27 de março de 2014

O regresso de Buck Danny


Buck Danny, série de aviação criada nos anos 40 do século passado por Charlier e Hubinon, está novamente nas estantes das livrarias. Além dos tomos das recolhas de todos os episódios da série, a Dupuis decidiu inaugurar um novo ciclo de aventuras, com desenhos de Jean-Michel Arroyo e argumento de Zumbiehl.

O primeiro tomo ("Sabre sur le Corée") retoma a guerra da Coreia, com a supremacia aérea dos EUA   ameaçada, obrigando Buck Danny e os seus companheiros a testarem o novo protótipo F-86E. Este avião é uma nova versão do Sabre, que permitirá aos americanos se defenderam dos terríveis Mig-15 russos. Contudo, os espiões soviéticos irão fazer todos os possíveis para boicotaram o lançamento o novo modelo.

O grafismo é excelente, recordando-nos o velho traço de Hubinon, com uma história envolvente, bem ao estilo de Jean-Michel Charlier. Um verdadeiro regresso aos bons clássicos.

25 de março de 2014

A nova vida de Bob e Bobette

A grande criação de Willy Vandersteen tem uma nova vida, através da publicação este mês do primeiro volume de um spin-off da autoria de Charel Cambré, com argumento de Marc Legendre.

Após mais de 320 álbuns publicados desde a sua criação em 1945, os herdeiros de Vandersteen decidiram iniciar um novo ciclo, convidando Cambré e Legendre a ressuscitaram a série, agora num tom futurista e direccionado a um público mais adulto.

A série leva-nos a 2047, um futuro hostil consequência de um erro da máquina de transporte no tempo, onde Bob e Bobette, com a ajuda da sedutora Jérusalem, se lançam numa cruzada contra o mal.

O primeiro volume de Amphoria já se encontra no mercado, esperando-se o segundo em Novembro deste ano.





23 de março de 2014

A escravidão na banda desenhada francófona

"Tintin et Spirou conter les négriers" é a recente obra de Philippe Delisle e retrata como a banda desenhada francófona tratou o problema do tratamento dos negros e da escravidão ao longo dos anos.

Além de Tintin ("Tintin no Congo") e Spirou ("O gorila"), o autor aborda outras séries como Valhardi, Marc Dacier, Barba-Ruiva e Os passageiros do vento, entre outras.

Uma obra para percebermos a evolução dos valores europeus sobre as raças não brancas, da missão de evangelização aos excessos do colonialismo belga e francês dos povos africanos.

Tintin et Spirou contre les négriers, Philippe Delisle, 226 pp.




21 de março de 2014

dBD #81

Este mês chegou muito atrasada às bancas portuguesas a edição de Março da revista francesa de informação sobre BD, a dBD.

Neste número, destaco, além da vastíssima informação sobre o mercado da BD francófona, as entrevistas com Quino (acerca dos 50 anos da Mafalda) e Philippe Druillet (aproveitando o lançamento de Delirium, uma obra autobiográfica), a biografia do recém falecido Philippe Delaby e o belíssimo porfolio de Benjamin Lacombe.

dBD #81, mars 2014, 98 pp, 9,80 €

A batalha de 14 de Agosto de 1385

Após os dois álbuns sobre A conquista de Lisboa, Pedro Massano volta a ingressar no domínio da história de Portugal, agora com um álbum sobre a célebre batalha de Aljubarrota que relança a independência de Portugal.

Eis a sinopse da editora sobre este álbum de Pedro Massano:

Páginas de História de Portugal iluminadas pelo traço inconfundível de Pedro Massano e as palavras dos cronistas da época. Um relato épico de um acontecimento marcante, com pranchas arrebatadoras e de grande beleza. A Batalha de Aljubarrota pela mão de um mestre, para oferecer e guardar para si. Este livro descreve o que foi um dia decisivo para Portugal. A 14 de Agosto de 1385, o exército comandado pelo rei D. Juan de Castela foi derrotado, no campo de S. Jorge, por uma força muito inferior de portugueses. Os heróis dessa jornada memorável foram Nun’ Álvares Pereira, D. João I, e a hoste heterogénea de quantos combateram sob as suas ordens. O autor Pedro Massano procurou, de acordo com as fontes históricas da época – Froissart, Castañeda, o próprio D. Juan e, sobretudo, Fernão Lopes – fazer justiça a esses quantos que souberam dar-nos uma nova vida e reinventar o seu país.

O álbum, cartonado e com 88 páginas a cores, é lançado no próximo dia 27 de Março.

15 de março de 2014

França mantém aposta nas adaptações ao cinema de banda-desenhadas. «Cédric» é a próxima


As bandas-desenhas, mangas, comics e novelas gráficas tomaram de assalto o cinema. E não falamos só do dito cinema de Hollywood, pois a oriente (onde são focos de inspiração recorrentes) e na Europa a tendência tem vindo a progressivamente aumentar, sejam elas fitas com ambições comerciais (O Menino Nicolas, Asterix), seja com um "selo" de autor (A Vida de Adèle, Quay d'Orsay), ou até a pisar o terreno dos dois campos (Snowpiercer é sul-coreano mas adapta uma banda-desenhada gaulesa). Aliás, França tem sido um dos países onde acresce o número de adaptações ao cinema de bandas-desenhadas e Cédric, criado pelo duo Raoul Cauvin / Laudec, é a próxima "vitima".

A realizar a obra de origem belga vamos encontrar Gabriel Julien-Laferrière (SMS) e no protagonismo está confirmado Christian Clavier, ator que participou no ano passado em Les Profs, também este uma adaptação de uma banda-desenhada gaulesa, Audrey Lamy e  Frédérique Bel.

Recordamos que brevemente, e só tendo em conta o mercado francês, serão lançados Lou ! Journal infime, Astérix: Le Domaine des Dieux, Benoît Brisefer: Les Taxis Rouges [filmado em Lisboa], Les vacances du Petit Nicolas e Les Profs 2. Para além destes estão ainda cogitados os regressos de Os Smurfs e Tintin, para além de se falar de uma adaptação de O Incal.

In C7nema

14 de março de 2014

Christie's terá o seu primeiro leilão de banda desenhada

Uma das mais famosas sociedades de leilões do mundo, a Christie's, irá lançar a sua primeira venda por licitação dedicada à banda desenhada, no dia 5 de abril em Paris, em parceria com o proprietário da galeria e coleccionador Daniel Maghen.

O leilão contará com, aproximadamente, 370 tiras de banda desenhada e edições originais de ilustradores como Hergé, Uderzo, Moebius, Hugo Pratt, Manara e Benjamin Lacombe, segundo foi noticiado pelo ABC.

Está prevista a angariação de cerca de 3 milhões de euros desta selecção de edições de banda desenhada, no primeiro leilão da Christie's dedicado à nona arte.

Segundo a sua declaração ao jornal Telegraph, François de Ricqlès, presidente da Christie's France afirma, "Estamos muito satisfeitos com o lançamento do leilão de banda desenhada no mercado, em parceria com Daniel Meghan, o líder europeu nesta categoria. Este leilão será organizado juntamente com o Salon du Dessin, um evento internacional que atrai coleccionadores de todo o mundo".

Daniel Meghen declarou, ao mesmo jornal, que "este projecto vai ajudar a valorizar esta arte, assim como, os grandes artistas de banda desenhada para um público global".

in Diário de Notícias

Poderá descarregar o catálogo aqui.

8 de março de 2014

184.º aniversário de João de Deus celebrado com lançamento de BD de José Ruy

A obra de banda desenhada João de Deus – A Magia das Letras, de José Ruy, é apresentada na próxima segunda-feira, 10 de Março, no âmbito da comemoração do 184.º aniversário de João de Deus. A apresentação, a cargo de Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas e do Centro Nacional de Cultura, decorre pelas 16:30 horas, no Museu João de Deus, em Lisboa.

Este é um duplo lançamento, das versões em português e em mirandês, João de Deus – La Magie de Las Letras, com tradução de Amadeu Ferreira e a colaboração de António Cangueiro.

José Ruy traça o perfil biográfico de João de Deus, poeta, pedagogo e humanista que deu origem a um método de aprendizagem de grande difusão com a sua Cartilha Maternal, tornando-se numa importante, senão a principal, referência pedagógica do século XIX.

Actualmente, a obra de João de Deus é detentora de 55 centros educativos, incluindo um museu, uma casa-museu e uma Escola Superior de Educação.

O autor: José Ruy nasceu na Amadora em Maio de 1930. Cursou Artes Gráficas na Escola António Arroio, onde foi discípulo do mestre Rodrigues Alves, e frequentou habilitação a Belas Artes.

Iniciou-se como autor de textos e desenhos com 14 anos, tendo publicado ao longo da sua carreira 79 álbuns, 48 dos quais em banda desenhada, com destaque para Fernão Mendes Pinto e a sua Peregrinação, Os Lusíadas e História da Amadora, com actualizações. Tem colaborado em diversos jornais e revistas, nomeadamente em O Cavaleiro Andante e Selecções BD. Editou e dirigiu a 2.ª série do jornal O Mosquito.

O rigor na investigação e a qualidade dos seus trabalhos têm sido apreciados de norte a sul do país, com múltiplas homenagens e a atribuição de 25 prémios.

Expôs com sucesso em vários países da Europa, na China, no Japão e no Brasil.

Primeiro autor a ser galardoado com o Prémio de Honra do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, em 1990. No ano seguinte foi distinguido com a Medalha Municipal de Ouro de Mérito e Dedicação da cidade natal, onde o seu nome foi atribuído a uma escola e a uma avenida.

(texto da responsabilidade da editora)


1 de março de 2014

Alexis Mac Coy faz quarenta anos


O tenente Alexis Mac Coy estreou-se na banda desenhada no número 1 da revista Lucky Luke no mês de Março de 1974, com desenhos do espanhol Antonio Hernandez Palácios e textos do francês Jean-Pierre Gourmelen.

Alexis Mac Coy é originário dos estados sulistas dos Estados Unidos da América, tendo combatido pela Confederação na Guerra da Secessão, travada naquele país entre 1861 e 1865.

Humanista, Mac Coy, vencido, foi realibilitado pelo Exército norte-americano, sendo colocado no célebre Forte Apache. Aqui trava amizade com Charley, com quem vive inúmeras aventuras num oeste ainda selvagem.

Hernandez Palácios, que já se aventurara num outro western, os Manos Kelly, confere a esta série o seu estilo pontilhado de desenho, desenhando 21 aventuras, sempre com textos de Gourmelen, tendo suspendido a série em 1999.

Após a estreia na Lucky Luke, a série transfere-se sucessivamente para as revistas Tintin, Charlie

Mensuel e, finalmente, a Pilote. Após o desaparecimento desta última, as aventuras do tenente são editadas directamente em álbum pela Dargaud.

Em Portugal, Mac Coy estreia-se em 1980 num álbum da extinta Meribérica, que editou outras três aventuras. Uma quarta aventura inédita foi publicada pela revista Selecções BD.

Fica aqui a bibliografia portuguesa da série:


  • O lendário Alexis Mac Coy (La légende d'Alexis Mac Coy), 1974, Álbum Meribérica [197?]; Flecha 2000 #21 a #33
  • Um homem chamado Mac Coy (Un nommé Mac Coy), 1975, Álbum Meribérica [197?]; Jornal da BD #27
  • Armadilhas para Mac Coy (Piéges pour Mac Coy), 1975, Álbum Meribérica [1981]
  • O triunfo de Mac Coy (Le triomphe de Mac Coy), 1976, Álbum Meribérica [1982]; Jornal da BD #59
  • Um Natal para Mac Coy (Le pire Noël de Mac Coy), 1987, Selecções BD (1ª série) #10