãos Duarte e Henrique Gandum, depois de Um Mundo Esquecido e No Caminho das Trevas.

A ação decorre no Congo, em 1880. Meses após o desaparecimento de Afonso Ferreira, os portugueses sobreviventes encontram refúgio numa aldeia congolesa. Entretanto, as operações do coronel belga Jacques De Vries e do major britânico Edward Jackson avançam, apoiadas na violência e na escravização da população. A construção de uma linha férrea liberta um ecossistema de criaturas primitivas, acrescentando uma nova ameaça aos perigos da floresta. A série prossegue assim o cruzamento entre aventura, contexto colonial e elementos fantásticos que acompanha a expedição portuguesa desde o primeiro álbum.

O lançamento apresenta duas opções capa, incluindo uma versão «Capa Clássica».

Reino de Sangue, Duarte e Henrique Gandum, Mundnag Edições, 76 pp., cor, capa mole, 17€

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

«Terra ou Lua», de Jade Khoo, chega às livrarias portuguesas pela ASA

A ASA acaba de publicar Terra ou Lua — Livro 1, com desenho e argumento de Jade Khoo. É a primeira parte de uma história concebida em dois volumes, originalmente publicada em França pela Morgen, sob o título Terre ou Lune, em Fevereiro de 2026.

A narrativa acompanha Otelo, um rapaz apaixonado pelos pássaros e pela possibilidade de escapar. Aos sete anos, mata o pai, numa tragédia familiar marcada por segredos, violência e um passado cujas consequências ainda desconhece. A obra cruza o percurso de crescimento do protagonista com elementos de ficção científica e questões sociais e ambientais.

Jade Khoo, nascida em 1998 e formada na escola de animação Gobelins, estreou-se na banda desenhada com Zoc, publicado pela Dargaud em 2022. Em Terra ou Lua, a aguarela ocupa um lugar central na construção visual da história.

Terra ou Lua, Jade Khoo, ASA, 296 pp., cor, capa dura, 36,90€

A Viagem de Shuna, de Hayao Miyazaki

Chega finalmente ao mercado português A Viagem de Shuna, uma obra de Hayao Miyazaki, originalmente publicada no Japão em 1983 e que permanecia até agora inédita em português. Antes da fundação do Studio Ghibli, Miyazaki criou esta história, escrita e ilustrada pelo próprio, inspirando-se numa lenda tibetana e antecipando alguns dos temas e ambientes que viriam a marcar o seu universo criativo.

A narrativa acompanha Shuna, jovem herdeiro de uma terra árida onde o seu povo luta diariamente para conseguir retirar dos campos o pouco alimento que estes ainda conseguem produzir. A chegada de um misterioso ancião, depois de uma longa viagem, oferece-lhe uma possível esperança: algures, muito longe, existem sementes douradas capazes de devolver a abundância às colheitas. O problema é encontrá-las. As sementes estarão no lugar onde a lua nasce e regressa para morrer, numa região situada para lá dos limites conhecidos e de onde ninguém terá regressado. Determinado a libertar o seu povo da fome, Shuna abandona a sua terra e parte rumo a oeste. Começa assim uma perigosa viagem marcada pela descoberta de outros povos e lugares, mas também pela coragem, esperança e compaixão.

A Viagem de Shuna permite descobrir uma obra realizada numa fase anterior à criação do Studio Ghibli e reconhecer nela elementos do imaginário que Hayao Miyazaki desenvolveria posteriormente na sua carreira.

Uma oportunidade para os leitores portugueses conhecerem finalmente uma das primeiras obras de um dos grandes nomes da animação e da narrativa gráfica japonesa.

A Viagem de Shuna, HayaoMiyazaki, Penguin, 160 pp., cor capa dura, 24,95€

sábado, 3 de outubro de 2026

Dragon Ball chega ao oitavo volume pela Devir

A Devir prossegue a publicação de Dragon Ball, de Akira Toriyama. O volume 8, já disponível nos locais habituais e no site da editora, reúne três volumes da série numa edição tripla: 22 — A resistência dos Namekianos, 23 — As temíveis forças especiais Ginyu e 24 — Será Goku?! Ou Ginyu?!.

A acção decorre em Namek, onde Gohan, Krillin e Bulma procuram as Dragon Balls para ressuscitar os amigos. A missão torna-se cada vez mais perigosa: Freeza e as suas forças também querem reunir as esferas para alcançar a imortalidade, enquanto Vegeta persegue os seus próprios objetivos.

Com a resistência dos Namekianos e a entrada em cena das forças especiais Ginyu, a disputa pelas Dragon Balls intensifica-se. Quem conseguirá apoderar-se das esferas e decidir o destino de Namek?

Dragon Ball #8: A Resistência dos Namekianos, Akira Toriyama, Devir, 570 pp., p&b, capa mole, 23€

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Prémios de Banda Desenhada da Amadora 2026: conhecidos os nomeados

Os Prémios de Banda Desenhada da Amadora 2026 já têm nomeados. A organização anunciou 24 seleções distribuídas por cinco categorias e um reforço dos prémios monetários: a Melhor Obra de BD de Autor Português passa a receber 10 000 euros, o dobro do valor anterior, e o Prémio Revelação passa, pela primeira vez, a atribuir 3 000 euros.

Ao Prémio Revelação concorrem A Cada Sete Ondas, de Beatriz Brajal; Canalha Borrada, de Zé Lázaro Lourenço; Manda msg quando chegares, de R.G.B.; A Solidão do Ser, de Helena Sá; e O Cão Invisível, de Wandson Lisboa.

Na categoria de Melhor Obra de BD de Autor Português estão nomeados Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo e Júlia Barata; Rare Flavours, de Filipe Andrade e Ram V; Dormindo Entre Cadáveres, de Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci; O Progresso da Humanidade, de João Sequeira e Rui Cardoso Martins; e Atrahasis, de David Soares e Sónia Oliveira.

A Seita reúne seis nomeações com quatro livros: Canalha Borrada, A Solidão do Ser, Os Trabalhadores do Mar, de Michel Durand, e A Fera – vol. 2, de Zidrou e Frank Pé. Os dois últimos concorrem simultaneamente aos prémios de Melhor Obra Estrangeira Editada em Portugal e Melhor Edição Portuguesa de BD. Rare Flavours também está nomeado em duas categorias. Além dos prémios monetários, a Câmara Municipal da Amadora adquirirá 100 exemplares da obra vencedora de Melhor Edição Portuguesa.

O júri é formado por Rui Cartaxo, presidente e representante do município, Cristina Alves e Luís Louro. Os vencedores serão anunciados no domingo, 18 de outubro, às 17h00, numa cerimónia no Núcleo Central do AmadoraBD, no Parque da Liberdade. A 37.ª edição do festival decorre em outubro, com programação em vários espaços da cidade.

sábado, 26 de setembro de 2026

O Acidente de Caça – Uma História Real de Crime e Poesia

A Ala dos Livros editou em Setembro O Acidente de Caça – Uma História Real de Crime e Poesia, com argumento de David L. Carlson, desenho de Landis Blair e tradução de Ricardo Magalhães Pereira. A obra foi publicada originalmente nos Estados Unidos em 2017, com o título The Hunting Accident: A True Story of Crime and Poetry.

Charlie Rizzo sempre acreditou que o pai perdera a visão num acidente de caça. Ao descobrir que Matt ficou cego durante um assalto, conhece também a história dos seus anos na prisão de Stateville. Foi aí que Nathan Leopold Jr. o aproximou da literatura e da poesia, transformando a vida que Matt julgava perdida.

A obra recebeu o Prémio Ouest-France / Quai des Bulles em 2020, o Fauve d’Or de melhor álbum no Festival de Angoulême em 2021 e o Grand Prix des Lectrices de Elle na categoria de não ficção em 2021.

O Acidente de Caça – Uma História Real de Crime e Poesia, David L. Carlson e Landis Blair, Ala dos Livros, 464 pp., p&b, capa dura, 49,90€

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

A Armação, de Daniel Silvestre, chega à IX série da Colecção Novela Gráfica

A Armação, de Daniel Silvestre, integra a IX série da Colecção Novela Gráfica, publicada pela Levoir em parceria com o Público. Trata-se de uma reedição da obra lançada em 2024 pela Bedeteca de Beja e pelo Centro de Língua Portuguesa Camões, I.P., em Bruxelas.

A narrativa nasceu de entrevistas ao avô do autor, José Silvestre, e ficciona um episódio da sua infância ligado à pesca. A partir dessa memória familiar, a obra retrata também a vida portuguesa dos anos 1930.

A primeira edição recebeu, em 2024, o prémio de Melhor Fanzine ou Publicação Independente dos Prémios de Banda Desenhada da Amadora. A reedição na Colecção Novela Gráfica dá agora uma nova circulação a esta obra de um autor português.

A Armação, Daniel Silvestre, Levoir, bicromia, capa dura, 16,90€

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A Sombra das Luzes chega ao terceiro tomo

A Ala dos Livros publicou O Demónio dos Grandes Lagos, terceiro volume de A Sombra das Luzes, com argumento de Alain Ayroles e desenho de Richard Guérineau. A edição original francesa, Le Démon des Grands Lacs, saiu pela Delcourt em 2025; a edição portuguesa é de Setembro de 2026.

Na América do século XVIII, a guerra aproxima-se, mas o Chevalier de Saint-Sauveur continua concentrado na sua aposta: conseguir que Aimée d’Archambaud case com um iroquês. Para isso, o libertino está disposto a recorrer a qualquer intriga. Entre cartas, réplicas mordazes e confrontos na floresta, chega ao fim o primeiro ciclo destas aventuras epistolares.

Com este lançamento, os três tomos da série estão publicados em Portugal pela Ala dos Livros.

A Sombra das Luzes #3, Alain Ayroles e Richard Guérineau, Ala dos Livros, 72 pp., cor, capa dura, 25€

terça-feira, 22 de setembro de 2026

No Rasto de Blueberry: uma homenagem a uma lenda do western chega a Portugal

Há personagens de banda desenhada que ultrapassam largamente os limites das séries onde nasceram. Blueberry é uma delas. Mais de seis décadas depois da sua criação por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, o célebre tenente regressa às livrarias portuguesas numa obra especial: No Rasto de Blueberry, que a ASA publica hoje em Portugal.

Publicado originalmente pela Dargaud, em Novembro de 2025, com o título Sur la piste de Blueberry, o álbum foi concebido para assinalar os 60 anos da publicação de Fort Navajo, primeiro álbum da série. Não estamos, porém, perante uma nova aventura convencional nem perante uma continuação assinada por uma única equipa criativa. Trata-se de uma grande homenagem colectiva a Mike Steve Blueberry e, inevitavelmente, aos seus criadores.

A proposta é particularmente sedutora: reunir alguns dos mais destacados autores da banda desenhada europeia contemporânea e convidá-los a seguir, cada um à sua maneira, o rasto deixado por Blueberry. O resultado alterna histórias curtas e ilustrações, permitindo revisitar diferentes momentos e facetas da vida da personagem e, simultaneamente, perceber até que ponto a criação de Charlier e Giraud continua presente no imaginário de sucessivas gerações de autores.

E a lista de participantes impressiona. Encontramos nomes como Anlor, Alberto Belmonte, Dominique Bertail, Michel Blanc-Dumont, Blutch, Olivier Bocquet, Vincent Brugeas, Stefano Carloni, Alexandre Coutelis, Fred Duval, Jérôme Félix, Paul Gastine, Goossens, Mathieu Lauffray, Lu Ming, Jean Mallard, Milo Manara, Enrico Marini, Mathieu Mariolle, Thierry Martin, Matz, Ralph Meyer, Félix Meynet, Vincent Perriot, Corentin Rouge, Olivier Taduc, Ronan Toulhoat, Jean-François Vivier e Philippe Xavier. Cada um contribui com uma história curta ou uma ilustração dedicada ao mítico cowboy.

É precisamente esta diversidade que torna No Rasto de Blueberry especialmente interessante. Não se procura substituir Jean Giraud nem reproduzir artificialmente o seu traço. Pelo contrário, diferentes sensibilidades gráficas e narrativas confrontam-se com uma personagem que marcou profundamente a evolução do western em banda desenhada. De autores intimamente associados ao género a criadores com universos muito diferentes, todos têm aqui a oportunidade de mostrar o seu Blueberry.

Criado em 1963 nas páginas da revista Pilote, Blueberry ajudou a transformar profundamente o western franco-belga. Charlier afastou progressivamente a série dos modelos mais convencionais da aventura juvenil, enquanto Giraud desenvolveu uma representação cada vez mais realista, cinematográfica e visualmente poderosa do Oeste americano. O tenente também estava longe do herói imaculado tradicional: indisciplinado, jogador, beberrão, por vezes insolente e frequentemente perseguido pela própria reputação, tornou-se uma personagem extraordinariamente humana.

Daí que esta homenagem tenha um significado que ultrapassa a simples celebração de um aniversário. Sessenta anos depois de Fort Navajo, Blueberry continua a inspirar alguns dos melhores desenhadores e argumentistas europeus.

A publicação portuguesa pela ASA é, por isso, uma excelente notícia para os leitores que acompanharam durante décadas as aventuras de Blueberry em Portugal e também para quem queira descobrir a dimensão do legado deixado por Charlier e Giraud.

domingo, 20 de setembro de 2026

Sapiens – A Idade das Revoluções

Chega o quarto e último volume da adaptação em banda desenhada de Sapiens: História Breve da Humanidade, de Yuval Noah Harari, novamente acompanhado pelo argumentista David Vandermeulen e pelo desenhador Daniel Casanave.

Em A Idade das Revoluções, a viagem começa há cerca de quinhentos anos, quando a humanidade tomou consciência da sua própria ignorância e o pensamento científico começou a transformar profundamente a forma de compreender e dominar o mundo.

Ao longo das páginas, acompanhamos a Revolução Científica, a expansão imperialista e colonial, o desenvolvimento do capitalismo e a crença moderna no progresso e no crescimento. Harari aborda também algumas das transformações que moldaram a vida contemporânea: o funcionamento do dinheiro e dos bancos, a crescente organização da sociedade em função do relógio e o extraordinário aumento da capacidade humana para produzir e transformar o planeta.

Mas permanece uma das questões centrais de Sapiens: todo este progresso tornou-nos mais felizes?

O volume prolonga a narrativa até ao presente e à Revolução da Inteligência Artificial, colocando uma nova interrogação: depois de adquirir um poder sem precedentes sobre o mundo, conseguirá a humanidade controlar inteligências que ela própria criou?

Com argumento de Yuval Noah Harari e David Vandermeulen e desenho de Daniel Casanave, Sapiens – A Idade das Revoluções encerra, com humor e ilustrações a cores, a adaptação gráfica da história da humanidade iniciada em O Nascimento da Humanidade.

Sapiens – A Idade das Revoluções, Yuval Noah Harari, David Vandermeulen e desenho de Daniel Casanave, Elsinore, 248 pp., cor, capa dura, 31,45€

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Super-Homem: As Quatro Estações na DC Pocket

A Devir publica este mês Super-Homem: As Quatro Estações, de Jeph Loeb (argumento) e Tim Sale (desenho), um dos títulos mais conhecidos da dupla responsável por Batman: O Longo Halloween. A obra integra a colecção DC Pocket, dedicada à publicação, em formato compacto, de algumas das histórias mais marcantes do catálogo da DC Comics.

Publicada originalmente em 1998 com o título Superman for All Seasons, a história apresenta uma abordagem intimista às origens do Super-Homem, acompanhando Clark Kent durante a juventude e os primeiros passos na construção da sua identidade como herói. Último sobrevivente do planeta Krypton, Clark é enviado ainda bebé para a Terra, onde é encontrado e adoptado por Jonathan e Martha Kent. Cresce em Smallville, no Kansas, numa pequena comunidade e rodeado pelos amigos Lana Lang e Pete Ross, até começar a compreender que possui capacidades extraordinárias e que a sua vida terá inevitavelmente de seguir um caminho diferente. A narrativa acompanha a passagem de Clark de Smallville para Metrópolis e o seu crescimento enquanto Super-Homem, dando particular atenção às dúvidas, responsabilidades e relações pessoais que contribuem para definir a personagem.

Estruturada em quatro capítulos associados às quatro estações do ano, a história é apresentada através dos olhares de diferentes personagens próximas de Clark. Esta opção narrativa permite a Loeb e Sale construir o retrato do Super-Homem não apenas através dos seus poderes, mas também através da forma como é visto pelas pessoas que fazem parte da sua vida.

Super-Homem: As Quatro Estações coloca assim em primeiro plano os valores associados à personagem — a compaixão, a humildade, o sentido de responsabilidade e a vontade de ajudar os outros — numa história em que a humanidade de Clark Kent assume tanta importância como as capacidades extraordinárias do Super-Homem.

Super-Homem: As Quatro Estações, Jeph Loeb e Tim Sale, Devir, 232 pp., cor, capa mole, 10€

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Batman de Grant Morrison – Volume 7

A Devir prossegue a publicação da colecção dedicada à passagem de Grant Morrison por Batman, com a chegada do sétimo volume, numa fase particularmente importante da longa narrativa construída pelo argumentista escocês.

Bruce Wayne continua desaparecido e Dick Grayson assumiu a identidade de Batman, tendo ao seu lado um novo Robin: Damian Wayne, filho de Bruce e Talia al Ghul. A relação entre os dois está longe de ser pacífica. Dick procura adaptar-se ao papel do seu antigo mentor, enquanto a personalidade, a educação e os métodos violentos de Damian provocam constantes conflitos entre os dois.

Neste ponto da história prossegue o arco Batman vs. Robin, originalmente publicado em Batman & Robin #10-12, escrito por Grant Morrison e desenhado principalmente por Andy Clarke. A história aprofunda as tensões entre Dick e Damian e as consequências dos acontecimentos que têm vindo a envolver a família Wayne. Mas, enquanto Gotham tem um novo Batman, Bruce Wayne está longe de ter desaparecido definitivamente.

A sua viagem através do tempo prossegue em The Return of Bruce Wayne, minissérie em que Morrison transporta o Cavaleiro das Trevas através de diferentes períodos históricos. Cada episódio é confiado a um desenhador diferente: Frazer Irving ilustra o segundo capítulo, passado na época das perseguições às bruxas, enquanto Yanick Paquette assina o terceiro, que leva Bruce Wayne até ao universo dos piratas.

O volume inclui ainda material de Batman, com desenhos de Tony Daniel, relacionado com os acontecimentos de Batman R.I.P. e com a tentativa de compreender o que realmente aconteceu a Bruce Wayne. Os episódios #701-702, conhecidos como R.I.P.: The Missing Chapter, foram escritos por Morrison e integralmente desenhados por Tony Daniel. Desta forma, diferentes linhas narrativas começam progressivamente a convergir: Dick Grayson e Damian Wayne defendem Gotham como a nova Dupla Dinâmica, enquanto Bruce Wayne procura, através do tempo e das suas próprias memórias, o caminho de regresso ao presente.

Este sétimo volume conta, assim, com argumento de Grant Morrison e desenhos de Frazer Irving, Andy Clarke, Yanick Paquette e Tony Daniel, dando continuidade a uma das fases mais extensas e complexas da história moderna de Batman.

Batman de Grant Morrison – Volume 7, Frazer Irving, Andy Clarke, Yanick Paquette e Tony Daniel e Grant Morrison, Devir, 184 pp., cor, capa dura, 20€

Naruto 64 – «Jubi»: a Quarta Grande Guerra Ninja aproxima-se do seu momento decisivo

A Devir prossegue a publicação portuguesa de Naruto, de Masashi Kishimoto, com a chegada do volume 64, intitulado Jubi, mais um capítulo decisivo da longa batalha que marca a fase final da série.

Neste volume, a revelação da verdadeira identidade do homem por detrás da máscara deixa Kakashi profundamente abalado. O antigo companheiro que julgava morto, Obito Uchiha, está afinal diante dele, agora como inimigo e peça fundamental dos acontecimentos que conduziram à Quarta Grande Guerra Ninja. É Naruto quem consegue devolver-lhe a determinação necessária para continuar a combater. Para o jovem ninja, há uma certeza que permanece inabalável: fará tudo o que estiver ao seu alcance para proteger os companheiros.

Enquanto Naruto, Kakashi, Guy e Killer B procuram travar Obito e Madara, concretiza-se aquilo que todos tentavam impedir: o Jubi, a Dez-Caudas, regressa à vida.

Naruto começou a ser publicado no Japão em 1999, nas páginas da revista semanal Weekly Shōnen Jump, da Shueisha, e terminou em 2014, depois de 700 capítulos. Os capítulos foram posteriormente reunidos em 72 volumes tankōbon.

O volume 64 reúne os capítulos 608 a 617, originalmente publicados de forma serializada na Weekly Shōnen Jump. A edição japonesa em livro foi lançada pela Shueisha, através da colecção Jump Comics, em 4 de Abril de 2013.

Naruto #64: Jubi, Masashi Kishimoto, Devir, 192 pp., p&b, capa mole, 9,99€

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Monster 8: as memórias de Nina aproximam-nos da origem do «monstro»

A Devir prossegue a edição portuguesa de uma das obras maiores de Naoki Urasawa com o lançamento de Monster #8. Neste novo volume, a investigação em torno de Johan Liebert aproxima-se de algumas das respostas mais aguardadas da série, enquanto as memórias de Nina conduzem o leitor até aos acontecimentos traumáticos que marcaram a infância dos dois gémeos.

Desde o início de Monster, Johan permanece simultaneamente no centro da história e estranhamente ausente dela. A sua presença manifesta-se sobretudo através das consequências das suas ações, das pessoas que manipula e das vidas que destrói.

Neste volume, Urasawa mergulha ainda mais profundamente na construção da identidade, na memória e nos traumas da infância. Nina percebe que as suas próprias recordações poderão conter uma das chaves para explicar aquilo em que o irmão se transformou.

Monster começou a ser publicado no Japão em Dezembro de 1994, na revista Big Comic Original, da Shogakukan, mantendo-se em serialização até Dezembro de 2001. Os 162 capítulos foram posteriormente reunidos em 18 volumes tankōbon, publicados entre 1995 e 2002.

A edição que a Devir está a publicar em Portugal corresponde, porém, à posterior kanzenban, uma edição de luxo que reorganiza a série em nove volumes de maior dimensão, cada um reunindo aproximadamente dois volumes da edição original.

No Japão, o Monster Kanzenban 08 foi publicado pela Shogakukan em 30 de Julho de 2008.

Monster #8, Naoki Urasawa, Devir, 426 pp., p&b, capa mole, 20€

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Terra dos Homens, de Saint-Exupéry, ilustrado por Riad Sattouf

Chega uma edição especial de Terra dos Homens, de Antoine de Saint-Exupéry, enriquecida com ilustrações inéditas de Riad Sattouf, um dos mais reconhecidos e premiados autores contemporâneos de banda desenhada.

Publicado originalmente em 1939, Terra dos Homens (Terre des hommes) é uma das obras fundamentais do autor de O Principezinho. Inspirando-se nas suas experiências como aviador, Saint-Exupéry constrói uma reflexão sobre a aventura humana, a solidariedade, a responsabilidade e o sentido da vida. Entre os perigos dos primeiros voos de correio aéreo, os acidentes e a luta pela sobrevivência, emerge sobretudo uma celebração da coragem, da amizade e dos laços que unem os seres humanos perante a adversidade.

Esta edição ganha particular interesse pela participação de Riad Sattouf, autor de obras como O Árabe do Futuro, que acompanha o texto de Saint-Exupéry com um conjunto de ilustrações inéditas.

A combinação de um clássico incontornável da literatura do século XX com o trabalho gráfico de um dos grandes nomes da banda desenhada atual confere a esta edição um especial interesse bibliográfico e coleccionável, tanto para os leitores de Saint-Exupéry como para os apreciadores da obra de Riad Sattouf.

sábado, 12 de setembro de 2026

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O Anjo Pasolini – Pasolini revisitado em novela gráfica

A Levoir, em parceria com o jornal Público, publica O anjo Pasolini, de Éric Liberge (desenho), Arnaud Delalande e Denis Gombert (argumento), integrado na X Série da colecção Novela Gráfica.

Publicado originalmente em França pela Denoël Graphic, em Fevereiro de 2025, L’Ange Pasolini assinala os cinquenta anos da morte de Pier Paolo Pasolini (1922-1975), uma das personalidades mais singulares, polémicas e influentes da cultura italiana do século XX.

Poeta, cineasta, escritor, ensaísta e intelectual marxista, Pasolini assumiu publicamente a sua homossexualidade numa Itália profundamente marcada pelo catolicismo e pelo conservadorismo moral. Ao longo da sua carreira transformou, sobretudo, o cinema num poderoso instrumento de intervenção política, social e cultural. Crítico feroz do consumismo, da burguesia italiana e da transformação acelerada da sociedade do pós-guerra, Pasolini considerava que a expansão do capitalismo e da sociedade de consumo estava a provocar uma profunda uniformização cultural e uma verdadeira mutação antropológica. Nem a esquerda escapou às suas críticas, numa atitude intelectual que frequentemente o colocou numa posição incómoda e isolada. Nos últimos anos da sua vida, as suas intervenções tornaram-se particularmente contundentes. Nos artigos publicados na imprensa italiana, questionou as estruturas do poder e denunciou a corrupção e as ligações entre interesses políticos, económicos e outros poderes instalados. Pasolini tornara-se uma voz difícil de enquadrar e ainda mais difícil de silenciar.

É precisamente na sua morte que L’Ange Pasolini começa.

Estamos em novembro de 1975. Pasolini, com 53 anos, é atraído para uma armadilha numa praia de Ostia, nos arredores de Roma, onde é brutalmente agredido e assassinado. Enquanto agoniza, surge-lhe um anjo. Entre ambos inicia-se um diálogo que permite revisitar os momentos fundamentais da vida do poeta e cineasta.

A opção de Delalande e Gombert não é, portanto, a de construir uma biografia convencional. O encontro imaginário entre Pasolini e o anjo funciona como dispositivo narrativo para um exame de consciência: regressam as origens familiares, as contradições políticas e religiosas, a sexualidade, a criação artística, as polémicas, os sucessos e os fracassos de uma vida marcada por permanentes conflitos. É também um retrato das contradições do próprio Pasolini: progressista mas crítico da modernidade, marxista mas profundamente interessado pelo sagrado, provocador e simultaneamente nostálgico de um mundo popular que via desaparecer perante o avanço da sociedade de consumo. A própria apresentação da edição francesa sublinha essa sucessão de paradoxos que marcou a sua personalidade e a sua obra.

O desenho de Éric Liberge, em preto e branco, acompanha essa abordagem introspectiva e contribui para uma narrativa que se situa entre a biografia, a evocação histórica e a reflexão sobre a memória. Mais do que contar simplesmente a vida de Pier Paolo Pasolini, L’Ange Pasolini procura regressar às suas ideias, às suas inquietações e às suas contradições. Cinquenta anos depois do seu assassinato, muitas das questões que colocou — o poder dos meios de comunicação, a sociedade de consumo, a uniformização cultural, a relação entre política e poder económico — ajudam também a explicar por que razão Pasolini continua a ser uma figura tão discutida e atual.

O Anjo Pasolini, Arnaud Delagrand, Denis Gombert e Eric Liberge, Levoir, 104 pp., p&b, 16,90€