Entre passeios e pequenos prazeres partilhados, os dois amigos descobrem que a infância também se faz de desafios à coragem. Uma máscara ritual africana desperta-lhes receio, colocando à prova a determinação de chegar à desejada ginguba — o amendoim que dá nome à história. Será a vontade de a saborear mais forte do que o medo?
A máscara surge neste universo ligada à sua dimensão cultural e espiritual. A aparência intimidante pode representar proteção, autoridade ou ligação aos antepassados, sem corresponder necessariamente a uma presença maligna. Para os protagonistas, porém, o receio é bem real…
Publicada desde 2001, a personagem O Menino Triste funciona como alter ego de João Mascarenhas, preservando um olhar imaginativo e ingénuo sobre o mundo. Neste livro, a amizade ocupa o centro da narrativa: o prazer de estar acompanhado, de andar de bicicleta e de partilhar uma pequena descoberta.
Investigador científico na área da engenharia dos materiais e energia, João Mascarenhas desenvolve paralelamente um percurso na banda desenhada marcado pela diversidade gráfica. Trabalhos como O Perigoso Pacifista, A Norte de Sul Nenhum e Butterfly Chronicles mostram essa capacidade de mudar de registo, mantendo uma atenção constante à dimensão humana das histórias.
Em Ginguba, reencontramos esse interesse pelos afectos e pela infância, num convite a recordar como um amigo pode tornar uma aventura mais divertida — e um medo um pouco mais fácil de enfrentar.
O Menino Triste — Ginguba, João Mascarenhas, Escorpião Azul, 80 pp., p&b, com uma página a cores, capa mole, 21€



Sem comentários:
Enviar um comentário