Em Partir, ficando, Chabouté conduz o leitor até ao Alasca, território mítico de vastidões geladas e natureza indomável. O protagonista sonha viajar até essa última fronteira, mas vê-se impedido de concretizar o seu projecto. Em vez de desistir, decide empreender uma viagem diferente: permanece no mesmo lugar e passa a observar o mundo que o rodeia com um olhar novo.
À medida que abranda o ritmo do quotidiano, descobre uma realidade inesperadamente rica. Animais, rastos, sons, cores, formas e pessoas revelam-se sob uma perspectiva completamente renovada, transformando o mais banal dos cenários numa verdadeira aventura de descoberta. A obra propõe uma reflexão sobre a contemplação, a imaginação e a capacidade de encontrar o extraordinário no aparentemente comum, recordando que, por vezes, a maior viagem começa precisamente quando paramos.
Nascido na Alsácia, em 1967, Christophe Chabouté iniciou a sua carreira em 1993 e afirmou-se como um dos grandes nomes da banda desenhada de autor europeia. O seu trabalho distingue-se pela expressiva utilização do preto e branco, opção estética que considera fundamental para envolver o leitor e deixar espaço à interpretação pessoal. Em Partir, ficando, essa linguagem gráfica mantém-se predominante, sendo a cor utilizada apenas em momentos específicos, quando assume uma função narrativa e simbólica.
Os leitores portugueses conhecem já o trabalho de Chabouté através de obras como Acender uma Fogueira, Moby Dick (em dois volumes) e Táxi Amarelo, todas publicadas pela Levoir. Com Partir, ficando, a editora reforça a presença do autor em Portugal, acrescentando à colecção Novela Gráfica uma obra profundamente humanista, onde a viagem mais importante não é a que percorre milhares de quilómetros, mas a que transforma a forma de olhar o mundo.
Partir, ficando, Christophe Chabouté, Levoir, 152 pp., cor, capa dura, 16,90€




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